Ilusões
16 Capítulo 16
Notas iniciais
Sasuke
Eu estava simplesmente acabado. Podre de cansaço. Louco para dormir por uma semana inteira, e direta. Mas não podia me dar ao luxo. Não por essa semana, pelo menos. E ainda por cima, para meu desespero, Kakashi me informara que o próximo dia passaríamos dentro do estúdio de gravações da T4 — um programa de televisão daqui de Londres. Maravilha!
Então, me apressei em me arrumar, já que a tarde tinha sido longa demais. Enquanto escovava meus cabelos em frente ao espelho, notei a barba que precisava ser feita. Sinceramente, odeio fazer a barba. É como ter que depilar as axilas, ou as pernas, para as mulheres. Um pé saco. A minha vantagem é que ninguém me criticaria por deixar a barba. Exceto o Kakashi, que me enchia o saco para manter as aparências. E minha mãe, que me chamava de desleixado por isso, me comparando com meu irmão, que fazia a barba todos os dias. Mas eu não queria ser como ele. Eu apenas queria poder ser eu mesmo.
Mas para evitar discussões desnecessárias, apliquei meu barbeador no rosto. Terminei de me arrumar antes da hora, e me joguei no sofá da sala. Sem querer, acabei pegando no sono. E acordei mais tarde, com alguém batendo na porta.
— Que merda! Esqueci que você perdeu o celular! Há meia hora que estou te ligando para descer... Vamos! O Kakashi vai me degolar se atrasarmos ainda mais! — Yamato me dizia.
Olhei meu relógio de pulso. Realmente estávamos atrasados. Mas eu estava com o mínimo de vontade de sair de casa...
— Porque não fazemos diferente? Traga a menina aqui! — Yamato arregalou os olhos.
— Me diz que você está brincando!
— Eu te diria... Se estivesse! Traga o repórter e sua sombra e pronto! Teremos o jantar aqui! Eu peço pizza, vemos um filme, ou sei lá o que, e encerramos a noite. Eu não estou com paciência para sair na rua e enfrentar tumultos. — fiz careta.
— Acho que Kakashi não vai gostar disso. — ele comenta, pegando seu celular do bolso.
— Por, pelo menos, desta vez, não vou me importar com o que ele pensa. Eu só quero descansar! Vamos, Yamato, você também deve estar cansado de andar para lá e para cá! Não pudemos descansar um dia inteiro sequer desde nossa ida à Paris.
— De fato. — ele concorda, ponderando em fazer aquela ligação — Vou buscar a menina.
— Isso, faça isso. Deixe Kakashi comigo. — lhe digo.
Assim sendo, ele se fora. Eu não queria ter de ouvir os sermões do meu agente, mas eu precisava que ele ligasse para o fotografo e o repórter avisando-lhes a mudança de planos.
— Eu espero que você tenha consciência das conseqüências, Sah. — me dissera.
— Assim que essa semana acabar, pretendo me mudar. Não se preocupe! Já andei olhando alguns apartamentos, inclusive. Quero morar longe do centro.
— Ok. Estou a caminho. — desliguei meu aparelho telefônico convencional.
A idéia era brilhante, na verdade. Aqui em casa, eu teria liberdade para embebedar todos, e fazer com que a menina abra, de uma vez por todas, o bico. Todo o esquema foi se formulando na cabeça, quanto mais pensava no assunto! Eu poderia fazê-la passar mal, embebedá-la, aplicar meu charme irresistível, embebedá-la mais um pouco, jogar mais charme, fazê-la passar mal outra vez, acolher a coitadinha em meus braços, e PIMBA! Dou o bote. O plano era perfeitamente maligno o suficiente para conseguir me livrar dela, e ter meu tão sonhado sossego.
Eu sou brilhante! Err.
Eu teria dado alguma arrumada na bagunça... Se eu tivesse alguma, isto é. Como não parava em casa, não tinha tempo nem para deixar sapatos pela sala, ou louça suja na pia. Estava tudo perfeitamente em ordem. Irritantemente em ordem, na verdade. Eu simplesmente não tinha como matar aquele tempo. O que fiz, então, foi ligar para o serviço de um supermercado local, pedindo bebidas alcoólicas, rolos de papel higiênico e laxantes. É. Pedi também que trouxessem uns dez dvd’s de quaisquer filmes de comédia. Eu estava na dúvida, na verdade, sobre qual gênero pediria. Como não queria ninguém choramingando por dramas, gritando por terror, ou entediados com ação, resolvi que os queria com dor de barriga por tanto rir. Para dar uma mãozinha ao laxante, é claro.
Ainda bem que o serviço de entrega era rápido, e um funcionário trouxe tudo em menos de dez minutos. Com um pouco de suborno, milagres acontecem simplesmente. Organizei aquilo tudo devidamente e, quinze minutos mais tarde, alguém bate na porta, outra vez.
— O que houve? — perguntei, percebendo a cara emburrada do Kakashi.
