Notas iniciais
Boa leitura. Roteiro por Lady Helenor.

Quando os três estavam perto da sala onde o café da manhã seria servido, Klaus finalmente desfez a expressão de mal humor e participou da conversa, acabaram falando dos filhos de Rebekah. Entraram na sala e Hayley olhou em volta, era deslumbrante como o resto do castelo. Em seu centro havia um mesa digna de filmes de princesas e muito bem servida. A barriga de Hayley roncou ao sentir o maravilhoso cheiro da comida. Na mesa estava Rebekah, sentada entre duas crianças, um bebê que deveria ter um ano e uma garotinha que devia ter cerca de quatro anos. Os filhos de Rebekah, Hayley presumiu. Eram crianças lindas. Logo a frente dos três havia dois homens morenos, mas estavam de costas então ela não pode ver seus rostos. Não havia mais xícaras postas na mesa a não ser as que Elijah, Klaus, Damon e Hayley ocupariam, o que deixou a garota secretamente satisfeita. Eles não eram casados.

Elijah puxou a cadeira da cabeceira e Hayley demorou alguns segundos a entender que o assento era para ela, se sentou ali e os dois irmãos sentaram a sua direita. Todos trocaram cumprimentos de modo simpatico e Elijah, que estava mais próximo, começou as apresentações.

– Essa garotinha linda aqui e Claire — a loirinha acenou para Hayley, que retribuiu com o mesmo entusiasmo, Hayley pensou que ela poderia muito bem ser Rebekah vinte anos atras — e esse é Hunter — Elijah gesticulou para o bebê que esticava os bracinhos, pedindo colo para Rebekah — e esses dois são Stefan e Enzo, maridos de Rebekah — eles sorriram com simpatia e ela retribuiu, mas quando parou para refletir viu que a palavra marido no plural lhe era desconhecida.

– Bom dia! — um Damon com as roupas amassadas, o cabelo bagunçado e cara de quem caiu da cama se sentou do lado esquerdo de Hayley — Perdão o atraso, eu estava...

– Nós sabemos — Rebekah interrompeu antes que o irmão gaguejasse vergonhosamente tentando se explicar.
– Perdão, mas... Maridos? — Hayley ergueu a sobrancelha e as mãos de Damon que se esticavam para pegar uma torta, petrificaram no caminho. Ela olhou para todos em volta e percebeu que todos a olhavam como se ela tivesse falado algo absurdo, até mesmo Claire.

–Ela não sabe — Rebekah quebrou o silêncio.

– Ninguém nunca lhe falou nada sobre nossas tradições? — Damon indagou, franzindo o cenho e Hayley negou com a cabeça.

– Ela não sabe que eu tenho dois papais? — Claire parecia confusa.

– Vamos tomar café e depois eu explico tudo o que Hayley precisa saber — Rebekah disse para o irmão e pousou os olhos sugestivamente em sua filha. Damon assentiu. Claire, que era bem astuta para uma menina de sua idade, cruzou os braços sobre o peito e semicerrou os olhos para a mãe.

– Não é certo esconder as coisas de mim — resmungou.

– Filha, acabe de comer sua torta — Enzo usou um tom que não dava espaço para mais discussões, então a atmosfera ficou um pouco mais leve. Todos comiam sem pressa e comentavam sobre assuntos variados. Rebekah perguntou se Hayley havia dormido bem, ela se apressou em mentir e dizer que a noite foi maravilhosa. Elijah e Enzo comentavam algo sobre esportes e Damon anunciou que viajaria até o continente no próximo final de semana. Hayley comeu em silêncio, tentando formular hipóteses de qual seria a tradição da família Mikaelson, mas nada parecia fazer sentido.

Quando acabaram, duas empregadas apareceram e começaram a tirar a mesa. Ela percebeu que uma menina morena, talvez de sua idade, usava um decote bem revelador e se inclinou exageradamente para retirar o prato de Damon, prendendo seu olhar luxuoso. Hayley se amaldiçoou por ser tão atenta.

– Acordada tão cedo? — Damon sussurrou para a morena, que sussurrou algo em seu ouvido — Mais tarde, Bonnie — ele concluiu e observou Bonnie se afastar, com o olhar fixo em suas curvas.

Hayley quase revirou os olhos. Damon era um mulherengo, óbvio. Com todo aquele charme, os olhos azuis penetrantes e a beleza Mikaelson, ele deveria usar tudo aquilo a seu favor. O modo que ele olhou para Bonnie como um pedaço de carne a irritou profundamente. Ela se perguntou se algum homem já havia a olhado assim, mas concluiu que não, ela não sabia ser sensual como Bonnie.

Hayley tentou ignorar a pequena irritação que sentiu pelo Mikaelson mais novo, quando a senhora Bennett chegou a sala com uma expressão alarmada.

– Os Russell estão aqui — ela anunciou.

– Quantos deles? — Elijah se colocou de pé, acompanhado pelos irmãos imediatamente.

– Três — a senhora respondeu.

– Querem ajuda? — Stefan se ofereceu e Enzo compartilhava da mesma expressão.

– Não é necessário, problema nosso — Klaus foi justo.

