Illuminati: Sobreviventes
4 4 - Desequilíbrio
"Eu nunca te abandonei. Quando você menos esperar, estarei ao seu lado. Eu prometo."
- Drew, o que você fez?! Você matou o grupo inteiro! — grita Pedro horrorizado com a cena.
- Eu fiz o que foi preciso.
- Você enlouqueceu! Pirou de vez porra! Lembre do que eu sempre fale--
Ele é interrompido com um tiro na cabeça. Ele sempre falava essas besteiras.
- Eu não vou te perdoar, isso vai terminar aqui e agora. — avisa Guilherme, que não estava para brincadeira.
- Ah é mesmo? — dou um tiro em sua perna, ele grita de dor, aquilo por algum motivo me deixa feliz — E agora, o que vai fazer mesmo?
- Você enlouqueceu... Logo você... Logo você que era...
Dou um tiro em seu ombro. Só queria ele calado para a diversão que estava por vir.
- Agora me empresta aqui a sua machete, pois a brincadeira vai começar...
Ele me olha na esperança de que eu mude, volte ao normal.
- Bom, esses olhos... Não gosto do modo em que você está me encarando, deixe-me ajustá-los, — com a sua machete, vou arrancando seus olhos lentamente, para valorizar os gritos — ficou ótimo! Acho que vou fazer deles um chaveiro. Bom, não preciso mais de você vivo. Nos encontramos no inferno. Hahaha!
Mas antes do ataque final, tudo fica disperso, melancólico, sinistro.
- Porra!
Eu grito. Era um pesadelo, dos piores.
- Você está bem? Teve um pesadelo? — pergunta Ludmila.
- Sim, novamente... — olho em volta para ter certeza que não estou sonhando novamente.
Devia ser umas 9 da manhã. Eu ainda estava com a roupa suja com sangue de Crossed. Deve ter sido isso que me rendeu um pesadelo insano. Me levanto, faço um alongamento rápido e aviso aos outros que vou procurar um local com água e novas roupas ou qualquer novidade. Vou visitando de loja em loja. Até que entro em uma de roupas. Havia algumas peças intactas e do meu tamanho. Pego elas e procuro um local com água limpa. Em seguida passo em uma casa. Ela não estava totalmente destruída. Vou direto ao banheiro e abro o chuveiro. Havia água. Deixo ela ficar caindo durante cinco minutos, para ter certeza de que não há algo errado. O tempo passa e nada de diferente acontece, então decido tomar banho. Termino e vistos as roupas novas. Dou uma olhada rápida na casa e algo me chama atenção. Havia um machadinho preso na parede em frente ao quarto. Pelo visto foi usado por alguém que estava tentando sobreviver, mas ela estava sem sangue, e bem afiada. Dou uma rápida olhada no quarto e vejo um corpo dividido em dois no chão. Como era nada agradável, pego o machadinho e vou embora.
Saio da casa e levanto a mão para avisar que tem água limpa na casa. Alguns se aprontam para entrar, eu continuo olhando as lojas. Entro numa loja de bar. Tem umas bebidas que não foram alteradas. Vou atrás do balcão, encontro pouca munição para shotgun. Vou nos fundos da loja para ver se encontro algo, encontro a foto da família do dono do local. Aí escuto um barulho. Deixo a fotografia onde está e fico atento, com o machadinho na mão pronto para algo.
- Ei Drew, sou eu, desculpe te assustar.
Era a Lolly. Volto para o salão principal. Ela está encostada no balcão. Na verdade eu queria um tempo sozinho. Para repensar sobre o meu pesadelo.
- Posso te ajudar em algo mocinha?
- Eu só... Queria conversar.
- Tem outras pessoas no grupo para isso. — dou as costas para ela e continuo minha procura pelo salão.
Cara, isso foi ridículo, ela não vai te atacar. Não do modo que você está pensando. Talvez ela nem te ataque. Mas que porra, pare de pensar nisso.
- É que eu lembrei de sua história... Sobre você perder sua irmãzinha...
- Não precisava me lembrar disso.
- Desculpe... Eu não queria...
- Ok, — dou um profundo suspiro — continue.
- É que eu perdi minha irmãzinha também.
Eu paro por um segundo em revirar as coisas. Estamos em um pequeno momento delicado agora. Ela tá buscando forças pela nossa "igualdade", isso é legal de um certo modo.
- Sinto muito sobre isso.
- Não, tudo bem...
Abriu um breve silêncio, continuei minha busca no local, mas já estava terminando. Eu ia deixá-la sozinha ali.
- Sabe, o que você fez ontem foi incrível... Meio louco, mas corajoso.
- É, eu sei, tudo pelo bem do grupo né. Mas tive muita sorte, principalmente.
- É verdade... Sabe... Eu queria te contar algo.
- Fale, pois estou terminando aqui.
Acabo achando um cordão no chão. Era bem brilhante e estava com uma plaquinha marcada "S". Coloco em meu bolso, caso futuramente sirva de algo. Vou em direção ao balcão pegar a munição de shotgun que eu havia encontrado. Acabo parando no lado dela, e a mesma decide falar.
- É que... Eu gosto de você.
Eu olho para cara dela de um modo não tão receptivo. Eu não gosto dela. Não do modo que acabei de ouvir.
- Isso é sério? A gente mal se fala.
- Mas, o seu jeito, quieto e concentrado... Você parece guardar as idéias para si mesmo... Isso me atrai. Seus pesadelos, por mais que sejam ruins, você não compartilha para alguém te ajudar. Você quer resolver tudo sozinho...
Ela tem razão. Não gosto de compartilhar pesadelos. Isso tá ridículo, tenho que terminar isso logo.
- E então, vamos ficar nisso?
