Ilha dos Lobos
6 Casa Nova
Notas iniciais

(Claire)
Rebekah e Hayley desciam os degrais da escada correndo, uma mão invisivel parecia apertar o coração das duas ao mesmo tempo. Sabiam que os Rusell não viriam fazer uma visita pacífica, mas eles haviam lutado, e pior, havia um homem morto.
Quando Rebekah abriu as portas a visão dos três Mikaelson nus pegou Hayley desprevenida. Os três usavam somente os retalhos que sobraram de suas roupas para cobrir suas partes mais intimas. Hayley mordeu o lábio, seus olhos correram pela pele e músculos expostos a sua frente e ela sentiu algo quente subir pela sua espinha, mas essa sensação se evaporou quando ela percebeu o sangue escorrendo do pescoço de Damon. Klaus também tinha sangue escorrendo pela sua boca, pescoço e peito, mas esse sangue não lhe pertencia. Elijah tinha marcas de garras desenhadas em seu braço.
– Damon! — Rebekah correu até o irmão e tentou avaliar o machucado.
Hayley viu todo aquele sangue escorrendo e engoliu em seco, se sentindo culpada.
Ela também se aproximou de Damon, mas aos poucos. Sentiu o olhar de penetrante dos outros dois irmãos sobre ela e imaginou que estariam com raiva dela, Damon estava ferido por sua culpa.
– Eu estou bem... — Damon retirou a mão da irmã, ele não parecia bem — Já vai curar.
Agora os três irmãos estavam olhando para ela, inexpressivos, deixando-a acuada. Será que iriam expulsa-la?
– Me desculpem por isso — Hayley disse — Eu realmente sinto muito... — ela fitou o chão, sentindo os olhares deles queimando seu rosto.
– Não é sua culpa — quando Hayley levantou os olhos, Elijah franzia o cenho para ela.
– Jackson estava aqui por...
– Nós prometemos te proteger — Elijah a interrompeu. Hayley baixou os olhos novamente.
– Se vocês tivessem me entregado...
– Se acho que nós somos esse tipo de homens, tem uma visão muito errada de nós, Hayley — Damon falou, a surpreendendo com o tom irritado — Prometemos te proteger de Jackson, e uma promessa de nossa família significa mais do que você imagina.
Hayley fitou os olhos azuis que a encaravam com seriedade e depois o sangue escorrendo num fluxo intenso de seu pescoço. Ela somente assentiu, como quem pede desculpas. Queria ter algo inteligente para responder no mesmo tom, mas não conseguia raciocinar direito em frente a 3 homens quase nus.
A senhora Bennett entrou na sala e veio até Damon, quando viu a profundidade do machucado murmurou algum palavrão.
– Mais algum ferido? — ela avaliou os outros dois homens.
– Só um arranhão — Elijah respondeu.
–Venham, vou cuidar disso — ela começou a andar para debaixo da escada — Bonnie, traga roupas para eles! — ela gritou para a menina, que logo apareceu e subiu as escadas correndo.
– Desculpem, não estou passando bem... — Rebekah falou e só então Hayley lembrou da presença dela ali, ela tapou a boca com a mão e correu para longe.
Então Hayley percebeu que ela estava sozinha com um quase nu e ensanguentado Klaus. Quando ela o fitou, os olhos dele já estavam sobre ela.
– Obrigada...
– Só fiz meu dever — Klaus a interrompeu.
– Obrigada por ter matado aquele homem — Hayley levantou a voz, exigindo completar o que estava falando. Já percebeu que teria problemas com a personalidade autoritária de Klaus. Ele arqueou as sobrancelhas para o que Hayley disse — Ele matou Brendon, o primo que eu era prometida em casamento.
– Vou estar satisfeito quando matar Jackson também — Klaus disse essas palavras olhando nos olhos de Hayley com uma expressão que ela não conseguia descrever, mas algo em sua voz soou doce — Com licença.
Ele passou por ela e subiu as escadas. Hayley respirou fundo, sabendo que Klaus estava errado: ela se encarregaria de matar Jackson.
Quando Klaus entrou na sala, após tomar um banho e se livrar de todo o sangue, a sra. Bennett ainda estava passando seus remédios caseiros no pescoço de Damon. Ele se sentou em uma cadeira e se perdeu em pensamentos, Elijah acabou de vestir sua camiseta e percebeu o irmão ali.
