Ilusões
18 Capítulo 18
Notas iniciais
Sasuke
A campainha tocou, e eu suspirei aliviado. Mas por quê, também não sei! Estava tudo dando errado mesmo! De um lado, eu tinha a Kurenai se roçando no meu braço, e do outro, eu tinha a idiota esfregando a cabeça no meu nariz. E eu ali, me segurando pra não espirrar, na cabeça dela. Eu me sentiria muito melhor mesmo se simplesmente deixasse germes, bactérias e melecas na cabeça dela! Pelo menos, de alguma forma, eu me vingaria. Mas claro que meu bom senso não me permitiria a tal disparate! Imagina! Ainda mais agora, tendo que cuidar da Kurenai com diarréia! Ninguém merece, viu?! Por mais que eu deteste a mulher, a última coisa que faria seria causar-lhe uma dor de barriga, para não fazê-la ficar presa em minha casa, por que não poderia sair na rua por dois minutos sem precisar usar um banheiro! E digo mais: a dose que eu pus, dessa vez, não foi pouca! Porque diabos ela tinha que se meter na frente? Aquela oportunidade foi única e perfeita! Mas não! Quando algo pode dar errado, é claro que dará! Provei isso duas vezes, só nesta noite! Tsc. Pelo menos não fiquei com o copo “envenenado”! Isso, sim, teria sido idiota ao quadrado! Não precisei tomar do meu próprio veneno! Literalmente! Hehe. Err.
Passei o dinheiro ao entregador, e peguei as pizzas. Pus as caixas sobre a mesa de centro, e fui até a cozinha para pegar os pratos e talheres, puxando o Kakashi comigo.
— Preciso de uma mão sua. — lhe digo. No mesmo instante, o idiota estende sua mão esquerda. Dei um tapão nela, puxando-o para o outro lado da cozinha, mais afastado da porta. — Eu preciso que você se livre da Kurenai! E o quanto antes! — antes que o laxante comece a fazer efeito, eu diria.
— Por quê? O que houve?
— Ahh... — passei a mão na nuca, disfarçando constrangimento — Você sabe!
— Não sei não! — err.
— Eu queria ficar a sós com a menina. — sussurro.
— Você está falando sério?
— Eu pareço estar fazendo piada? — err.
— Não sei se é uma boa idéia se envolver com uma fã não, Sah...
— Só por uma noite, o quê que tem? — dei de ombros.
— Você vai iludir essa garota, esmagar seu pobre e indefeso coraçãozinho apaixonado, para deixá-la na sarjeta quando essa semana terminar? Pensando bem, você é brilhante! Acabe com ela! Pisoteie e ainda cuspa em cima dela, quando tudo acabar! Graças a ela, vou ficar SEIS MESES pagando prestações por aquelas malditas refeições! GRRRR! — err.
Jamais ficaria com uma fã. Por inúmeras razões! Elas não realmente me conhecem; muitas estariam interessadas apenas na exposição e autopromoções — por mais que digam que não —; não suportariam o assédio que recebo; e após um muito possível rompimento, elas são capazes de fazer difamação! E eu preciso de sossego!
Mas como eu desconfiava de que essa Sakura não era fã, eu estava disposto a arriscar as chances para o bem da minha sanidade. Eu estava ficando maluco com aquela duvida na cabeça! Eu preciso descobrir a verdade o quanto antes!
Bom, quando voltamos para a sala, o idiota do Kakashi bebeu mais, e esqueceu de levar a Kurenai. Eu tentei lhe dar alguns cutucões por baixo da mesa, mas o maldito se fazia de tonto. Não sei se ele estava fazendo aquilo de propósito, ou se por pura e inocente alienação. Err. No fim, tive que deixar o maldito DVD tocando o vídeo enquanto comíamos as pizzas. E eis que tive uma nova idéia para atacar a Sakura.
— Alguém quer ketchup, mostrada ou maionese?
— Eu aceito o ketchup. — a Sakura diz, enquanto Kurenai pedia pela maionese.
Levantei-me e fui, novamente, até a cozinha. Pus um pequeno punhado do molho em um pequeno recipiente de vidro que eu tinha, e misturei com o laxante, que já estava pela metade do frasco. Ai, ai... E como suponho que a maionese fosse piorar a situação da Kurenai, resolvi dizer que estava em falta e deixá-la de mãos vazias. Desta vez, me certifiquei de entregar o produto nas próprias mãos da Sakura. Mas a miserável, distraidamente, apenas o largou ao lado de seu prato, focando sua atenção ao filme. Olhei para a tv, para ver o que se passava na tela. Era uma cena de sexo, entre eu e outra atriz. Err.
