Notas iniciais
Roteiro por Lady Helenor/ Larissa Silva. Boa leitura!

– Isso é um absurdo! — Rebekah gritou, exaltada.

–Amor, eles tem razão. Por favor, ouça-os — Enzo tentava acalmar Rebekah.

– Nós não estamos pedindo sua permissão Rebekah, só estamos informando o que decidimos — Klaus estava visivelmente irritado.

– Nós não podemos entrar numa guerra sem garantias! — Damon exclamou.

– Concordo, não podemos mandar nosso povo para a luta sem certeza de lucro! — Stefan disse.

– Vocês todos estão malucos?! Ela chegou aqui a dois dias e acabou de perder o pai! — Rebekah gritou — Vocês não se comovem nem um pouquinho com isso? Está tão debilitada que acabou desmaiando porque se perdeu, imagina o que vai acontecer com ela quando vocês proporem isso.

– Rebekah... — Elijah respirou fundo e tentou explicar pela quinta vez — A guerra já está declarada, não podemos fazer mais nada quanto a isso. Já pensou na hipótese de perdermos e Jackson ficar com nosso território? Mas se casarmos com Hayley, os homens que sobraram no vilarejo dela vão dar mais força para nosso exército, são mais chances de vencer. E ainda teremos o território de Hayley.

– E vocês já pensaram na hipótese de Hayley não aceitar casar com vocês e querer ser a alpha do próprio território?! — Rebekah exclamou.

– Se ela não aceitar nós a exilamos o continente e deixamos ela lidar com Jackson sozinha — Klaus falou com a muita naturalidade e a Rebekah cerrou os olhos para o irmão, quase rosnando.

Damon revirou os olhos para as palavras de Klaus.

– Nós estamos sendo muito generosos com ela, irmã. Quais outros homens iriam arriscar a própria vida por uma mulher? — Damon perguntou.

– Qualquer um que colocasse os olhos em Hayley! — Rebekah respondeu e os irmãos tiveram que concordar.

– Tenho certeza que ela vai aceitar, Rebekah — Elijah concluiu.

– Vocês estão a tratando como um objeto! — Rebekah voltou a gritar.

– Já chega, Rebekah! — Klaus bateu o punho fechado na mesa — Você não vai nos fazer voltar atras.

Klaus estava com raiva do modo impertinente da irmã, mas sabia que não devia deixar que ela se exaltasse mais por causa da gravidez, então se levantou e saiu da biblioteca.

Rebekah virou seus olhos azuis para Elijah, implorando sua ajuda. Era um tática que usava desde criança, sabia que Elijah era o ponto fraco e que sempre cedia a suas vontade. Mas dessa vez não funcionou.

– Compartilhamos da mesma opiniãode Klaus, irmã — Elijah disse num tom neutro e Rebekah cruzou os braços sobre o peito, não aceitando bem a derrota.

– Quando vamos propor a ela? — Damon perguntou.

– Hoje, depois do almoço — Elijah concluiu e Rebekah saiu da biblioteca batendo a porta com força.

Quando Hayley acordou sua cabeça parecia latejar. Vinha muita claridade das janelas, fazendo-a cobrir os olhos com as mãos.

– A bela adormecida está acordando... — ela ouviu uma voz feminina resmungar ao longe e franziu o cenho. Quando seus olhos se adaptaram a claridade percebeu a sra. Bennett e Bonnie em seu quarto.

Bonnie se aproximou da cama e sorriu mecanicamente, estava escrito em sua testa que só havia simpatia forçada ali.

– O que aconteceu? — Hayley perguntou, ainda confusa.

– Você desmaiou — tudo que Bonnie fazia parecia mecânico.

As lembranças começaram a invadir sua mente. Lembrou de sair do quarto, a cena de Rebekah com os dois maridos, a falta de ar, entrar em seu quarto e Klaus estar pintando algo. Não era seu quarto, devia ser o quarto de Klaus. Depois não de mais nada. Ela olhou para a janela e viu que o sol já estava alto novamente.

– Quanto tempo? -murmurou.

– Desde ontem a noite.

– Que horas são?

– Quase dez — agora foi a sra. Bennett que respondeu — Tome, coma algo — ela empurrou uma xícara de chá para Hayley. A garota pegou e bebericou. A sra. Bennett colocou a bandeja com biscoitos de chocolate e uma maçã sobre o colo de Hayley — Preparei algo leve porque falta pouco para o almoço. Elijah pediu para que você não falte, eles tem algo importante a tratar com você.

Então Hayley engoliu em seco. A primeira coisa que ele lhe veio a cabeça foi Enzo ter a visto no quarto. Ela não tinha certeza absoluta agora, não ficou tempo o suficiente para se certificar de que ele tinha visto, mas com certeza ele deveria estar furioso. Será que contou para a família toda?

– Precisa de mais alguma coisa? — Bonnie perguntou.

– Não, obrigada.

As duas saíram do quarto e Hayley colocou os biscoitos de lado, não tinha vontade alguma de comer. O tempo dentro do quarto passou devagar como sempre. Ela tinha uma dor de cabeça latejante que ia e voltava de vez em quando. Hayley ligou a tv e ficou ali, vendo noticias sobre o continente e algumas séries até as onze e meia. Não conseguia prestar atenção na tv, somente os pensamentos desagradáveis de sempre rondando sua cabeça. Sua mente parecia ter criado um ciclo com lembranças e cenas que imaginou. Sempre começava com um lobo marrom no chão, depois Hayley estava no chão e Jackson a chutava, então ela corria pela floresta fria e por ultimo Enzo gritava para Elijah expulsa-la logo dali. Hayley tentou bloquear cara um desses pensamentos e se manter distante, mas na maioria das vezes eles a venciam.