– Temos que fazer algo com o corpo — Elijah comentou em tom desinteressado, mas seu olhar sobre o irmão ainda era desaprovador. Ele não aprovava matanças.
– Já mandei um empregado queimar — Klaus respondeu — E não me olhe com essa cara.
– Nós não somos assassinos — Elijah revidou.
– Era ele ou eu!
– Vocês viram como Hayley não confia em nós? — Damon indagou, acabando com a discussão que iria iniciar — Nós a abrigamos aqui e ela deve ter pensado que iriamos expulsa-la.
– Dê um tempo a ela Damon, ela mal nos conhece — Elijah disse.
Eles ficaram algum tempo em silêncio, enquanto a senhora Bennett fazia um curativo sobre a ferida no pescoço de Damon.
– O homem a quem ela era prometida está morto — Klaus finalmente disse, prendendo a atenção dos dois irmãos.
– E porque você não pensou em dizer isso antes? — Damon disse com ironia e encarou o irmão incrédulo.
– Isso ainda não significa nada — Elijah usou um tom calmo.
– Nada? Essa garota simplesmente cai nos nossos braços, isso significa muito. Se casarmos com ela, metade da ilha é nossa! E se contarmos com as terras que iremos conquistar quando derrotarmos o Rusell... — Damon sorria presunçoso.
– Entrar em uma guerra sempre tem consequências, Damon — Elijah disse.
– Não é como se tivéssemos uma escolha, Elijah. Eu acabei de matar o tio de Jackson e o covarde fugiu, mas quando voltar vem com um exército. Nós já estamos dentro de uma guerra por causa de Hayley, ao menos precisamos de garantias — Klaus explicou.
– Você está com quase trinta anos Elijah, temos que formar uma família logo — Damon falou em tom sério e Elijah teve que concordar.
– Temos que ir com calma, não vamos a obrigar a nada- Elijah advertiu.
– Não é como se ela tivesse muitas opções, ou aceita nossa proposta, ou corre para os braços de Jackson — Klaus comentou e Elijah lhe lançou um olhar amargo.
– Hayley sempre vai ter uma escolha, olhe para ela. Garanto que até o santo do Mason Lockwood iria largar da mulher para ter ela — Damon concluiu e os irmãos concordaram plenamente.
Não havia como negar a atração que os três sentiam por ela, cada um deles de modo diferente, mas a garota havia mexido com todos.
– Quando vamos propôr? — Klaus olhou para os irmãos. Elijah colocou as mãos nos bolsos e suspirou, não achava correto o que estavam fazendo, ele sempre acreditou que casamento só deveriam acontecer por amor, não por negócios ou disputas, mas sabia que agora estavam oficialmente em guerra contra os Rusell e as circunstancias o obrigava a concordar com os irmãos.
– Temos que nos reunir com nossa família antes de qualquer coisa — Elijah decidiu e saiu da sala, indo para seus aposentos.
– O que você acha dela? — Damon perguntou, levantando-se e indo até o balcão servir dois copos de whisky.
– Ela é teimosa, tem personalidade forte e é experta — Klaus pegou o copo de whisky da mão do irmão e bebeu um gole — Sabe como Elijah tem uma queda por olhinhos inocentes, ela vai conseguir a proteção dele só estalando os dedos.
Damon teve que rir do tom de Klaus.
– Irmão, ela não é nossa inimiga. Relaxa.
– Essa menina me tira do sério — Klaus resmungou e virou o resto do copo.
Hayley estava deitada em seu quarto e não conseguia se livrar de uma sensação ruim desde que os Mikaelson voltaram da briga. Estava aflita. Tinha tentado dormir, mas não conseguia. E para piorar, ficar sozinha no quarto fazia com que as imagens de seu pai morrendo voltassem a sua cabeça o tempo todo. Quase no final da tarde a senhora Bennett apareceu na porta trazendo uma bandeja.
– Rebekah pediu para lhe trazer um lanche — ela disse secamente e largou o a bandeja sobre o criado mudo de Hayley.
– Obrigada — Hayley ficou de pé e notou que a senhora parecia evitar olhar em seu rosto, o que achou estranho — Onde Rebekah está?
– Ela está indisposta e pediu para não ser incomodada.
– Ah... Ok — Hayley sentou-se novamente na cama, repelida pelo tom do poucos amigos da mulher.
A mulher estava saindo do quarto, mas no meio do caminho pareceu lembrar de algo e virou-se para Hayley.
