Illuminati: Sobreviventes
5 5 - Inverdades
"Algo nesse mundo ainda deve ter algum sentido... Pois se não tiver, por qual motivo estarmos vivendo?"
Acordei. Olho para fora, o Sol tá firme no céu, deve ser umas três horas. Dessa vez estou com forças para levantar dessa cama. Tinha ninguém no quarto. Me levanto, dou uma rápida desequilibrada, mas já me recomponho. Olho ao redor e não encontro o meu machado. Coloco a mão em meu bolso e puxo o cordão que eu havia encontrado no bar, e decido colocar. Saio do quarto e vou direto a porta de saída. Pela intensidade do Sol, fecho os olhos por uns segundos. Coloco a mão para enxergar melhor, olho nas ruas e só vejo o Guilherme vindo em minha direção.
- Já acordou?
- Estou dormindo para você cara? — soltamos uma rápida risada.
- O grupo se reuniu todo na igreja, estava vindo aqui para te acordar.
- Espera, igreja? Eu não vi igreja quando chegamos.
- Ela está ali cara, — ela aponta para o morro, não vejo igreja ali. Mas já que ele está falando... — vamos que o pessoal do outro grupo quer te conhecer.
- O pessoal do outro grupo? — começamos a andar em direção a tal igreja — Tá bom então né. Diga, como são eles?
- Existe uma boa diferença entre eles. O segundo é mais armado, a maioria são combatentes. E tem umas garotas bonitas, isso ajuda algo em relação a mim e o Pedro.
- Ei, e eu?
- Ah, você?! Você acha que não sabemos o que houve entre você e Lolly dentro do bar?
- Bem, não... Eu acho.
- Rapaz, ela correu assustada, sem camisa. Qual o motivo dela sair correndo sem camisa por aí?
- Sei lá... Uma aposta talvez?
- Para de palhaçada, — ele não aguenta e começa a rir — como foi na hora?
- Você realmente quer saber disso cara?
- Se eu estou te peguntando...
- Ok, ok. Demos uns amassos, mas nada... Profundo. Depois eu tive aquele surto.
- Com uma oportunidade de ouro para tirar o atraso e você querendo cometer suicídio.
Eu pensei em dar uma resposta, mas preferi ficar quieto. O papo já estava discontraído demais. Subimos o morro, o Sol não ajudava, mas nos mantermos firme. Aceleramos o passo e uns minutos depois estávamos em frente ao portão da igreja.
- Tem alguma entrada triunfal em mente? — disse Guilherme.
- Cala essa boca e abra esse portão.
- Não é assim também, — ele bate na porta umas três vezes — tem gente de guarda aí dentro.
- Que seja.
Um lado da porta é aberta, era Pedro que estava no outro lado. Eu e Guilherme entramos. Todos olham para nossa direção. Eu e Pedro nos falamos rapidamente, pois Daniel veio falar comigo.
- Se recuperou bem?
- Estou bem sim.
- Então está tudo bem. Venha conhecer eles, estavam a sua espera.
Me aproximo deles. Alguns me cumprimentam, outros nem olham na minha cara. Dois caras vieram falar comigo em seguida, aparentemente são os cabeças do grupo.
- Ora, ora, se não é a Bela Adormecida.
Olho para cara dele e permaneço sem expressão.
- Arnaldo, que piada de merda. Sinto muito por esse cara, acho que ele estava pensando em falar algo engraçado sobre você até agora. Enfim, Daniel falou muito bem de tu, sobre o ataque dos Crosseds que teve uns dias atrás. — ele estende a mão — É bom contar com pessoas desse tipo. Você pode me chamar de Becker.
- Prazer, — algo nesse cara me incomoda — meu nome é Drew. — e aperto a mão dele.
- Ora vamos, quero seu nome verdadeiro. Já conheci pessoas do seu tipo na estrada. Somos uma família agora, não precisamos de segredos.
Pedro e Guilherme olham para mim. Eu menti para eles esse tempo todo. Insistir que Drew era o meu nome não iria colar aqui. Mas também não quero falar.
