Ilusões
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Sakura
Peguei um táxi, de volta para o hotel. Na verdade, tivemos que fazer paradas em vários hotéis, até acharmos o hotel em que estava. Eu sabia que almoçaria com o tal ator, mas não sabia que horas, exatamente, esse almoço seria.
Quando entrei no saguão, Kurenai andava de um lado para outro em frente à recepção. Ela não estava com uma cara muito bonita. Hum. Ops? Assim que me viu, veio correndo para cima de mim. E eu não sabia se devia correr, ou seu apenas aceitaria ser esmagada por aquele mulherão.
— Onde diabos você se meteu? Por acaso esqueci-me de mencionar que você não deveria se atrasar? Porque achei que estivesse implícito! — não gostei muito de seu tom, mas resolvi ignorar.
— Eu sinto muitíssimo muito, mesmo! Eu troco rapidinho de roupa, e saímos.
— Não sem antes tomar banho! Você está fedendo a álcool. — ela diz, abanando-se. Err.
E foi assim, por livre e espontânea vontade dela, que fui parar dentro da banheira do meu quarto, enquanto ela saia para comprar uma roupa para mim. Aparentemente, as minhas roupas não eram decentes o suficiente para encontrar o rei da Inglaterra! Tsc.
Bom, não pude derramar mais uma lágrima sequer pelo Naruto. Muito menos, pude tomar o banho que realmente precisava. Pouco antes de meter o xampu nos cabelos, ela já estava de volta, me empurrando as roupas que comprara. Uma calça jeans, uma blusa tomara-que-caia preta, uma jaqueta de couro preta e botas. Eu tinha botas, tinha calça jeans, e tinha uma blusa tomara-que-caia também. Não entendi qual era a diferença entre as minhas roupas e as dela. Hum. Na verdade, eu entendia sim. As minhas eram de “camelô”, enquanto as delas ostentavam belas e caras marcas de grife.
Revirei os olhos, tentando conter a explosão que eu queria soltar em cima dela. Mas fazer o que? Não tínhamos tempo para discussões. Sem mencionar que eu não ousaria confrontar aquela mulher. Ela poderia me esmagar com um pisão, facilmente.
Saímos do hotel às onze e vinte. Para a minha sorte, o restaurante não ficava longe de onde me hospedava. Além disso, Kurenai dirigia à mil por hora.
Assustei-me com a quantidade de gente em frente ao restaurante. Que, por sinal, me pareceu vagamente familiar. Hum. Enfim, havia gente segurando câmeras fotográficas, câmeras filmadoras, blocos de anotações, microfones, gravadores... E gente apenas bisbilhotando. Argh! Antes de descermos do carro, Kurenai me instruiu a não falar com nenhum deles. Apenas com o senhor Uchiha, que já estaria nos esperando.
Assim sendo, depois do empurra-empurra, conseguimos entrar. Ela me guiou até o fundo do salão e apontou para a mesa, onde um cara sentava-se de contas para a porta. Suspirei fundo, e segui a diante, após verificar que meu celular estava na bolsa, com o gravador de voz ligado. Ino havia me feito prometer que gravaria absolutamente tudo, para, depois, enviar para ela.
Mas quando me sentei, levei um choque. Aquilo só podia ser uma pegadinha! Ou aquele cara tinha um irmão gêmeo? Não podia ser ele, podia?
— O que está fazendo aqui? — perguntei.
Ele também parecia desconfiado. Olhou para os lados, e cochichou algo para um cara estranho, de cabelos brancos, que sentava atrás de si. Depois, voltou a me olhar.
— Mas que adorável coincidência, não? — hein? Ele levantou-se e veio até a mim. Eu fique pasma, sem saber o que fazer. E então, ele me deu um abraço, e um beijo no rosto. Eu hein?!
— Você é o ator? — eu não devia ter feito essa pergunta. É obvio que, se ele realmente fosse, desconfiaria. Afinal, que fã não o reconheceria?
— Pois é... E você? Está drogada? — err.
— Cara, eu sou sua maior fã! — ahém — Estou tão emocionada que poderia me derreter e evaporar. Para nunca mais voltar. — pois é. Eu queria desaparecer do mapa.
Mas pensando bem, isso era ótimo. Além da falta de limusine, posso contar a Ino que ele não passava de um mulherengo vagabundo! Há! Droga! Não filmei aquilo! Tsc. Mas tudo bem. Eu mostraria a ela que ele não era o príncipe encantado que ela achava que era. Um pecador que se preze comete suas sinas mais de uma vez. Tenho certeza de que ele era um prato cheio de sordidez.
Logo em seguida, um garçom se aproximou com cardápios em mãos. Bom, pensei, vou sacanear o cara e pedir de tudo um pouco. Mas não vou cometer o mesmo erro duas vezes. Claro que não. Vou comer pouco e deixar o resto de lado, apenas para irritá-lo. Era uma ótima tática. Tudo o que eu precisava fazer era conseguir com que ele perdesse a paciência pouco a pouco, até explodir. Muahahahahaha!
— Bem, vou querer isso, isso, isso, isso, e mais isso. Um pouco disso, uma porção daquilo, mais isso, isso e aquilo. — o garçom me olhou espantado. Dei de ombros — Estou com a fome do leão. — eu ia dizer do cão, mas achei que o leão fosse mais ambicioso.
Assim que o garçom se afastou, ele se inclinou sobre a mesa.
— Tem alguma coisa errada nisso! — ele me diz.
— Eu sei. Ele deveria ter levado o cardápio junto. Incompetente! — ahém.
— Não é disso o que estou falando. — ele revirou os olhos.
— Não faz mal. — pensa rápido, Sakura, pensa rápido — Então, me diga, como foi filmar o... — droga! Não consegui me lembrar nem do nome da porcaria do filme — o... O seu último filme? — err.
Ele me olhou desconfiado, e recostou-se em sua cadeira. Tateou as pontas dos dedos sobre a mesa e estalou a língua, como quem não estava satisfeito com algo. Droga, droga, droga! Ele iria me desmascarar, se eu continuasse dando com a bola fora! Mas como não desisto fácil, eu insistiria nisso até o fim! A sanidade da minha melhor amiga estava em jogo, e eu não poderia dar para trás agora! Além disso, esse cara abusou de mim e eu sequer me lembro de nada! Como é que eu fui me esquecer de um corpo incrível daqueles, cheio de volumes?! Ele me deve uma! Há! Err. Era hora de usar a tática número dois. Charme e sedução. É. Funciona que é uma maravilha. Homem nenhum deixou de fisgar meu peixe!
Cruzei minhas pernas. Mas espere aí. Estou de calça jeans, e minhas pernas estão embaixo da mesa. Err. Bom, inclinei meu corpo mais próximo a ele. Mas espere aí. Estou de tomara-que-caia, sem decote e sem peitos. Saco. Soltei meus cabelos. Há! Meu cabelo cor de rosa era fatal! Todo mundo adorava!
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