Ilusões

29 Capítulo 29


Notas iniciais
Mais um. Boa leitura.

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Sakura

Aleluia! A palhaçada acabou! Lar doce lar... Bem, não ainda. Eu ainda estava no aeroporto de Londres, na fila para despachar minha mala, com algum idiota atrás de mim chutando meus calcanhares. Err.

O cara da cicatriz havia se afastado para atender um telefonema, enquanto a Kurenai era toda sorrisos. A megera deveria estar feliz da vida por eu estar indo embora, né não? Hum. Discretamente, peguei uma goma de mascar, que eu tinha na bolsa. Lhe ofereci um.

— Não, obrigada, querida. — me disse. Querida é o escambal! Sorri para ela, tirando a goma da embalagem, e o pus na boca. Enquanto a fila andava lentamente, eu ia mascando pacientemente, com apenas um pensamento malígno em mente. Muahahahaha!

E então, o agente do cocada aparece.

— Ok, agora, vamos tratar de negócios. — ele diz, tirando do bolso da jaqueta uma caneta e um talão de cheques — Um milhão mais uma pensão mensal, que verificarei mais tarde, pelo silêncio a respeito de tudo o que aconteceu aqui, e pela criança, é claro. O que me diz?

Olha, fiquei tão “injuriada” com esse paspalho que nem sei! Eu queria cuspir na cara dele! Mas credo! Quem ele pensava que eu era? Mas não! Suspirei firme, lembrando os ensinamentos do meu médico. Peguei mais cinco gomas de mascar da minha bolsa (eu tinha um pacote cheio delas, para casos de estremo estresse), e meti tudo na boca. Mascar chiclete ajuda a manter a calma, porque você desconta toda a sua frustração nas mordidas. Foi o que meu médico me disse, pelo menos. Só que agora fiquei com um bolo de chiclete inteirinho na boca, dificultando a minha fala. Eu poderia fazer uma bolha do tamanho daquele aeroporto, e sair voando para casa, sem precisar pegar avião algum! Err.

Reu rao reriro re rinero! — lhe disse.

— Você concorda? Ah, perfeito! Maravilha! — o miserável saiu alucinado escrevendo em seu maldito cheque.

Ão, ão, ão! Eu rão rero rara riro! — procurei onde cuspir meu chiclete. Bom, no desespero, vai em qualquer buraco que eu encontrar. Como a bolsa aberta da Kurenai, por exemplo. Foi com baba, e um pedaço de baccon que comi no café da manhã, que havia ficado preso no dente.

— Pára tudo! — lhe digo — Eu não quero dinheiro algum! Eu não preciso disso! Além do mais, eu não estou grávida! Foi um mal entendido daquele idiota do Sasuke! Nunca fiquei grávida, não estou grávida, nem quero estar grávida! NUNCA! Entendeu?

O cara olhou desconfiado para Kurenai, que lhe retribuiu com o mesmo tipo de olhar, mais uma cara de nojinho para cima de mim. Lhe mostrei meu dedo médio. É. Que se dane! Eu estava indo embora mesmo. Não precisava manter porcaria de aparência alguma!

Ela rosnou baixinho para mim, enquanto o cara pegou um bloco de notas de dentro de sua jaqueta. O que mais será que ele tinha ali? Um barbeador? Uma pinça? Algemas? Camisinhas (homem sempre carrega isso! Exceto o idiota do Sasuke, isto é!). Tudo era possível.

Enfim, ele escreveu algumas palavras ali, e me passou o papel. Era um pseudo contrato de silêncio. Bufei. Ele achava mesmo que eu ainda tinha algum interesse em alguma coisa? Respirei fundo, repedindo um mantra idiota que minha mãe fazia para acalmar. Não ia adiantar nada ficar discutindo com o idiota. Ele parecia ser daqueles caras, cabeça oca, que só entende o que ele mesmo diz.

Tomei a caneta da mão dele, o virei de costas para me servir de apoio, e assinei o maldito papel. Afinal, não era como se eu tivesse planos para sair espalhando histórias. Não me custava nada assinar a porcaria. Só que para ele, custou um milhão, porque o imbecil insistiu que levasse o bendito cheque. Soquei a folha no fundo da bolsa, revirando os olhos. De repente, eu me aproveito e compro sapatos novos às custas do idiota mesmo.