- Vocês não são minha família, — muitos do grupo ficam pasmos com o que eu digo e ele ainda não soltou minha mão — tenho meus motivos para não falar.
Ele não gostou quando disse que eu não era da "família" deles.
- Ora porra, apenas estou sendo amigável com você. Apenas diga o seu nome.
- Caralho, — tá querendo me intimidar. Por pouco não caio nessa. — solte minha mão...
- Aqui é a casa de Deus — Myrlene fala antes de terminar minha frase — exijo respeito aqui dentro.
- Mas que porra...
- Você ouviu ela, não queremos problemas logo agora que você chegou. — ele solta minha mão — Poupe seus palavrões.
Sua vagabunda, impedir ele de xingar você não faz né? Só com a chegada deles, a atmosfera do grupo mudou. Parece que muitos aqui tem medo de confrontá-lo.
- Ok, Drew, parece que começamos errado. Esse mundo é uma merda para se manter vivo. Eu faço isso com um grupo bem armado. Você e esses dois caras sobreviveram com dois facões, porra, com dois facões! Vocês devem ter algo especial, não é possível.
- Apenas tentamos sobreviver.
Deu pra perceber que ele não engoliu essa resposta. O mesmo olha para todo grupo e diz:
— Pessoal, passamos da primeira parte separados, passamos da parte fácil. Vamos descansar uns dois dias e partiremos novamente, em grupos separados. Porém, os grupos serão refeitos. Até o dia de partida eu aviso. Mas antes de voltarmos para a cidade, vou falar o que ouvi de um cara que estava indo para o norte. O rapaz falou para não mantermos a esperança, pois lá ainda está em desenvolvimento. Poderíamos muito bem chegar lá e ver tudo destruído pelos Crosseds. E que seria melhor termos um "plano B" na manga caso lá não for seguro. E eu concordo com ele. É capaz de estar infestado daqueles malucos quando chegarmos. Mas temos que arriscar. Isso pode custar nossa vida. Então estou falando para todos, até o dia de partida, quem quiser mudar o rumo, ir para outro lugar, tudo bem. Darei até alguns itens para ajudar na viagem. Só isso que tenho a dizer.
O cara é líder do grupo mesmo, tem decisões sólidas, mas mesmo assim tem algo me incomodando. Todos vão embora da igreja, menos eu, que decido ficar no morro para ver a região em volta.
Passei algumas horas lá no alto, mas nem percebi, estava tão pensativo que era capaz de ficar ali até o anoitecer. Não havia sinal de movimentação entre os locais que eu olhava. Olho rápido para baixo, alguém estava subindo. Era Arnaldo, ela levanta a mão, a intenção dele era conversar mesmo.
- Ei cara, você já passou horas aí. Algo te preocupa?
- Nada. Estou refletindo sobre algumas coisas.
- Isso é bom, ainda mais nesse "novo" mundo. Enfim, estou aqui para me desculpar pela piadinha ridícula que fiz mais cedo sobre você.
- Sem problemas.
- Bom... Sobre o Becker, fique puto com o cara não, ele é desconfiado mesmo. Sabe, ele montou o grupo desde o começo e tá conseguindo nos manter vivo até o momento, você meio que magoou ele quando disse que não era da família.
- Mas eu não sou da família de vocês. Isso não é uma família, é um grupo de sobreviventes, só.
- Ok cara, eu entendi. Sei que realmente não somos uma família, mas isso conforta as pessoas mais fracas. Vai me dizer que você nunca fez isso?
Eu não vou responder isso. O silêncio abre.
- Então Drew, está escurecendo, o jantar está ficando pronto. Você deveria descer e comer junto com o grupo, realmente é divertido essa parte. Te garanto que vai gostar.