Os três irmãos se entreolharam e foram receber os Rusell, Rebekah tentou os acompanhar, mas Stefan segurou seu braço.

– Nem pensar, você está gravida.

Ela foi obrigada a concordar, e Hayley seguiu os três irmãos depressa antes que alguém também a impedisse. Quando estavam chegando na porta, Klaus finalmente a percebeu ali.

– Vá para dentro agora — ele ordenou, de um jeito que irritou Hayley. Odiava receber ordens.

– Ele está aqui por minha causa — Hayley retrucou, falando firme para Klaus.

Klaus respirou fundo, Deus porque essa garota gosta tanto de provocar? Ele pensou em leva-la no ombro até o quarto e tranca-la lá até que resolvesse tudo, em outras palavras, até que matasse os Rusell. E estava prestes a fazer isso quando Elijah lhe lançou um olhar de advertência.

– Se Jackson não tiver certeza de que você está aqui nós teremos uma vantagem de tempo contra ele — Elijah explicou para Hayley com calma — E não podemos te proteger se você não quiser ser protegida — completou.

Hayley percebeu que ele tinha razão. Então controlou sua teimosia e lançou um olhar preocupado para os três antes de se afastar.

POV Mikaelsons

Os três desceram a escadaria da frente do castelo e mantiveram uma distância segura dos Rusell. Damon farejou discretamente o ar, procurando pelo fedor de mais algum Rusell escondidos pela floresta. Não conseguiu achar nada, mas mesmo assim não acreditava que aqueles vermes não iriam tentar trapacear.

– O que os trás as nossas terras? — Elijah perguntou, em um tom frio e polido.

– Eu estou procurando minha esposa — Jackson disse. Os dois homens parecidos com ele cruzaram os braços pateticamente ao mesmo tempo. Os Mikaelson mantiveram uma expressão fria, de quem não sabe de nada — Uma morena, olhos verdes, desta altura — Jackson gesticulou com a mão — Não esteve aqui?

– Não abrigamos ninguém da sua família. É só isso? — Klaus mentiu, com uma pitada de ironia. Não era realmente mentira, pois Hayley não era da família de Jackson.

– As pegadas dela acabam na sua floresta e eu sinto o cheiro dela em volta de vocês — Jackson cerrou os punhos, estava começando a perder o tom frio que se esforçava em manter.

– Nós abrigamos uma garota que chegou aqui apavorada e machucada — Elijah cerrou o queixo, não adiantava mais tentar esconde-la, seu sangue ferveu de ódio ao imaginar como Jackson teria espancado Hayley, preciso se esforçar como nunca para manter a calma.

– Hayley, essa mesmo — Jackson soltou uma risada curta e irônica ao perceber a irritação de Elijah — Convenhamos Mikaelson, não é da sua conta como um alpha trata a esposa.

– Ela não é sua esposa, nós colocamos a prova — Damon usou todo seu poder de ironia, deixando segundos e até terceiros significados para o que disse. Acabou-se toda a diplomacia que ainda havia naquela discussão. Jackson estava pronto para pular na jugular de Damon, mas foi segurado pela mão no ombro de um dos homens a seu lado.

– Devolvam ela, agora! — Jackson rosnou.

– Nos obrigue — um sorriso de canto se formou nos lábios de Klaus, ele ansiava pelo combate e o conseguiu.

Jackson praticamente explodiu em um lobo negro, acompanhado pelos dois homens segundos depois. Os Mikaelson correram para os braços do combate, se transformando em três enormes lobos cinzentos no meio do caminho. Jackson pulou com os dentes na jugular de Damon, mas Elijah o empurrou para longe, jogando-o contra uma árvore. A árvore e algumas costelas de Jackson se quebraram com a força do impacto. Antes que Elijah pudesse se preparar, um dos lobos negros o atacou pelas costas. Klaus, depois de uma rápido e quase fatal luta com o maior dos três lobos negros, conseguiu imobiliza-lo e prender os dentes num ponto certo de seu pescoço, rasgando-o e desprendendo sua cabeça do corpo.

POV Hayley

Hayley percebeu que não fazia ideia de para onde ficava seu quarto. Havia uma escada a sua frente, uma a esquerda e outra a direita. E havia grandes portas entre as escadas. Ela mordeu o lábio, irritada. Porque eles precisavam viver num castelo, caramba? Hayley pensou em sentar ali até alguém passar ou os três irmãos voltarem para dentro. Então Claire apareceu, descendo as escadas do meio.

– Hey — ela sorriu ao ver Hayley — mamãe pediu para você ir falar com ela.

– Ok — Hayley também sorriu e Claire desceu as escadas até ela.

– Você é daquela alcateia... Mac... Mash... espera eu esqueci — Claire tentava pronunciar o nome — Aquela que parece Marshmallow — ela concluiu quando percebeu que não iria lembrar, Hayley riu.

– Marshall.

– Essa mesmo — Claire também riu — Por que veio parar aqui?

Hayley mordeu os lábios, olhando para o rostinho curioso a sua frente. Como explicar aquilo a uma criança?

– Um homem muito ruim esteve no meu vilarejo e me tirou de lá, depois eu fugi e vim parar aqui — ela resumiu.

