Ilusões

15 Capítulo 15


Notas iniciais
Mais um. Boa leitura! :)

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Sakura

Pela carinha de bunda de neném, eu achava que ele não passava de um garotão, metido e cheio de si. Mas me espantei ao ver que ele já tinha alguns vários fios de cabelo branco na cabeça, na região das suas franjas longas, e algumas marcas de expressão na testa. Hum. Talvez ele não fosse tão imaturo assim!, pensei. Mas isso também não significa absolutamente nada! Ele pode ter duzentos anos, e ainda ser o maior idiota do planeta!

Eu não queria ter que admitir isso, mas, talvez, ele tivesse razão quanto a eu estar exagerando. Eu deveria encarar o Naruto de frente, e acabar com isso de forma pacificamente. Eu deveria mostrar a ele que posso ser madura, e sair dessa de relação com a cabeça erguida e calcinha na mão.

Bom, pela primeira vez, caminhei ao lado da cocada preta em silêncio. Não sei por que, mas não me senti a vontade com aquela quietude. Era como se tivesse alguma coisa errada com aquela cena. Eu e ele, caminhando lado a lado, em silêncio? Eu hein! Era estranho. Felizmente, Kurenai pôs tudo água abaixo, quando saiu me arrastando para o outro lado da rua.

— Escute aqui, sua garota estúpida, devo lembrá-la de que estamos cuidando cada passo que você dá? NUNCA MAIS repita isso! O Sasuke deve se manter sob vigília o tempo inteiro! Pela segurança dele! Não apenas contra fãs idiotas como você, mas contra qualquer um que possa servir de ameaça. Como celebridade, ele está muito mais sujeito à assaltos, seqüestros, ou qualquer outra coisa desse tipo, do que uma bostinha como você! Por tanto, pense duas vezes antes de sair cometendo outra estupidez como essa! — ela estava certa, eu sabia disso.

Mas ela não precisava estar apontando aquele maldito dedo no meu nariz! Ainda mais quando me chama por um apelido tão gentil e delicado, quanto “bostinha”. Grr. Juro que não mordi aquele dedo, apenas porque eu sabia que eu havia errado. Não que eu tivesse o arrastado comigo pensando em jogar o coitado na boca de um lobo! Mas, de qualquer forma, eu reconheço meus atos.

— Se você ainda quiser se manter com esse dia de princesa, terá de assinar um pequeno contrato, aceitando nossas condições. Caso desobedeça alguma das regras, cairá fora, nos pagando indenizações por danos morais. O que me diz?

— Isso não será necessário. Não farei nada pra prejudicar o... — eu ia dizer o rei da Inglaterra, mas resolvi conter a língua — Sasuke.

— Você não está me entendendo, queridinha. Não estou te dando outra opção! Ou você assina, ou está fora!

— Eu assino.

Porque diabos eu ainda concordei? Eu deveria dar um “chega pra lá” e acabar de vez com a palhaçada. Mas quando vi, minha boca gigante já tinha concordado com aquele absurdo. Pelo menos, eu tinha tudo gravado no celular. Assim, poderei mostrar para Ino o mundo sujo em que seu amado príncipe vivia.

E por falar nele, percebi que o “dito cujo” não tirava os olhos da gente, ali parado, do outro lado da rua. Ele sabia daquilo? Err. Claro que sim! Afinal, aquela palhaçada toda era sobre ele.

Repus minhas energias pensando na tatuagem. Eu precisava dar um jeito de sair daquela de alguma forma que não pareça suspeito. Mas como?

O tal estúdio de tatuagem, que o maldito gentil fotógrafo nos fez o favor de sugerir, ficava à cinco quadras de onde estávamos. Chegando lá, fomos atendidos por um cara com tatuagens até na testa. Olhou-nos dos pés a cabeça, e sorriu para mim.

— No que posso servi-la?

— Um copo de água seria bom. — err. Qualquer coisa para adiar o maior pesadelo do mundo.