Ele se levanta e vai embora. Me levanto, mas decido vasculhar a igreja. To encontrando nada interessante... Opa, espere, tem um local subterrâneo para entrar, atrás do piano. Entro para dar uma olhada, está tudo escuro. Volto para o andar principal buscar uma vela, e vou para lá novamente. Tinha sangue no chão, um braço jogado no canto... Que barulho é esse? Me aproximo mais um pouco de onde o barulho está vindo. O cheiro tá forte, um cheiro muito ruim. Estou vendo alguém, não estou gostando disso. É uma pessoa e está rindo. Eu tenho que sair daqui e fechar a entrada. Ele tá se aproximando. Dou meia volta e começo a correr, ele vem atrás. Consigo sair do local subterrâneo, mas ele também. Bato a minha perna no piano e acabo caindo. Boa campeão. Ele pula em cima de mim. Cada mão minha segurava um braço dele. Mesmo assim conseguia dar uns socos nele. O Crossed estava fraco demais. Jogo ele pro lado, me levanto, olhando em volta para usar algo para matá-lo. Tinha uma estaca perto da porta, corro para pegar, mas sou acertado com um cálice na cabeça. Já no chão um pouco enfraquecido, vejo que não tenho muita chance de viver agora. Mas ele foge ao invés de me atacar. Isso não é bom, apesar dele ser um apenas e ter um grupo armado lá embaixo para se protegerem. Me recupero da pancada, levanto e fecho a entrada subterrânea. Saio da igreja e começo a descer rapidamente. Vou na casa que estava iluminada, todos eles estavam ali. Ele não passou por aqui. O pessoal fica me olhando.
- Aconteceu alguma coisa? — Pergunta Becker.
- Nada, — o Crossed deve ter ido embora ou deve estar vagando pela cidade — estou aqui para jantar apenas.
- Ah sim, aproveite, a comida está boa.
Entro e todos estão conversando na mesa. Sigo em direção a cozinha, Myrlene tá servindo o pessoal. Ela coloca o meu prato, pego e continuo andando.
- Não vai agradecer? — Ela pergunta antes de eu sair dali.
- Pra que? Eu te salvei e nem pedi para você agradecer. — falo enquanto pego a colher que estava no meu lado. A janta era sopa de ervilha.
Isso foi desnecessário. Sigo em direção para fora, o pessoal me olha e Becker pergunta:
— Não vai comer com a gente?
- Não hoje.
Perto da porta estava meu machado, pego ele e saio. Vou em direção ao bar. Sento numa mesa e vou comendo devagar, a sopinha tá quente.
- Você devia se enturmar mais. — surge Arnaldo na porta do bar — Cara, você está num bar e está bebendo nada.
- Eu parei de beber.
- Por qual motivo?
- Nem queira saber. — abro um leve sorriso.
Ele entra, pega umas bebidas e vai embora. Eu continuo comendo. O tempo vai passando e Pedro e Guilherme aparece. Eles puxam uma cadeira e senta na mesa onde eu estava.
- Então, você mentiu para nós? — diz Pedro com um sorriso na cara.
- É, menti sim.
- Tudo bem que você conheceu a gente na estrada, mas por que você não disse antes?
- Tenho meus motivos.
- Está apenas o velho trio aqui. Vamos logo e fala pelo menos o motivo.
Antes de falar, eu vejo Myrlene, Isaque, Becker e Arnaldo indo em direção a igreja. Tem algo errado aí.
- Eles estão indo a igreja para rezar. Becker e Arnaldo estão apenas escoltando. — diz Guilherme, percebendo o meu olhar.
Pode ser, mas eu não estou confiando muito nisso. De algum modo isso está me incomodando.
- Não tente mudar de assunto, diz logo o motivo.
- É simples. Quero manter meu verdadeiro nome morto junto com o pessoal que perdi. Esse caos é um novo mundo, então eu sou uma nova pessoa também.
- Faz sentido. Se é assim, tudo bem.
Passa uns minutos, decido ver o tá rolando na igreja.
- Pessoal vou ver uma coisa que está me incomodando. Fiquem de olho no grupo, por favor.
