Ilusões

17 Capítulo 17


Notas iniciais
Mais um. Boa leitura!:)

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Sakura

Perguntei-me se deveria mesmo aceitar aquela bebida ou não. Eu havia tomado meus remédios antes de sair do hotel, e não deveria ingerir álcool. Mas se não fizesse isso, eu estaria em apuros! Meu plano maligno iria por água abaixo... Então, resolvi tomar alguns pequenos goles apenas para disfarçar. Uma pequena dose não me mataria. Talvez eu tivesse alguma convulsão básica, mas o que isso importa? Bastava eu pôr em prática minhas aulas de teatro, e me fazer de bêbada. O importante era fazer com que ELE bebesse!

Enquanto a Kurenai olhava as caixas de DVDs, junto com o cara estranho de cabelos brancos, resolvi dar uma escapulida até a cozinha. Não vi quando o cocada saiu, mas presumi que tivesse ido ao banheiro. E como eu já conhecia o lugar, me senti a vontade para me locomover livremente pelo apartamento. O plano era me livrar do restante daquela bebida, jogando tudo fora pela pia. Contudo, essa intenção voa para bem longe quando vejo o próprio Sasuke fazer o mesmo. Hum.

Mas porque ele não podia beber?

Eis a questão.

— Eu estava lavando o copo. — ele diz, rapidamente — Tenho mania de limpeza. Preciso lavar o copo antes de beber outra dose. — uhum! E eu nasci ontem! Me engana que eu gosto! Tsc.

— Hummmmm. Quer ajuda para limpar a sujeira? — pergunto assim, como quem não quer nada.

— Ah, não! Pode deixar que eu me mesmo limpo. — ele responde, agachando-se para juntar os cacos de vidro maiores — Não se preocupe; volte para a sala! Se for mais bebida que você quer, eu levarei assim que limpar isso aqui. — ele ainda diz. Mas como eu precisava me livrar daquela bebida, repousei o copo na beirada da mesa, fazendo de conta que o ajudaria assim mesmo.

Ops! Mas vejam só como sou descuidada: derrubei o copo no chão também, e o restante do líquido ainda espirrou sobre sua roupa. Ohhh! Mas que peninha de galinha!

Ele me olhou com cara de mau me quer, e eu apenas lamentei.

— Por Deus, olha só essa bagunça! Viu só? Se você não tivesse quebrado o seu, teria apenas um copo a menos! Agora tem dois a menos! — err.

— GRRRR! — ele rosnou pra mim. Hehe.

Instantes depois, a Kurenai e o cara dos cabelos brancos entraram na cozinha.

— O que as crianças estão fazendo? — ela indaga, sorridente — Ouvimos algo quebrar... Não façam nada que eu não faria, hein, meninos?! — é, a coitada já parecia alegrinha demais.

— Sah, — o cara do cabelo branco diz — eu sei que você se ama, mas porque trouxe um filme seu para vermos? — ele indaga, com uma caixa de DVD na mão. Eu me aproximei para ver aquilo.

— Ohhh! Eu amo esse filme! — nunca vi na vida — Vamos ver esse! Vamos ver esse! — até bati palmas, fingindo empolgação.

A idéia era ótima! Eu matava dois coelhos com uma cajadada só. Via algum filme dele, e o bajulava durante a seção. Era perfeito, na verdade. Esse seria um ótimo começo para dar o bote. Eu encheria toda a bola dele, e ainda jogaria meu charme.

O cocada, no entanto, parecia não ter gostado da idéia.

— Eu não escolhi os filmes; apenas pedi para que trouxessem algumas comédias. — ele diz, levantando-se.

— Bom, por mim, — Kurenai aproximou-se, pondo as patas no rosto dele — poderíamos rever todos os filmes do Sasuke, hum? — era impressão minha, ou ela estava caidinha por ele? Hum. Tsc.

Ele não tinha nada demais. Dois olhos, um nariz, uma cabeça, duas pernas, um pinto... Eu acho... Era igual a qualquer um! Exceto pela sua conta bancária, é claro. Fora isso, ele não parecia ter nada de interessante.

Ok, ele era bonito, talvez gentil... Tinha um corpo bem esculpido por algum artista da educação física de academias... Mas nada excepcional. Nada de outro mundo!

