Illuminati: Sobreviventes
6 6 - Respostas
"Você deveria estar morto."
– Ela tá bem, está apenas descansando. O que vamos fazer agora, Drew? — avisa Daniel.
– Vamos esperar ela recuperar e depois vamos partir.
– E se ela nos atrasar?
– Ela não vai.
Você me pegou de surpresa Flávia.
– Não vai nos contar quem é ela? — pergunta Guilherme.
– Nem sobre o que houve na igreja? — Pedro complementa.
– Sobre o que houve na igreja eu irei falar para o grupo inteiro. Já a Flávia, bem... Já viajamos juntos.
– Cara, tu comeu ela?! — diz Augusto enquanto entrava na sala.
– Não Augusto, porra... Não. Ela sabe se virar muito bem, pode ver que ela está viva até agora.
– Você não vai realmente falar quem é ela né? Antes você recusou a falar sobre o seu nome. Você está cheio de segredos cara, isso pode custar caro um dia.
– Ou não Guilherme. São coisas que vocês não precisam saber.
– Ela acordou e quer falar com você. — diz Daniel cortando o breve silêncio que se instalou no local.
Tem algo incomodando eles. Isso fica para depois.
– Ei, — bato de leve na porta enquanto entro no quarto — como está esse olho?
– Tá bem, dá para sobreviver.
– E então... — puxo uma cadeira e coloco perto da cama dela, e sento — me conte o que houve.
– Bom... Depois daquele evento na cidade uns meses atrás, eu encontrei um grupo. Eu estava muito fraca, era o unico modo de ficar viva... Horas depois eu acordei na... Cidade deles. Era um local bem protegido, com os caras fortemente armados. Tem um grande numero de pessoas por lá. Mas elas vivem com medo, não entendi bem o motivo na hora. Fiquei uns dias para me recuperar e decidi fugir. Mas não consegui, eles me pegaram. Fui parar dentro da sala principal. O líder deles veio falar comigo, disse que as pessoas que escapam são marcadas para servir de exemplo aos outros... Foi aí que acabaram com o meu olho. Mas não pararam por aí... Eles... Eles me violentaram por dias... E depois me jogaram de volta a população. Foi aí que encontrei com seu irmão. Ele me acolheu, me ajudou, enquanto o pessoal sentia nojo de mim. Eu já estava decidida em escapar novamente, mas dessa vez ele iria me ajudar. Foi o que aconteceu. Ele conseguiu abrir o caminho para eu escapar, mas ficou, pois a esposa dele estava prestes a ter um filho...
– Filho? — eu vou ser tio? — Tem certeza?
– Sim. A última cena que vi, foi seu irmão sendo pego por eles. Já no lado de fora, enquanto eu escapava, via corpos de soldados destroçados... Eles vieram atrás de mim, mas por sorte não conseguiram me pegar.
Soldados destroçados... Pessoas salvas... Espero que eu meu pensamento esteja errado.
– Onde eles estão localizados?
– Drew, eu sei que ele é seu irmão... Mas olha o seu grupo. Não importa se tivesse mais pessoas com você, não daria certo em resgatá-lo...
– Apenas me diga.
– Deixe seu irmão bastardo para trás, apodrecendo por lá. — é a voz do meu pai.
Essas vozes... Agora não.
– Eles estão no sul Drew, no sul. Eu sei que você vai atrás dele. Tem certeza em arriscar a vida das pessoas? Tem uma grande chance de todos morrerem, sendo por Crosseds ou não...
– Essas pessoas não aguentam mais ficar fugindo dos Crosseds. Pessoas lá estão bem protegidas, não importa se são mocinhos ou bandidos tomando conta. Posso deixar o grupo, tirar meu irmão, esposa e filha de lá e seguir viagem. Você pode ir comigo no final disso tudo.
– Mas os caras...
– Já disse, isso não me importa.
O silêncio surge, ela sabe que não vou mudar de idéia.
– Vou levar você lá, mas me promete uma coisa: Dessa vez a gente não vai se separar.
– Tudo bem. Agora descanse.
Que eu vou atrás do meu irmão, isso é certo. Tenho que pensar em algo. Mas antes vou esclarecer umas coisas para o grupo. Falo para todos se reunirem no quarto onde Flavia está. Vai que ela passa mal e eu não estou presente, melhor fazer no quarto mesmo. Todos se reunem. É hora de falar.