Pego meu machado e vou em direção ao morro. Em frente a igreja, escuto uns barulhos. É melhor ir na porta dos fundos. Encontrei a porta. Escuto um grito muito baixo e logo em seguida, um tapa. Tento enxergar o que está havendo ali, mas tá difícil. Alguém vai de sola nas minhas costas, que consequentemente abre a porta. Vou de cara no chão e dentro da igreja. Eu vejo a cena. Isso... Porra, eu sabia. Tinha algo errado com esse cara. Vejo Isaque todo surrado, preso a uma cadeira enquanto está lá Myrlene no chão, sendo abusada por eles dois. Agora estou fudido. O barulho da porta assusta eles. Ela olha pra mim chorando, com um olho roxo. Tudo bem que não fui muito com a cara dela, mas isso é sacanagem.
- Vamos idiota, entra logo.
Era uma voz feminina. Ela me pega pela camisa e vai me arrastando. Pelo menos estou com meu machado aqui. Becker e Arnaldo abotoa as calças. Estou com uma grande vontade de rir, mas mantenho sem expressão. Não sei o motivo, mas achei engraçado. Que merda, isso não é engraçado, só vou ficar parecendo igual a eles.
- Ora se não é o Drew. Você não estava colaborando muito comigo. Mas espiar é demais, você passou dos limites rapaz. — diz Becker com um sorriso. — Obrigada Polly, por nos mostrar esse bisbilhoteiro.
- Limites? Limites?! No meio dessa cena e você me vem com limites?! Seu idiota do caralho, olha o vocês estão fazendo!
- Eu sou o dono dessa merda aqui, eu deixo eles vivos. Você é apenas um cara de sorte rapaz.
- Foda-se cara, isso é ridículo. Pra que uma coisa dessas?! O que eles fizeram para vocês?!
- Eu fiz por vontade. Tem que ter uma forma de agradecimento, já que deixo eles vivos. Engraçado, seus olhos. Nós somos parecidos, sei que aí por dentro, você gostou do que houve aqui.
- Eu não parecido com um retardado como você. Vocês são iguais a eles, os Crosseds.
Minha visão começa a ficar escura. Minha mente está frenética, o ritmo de minha respiração aumenta drásticamente. Eu respiro fundo para me controlar, mas não dá. Não quero perder o controle como houve no bar. Não dessa vez. Se acalme, se acalme!
Ele se vira e começa a rir, apenas Isaque está me olhando. Eu fico de joelhos e fico com e coluna curvada. Seguro meu machadinho, colocando ele debaixo do meu braço. Arnaldo vem em minha direção. Polly está em minha direita.
- Drew, não era para você estar aqui. Levanta cara, vou te dar uma chance de viver.
- Arnaldo, saia... De perto... De mim.
- Vamos, tu é um cara legal. — ele vai com o braço direito querendo me segurar.
- Eu disse... Sai... De perto... De mim!
Puxo meu machado com toda a força, verticalmente. Por reflexo ele tenta desviar, mas o braço é decepado. Começa a sangrar muito.
- Caralho, meu braço! Meu maldito braço! Eu vou te matar cara! Seu filho da puta, eu vou te matar!
Você não vai fazer nada, pode me xingar o quanto quiser. Vou com o machado em direção a Polly. Becker vai em busca de sua arma. Tento acertá-la, mas ela consegue desviar. Ela dá uma coronhada na minha cara, fico tonto, mas deixo o espaço curto o suficiente para ela não atirar. Vou com o cabo do machado na barriga dela, o fôlego da mesma vai todo embora. Vou com o cabo novamente no peito dela, ela cai no chão. A pistola vai longe. Mas escuto o barulho de um shotgun sendo armada.
- Você machucou meus conselheiros, decepou o braço do Arnaldo. O que você fez aqui não foi normal. Estou entendo como você sobreviveu até agora...
- Deixe ele em paz! — Grita Myrlene.
- Cale a maldita boca, sua piranha. — Becker dá uma coronhada na cara da Myrlene, que apaga. — Já te usei demais hoje.
- Seu filho da puta, eu vou te matar...
As palavras do Isaque foram em vão, Becker dá um tiro na cabeça dele. Sobrou nada ali. Eu me viro, mas ele arma a shotgun novamente.
- Ultimas palavras, Drew. Diga.
Somos interrompidos por um grito que vinha da cidade. Olhamos um para o outro, sabemos que quanto mais perdemos tempo aqui, alguém pode ser morto lá.
