"Quando a questão é matar para sobreviver, humanos e Crosseds são todos iguais."



Três dias após nos juntarmos ao grupo. Não tivemos problemas com Crosseds. Não ainda, pois já percebi que estamos sendo seguidos, mas a distância é grande. É questão de tempo deles nos alcançarem, temos que pensar em algo.Em torno das 4 da tarde, o grupo segue caminho a longa estrada. Pergunto a Daniel sobre o outro grupo, em qual tenho curiosidade.

- Então você quer saber deles? Talvez não demore muito para encontrá-los.

- É apenas uma curiosidade.

- Tudo bem. Nosso segundo grupo é composto por quinze pessoas...

- É um numero bem maior que o daqui.

- Sim, nossos homens, digamos, de combate estão lá, por causa do número maior.

- Compreensível. Quem está na liderança lá?

- Desde que a ultima vez que nos vimos, era o Becker e o Arnaldo. Eles tem mais experiência contra os insanos. Provavelmente não tenha mudado.

Dou uma rápida olhada para trás e vejo Pedro fazendo piadas para o pessoal.

- Seu amigo é bem humorado assim mesmo? Diante desse caos, é difícil manter o bom humor.

- É, ele é sim. Uma vez ele disse que é bom manter esse humor, nos deixa mais humanos.

- Tem razão. Meu grupo é sempre cabisbaixo, mesmo tendo esperanças de encontrar um lugar para viver em paz.

- Você acredita mesmo nisso? Sobre essa coisa de sul ser a salvação?

- Eu acredito. Você não?

- Não. Os Crosseds podem ter invadido aquilo.

- Pode ser que sim, pode ser que não. Os soldados podem estar fortemente armados. É o suficiente para salvar o pessoal.

- Falar nisso, vocês tem armas aqui?

- Temos, mas são poucas e temos poucas munições. Mas temos sorte de não esbarrar com os insanos.

- Algum de vocês tem especialidade em algo? Tipo, algum médico?

- Na verdade, não. Aonde você quer chegar?

- Quem decidiu separar o grupo em dois?

- Eu acho que já te respondi demais.

- Fique tranquilo, já sei o que queria saber.

Sabia que tinha algo errado. Essas pessoas estão mais assustadas que preparadas. Ainda não bateram de frente com os Crosseds. Tem poucas armas e munições. Ninguém tem uma especialidade. Vou ter de avisar pros dois. Mas antes, algo chamou minha atenção. Havia um corpo no meio da pista, era um policial sem a cabeça. O grupo fica horrorizado com a cena.

- Tem uma pistola aqui, o pente está cheio — diz Pedro, revistando o policial.

- Guarde para você, de nós três, você é o melhor com armas. — Eu sou até razoávelmente bom com armas, mas tem um pente apenas. Melhor deixar com ele que sabe atirar — Os Crosseds passaram por aqui. Pelo visto eles estão no mesmo caminho que nós.

- Então temos que tomar cuidado, certo?- diz Ana.

- Muito cuidado.

Ouço um barulho, foi rápido e baixo, olho para trás rapidamente. Guilherme entendeu meu olhar, os Crosseds estavam chegando. Eu só espero que estejam em pouco número.

- Eles estão chegando? — diz Daniel num tom sério.

- Sim, mas eles estão longe. Só digo para ficarem preparados, pois não sabemos quantos estão vindo. Temos que andar mais rápido para chegar na cidade mais próxima. Pelo menos lá vamos conseguir ter vantagem sobre eles. Então é o seguinte: Vamos ter que cortar o tempo de descanso e o tempo de sono.

- Você tem certeza disso? Estamos andando tem horas, abaixo desse sol escaldante e ainda vai cortar o nosso tempo de descanso e sono?! Isso é loucura! — diz Bianca aflita.

- Escute aqui mocinha, primeiro abaixe seu tom de voz, além de poupar sua energia, os Crosseds não irão te escutar. Você quer descansar? Por mim tudo bem, mas quando você acordar e estiver você e seu namoradinho sozinhos enquanto eles estiverem correndo para pegar vocês, não reclame. Isso aqui é sobrevivência. Não ligo em deixar vocês para trás. Eu, Pedro e Guilherme, estávamos nos virando bem sozinhos.

- Pegue leve Drew, você sabe que um grupo é assim mesmo. Além disso, eles são muito novos — diz Guilherme, amenizando o clima.

- Porra, acabei me exaltando, desculpe.

Continuamos andando. Passamos mais uns dois dias na estrada, a comida estava acabando. Chegamos a cidade, pelo o que Daniel me disse, seria o ponto de encontro com o próximo grupo. Ficamos um dia na espera deles e nada, eu estava ficando preocupado. Os Crosseds podiam chegar a qualquer momento. Já havia falado com em sairmos daqui, mas o grupo não deu muita idéia. Decidi conversar com Pedro e Guilherme:

- Caras, eu não to botando fé nesse grupo.

- Como assim? Explique. — fala Guilherme, curioso.

- Seguinte, eles são pessoas comuns, frágeis e sem, vamos dizer, especialidade. Tem poucas armas e munições, sendo que o outro grupo é maior e mais forte. Tem pessoas ali que é nítido que não sabe se virar, morreria fácil sem a proteção da gente...

- Sim cara, mas vá direto ao assunto — Interrompe Pedro.

- Eu acho que eles são o peso morto do grupo total deles. Tipo, se durante a viagem, algum deles morrerem, seria uma boa para o segundo grupo. Devíamos abandoná-los e seguir nosso caminho.

- Drew, o que você tá dizendo? — Pedro levanta a voz — Vai deixar eles serem mortos por aqueles monstros?!

- Eles podem viver ué, mas só não estaremos com eles. Sei que você não gosta desse tipo de coisa, abandonar as pessoas, mas é preciso. Eles são lentos e sabemos que isso é ruim.

- Cara, é melhor você...

Guilherme é interrompido por um grito, mas um grito de alegria, como se alguém tivesse achado uma mina de ouro.

- É o que estou pensando? — Pedro coloca a mão em sua pistola.

- Sim, são eles, os Crosseds chegaram. Poderíamos ir embora agora.

- Você está maluco?! Eu não vou deixá-los lá! — Pedro corre em direção ao grupo.

- Porra Pedro, espere! Temos que pensar em algo antes qu--

Um Crossed me interrompeu e acabou me derrubando. Ele veio para cima de mim ferozmente. Antes que ele me mordesse, Guilheme chuta seu estômago, com o impacto ele saiu de cima de mim. Eu poderia ter morrido aqui mesmo, se o Guilherme não estivesse aqui. Ele não perde tempo e corta a cabeça do Crossed com sua machete.

- Odeio fazer essas coisas. — Lamenta Guilherme.

- Ou você faz isso, ou simplesmente, morre.

Um tiro é disparado, poupamos palavras e apenas corremos. Espero que eles estejam a salvos, ou mortos ao invés de infectados. Hoje é o dia de ver se eles são fracos como eu penso.