O cara me olhou de um jeito estranho, mas me deu as costas sem dizer nada, indo em busca da água. Logo em seguida, Sasuke se aproximou de mim. Ele tinha uma expressão de apreensão no rosto, eu acho. Olhou rapidamente para os lados e se inclinou em minha direção.

— Escuta... você não precisa fazer isso... Você pode dizer que comeria dez quilos de bolo! Tudo o que eles querem é alguma coisa absurda para editar numa revista!

— Está brincando? Eu prefiro fazer a tatuagem a engordar vinte toneladas! — ele não conhece as mulheres não?

Bom, ele revirou os olhos.

— Ok, se prefere ficar com uma tatuagem ao qual não poderá se livrar nunca mais, à uns quilos que poderia perder facilmente com um pouco de exercício... Que fique ao seu critério. — ele diz, dando de ombros.

Mas espere aí. É verdade! Err.

O cara tatuado voltou com meu copo d’água, e logo lhe dissemos a idéia mais idiota que já tive na vida. Morri de vergonha por ter de dizer que queria tatuar o nome do Sasuke. E o idiota do fotógrafo ainda sugeriu que fosse o autografo dele. Juro que o que esforço que fiz em não pular no pescoço dele fora fenomenal, tamanha sua grandeza! Err. Então, lá fomos nós para o banco. Digo, eles! Eu sentei numa poltrona, enquanto Sasuke autografava uma folha de papel que seria copiada pelo cara, e, então, tatuada em mim. Cruzei os braços, e fiquei olhando em volta do lugar, para ver se achava alguma coisa que pudesse usar a meu favor. Uma faca, um revolver, um cassetete... Qualquer coisa serviria. Mas aquela espelunca não tinha nada. Saco.

E então, o cara se aproximou com o autógrafo do Sasuke. Eu tirei meu sapato, rezando para que meu chulé o espantasse. Eu ia passar ainda mais vergonha, mas azar! Era para o bem da minha amiga que eu faria esse sacrifício. Ainda bem que o Sasuke me dera a rica informação de que no pé dói menos. Ter que me submeter à isso, e ainda ter que sofrer, seria um sacrilégio!

Ele copiou em um papel carvão a assinatura, e fez com que a copia ficasse desenhada em minha pele, para, assim, tatuar por cima com a agulha. Comecei a rezar, agora, para todos os santos para que fizessem cair um raio naquele lugar. Mas nada desceu. Nem mesmo um pingo de chuva! Err. Tudo o que me restou foi ficar observando-o preparar a agulha e a tinta.

Uma gota de suor caiu de minha testa. O relógio de parede fazia tic-tac sem parar. Comecei a roer minhas unhas; coisa que não faço com freqüência! E então, o cara ergue a agulha, sorri para mim, e pega em meu pé. Aponta agulha em minha pele e eu berro!

— EU TENHO ALERGIA À ESSA TINTA! TENHO ALEGRIA À TINTA DE TATUAGENS! EU TENHO ALERGIAS!! Há! — err. Por pouco não chorei de felicidade por ter me lembrado desse detalhe no último instante. Salva pelo gongo!

Digo, não que eu tenha alguma alergia. Sequer tinha tatuagem alguma no corpo, mas eu sabia que pessoas poderiam ter alergias àquelas tintas sim! Hehe. Eu tinha um amigo com um coração tatuado no peito, e ele teve reação alérgica. Essa era uma ótima desculpa para não fazer tatuagens.

— Como é que você sabe que é alérgica? Tens outra tatuagem? — o cara pergunta. Hum. Pensa rápido, Sakura, pensa rápido.

— Tenho... Uma em um local estratégico! Lá no meio do mato... Sabe como é, né? Charme! — sorri de canto.