- Vou te dar uma chance de sobreviver. Não importa o que está acontecendo aqui, o grupo é mais importante. Nós vamos lá ajudá-los.
Apenas confirmo com a cabeça.
- Você vai na frente, quero garantir que não vou ser atacado. Polly, se recupere, ajude Arnaldo e Myrlene, continuem aqui. Os Crosseds vão ficar muito ocupados na cidade.
Começo a correr, Becker vem logo em seguida. Daqui de cima vemos a movimentação do grupo correndo. Tem um bom número de Crosseds lá. Se o grupo for realmente combatente, podemos sair vivos.
- Eu vou pela direita. Vá pela esquerda ajudar o pessoal!
Nem perco tempo, começo a correr. A culpa desse ataque é minha. O Crossed que fugiu, ele achou seus malditos amiguinhos. Merda. Cada pessoa que morrer eu vou ser o culpado. Entro na primeira rua. Está Diego e Bianca contra um Crossed. Eu grito, eles estão vindo em minha direção. Começo a correr em direção a eles, grito para se abaixarem e eles fazem na hora. O machado vai no pescoço do Crossed. A cabeça cai.
- Você está indo muito bem. — diz alguém.
- Obrigado.
- Você está agradecendo? A gente que devia fazer isso. — Diz Diego.
Se não foi eles e não tem ninguém aqui... Estou ouvindo coisas? Não é possível.
- Vamos ajudar as outras pessoas. Fiquem perto de mim.
Começamos a correr, viramos algumas ruas, a gente encontra Guilherme, protegendo Lolly. Eu e os outros dois vamos em direção a eles, Guilherme está contra três Crosseds, ele não vai conseguir sozinho. Lolly vem em minha direção e tira algo do bolso de trás, era um pistola. Ela me dá, verifico e está com o pente cheio.
- Porra Lolly, Guilherme tá em perigo e você não usa a pistola?
Começo a atirar nos Crosseds, estou muito nervoso. Acabo gastando muitas balas, mas pelo menos dois Crosseds morrem. Guilherme vai cuidar do outro. Lolly fica do meu lado. Olho para minha esquerda e havia um beco escuro, algo esta vindo dali. Quando clareia, era cinco Crosseds vindo feito loucos. Eu começo a correr e a Lolly vem atrás. Um Crossed se separa dos demais em vai em cima de Diego e Bianca, mas Guilherme vai ajudá-los. Viro a rua e aos poucos a distância vai diminuindo. Vou atirando, apenas uma bala acerta um dos Crosseds, só que apenas o retardou. Começo a correr novamente. Mas estou ficando cansado. Só tenho uma opção para sair vivo, eu já usei uma vez e me arrependo muito. Esse ataque de Crosseds é culpa minha, deveria dar minha vida. Mas não. Eu vou sobreviver, a qualquer custo.
- Lolly, sinto muito.
Pego meu machado e acerto a perna dela. não decepou, porém ela não vai andar mais. Ela cai, chora, estende a mão por ajuda. Ela ainda acredita em mim depois do que eu acabei de fazer. Jogo a pistola para ela. Ela pensa enquanto os Crosseds se aproximam, e continuo correndo. Ouço um disparo. Olho para ela rapidamente, cometeu suicídio. Garota esperta. Viro a rua mais próxima. Havia mais Crosseds ali. Eles me viram. Agora realmente estou fudido. Deve ter uns sete deles agora. Corro para a rua mais próxima com esperança de encontrar algo. Quando viro havia um cara com uma metralhadora na mão.
- Se abaixa! — Ele grita.
Nem penso duas vezes e me jogo no chão. Ele atira em todos eles, gasta o pente inteiro. Os sete estão mortos.
- Você tem muita sorte irmão. Parece que você não vai brincar comigo hoje...
- Cale a boca! Me deixe em paz!
- Calma cara, estão todos mortos já. Meu nome é Hebert, vamos ajudar os outros.
Eu, eu... Estou perdendo a noção. Isso tem que acabar logo, antes que eu enlouqueça. Corremos até a próxima rua. Encontramos dois corpos dilacerados jogados no chão.