— Vocês realmente ficam pelados para fazerem essas cenas? — ela pergunta, de boca cheia. Revirei os olhos. Se ela fazia artes cênicas, deveria saber a resposta.
— Não. Apenas vestimos uma roupa estampada com mamilos e umbigo! — lhe respondo sarcasticamente, é claro. Eu notei seu olhar, que dizia: idiota! Dei de ombros. — Mais bebida?
— Só se você também beber! — e ela sorri, com folhinhas de orégano nos dentes. Até que eu estava começando a achar aquilo bonitinho. NOT!
— Uhum. — e lá fui eu atrás das bebidas.
Mas e agora? Pôr ou não pôr mais laxante? Ela podia não pegar nada do ketchup. Bem como ainda podia TODO o ketchup! E se tomar mais laxante, aí sim que daria em merda! Literalmente. Argh.
Ponderei mais um pouco sobre o assunto, e resolvi não fazer essa maldade. Por enquanto. Ela poderia ter sérios problemas se ingerisse tanto laxante. E aí, quem teria que arcar com essas conseqüências sanitárias seria eu. É melhor não!
Quando voltei para a sala, ao lhe entregar a bebida, vi que o frasco já estava vazio. Aleluia, Senhor! Sério! A sensação de leveza que senti sobre meus ombros foi espetacular! Maravilha!, pensei. Caiu direitinho na teia! Já estava quase pulando de alegria, cantando vitoria, quando olho para o prato dela, e vejo sua pizza sem molho algum.
Puta merda!
Desta vez, foi o idiota do meu agente.
Por quê?
Pelo menos não tinha sido a Kurenai, outra vez. Se bem que, agora, serão DOIS a ocupar meu banheiro! Err. E o filme estava recém na metade.
Por quê?
Ah, quer saber? Dane-se! Bebi minha dose de álcool, e ainda fui atrás de mais! Aquilo já estava começando a passar dos limites da realidade! COMO DIABOS FUI DEIXAR ISSO ACONTECER? Bebi meia garrafa de vodka, de uma só vez! E ainda estava pronto para beber mais, quando vejo a Kurenai correr pelo corredor, em direção ao meu banheiro.
Suspirei. Que saco, isso sim!
Sentei em uma cadeira, na cozinha, deixando-os as sós. Distraidamente, fiquei passando o dedo na borda do meu copo, enquanto me deixei divagar em pensamentos confusos.
No fim das contas, não descansei. Fiquei andando para lá e para cá, pensando nessa idiotice toda de fazê-la abrir a boca. Mas, talvez, seja melhor que as coisas continuem assim. Afinal, era melhor estar em companhia de uma não fã, do que de uma fanática histérica. Às vezes, eu imagino que ficar ao lado de uma delas deva ser a coisa mais irritante do mundo! De acordo com algumas das cartas que eu recebia, e lia, elas ficariam o tempo inteiro grudadas em mim, me elogiando falsamente o tempo todo. Às vezes, eu ainda penso em largar a carreira. Talvez, fosse melhor viver como um estranho qualquer, fazendo algo que não gosto, mas ter a minha liberdade e privacidade de volta, a viver encarcerado dentro de casa, cercado por gente falsa e sínica.
Meus devaneios seguiam, mais ou menos, por essa mesma linha de raciocínio, quando, de repente, vejo a Sakura parada na porta da cozinha, com seu copo na mão vazio, me olhando.
— Quer mais bebida? — perguntei-lhe. Levantei da cadeira, já cambaleando com as pernas bambas. Bebi uma garrafa de vodka inteira, em menos de quinze minutos? Ual. Meu recorde.
— Por que está aqui sozinho? Você mal tocou na pizza...
— Sem fome. — tentei sorrir, mas no fim, acabei dando uma risada quase histérica. — Hehehe... HAHAHUAHAUHAUAHAUAHAUAHU! — acho que me movi rápido demais, senti a cabeça pesar, e tudo passou a ter graça para mim! Até seu cabelo rosa, que antes eu achava idiota, passei a achá-lo... Não idiota. Err.
Ela correu para o meu lado, para me dar apoio.
Mas que merda! No fim, quem acabou ficando mal com toda essa brincadeira idiota fui eu.
Deixei meu peso solto sobre ela, que acabou não agüentando, e fomos ao chão. Ela me jogou para o lado, bati a cabeça em meu fogão, e começamos a rir como dois idiotas. As folhas de orégano ainda estavam lá, em seus dentes, o que me impulsionou a rir ainda mais. Hehehe. Mas também, me fez inclinar-me sobre ela, e beijá-la.
Seu beijo tinha um delicioso sabor de calabresa, misturado com vodka. O que diabos eu estava fazendo?
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