– Pessoal, queria esclarecer umas coisas com vocês. Mas antes de tudo, queria falar que a partir de agora, não temos mais segredos. Se tem algo para falar, todos irão saber. — Guilherme e Pedro olham para minha cara com um olhar de aprovação. — Agora é sobre o que houve na igreja. Houve desavenças lá dentro. O líder de algum de vocês, matou o Isaque, violentou a Myrlene. Talvez se não fosse por mim, ela estaria morta também. Todos vocês, fiquem espertos com ele.
Alguns não confiam muito no que eu disse. Mas a Myrlene está ali, toda machucada. Ela confirma o que eu disse com a cabeça. Abre uns segundos de silêncio.
– Seu idiota! — grita Diego — Você só fala isso agora?!
– Não entendi bem cara, e abaixa seu tom aí.
– Abaixar meu tom porra nenhuma! Bianca se sente segura perto do Becker, aí você me diz uma coisa dessas agora! Vai saber o que pode estar acontecendo nesse momento por lá!
– Irá acontecer nada, vai por mim. Continuando. Nós vamos partir para o sul daqui a pouco.
– Mas e ela? — Pedro aponta para Flávia.
– Ela vai aguentar. Se aprontem.
O pessoal sai do quarto. Tenho que verificar se está tudo certo.
– Está tudo ok vocês?
– Tá ok sim cara, quero saber se a garota que chegou não vai atrasar a gente. — fala Guilherme enquanto colocava a mochila.
– Eu já disse que ela não vai.
Augusto e Pedro também confirmam que está tudo certo. Saio da casa, Vieira está ajudando Ludmila com as armas, pergunto se estão prontos e eles também confirmam. Diego e Daniel estão ajudando Myrlene a andar. Ela está fraca, mas não vou esperar.
– Ei Drew, olha o que achei. — Flávia me mostra um tapa-olho, aqueles de carnaval. — Devo usá-lo?
– É, melhor.
Ela coloca e dou um olhar de aprovação. O grupo se junta e começamos a andar, vamos pela estrada. O lado bom é que o Sol enfraqueceu um pouco.
Seguindo viagem, horas passam e já anoitece, deve ser umas onze horas da noite.
– Você vai atrás do seu irmão mesmo? Está disposto a sacrificar o grupo inteiro por isso? — era a voz de Liz em minha mente.
Eu ignoro. É só ignorar.
– Vai fazer com eles, o mesmo que fez comigo? — era a voz de Lolly agora.
Ignore, ignore, ignore.
– Responda elas filho, deixar pessoas falando sozinho é feio. — minha mãe dessa vez.
A cada voz que aparece, vou ficando com dor de cabeça, que vai aumentando aos poucos.
– Dá para vocês calarem a boca? Vocês estão mortas. — digo baixo, para o grupo não ouvir.
Flavia olha para mim. Acabei falando no final.
– Você está bem? Podemos parar aqui e descansar.
É melhor, Myrlene precisa de descanso mesmo. Aviso ao pessoal sobre acampar, todos ouvem e começam a se ajeitar no canto da estrada. Engraçado, não tem sinal de Crossed até agora.
– Pessoal, o turno da noite é meu e do Guilherme. O restante pode descansar.
Nós comemos e logo em seguida rola uma conversa rápida, discontraída em grupo. O pessoal se separam e começam a dormir. Fico pelo setor norte vigiando, nada demais. Uma hora passa, está tudo tranquilo. Decido pegar um saco de doces que consegui na cidade.
– Você deveria conversar mais, isso faz bem.
Olho para o lado, é Myrlene.
– Tu deveria estar dormindo.
– As dores acabam não ajudando na hora de dormir.
– Entendi. Tente descansar, vamos andar bastante amanhã.
Me levanto para voltar ao meu posto, não é necessário essa conversa. Mas estou escutando algo... Isso seria...
– Carros! — avisa Guilherme.
Merda, eles estão vindo pra cá e bem rápido. Pode ser Crosseds dirigindo ou não.
– Ludmila, prepare o rifle. Todos, se separem!
Pelo menos assim tem poucas chances de grandes perdas. Os carros estão bem pertos agora. Estão... Diminuindo a velocidade, sinal que não são Crosseds. Corro para a mochila de armamentos e pego uma pistola. O pente tá cheio, guardo debaixo da minha camisa. Seguro firme o machado. Era um jeep e um doblô. Esses carros... É o suficiente para o grupo inteiro.
– O que você tem em mente Drew? Podemos morrer aqui mesmo. — pergunta Flavia.
– Não vamos morrer aqui. E vamos conseguir esses carros, não importa como.
O doblô para no meu lado. O banco de carona estava com o vidro abaixado, havia uma mulher com um bebê no colo. Exceto a mulher, todos saíram dos carros armados. Dois deles rende Daniel, que estava com Myrlene. Burrice minha deixar armado todos do grupo.