- Pamella... Fabiano... Que descansem em paz.
Me pergunto como ele conseguiu reconhecer os corpos. Continuamos o nosso caminho. Vimos alguns sobreviventes, nos agrupamos e prosseguimos. Acho que acabou o ataque. Vamos em direção a casa em que todos jantaram juntos. Estava todos reunidos.
- Estão todos bem? — Becker pergunta para todos.
Ninguém ferido ou infectado. Conseguimos sobreviver mais uma vez.
- Quantas perdas tivemos? — pergunta Daniel.
Becker olha em volta. Faz a contagem. Se lamenta e diz:
- Perdemos sete... Perdemos muitas pessoas.
- E a Lolly, Drew? — Guilherme pergunta.
- Nós... Fomos surpreendidos. Os Crosseds nos atacaram e pegaram ela. Tentei ajudá-la, mas... Era tarde.
Todos lamentam, Becker olha para mim. Ele sabe que isso não é verdade.
- Então são oito.
- E o pessoal na igreja?
- Estão dentro da casa sendo cuidados.
- Sobrevivemos então. Conseguimos, mais uma vez.
Havia um Crossed ainda e estava vindo em nossa direção. Era o Leonardo, irmão de Lucas. Becker reconhece, mas não perde tempo e atira na cabeça dele. Muitos deles estão abalados com o ataque surpresa. Essas perdas são minha culpa. Estou com nojo de mim mesmo. Vou em direção a casa mais próxima para dormir, não estou conseguindo pensar no momento.
- Drew, amanhã iremos conversar.
- Que seja. — continuo andando.
Dia seguinte, acordo pois os reflexos do Sol foi de encontro com a minha cara. Eu dormi no chão, mas como? Eu não consigo lembrar. Vou no banheiro, lavo minha cara. Não consigo me olhar no espelho. Sigo em direção na casa onde estão todos reunidos. Becker estava lá fora me esperando. Vamos para algum lugar vazio para conversar.
- Drew, vou ser rápido e direto. Por mais que tivemos nossos... Problemas na igreja, você mostrou ser um grande sobrevivente. Posso não confiar em você, mas eu quero que seja o cabeça do outro grupo que será formado.
- Você matou o Isaque... E ainda praticamente estuprou a Myrlene... O que te garante que vai sair vivo daqui? — seguro meu machadinho com força.
- Você acha que acreditei na sua mentira de merda sobre a Lolly? Eu sei que tu fez algo com ela, menos ajudar. E o braço do Arnaldo? E outra, acha mesmo que não estava preparado para esta ameaça? — ele levanta a camisa e mostra a pistola preso na cintura.
- Onde você conseguiu essas armas?
- Isso é segredo. Você tem os seus, eu tenho os meus. Então está decidido. Amanhã estaremos partindo.
Saímos do local. Algo na minha cabeça quer que eu vá ver a Myrlene. Entro na casa, pergunto para Pedro onde ela está, ele aponta para o quarto. Entro e vejo ela deitada, toda machucada. Daniel estava com ela. Peço que ele saia por um momento, ele se retira do local e fecha a porta.
- Myrlene, eu... Sinto muito pelo Isaque.
- Ele... Tentou me proteger... — ela começa a chorar — Eles dois... Começaram a bater nele como... Como se fosse nada...
Ela continua chorando. Eu seguro na mão dela. Estou tentando entender o motivo de eu estar fazendo isso.
- O Isaque sempre... Me protegeu... Sempre estava comigo... Com ele... Tinha certeza que estava tudo bem... Foi assim... Que me apaixonei por ele... Ele dava a vida... A cada Crossed que aparecia para me proteger... Agora ele se foi... Por causa daqueles maníacos...
Ele dava a vida por ela... Eu fiz o contrário com todas as pessoas que estavam comigo. Eu sou ridículo.
- Obrigada... Por tentar nos ajudar naquele momento... Obrigada...
- Descanse. Apenas descanse. Eu que devo te agradever.