- Me desculpe... Eu...
Putz, em grande caos no planeta Terra e ela com essa tímidez. Ela olha pra baixo. Vou tirar proveito disso. Quanto tempo não tenho um momento desse com uma garota? Ela não vai se importar.
- Lolly, está tudo bem.
Fico de frente a ela e coloco minha mão direita em sua coxa, ela suspira de leve. Boa garota.
- Deixe que eu te guie.
Minha mão esquerda vai parar em sua cintura. Puxo ela em minha direção com força. Temos o contato visual. O beijo vem. Ela fecha os olhos, quer sentir cada detalhe, cada toque, cada sensação. Minha mão direita sobe, vai parar em sua nuca. O ritmo do beijo aumenta. Ela quer tirar minha blusa. Eu deixo. Faço o mesmo, tiro a camisa dela. Aproveito o local e dou uns beijos em sua barriga. Ela geme. Isso só aumenta o tesão de ambos. O pescoço dela me chama atenção. Subo e toco com os meus lábios suavemente. Que belo pescoço, seria ótimo passar meu machadinho aqui, abri-lo e começar a brincar... Porra, o que estou pensando?! Me afasto dela imediatamente:
- O que foi? Fiz algo errado? — Ela se assusta.
- Tudo bem, a-apenas saia daqui.
- Mas o...
- Saia daqui agora!
Ela vai embora sem entender. Porra, que pensamento foi esse? Já basta o pesadelo e agora uma coisa dessas? Será que estou infectado? Sei lá, eu dormi com o sangue na roupa, devo ter esbarrado nele, algo assim. Mas que merda cara, podia ter machucado ela. As bebidas, essas bebidas em volta... Preciso beber um pouco.
- Ei, irmão, acorda!
- Mas o que... — estou no quintal de minha casa, mas como? — Barbara?
- Irmão, vem brincar com a gente...
Olho em frente, está todos da minha família, exceto meu irmão, não o encontro.
- Grande Drew, tem tempos que não te vejo!
- Rafael, você está vivo?
- Pare de perturbar ele! Venha Drew, não ligue para o Rafael, vamos nos divertir, ok?
- Andrea, mas, mas... Como?
Não é possível, isso é outro pesadelo, é tudo mentira.
- Não vai abraçar seu avô? Isso é maneira de tratar alguém mais velho que você?
- Vô... Você tá vivo...
Não Drew, não caia nessa. Acorde.
- Filho, estou orgulhoso de você — uma voz atrás de mim.
Não olhe Drew, não olhe. Não olhe.
- Isso é jeito de tratar sua mãe?
Isso é um pesadelo. Acorde, acorde, acorde!
- Vá falar com sua mãe, não faça igual a seu irmão.
Meu pai. Isso está errado. Isso é insano demais para mim, saia dessa, encontre um jeito!
- Seu irmão é uma decepção para todos nós, não seja igual a ele.
Do que eles estão falando? Ele sempre foi uma boa pessoa.
- Você está aqui para ficar com a gente né irmão? Vai brincar com a gente para sempre, né?
Para sempre? Não, não, não, não, não, não! Chega!
- Vocês estão todos mortos! Eu vi a morte de alguns! Eu vi corpos acabados de outros! Isso é apenas outro pesadelo! Eu vou acordar e isso vai acabar!
- Não, isso não vai. Ninguém vai te ajudar. Vem filho, venha conosco. Vamos família, vamos dar um abraço nele.
Eles me cercaram, acorde, acorde, acorde!
- Saiam de perto de mim! Eu não vou morrer! Eu tenho que sobreviver, EU VOU SOBREVIVER!
Eles param. Olho na cara de todos. Estão todos com olhos brilhando. Essa sensação... Seja forte Drew, seja forte.
- Irmão, — ela toca em minha mão — não me abandone.
- Eu nunca te abandonei. Um dia ainda vou brincar com você, eu prometo.
Ela sorri, solta minha mão e afasta. Todos estão chorando. Essa sensação... A sensação de que você quer se juntar a eles... Mas não posso, eu tenho que sobreviver. Me desculpe família, mas hoje não.
Escuto algo cair no chão, tem alguém me segurando. Minha consciência tá voltando. Estou zonzo, acho que estou bêbado. Vomito em alguém. Nesse momento ela deve estar puta, mas não consigo entender. Eles me arrastam para algo confortável, eu durmo.
Eu acordo, com uma bela dor de cabeça. Mas consigo ter visão suficiente para ver em volta. Estou em um quarto. Guilherme, Pedro, Lolly e Daniel. Lolly está chorando. Guilherme está sério. Pedro preocupado. Consigo forças o suficiente para perguntar:
- O que houve ontem?
- Você tentou se matar, Drew. — Responde Daniel.
- Eu... O que?
- Você estava bêbado, de joelhos, com um machadinho no pescoço. Estava chorando e falando baixo. Você mencionou sobre nunca ter abandonado alguém. Foi quando você largou a arma e quando você estava prestes a cair no chão, não deixamos isso acontecer. — completa Guilherme.
Eu fui... Um idiota. Logo eu, sempre preocupado em viver, tentei fazer uma coisa... Covarde dessas. Posso nem confiar em mim mesmo agora.
- Eu vou... Ficar bem, não se preocupem.
Todos abrem um leve sorriso.
- Ei, eles chegaram! — Diego veio correndo avisar ao Daniel.
- Bom, o outro grupo chegou. — Daniel olha pela janela — estarei lá fora. Saia quando se sentir bem.
Primeiro meu desequilíbrio, agora o grupo aparece. Eles não vieram num tempo bom, estou sobrecarregado. Mas tenho que ser forte, tenho que... Sobreviver.
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