— Graças a você, o Yamato está dirigindo à toa, por aí, para despistar o repórter e o fotografo que não aceitaram ir para casa, porque você queria paz! — ele me diz, sarcasticamente — Tive que mentir, dizendo que você, depois, resolveu ir àquele restaurante mexicano, na divisa com Kent. Yamato ficou tão puto, que tive que lhe prometer aumento de salário. Você deveria me agradecer por ser o melhor agente do mundo, isso sim! E agora estou muito prestes a arrancar todos os fios dos meus cabelos, tentando descobrir como vou explicar a eles que você não estava no carro!
— Porque não simplesmente os trouxe para cá? Eu já disse que vou me mudar daqui, assim que isso tudo acabar.
— Porque você disse que queria paz, meu caro. — ele diz, jogando-se em meu sofá.
— E serei-lhe eternamente grato.
Não muito tempo depois, Kurenai chega com a menina. As duas transpiravam e ofegavam. Estavam até mesmo pálidas.
— O que houve? — perguntei, com aquela sensação de déjà vu.
— Tivemos que entrar pelos fundos, e subir pelas escadas. — Kurenai responde, entre arfadas.
— Brilhante idéia, a propósito. — Sakura comenta — Você sabia que morava no vigésimo sétimo andar? — e então, ela cai de cara no chão — Eu estou bem! Não se preocupem! Só preciso descansar um pouco.
— Se tivesse comido o bolo que ofereci, teria emagrecido só com essas escadas! Agora você não passa de um saco de ossos vivo. — lhe digo.
— GRRRRRRR! — ela rosnou alto para mim. Hehe.
A carreguei pelos braços, a levando para meu outro sofá, enquanto Kakashi ajudava Kurenai a sentar-se ao seu lado. Ofereci-lhes um copo com água, e aguardei até que elas voltassem ao normal.
— Onde estão o restante? — perguntou a menina — O cão de guarda, o repórter e o fotografo?
— Não virão. —respondi.
— Ohh. — ela sorriu. Só não entendi por quê.
— Bom, eu estava pensando em pizza, o que acham? — perguntei. Todos eles deram de ombros.
Como éramos quatro, resolvi pedir cinco pizzas grandes.
— Posso pedir cada pizza com dois sabores... Anotem neste bloco o que vocês querem, que eu já volto. — peguei o bloco de notas que tinha dentro da mesa de telefone da sala e entreguei ao Kakashi. Enquanto eles anotavam, eu fui verificar as bebidas.
Ainda me questionei se realmente deveria fazer aquilo, ou não. Afinal, eu estava me divertindo sim com ela... Às custas dela, na verdade. Hehe. Mas quem se importa? Meu orgulho também estava em jogo aqui. E homem que se preze, não deixa o orgulho ferido. Muito menos por uma louca de cabelos cor de rosa. Err.
Preparei quatro copos de uísque com vermute seco, suco de abacaxi — que eu já tinha pronto na geladeira — e cubos de gelo. Despejei algumas gotas do laxante liquido que conseguira, e pronto! Estava feita a maldade. Pus os copos numa bandeja e levei-os para sala.
— Preparei uma bebida para nós. — avisei, repousando a bandeja sobre a mesa de centro. Foi então que me dei conta de que não havia marcado qual dos copos estava com o bendito laxante. Err.
Que mancada, Sasuke, que mancada! Tsc.
Peguei o bloco de notas, vendo-os avançarem nos copos. Respirei fundo, rezando para que aquilo não fosse parar em mãos erradas. Eu ouvia de longe o som de cada gole que eles deram em câmera lenta.
Bom, azar. Agora já era! O que tiver que ser, será!
Disquei o número da pizzaria, e fiz o pedido.
— Quero cinco pizzas, com os seguintes sabores: calabresa, camarão, alho e olho, quatro queijos, portuguesa, frango, mexicana, tanto faz, siciliana e mussarela. — lhe cito.
— Ahm... Moço?... Não temos tanto faz. — tapei o fone do aparelho, suspirei e olhei para eles.
— Ele não tem a pizza tanto faz. — digo solenemente.
— Ah, por mim pode ser qualquer uma! — Sakura diz. Claro que tinha que ter sido ela.
— Eu tenho a ligeira impressão de que eles também não têm essa.
— Calabresa. — ela responde, por fim.
— Mande uma pizza inteira de calabresa. — digo ao atendente. E vou fazê-la engolir essa pizza inteirinha! Tsc.
Após desligar o telefone, peguei meu copo, rezando para que aquele não fosse o com laxante. Aí, seria mancada demais para uma pessoa só! Err. Mas, como criatura esperta, agraciado por um cérebro rigorosamente ativo, rapidamente, bolei um pequeno plano de fuga. Para não ter erro, discretamente, joguei os dvd’s sobre a mesa do centro para entretê-los, e me retirei para a cozinha com o copo na mão, fingindo que bebia um gole.
Não engoli. Cuspi tudo na pia e esvaziei o copo. Instantes depois, a Sakura entra na cozinha, me fazendo derrubar o copo no chão com o susto.
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