Saio do quarto. Vou para a loja de roupas. Mas dessa vez Guilherme e Pedro foram juntos comigo. Já dentro da loja, procuro roupas do meu tamanho. Os dois também fazem a mesma coisa. Alguém entra na loja.
- Relaxa aí, tô a procura de roupas também.
Passa uns cinco minutos, esse mesmo cara resolve falar.
- Sabe, eu não vou com a cara do Becker, acho ele doido pra caralho. Eu estava maluco para essa viagem acabar. Tem vezes que eles toma umas decisões arriscadas demais para um momento não tão ruim.
- E qual motivo tu falar isso para gente? — pegunta Guilherme.
- É simples, vocês três conseguiram sobreviver esse tempo todo. Provavelmente irão separados do Becker. Estou afim de ir no grupo de vocês.
- Quem é você rapaz? — diz Pedro.
- Sou Augusto. Tô cansado dessa porra já. Perceberam que perdemos muitas mulheres no grupo?
- É verdade cara, isso é muito ruim. Mas aí, a Polly é bem bonita. Tava pensando em chegar nela. O que me diz Augusto?
- A Polly? Já comi.
Todos olham para cara dele na hora.
- Você, tá de sacanagem com a gente? — diz Guilherme surpreso.
- Cara, tu não viajou com ela, então cala essa boca aí. Ela é ninfomaníaca rapaz. Só chegar com um papo maroto que tu pega ela. Vocês tão de bobeira. Já perdi a conta de quantas vezes o Arnaldo e Becker brincaram com ela. Falar nisso, o que houve com Arnaldo? O cara voltou sem um braço da igreja. Rolou um ritual lá?
- Diz aí Drew, você estava lá. O que houve na igreja? — diz Pedro.
- Contarei a vocês durante a viagem. Aqui não é um bom lugar para dizer.
- Eu só sei que vou chegar na Polly. — fala Guilherme.
- O que?! Quem vai sou eu. — Discorda Pedro
- Resolvam isso como homens porra. Tirem par ou ímpar aí. — Augusto dava a idéia.
Pedro pede par, Guilherme fica com o ímpar. Pedro joga três e Guilherme, um. Resultado é par, Pedro vence.
- É hoje garotada, é hoje! — Pedro dizia feliz.
- Te dar o papo aqui. Dá mordidinha no pescoço que ela endoida! — avisa Augusto.
- Vai me ensinar a meter também? Eu sei deixar as mulheres doidas, não preciso de dica para isso.
Começamos a rir na loja. Pegamos as roupas e saímos. Fomos em pares nas casas para tomar banho. Claro, foi um de cada vez. Aproveitei e lavei o machado.
A noite veio e Pedro estava pimposo. Guilherme estava triste por não ter ganho.
- Guilherme, já teve dias que foi o Arnaldo e Becker juntos. Vai também lá rapaz! — Augusto dizia para encorajá-lo.
- Eu não gosto de dividir mulher. Deixa ele se divertir.
Estávamos sentado na calçada da rua. Passou dez minutos e vimos Polly e Pedro sairem da casa principal para uma vazia. Alguém vai tirar o atraso. Ele olha para nós e dá uma piscada. Maldito seja você Pedro, hahaha. Nós três continuamos conversando até o momento da janta. Entramos, jantamos, fomos para fora novamente. E nada do Pedro. Algumas horas passam e nada dele. O pessoal começa a ficar preocupado. Será que ela é tão faminta assim ou houve algo com eles? A gente pode não ter matado todos os Crosseds. Decidimos entrar na casa. Evitamos fazer barulho, olhamos os quartos e nada. Tropecei e acabei caindo na cozinha. Estava lá eles dois transando em cima da mesa. Mas que merda de visão, nem quero falar o que vi.
- Porra, dá para vocês saírem daqui?! — gritava Pedro.
- Calma cara, ficamos preocupados com você apenas. Já estamos saindo.
- Não, deixa eles aqui, pode ser divertido. — intervia Polly.
Um olhava a cara do outro no momento.
- Eu não gosto de dividir mulher, já disse. — diz Guilherme saindo do local.
- Isso não me agrada, foi mal parar a brincadeira de vocês aí. — eu só quero ir embora daqui.