Aí, nem acreditei quando eu era a próxima da fila a despachar a mala. E assim que o fiz, me fui para a sala de desembarque, com os dois azucrinando meus ouvidos, repetindo a existência do contrato e as conseqüências da quebra do tal sigilo e blablablablabla...Não ouvi mais nada! Pus meus fones de ouvido, e dei tchauzinho para eles. Aguardei uns dez minutos, até ver a chamada do meu vôo no painel eletrônico, e me fui pro avião. Já sentada em meu acento, mandei uma mensagem pro Sai, lhe pedindo para ir me buscar no aeroporto. E lembrei do cocada. Nem peguei seu número. Nem tchau, na verdade, lhe dei... Bom, melhor assim. Eu tinha a minha vida para me ocupar, e ele a dele. Só espero que ele não vá fazer nenhuma cagada, como minha mãe fez...

A viagem de volta, desta vez, foi mais rápida. Pra voltar para casa, sempre é mais rápido; não sei por quê. Peguei minha mochila na esteira, e me fui para o saguão. E lá estava Sai, no meio da multidão, olhando para os lados como uma barata tonta. Assim que me viu, a primeira coisa que o idiota fez foi estender a mão. Apertei-lhe a palma, lhe cumprimentando.

— Oi Sai! — sorri.

— Meus presentes! Me diz que você trouxe presente! — ele é uma bolotinha de fofura mesmo.

— Eu não trouxe presente.

— Você me fez duas vezes sair do meu consultório para vir ao aeroporto, e não me traz presentes? — ele pergunta assim, bem sério.

— Eu tenho um milhão na minha bolsa. Acho que não tem problema de gastar uns quinze centavos dele para comprar uma balinha para você...

— UM MILHÃO?? — ele mesmo tapou a própria boca com as mãos — Você está louca? O que você está fazendo com toda essa grana na bolsa, criatura! Vamos embora. — e assim, ele saiu me arrastando pelos braços, até o lado de fora, onde prendera sua bicicleta capanga.

Enquanto a tirava a corrente que a prendia, ela ia resmungando algo sobre ter vindo em sua caminhonete, se soubesse que eu carregava tanta grana.

À noite, fomos numa pizzaria para que eu contasse a minha grande aventura.

— Como é o perfume dele? Como é abraçar ele? Como é ouvir a voz dele de pertinho? Ele fala bastante? O que foi que ele disse? Você notou o jeito dele jogar o cabelo para o lado, tirando do rosto? Notou que ele não tira nunca uma corrente do pescoço? E que ele sempre a mantém embaixo das roupas? Você conseguiu ver o que era o pingente? Que hálito ele tem? Aposto que é de hortelã. — mal sentei a bunda na cadeira, e Ino já veio me metralhando com aquelas perguntas idiotas.

— Na verdade, cheira à vodka.

— Hein?

— Nada. Ele é legal sim...

— Hum... — ela se acomodou melhor em sua cadeira, me olhando daquele jeito incisivo que só ela sabia olhar — E? Onde estão as provas? Você disse que me provaria que ele não é perfeito. — revirei os olhos.

— Ninguém é perfeito, Ino.

— Aposto que ele é! — e ela sorri.

— Bom, eu não pude gravar nada, no final das contas, porque o agente dele, que vivia na cola do cara, não me permitiu. Por questões de segurança.

— Ele te levou para passear em limusine? Como era o hotel em que você ficou hospedada? E os restaurantes? Que comidas você comeu? Visitou todos os pontos turísticos? Viu a rainha? — Sai abria todos os saches (de ketchup, sal, maionese e mostarda), postos na mesa, distraidamente. O que diabos aquele japinha estava fazendo? Tinha uns trinta pacotinhos de cada ali. Err. Eu estava cercada por idiotas mesmo! Mas era bom estar de volta em casa.

Embora eu me sentisse estranha, como se algo estivesse faltando. Será que eu esqueci alguma coisa no hotel?