– Ei mocinha — o cara se refere a Ludmila — deixe a arma no chão.
Ela obedece. O grupo do carro já se espalhou e rendeu alguns, são cinco. Um deles vem em minha direção.
– Jogue o machado no chão e chute. Depois se ajoelhe.
Ele é um garoto ainda. Parece que é um grupo que se formou agora.
– Hoje você morre aqui carinha, se eu fosse você eu começava a rezar. — diz o guri.
– Vai deixar esse moleque brincar com sua cara? — era a voz de Duda.
Essas vozes estão aparecendo frequentemente agora.
– Não existe Deus no inferno em que estamos vivendo. Então, pra que rezar? — respondo guri.
O guri não gosta das minhas palavras e começa a segurar a arma com duas mãos agora. Já não está tão seguro.
– Não escute ele, Rickson. Desculpe por render vocês pessoal, neste mundo de hoje está uma merda e precisamos dos itens que pouco resta ainda. Sabe, temos um bebê no carro. Precisamos alimentá-lo, deixá-lo seguro. Então vou precisar de suas armas, comida e mais o que vocês tiverem aí.
Eu tiro a mochila e jogo no chão. Alguns remédios com impacto, sai da mochila rolando.
– Olha só! Vocês ainda tem remédios! Estão bem equipados mesmo. Ou melhor, estavam né. — diz o tal do Rickson.
– Então é isso? Vai entregar tudo de bandeja? — era voz de Duda novamente.
Antes de eu responder, Guilherme tenta desarmar um dos caras armados. O pessoal fica agitado e um disparo vai na perna de Guilherme. Rickson se assusta e acaba se distraindo. O bebê começa a chorar.
– Vamos, mate ele agora! — gritava Duda em minha mente.
– Não. Não agora.
Puxo minha pistola e me levanto rapidamente, dando uma coronhada no queixo do garoto. Ele cai no chão. Eu aponto a pistola para a mulher e o bebê antes que algo mais grave aconteça.
– Todos vocês, se não querem o bebê morto, larguem a arma no chão. Vocês irão empurrar com os pés as armas para a pessoa mais próxima do meu grupo e depois, deitar no chão. Entendido?
Ninguém obedece, exceto Thyago.
– Você está blefando. Isso é o seu momento de desespero!
– Ah, estou mesmo?!
Dou um tiro na cabeça de Rickson. No momento do som do disparo, muitas vozes gritavam em minha cabeça. É ensurdecedor, mas consigo manter o controle. Algumas pessoas do meu grupo se surpreende com o meu feito. Ele era um garotoa apenas. Não importa, eu preciso dos carros.
– Vai querer outra amostra?!
O grupo dele obedece. O pessoal recolhe as armas e aponta para eles.
– Você, — falo para mulher — sai do carro.
– Estou tentando fazer o bebê dormir, silêncio.
Ela está me ignorando. Estou com a arma apontada na cabeça dela, e está me ignorando. Não é todo dia que vejo isso.
– Hallana, saia do carro, por favor. Pelo bebê.
Escuto gritos do norte, são Crosseds. De onde eles surgiram, eu não sei, mas não vai demorar para chegar aqui. O pessoal começa a ficar aflito. Eu abro a porta, ainda apontando a arma para ela. A mesma sai, devagar. Dou uma rápida verificada para ver se tinha alguém dentro. Ninguém. Aviso ao pessoal entrar no carro.
– Pedro, Flavia, Diego, vocês irão comigo no jeep. O resto do pessoal vai no doblô.
O pessoal não perde tempo. Dou uma olhada rápida para Myrlene, ela está sentindo pena do bebê.
– Deixe-me ir com vocês. — dizia um dos caras para mim.
– Seu nome?
– Mateus... Furtado.
– Por qual motivo?
– Eu só quero... Sobreviver...
Boa resposta.
– Então Mateus... Não. Você vai ajudar o pessoal que está contigo a sobreviver. — jogo minha pistola no chão. — Está aí a arma para matar os Crosseds que estão vindo. Poderia me matar e tentar pegar os carros de volta, mas provavelmente vocês não irão conseguir. Se conseguirem sair vivos, sigam ao norte e terá uma cidade. Por lá vocês vão conseguir algo para o bebê.
Entro no jeep, fico no banco de carona. Pedro está dirigindo.
– Boa sorte.
Os carros ligam e viram em direção ao sul. Coloca a mão no bolso traseiro, o pente que eu havia retirado da pistola após acertar Rickson está aqui ainda. Estou pouco me fudendo pro bebê e o resto do pessoal, talvez esse pente faça diferença lá no sul.
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