- Vocês que se fodam, eu to partindo. Bota ela de ladinho aí! — fala Augusto enquanto tirava a camisa.
Eu e Guilherme saíamos rapidamente. Começamos a rir no lado de fora.
- A gente nunca teve esse momento... Venha para cá, vamos realizar isto...
Era a voz de Liz. Eu ignoro enquanto posso. Me despeço de Guilherme, avisando que ia dormir cedo, por causa da viagem do dia seguinte. Dentro de casa, as vozes aumentam. Vozes demais, faz a minha mente querer explodir.
- Calem a boca! — eu grito.
Com o passar do tempo, as vozes diminuem, e consigo dormir.
Dia seguinte, dia de viagem. Pego o machado e vou para fora, me encosto na porta da casa. Estavam todos na rua. Becker me olha e decide falar.
- Agora é hora de partida. Vamos decidir o grupo. Vocês irão escolher dessa vez. A outra cabeça de grupo dessa vez será Drew. Quem quiser ir com ele, que vá para o lado da calçada em qual ele está.
Guilherme, Pedro e Augusto vem pro meu lado, isso era esperado. Ludmila decide vir com a gente. Myrlene vem também, lógico que ela não vai ficar no lado do Becker depois do que houve. Para ajudar na recuperação dela, Daniel vem. Um cara que eu não conhecia vem pro meu lado também.
- Tá vindo também Vieira? — diz Augusto.
- Pode me chamar de Lucas agora.
Diego decide vir com a gente, mas Bianca segura seu braço. Eles se olham.
- Bianca, eu quero ir com eles. Venha comigo.
- Mas eu me sinto mais segura com o Becker, Diego.
- Então vamos fazer o seguinte, vamos em grupos separados. A gente se encontra lá, ok?
- Mas vamos ficar muito tempo separados.
- Eu te amo, não se preocupe. Eu sou só seu, e você é só minha.
Eles se beijam. Putz, melação adolescente, tudo o que eu queria agora. Diego vem pro meu lado da calçada. Somos nove então. Um bom numero. O Grupo do Becker fica com dez. Ele como cabeça de grupo; Arnaldo, Polly, Hebert, Bianca, Lucas Lima e o pessoal no qual eu não conheço muito bem, eu acho que são Caio, Igor, um japonês que não me lembro o nome e mais uma garota.
- Agora vamos dividir a comida e armamento.
Vou com Becker para a divisão. Quero metade, não igual que ele fez com o ultimo grupo. Organizamos a comida, armas, munições. Converso com ele sobre o medicamento, para o meu grupo ter mais por causa da merda que ele fez com a Mylene. Ele aceita. Becker e Polly pega a parte deles e decidem ir na frente.
- Nos vemos no Sul, Drew. Eu vou pelas montanhas, no leste. Você vai pela estrada.
O grupo dele parte. Não tenho pressa, quero que eles se distanciem um pouco de nós. Passa uns quinze minutos, decido ir embora.
- Drew, tem alguém vindo! — grita Diego.
Vou pra fora ver quem é. Pelo visto não é um Crossed... Espera. Eu conheço ela. Ela... Sobreviveu? Está se apoiando num pedaço de pau enquanto anda, está muito fraca.
- Alguém prepare uma comida rápida! — eu grito.
Eu e Guilherme corremos em direção a ela para ajudá-la. A mesma cai no chão. Tenho certeza, é ela. Pego ela no meus braços.
- Ei Flávia, permaneça acordada. O que houve com seu olho esquerdo?
- Drew... Seu irmão... Ele está vivo... — ela desmaia.
- Cara, quem é ela? — pergunta Guilherme sem entender nada.
- Eu... Respondo depois.
Meu irmão... Meu irmão está vivo. Agora faz sentido no sonho que tive dias atrás, sobre minha família reclamar dele ser um péssimo filho. Ele estava vivo este tempo todo. Mas no momento, tenho que cuidar dela. É só o que importa. Pelo menos boas notícias no meio desse caos. Minhas esperanças foram renovadas, tenho outros motivos agora para sobreviver.
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