— Ah, claro... Podemos ver meus filmes sim... Mas acho que seria um tanto repetitivo, e entediante, não? Eu estava pensando em ver algo mais inédito. Acho que explorar outras produções seria interessante também... Existem tantos atores bons a quem posso me espelhar... — ele lhe diz, retirando, discretamente, as mãos dela de seu rosto.

Hum. Ele poderia ter sido mais grosso com ela, já que estávamos na casa dele, sem nenhum repórter fazendo anotações sobre quantas vezes ele coçava o queixo, ou quantas vezes passava a língua pelos lábios para umedecê-los... E porque eu reparei nisso? Err. O X da questão é: ...

Do quê eu estava falando? Err.

Ele pegou outros dois copos de um armário aéreo, sobre a pia, e serviu-os com mais bebida. Enquanto isso, Kurenai e o outro se afastaram, voltando para a sala. Sasuke, então, entregou-me um dos copos, ficando com o outro. Fizemos “tim-tim”, e lhe roguei maldições por aquilo.

Eu poderia dizer que não podia beber álcool porque tomava remédios que contra-indicava a ingestão de álcool, mas o problema seria quando ele perguntasse que remédios eram esses. Quando se diz que é bipolar, as pessoas te olham “torto” e tendem a se afastar, achando que você é um louco varrido. Tsc! Como se eu realmente fosse!

Ok, eu podia ter meus momentos de empolgação, mas não era nenhuma desmiolada! E ái de quem me contrariar! Grr.

O que me restou fazer foi beber. Eles poderiam querer cancelar essa palhaçada, por precaução, se soubessem que eu tinha algum “problema”. Principalmente essa Kurenai, que estava tão disposta a pegar no meu pé. E agora já bem sei o por que. Tsc. Não! Eu tinha que ser cuidadosa ao extremo!

Respirei fundo e bebi tudo num só gole. Agora, que seja o que Deus quiser! É matar ou morrer!

Ele fez o mesmo; bebeu tudo num só gole.

Mas porque ele não podia beber?

Eis a questão; que eu vou arrancar dele, nem que seja à pau!

Voltamos para a sala, e ele serviu mais bebida para os outros dois. Pôs o filme no aparelho de DVD, e nos espalhamos pelo sofá para vermos o filme, enquanto esperávamos as pizzas.

Neste filme, pelo que entendi até os 15 primeiros minutos, ele fazia papel de um gay metido a macho. Olhei-o de canto, que sentava ao meu lado — e a Kurenai do outro lado dele — abracei seu braço e encostei a cabeça em seu ombro, assim, na maior cara de pau mesmo. Tentei roçar meus cabelos no rosto dele, para ele se encantar com o meu perfume.

O filme era uma porcaria. Em vinte minutos, não tive vontade sequer de sorrir de leve. CADÊ A COMÉDIA? Claro que eu forçava, e ria toda hora. Ri até quando ele apertou a mão de outro ator. Ri quando ele abriu a porta, ri quando ele levantou do sofá, ri quando passou a mão nos cabelos... Só não consegui rir quando ele apareceu sem camisa — eu babei no ombro dele! Err. Mas fora isso, saí rindo de tudo mesmo. Talvez ele pensasse que eu estivesse bêbada! E quem sabe, assim, eu consiga convencê-lo a beber mais também...

— Você é gay ou não é? — perguntei, mas só para irritá-lo um pouquinho.

— Eu pareço gay? — ele indaga, revirando os olhos.

— Um pouco.

— Quer mais bebida?

— Hã? — porque ele mudou de assunto?

Rapidinho, ele levantou-se. Foi até a cozinha, e voltou instantes depois, com mais uma bandeja de bebidas. Ele estava querendo nos embebedar também? Humm.

Ele mesmo pegou um copo e estendeu a mão, oferecendo-me a bebida. Mas antes que eu pudesse alcançá-la, Kurenai se pôs no meio, e o tomou.

— Estou sentindo um leve mal estar... Mas acho que só preciso de mais um pouco! — ela diz, tomando um gole do copo.

— NÃO, NÃO, NÃO! ESSE COPO, EU... Eu... Eu tinha preparado especialmente para minha fã querida... — ele diz, fuzilando-a sutilmente.

Então, ele fez uma bebida especialmente para mim, né? Sei...

Há! Ele está caidinho por mim!

Notas finais
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