– Os Mikaelson não querem você zanzando sozinha por ai. Tente se manter no quarto.
Hayley arqueou as sobrancelhas para a mulher, mas não respondeu. Ela deveria estar obedecendo ordens. Era de se esperar que a família ficasse desconfiada pois Hayley ainda é uma completa estranha, mas a ideia de ficar presa no quarto a deprimia. Ficar completamente sozinha a fazia pensar em tudo que havia acontecido com ela de dois dias para cá e ela se negava a acreditar que isso tudo era verdade. Hayley pegou a bandeja e comeu o lanche que lhe trouxeram, foi para a varanda e ficou ali olhando a paisagem. Ela notou que havia lenhadores trabalhando na floresta quando viu uma das árvores cair. Assistiu os lenhadores cortarem o tronco e levarem para a traseira de uma caminhonete, o que demorou muito tempo.
Ela começou a se sentir sufocada ali, ansiosa e quanto mais ela tentava afastar as lembranças ruins, com mais clareza elas vinham em sua mente. Só faziam duas horas que a sra. Bennett havia saído, mas parecia uma eternidade. Hayley achou que se continuasse trancada ali acabaria enlouquecendo. Começou a por os pós e os contra de ignorar o que a empregada disse e sair pelo castelo. Talvez só ir ver se Rebekah estava bem não causasse nenhum tipo de incomodo. Ela não aguentava ficar mais nem um minuto sozinha, então saiu de seu quarto e caminhou para a próxima porta.
A porta do quarto de Rebekah estava entreaberta, parecia um bom sinal. Hayley parou em frente a porta antes de abri-la e ouvi sons estranhos vindos de dentro do quarto. Algo batendo e depois gemidos. Ela entrou no quarto em um impulso que teve antes de reconhecer os gemidos de prazer de Rebekah, então parou e se sentiu petrificada.
Enzo estava sobre Rebekah, segurando-a pelas coxas enquanto fazia movimentos bruscos e rápidos no meio das pernas da loira, mas o que petrificou Hayley não foi isso. Stefan estava do outro lado da loira, segurando seus cabelos e deslizando seu membro devagar para dentro dos lábios dela. Rebekah estava com os dois homens ao mesmo tempo. Hayley piscou várias vezes, como se os olhos estivessem embaçados e estivesse enxergando errado. Os gemidos de Rebekah pareciam ecoar por todo o quarto, mesmo abafados pelo membro de Stefan que agora entravam e saiam de seus lábios com exigência. Hayley precisa sair dali, mas seu calcanhares pareciam colados ao chão, estava em choque.
Então os três mudaram de posição, Rebekah ficou de costas para Stefan e Hayley pode sentir o olhar de Enzo sobre ela. Sua garganta fechou de terror e ela saiu correndo. Hayley correu, subindo escadas e correndo por vários corredores como se não controlasse o próprio corpo. O choque a impediu de pensar. Hayley só queria correr de volta para casa. Por um segundo pode-se ver correndo pela floresta novamente, com frio e exausta, tentando chegar em casa. Ela foi obrigada a parar de correr para puxar ar para seus pulmões vazios, suas pernas já estavam cansadas. Então ela lembrou que não podia ir para casa, que não havia mais uma casa, só havia uma ordem para não "zanzar" por aquele castelo sozinha e havia também o "seu" quarto deprimente e nada acolhedor, mas era a única coisa que tinha. Então ela tentou correr de volta para lá.
Hayley viu uma porta branca. Graças a Deus, seu quarto! Nunca mais sairia dali de dentro. Ela entrou pela porta ainda correndo, seus pulmões puxavam ar desesperadamente. Então ela percebeu que o quarto marrom a sua volta não era o dela.
Do outro lado do quarto, Klaus largou o pincel e lançou um olhar raivosa para o invasor. Então percebeu Hayley ali, a menina estava pálida e com os lábios roxos. Parecia não conseguir respirar. Ele se aproximou preocupado.
Hayley percebeu Klaus dentro do quarto, mas sua visão começou a ficar embassada e tudo parecia girar a seu redor. Ela sentiu uma pontada no peito, puxava o ar com desespero, mas ele não chegava até seus pulmões.
– Você está bem? — ela ouviu a voz de Klaus que parecia estar longe.
– Quero ir para casa — foi a unica coisa que ela conseguiu falar antes da escuridão dominar sua visão e seu corpo cair, sendo segurado pelos braços de Klaus a meio caminho do chão.
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