Não. Não era esse o problema. E eu sabia qual era. Só tentava não pensar muito nisso. Não tinha porque pensar nisso, na verdade.

Contei toda a história do Naruto para eles, enquanto comíamos nossas pizzas. Digo, menos a parte do Sasuke interferir. Eles não precisavam saber de todos os detalhes. E os dois ficaram de boca aberta, sem acreditar.

Mas e erda! Aora eu e xinto o aior etino! Ui eu em o axesentou!!! — Sai resmunga, de boca cheia.

— Não esquenta. Você não tinha como adivinhar que ele fosse fazer isso! Nem eu suspeitei.

— E eu me sinto uma bruxa, por tudo o que disse sobre o relacionamento de vocês, Sah. — Ino ia jogando as azeitonas, rodelas de cebola e champignons, para o canto do prato — Eu não esperava por essa também. Se bem que é bom dizer “eu avisei”! — e a idiota sorri — Mas depois eu digo isso. — claro que iria. Na verdade, ela passaria o resto da vida me dizendo isso. Err.

Pena que eu não tinha nada pra esfregar na cara dela dizendo que o Sasuke não é perfeito. Apenas quase. Err.

Minha vida voltou ao normal. Todas as manhãs, das 7hrs às 17hrs, eu ficava no escritório, atendendo telefones e anotando recados. De lá, ia direto para a faculdade. Chegava em casa às 23hrs e 15min, quase em ponto. Dependia da boa vontade do motorista do ônibus.

No final do ano, em Dezembro, estreou nos cinemas de Paris o mais novo filme do Sasuke. Era um drama, sobre um cara em que quase perde a filha num acidente de carro, e a criança passa a mandar mensagens subliminares para ele sobre quem causou o acidente. Como sempre, fui com a Ino. Mas desta vez, no entanto, não resmunguei, nem protestei. Eu meio que me senti ansiosa por vê-lo. Embora que fosse interpretando alguém quem ele não era, eu ficava o tempo todo imaginando o que ele havia pensado durante as filmagens.

Faltava apenas dois semestres para me formar. Eu já estava trabalhando com scripts e roteiros (eu havia largado o escritório) para um pequeno grupo de teatro, em casa, quando apertaram a campainha. Eu havia passado dois dias sem dormir, trabalhando naquela joça de peça; por tanto, eu estava me igualando a um zumbi. Sem muito orgulho, é claro. Mas azar. Quem quer que fosse, ou não se importaria, porque já me conhecia, ou se espantaria, o que seria melhor pra mim; assim não me atormentam vendendo doces. Havia um grupo de escoteiros a duas quadras de casa, que, de tempos em tempos, batia na porta para vender coisas. Era um saco.

Ao passar pelo espelho, perto da porta, eu vi. O pão que o diabo amassou. Era eu. Cabelos rebeldes, oleosos, olheiras no tamanho da minha mão, pretas, e a maior cara de cansaço. Beleza. Dava pra fazer um estrago com a molecada. Muahahahaha! Err. Abri a porta, e cruzei o jardim para abrir o portão.

— Eu vou come-los vivos, seus piv... — mas me calei ao ver a cara de espanto do Sasuke, ali, do outro lado.

— Me desculpe. Eu achei que esse fosse o endereço de uma linda moça de cabelos cor de rosa, mas vejo que é apenas o endereço da mulher do Frankenstein de cabelos cor de rosa... — ele diz. Err.

— O que você está fazendo aqui, mala? E de... Mala? — mas hein?

— Ah, sabe como é! Eu estava fazendo uma limpeza nos meus armários, e resolvi trazer o que sobrou. Caridade. Eu realmente estou achando que você precisa. — err.

— Que fofo. Uma mala carregando a outra! Tsc. — lhe dei espaço para que entrasse, sentindo meu coração prestes a sair pelas orelhas. Tive que baixar a cabeça, para esconder o rubor que sentir vindo no rosto. O que era uma babaquice sem tamanho! Eu me sentia quase como a idiota da Ino, agora! Tsc. Era só o que me faltava mesmo!

Putz! Lembrei que não escovo os dentes há três dias!

Notas finais
Algum comentário?Amanhã, sábado, postarei o ultimo!