– É o mesmo homem ruim que veio aqui brigar com meu tios? — Claire perguntou.

– Sim... — Hayley estava com medo de dar informações demais, ela era muito nova para ficar dentro disso tudo — Você pode me levar até o quarto da sua mãe? Eu não sei o caminho.

– Claro! — Claire pegou a mão de Hayley e praticamente a puxou escada acima — Eu gostei da sua trança.

– Obrigada.

– Você pode fazer uma em mim?

– Claro, claro — Hayley se deixou ser puxada por vários corredores e tentou decorar o caminho. Sorriu ao reconhecer as portas duplas de seu quarto, e Claire entrou sem bater na próxima porta.

Rebekah estava sentada em uma cama incrivelmente grande, com a blusa levantada deixando a pequena barriga proeminente. Ela estava tão desligada do resto do mundo enquanto acariciava a barriga que Hayley e Claire não tiveram coragem de tira-la do transe. Rebekah sorria com tanta intensidade que obrigou Hayley a imaginar qual seria a sensação de ter uma vida crescendo dentro de si.

– Ah, oi vocês duas — Rebekah disse alguns segundos depois, quando percebeu a presença delas no quarto — Precisamos conversar Hay.

A cabeça de Hayley havia corrido do quarto e estava junto com os homens que estavam enfrentando Jackson lá embaixo, desejava estar lá para ajudar. Então as palavras de Rebekah a trouxeram de volta para o quarto e para a sua curiosidade anterior. Os dois maridos de Rebekah. Ela não queria julgar, nem podia, cada um faz o que bem entende da vida, mas estava curiosa para ver o que aquilo tinha a ver com as tradições dos Mikaelson.

– Claro — Hayley assentiu e sentou na beirada da cama, de frente para Rebekah.

– Claire...

– Tá, tá, to saindo — quando ouviram o barulho das portas batendo Rebekah começou a falar.

– Existe uma lenda sobre a nossa família. A lenda diz que, quando os Mikaelson ainda viviam no continente, tiverem que migrar mais para o sul da Inglaterra pois uma praga havia atingido o seu vilarejo. Naquela época os Mikaelson eram uma família pequena, só tinham dois filhos homens. E esses dois conheceram uma mulher muito bonita no novo vilarejo, Tatia. Os dois a usaram para se divertir, se aproveitaram de sua beleza e mentiram que a amavam. Tatia acreditou e realmente se apaixonou pelos irmãos Mikaelson, pelos dois ao mesmo tempo e como isso era proibido ela quase enlouqueceu. Os irmãos continuaram brincando com ela, mas o que não sabiam era que Tatia era uma bruxa. Quando se cansaram, contaram toda a verdade para ela e Tatia acabou morrendo de tristeza, mas antes disso ela amaldiçoou a família dizendo que todos os irmãos homens iriam desposar a mesma mulher, para sempre.

Hayley foi absorvendo as palavras aos poucos, quando Rebekah a olhou esperando uma reação, Hayley franziu o cenho. Ainda não parecia fazer sentido.

– Vocês mantém essa tradição até hoje em dia por causa dessa lenda? — ela indagou.

– Como você mesmo diz, é uma tradição. Elijah não acredita na lenda e segundo as pesquisas dele, os irmãos começaram a casar com uma única mulher na época em que os ataques de vampiros começaram a se tornar frequentes. Enquanto mais lobos para proteger uma família, melhor.

Hayley ainda estava confusa. O raciocínio de Elijah fazia sentido, mas era difícil imaginar uma família assim. Então ela percebeu que os três irmãos que estavam lá embaixo agora se casariam com uma única mulher e uma parte luxuriosa de seu ser achou essa mulher a mais sortuda do mundo.

– Eu sei que é estranho... — Rebekah pareceu um pouco constrangida.

– Não, eu entendo. E também não é da minha conta — Hayley sorriu de modo simpatico.

– É mais da sua conta do que você imagina...

Então o que Rebekah falou foi interrompido por um grito. Não um simples grito, um grito animal que trazia tanta agonia a sofrimento que fez as duas se arrepiarem inteiras de aflição. O grito parecia vir de longe, Hayley lembrou imediatamente dos irmãos Mikaelson. Será que eles estavam lutando? Seu coração apertou e percebeu Rebekah com a mesma expressão, quase como um espelho. As duas correram para a varanda.

Na frente da casa haviam seis lobos, três cinzentos e três negros. Um dos lobos cinzentos sangrava, mas a imagem mais perturbadora ali era o maior lobo negro dos três, que se encontrava no chão com a cabeça a quase um metro do corpo. Os outros dois lobos negros dispararam para a floresta, fugindo de um mesmo destino que o companheiro. Hayley fitou as duas partes do lobo que jazia no chão e o reconheceu. Era o lobo que matou Brendon.

Notas finais
E então, gostaram? Gente, não vou obrigar ninguém é obvio, mas quem gosta da história por favor comente, compartilhe e recomende, ok? Minha fic tem várias visualizações, mas poucos deixam sua opinião nos comentários ou acompanham a história. Beijos e até o próximo.