Com uma tatuagem estratégica, eu não precisava mostrar nada a ninguém, né? Agora era só rezar para que ele não tivesse tanta cara de pau quanto eu tinha, em pedir para ver aquilo. Err. Eu merecia um Oscar por cara de pau e sem sem-vergonhice, isso sim. Quem mais passaria tanta vergonha assim por alguém?

— Você tem alergias naquela região? — o cocada indaga — Acho que desvendamos o mistério dele estar com outra, não? — err.

Mas afinal de contas, porque ele me deu aquela dica do bolo? Aquilo foi alguma tentativa de ajuda? Mas por quê? Ele estava duvidando da minha capacidade? Porque se for isso, eu vou mostrar a ele do que sou capaz! Ah, se vou!

Menos tatuagem.

Depois dessa, cada um seguiu para seu hotel. Eu lamentei profundamente não poder ficar mais uma semana com o meu príncipe encantado de contos de araque, é claro, mas o que eu poderia fazer? Aquela seria a loucura mais absurda que eu poderia ter inventado na hora. Eu tentei a tática dos dez quilos de bolo, mas o Sasuke disse que não estava mais valendo. Novamente, lamentei profundamente... Por ter prolongado minha tortura por tanto tempo.

No meu quarto do hotel, fui me preparar para mais um jantar. Eu pensava em ligar para o maldito Naruto, mas eu estava sem idéias sobre o que lhe dizer.

“— E aí, Naruto? Como anda a vida de estudante? Estudando muitos peitos?” ou

“— E aí, Naruto? Ouvi dizer que você está estudando medicina, com especialização em Implantes de chifres.”

Naaah! Eu tinha que pensar em uma boa maneira de lhe abordar. Para humilhar o cretino mesmo. Pensando bem, Sasuke não tinha razão. Eu merecia minha vingança sim. Por mínima que fosse!

No fim, não liguei para ninguém. Enquanto aguardava Kurenai no saguão, me sentei em um sofá, ao lado da recepção. Enquanto prendia meus cabelos em um rabo de cavalo alto, duas moças passaram por mim, conversando. Elas param em frente ao elevador, e apertaram o botão. Enquanto aguardavam, não pude deixar de ouvir o que diziam.

—... Estou te dizendo! Eu passei por ele, no mês retrasado. Acho que ele estava em um dia de folga. Mas ele foi extremamente gentil. Deu-me um autografo, e ainda posou ao meu lado pra uma foto em meu celular. E ainda pediu licença, pois estava atrasado para um jantar. Você tinha que ter visto que coisa fofa! Ele nem precisava se desculpar, já que eu quem o atrapalhou... Mas ele pediu assim mesmo. — dizia uma delas. Mas a outra fazia caretas, discordando tudo o que ouvia.

— Não se deixe enganar! Eu vou te contar um segredo, mas prometa não contar a ninguém, ok? Na verdade, eu fui colega dele na faculdade. No ano passado, no entanto, nos encontramos num restaurante, por coincidência mesmo, e você acredita que ele mal me olhou? Juro! Ele me viu, mas virou as costas. Tsc! Só porque está famoso, esnoba os antigos amigos.

— Tem certeza de que era ele?

— Absoluta! O Sasuke é inconfundível.

Aí, o elevador abriu as portas, e elas entraram. Hum. Apesar daquela conversa ser exatamente o tipo de coisa que eu estava procurando, havia alguma coisa que não me parecia certo.

Ele abrigou uma bêbada desconhecida, batia fotos com estranhos, sorria para todos, mas esnobava os conhecidos? Alguma coisa, definitivamente, estava mal contada nessa história.

Uns quinze minutos depois, Kurenai chega afobada, me dizendo que os planos haviam mudado.

— Não iremos mais a um restaurante. O Sasuke quer jantar na própria casa dele. — eu fiquei pasma na hora, mas, depois, meu sorriso maligno voltou ao normal. Aquela seria a chance perfeita para dar o bote.

Notas finais
Algum comentário?

Acho que o próximo, posto amanhã mesmo! :)