Illuminati: Sobreviventes
1 1 - O Grupo
"Três meses após esse caos. Todos os dias eu penso como isso aconteceu. Um vírus? Alienígenas? Deus? Realmente, não sei, eu apenas tento sobreviver."
Estamos no meio da estrada, está uma manhã muito quente. Acho que daria minha mão direita por uma coca gelada.
- Que horas são? — pergunta Guilherme.
- Parece ser umas sete horas — responde Pedro.
Pelo que eu sei, Guilherme era um professor de Karatê para crianças, e adorava o trabalho. Ganhava um bom dinheiro e tinha a admiração das crianças. Mas aí aconteceu esse caos, o surgimento dos Crosseds. Eles vieram em massa dentro local onde ele dava aula, e atacaram as crianças. Eu teria nojo sobre pensar nisso, mas hoje é normal. Mataram, estupraram, jogavam em ventilador, destruíram. Os gritos de ajuda para o professor foi em vão, diante daquela cena, ele fugiu.
Pedro aponta para uma fogueira não muito distante — Olhem lá, podem ser sobreviventes! — diz animado.
- Como pode ser os Crosseds também — Respondo sem muito ânimo.
- Está sentindo esse cheiro? Tá parecendo carne com batata. Cara, estou com uma fome desgraçada.
- Quero saber daonde eles tiraram batata para fazer essa comida — diz Guilherme com um sorriso no rosto — Acho que devemos ver se são sobreviventes mesmo.
- Tudo bem... Vamos com... Com... — Eu estava fraco demais — calma... — acabo desmaiando, o cheiro da comida não me fez bem, apenas atiçou meu estômago.
- Ei, acorde! Você está bem? — Uma garota me acorda — consegue levantar?
- Bom, eu acho que sim. Quanto tempo eu fiquei apagado?
- Em torno de umas doze horas...
- Nossa, isso tudo? — Me levanto vagarosamente, olhando em volta. Percebo que estou em uma barraca — E os meus amigos?
- Não se preocupe, eles estão lá fora com o pessoal. Vamos, venha conhecer o pessoal.
Ela é bonita. Me pergunto qual foi a última vez que vi uma garota que não fosse Crossed. Realmente, não me lembro, mas não posso me distrair. Tenho que ver meus amigos e esse pessoal. Saio da barraca e vejo um bom número de pessoas, deve ter umas dez. Estão de parabéns, pois estão vivos.
- Ei — a mesma garota me chama — Meu nome é Lolly. E o seu?
- Drew — não é o meu verdadeiro nome, mas ninguém precisa saber disso — prazer em conhecê-la.
As pessoas estão em volta na fogueira, inclusive meus amigos. Sento entre eles e tento saber o que houve enquanto estive apagado. Guilherme diz que me colocaram na barraca, estava sem comer durante um bom tempo. Antes que ele pudesse continuar, fomos interrompido pelo que Pedro me disse, o líder deles.
- Opa, você acordou. Descansou bastante hein!
- É verdade.
- Sabe, estamos um bom tempo na estrada, cursando nosso caminho, é bem difícil ver alguém sem ser aqueles...
- Crossed.
- Isso! Já ia quase me esquecendo, meu nome é Daniel. O seu é Drew, certo?
- Sim.
- Parece que você é um homem de poucas palavras. Não o culpo, o mundo em que vivemos hoje não é tão belo quanto antes... — e continuou falando bonito na frente do pessoal. Esse cara não me engana, ele queria algo. Mas visando pelo grupo, ele parece não ser uma má pessoa — Então Drew, já falei com seus amigos e agora quero saber de você. Vocês três conseguiram sobreviver diante disso tudo, seriam bem úteis a nós.
- Úteis?
- Sim, nós temos outro grupo. Estamos indo em direção ao sul, mas cada um por caminhos diferentes, pois fica mais fácil, um grupo muito grande não sobrevive. Parece que lá tem proteção e comida do governo. Vocês estavam indo para lá também?
- Não, na verdade, nem sabia sobre isso. Estamos apenas tentando sobreviver.
- Entendi. Vocês poderiam vir com a gente. Ajudando a nos proteger desses insanos. Vocês vão ter comida e suporte...
- E mulheres — diz Pedro no meu ouvido.
Olho para Guilherme e Pedro, eles já decidiram seguir com eles. Eu não tinha muita escolha.
- Por mim tudo bem.
- Ótimo! Então partiremos amanhã, quando você estiver melhor. Vou te apresentar o pessoal. Esses são Diego e Bianca — dois adolescentes, um casal, Dá pra ver que se eles estiverem sozinhos, não duram muito tempo — essa é a Lolly, você já a conheceu. Esses são os irmãos Lucas e Leonardo Lima. Elas ali são Ludmila e Ana — Eu como as duas. Porra, tenho que pensar isso agora? — O casal são Myrlene e Isaque — a garota é bonita e parece ser dependente do carinha. Já ele, parece que não gostou de nós — e eu, Daniel, sou o líder. Já que terminamos as apresentações, que tal contar sua história de como sobreviveu quando o caos começou?
- Tudo bem. — Dou um forte suspiro e começo — Eu estava dentro do ginásio de minha escola. Uns imbecis foram fumar maconha lá fora, perto do mato que tinha por perto. Um crossed surgiu dali e os atacou. Eles, transformados, voltaram e começaram a atacar o pessoal lá dentro. Por incrível que pareça, os meu amigos estavam empolgados por aquilo parecer o "apocalípse zumbi" e todos eles virariam heróis e etc. Esses foram os primeiros a morrer. Consegui fugir e a primeira coisa que pensei foi na minha famíla, mas tive que atravessar o centro da cidade. Aquilo tinha virado o inferno. Pessoas penduradas com correntes no pescoço sobre o poste, bebês sendo jogados em frente a carros que passavam muito rápidos, pessoas se matando como se fosse a coisa mais legal do mundo... Enfim, cheguei em casa e era tarde demais. Eles estavam mortos. Meu pai, minha mãe, minha pequena irmã. Eu fiquei em choque na hora, mas hoje agradeço. Melhor mortos do que virarem Crossed e ficar fazendo atrocidades por aí. Não sei o que houve com meu irmão. Entrei em muitos grupos sobreviventes, mas não duraram muito tempo. Foi aí que decidi me virar sozinho. Mais pra frente conheci Guilherme e depois Pedro. Mas aí já é outra história.
- História interessante, uma tragédia como todas as nossas.
Ficamos conversando durante um bom tempo. Depois todos foram dormir. Os irmãos Lucas e Leonardo ficaram de vigia, um no norte e outro, no sul. Permaneci acordado, deitado e vendo as estrelas. Penso se esse grupo vai durar de verdade. Já vi outros mais preparados e no final todos morrerem. Vou observar como esse grupo se vira, pois não parece que todos ali são de combate. Também não vi armas. Acho que eles tiveram poucos Crosseds no caminho, não é possível. Droga, aconteceu tudo tão rápido, melhor deixar essas coisas para mais tarde. Agora tenho um grupo para se preocupar.
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