Finalmente o relógio marcou onze e meia, mas ela não tinha a minima vontade de sair do quarto. Talvez estivesse começando a achar a solidão confortante. Mas tinha alguma escolha? Se não fosse ao almoço, com certeza alguém a buscaria no quarto. Ela se levantou e foi para o banheiro, tomou uma ducha rapida, secou os cabelos e se vestiu. Colocou calças jeans, tênis e uma camiseta xadrez, não tinha espaço em seus pensamentos para refletir sobre qual roupa era apropriado ou lhe vestia melhor, somente vestiu-se.

Como havia previsto, exatamente ao meio dia Rebekah bateu na porta de seu quarto.

– Bom dia — Hayley cumprimentou.

– Bom dia — Rebekah não parecia nada animada. Se Enzo viu Hayley no quarto, com certeza teria contado para Rebekah, Hayley mordeu o lábio — Está pronta?

– Claro — ela saiu do quarto com Rebekah e elas andaram em silêncio por boa parte do caminho.

– Está tudo bem, Rebekah? — Hayley não se conteve e perguntou. Rebekah fez alguns segundos de silêncio e depois suspirou, o que só serviu para deixar Hayley mais nervosa.

– Independente do que os meus irmãos te disserem, você sempre tem uma escolha.

– E o que isso deveria significar? — Hayley arqueou a sobrancelha para a loira, que permaneceu andando em silêncio. Hayley pensou que talvez seria melhor desmaiar novamente.

Quando chegou na sala, Elijah se levantou cordialmente e puxou a cadeira a seu lado para Hayley. Estavam atrasadas, pois todos já estavam comendo. Todas cumprimentaram Hayley e Rebekah sem muita empolgação, então continuaram a comer sem fazer som algum. O silêncio era tão absoluto que cada raspar dos garfos nos pratos ecoava por toda a sala. Hayley mordeu os lábios enquanto encarava o prato a sua frente, sem ter sequer o tocado. Será que aquilo era culpa dela? Os irmãos haviam brigado porque ela entrou no quarto de Rebekah? Não podia ser, havia algo a mais ali, todos estavam nervosos demais. Klaus e Rebekah trocaram olhares odiosos e Damon não havia lançado sequer um sorrisinho de canto. Algo estava muito errado ali. As empregadas vieram e retiraram o prato de Hayley quase cheio. A mesa estava completamente vazia e o silêncio ainda reinava.

– Hayley — Elijah quebrou o silêncio, só então ela percebeu que encarava o lugar onde estivera seu prato — eu e meus irmãos gostaríamos de conversar com você na biblioteca, a sós.

Hayley somente assentiu e se levantou, acompanhando os três irmãos. O coração dela parecia acelerar a cada passo, pressentia que a conversa que iria ter com eles não era sobre nada bom. Quando olhou para o lado Damon lhe lançou um sorriso de canto, como se estivesse ouvindo seus pensamentos. Klaus abriu a porta e esperou que todos entrando, fechando a mesma a suas costas. Hayley mordeu o lábio, olhando para os três, que permaneciam em silêncio.

– E então? — ela perguntou, o nervosismo a deixando impaciente.

– Por favor — Elijah sorriu com simpatia e gesticulou para a mesa. Todos sentaram-se e Hayley engoliu em seco.

– Queremos lhe propor algo — Klaus foi direto ao ponto.

Os três irmãos trocaram olhares e Hayley estava cada vez mais ansiosa, será que era tão ruim que eles não tinham coragem de falar?

– Bem, com a morte do tio de Jackson, nós estamos oficialmente em guerra contra os Rusell — Elijah explicou — E todas as guerras trazem consequências, estamos colocando nossa família, nosso povo e nossas terras em jogo.

– Então nós precisamos de uma garantia — Klaus completou.

Hayley absorveu tudo o que eles disseram. Dois povos estavam em guerra por culpa dela, eles estavam correndo risco de vida, querer algo em troca era justo, mas o que eles poderiam pedir como garantia? As propriedades de sua família? Suas terras?

– Claro — Hayley assentiu — O que vocês pedem como garantia? — Ela passou os olhos nos três, assumindo uma postura formal. Os três irmãos se entreolharam novamente, parecia que nenhum deles queria falar.
– Você — Damon disse.

Hayley arqueou a sobrancelha e por um segundo achou que havia ouvido algo errado. Ela correu os olhos até Elijah, não entendeu o que Damon estava querendo dizer com aquilo.

– Se você for nossa esposa, todos sairiam com vantagem. Primeiro, seu povo daria suporte ao nosso exército e nós terias mais chances de vencer. Segundo, se nós tivéssemos um casamento consumado e Jackson conseguisse vencer e te raptar novamente, nós teríamos a lei do nosso lado — Klaus disse.

Hayley estava sem reações, então a imagem dos três homens e ela em um altar pareceu se formar em frente a seus olhos e sua dor de cabeça voltou. Elijah se inclinou para ela e a olhou com o olhar doce e tranquilo que já usara antes, mas dessa vez não teve o mesmo efeito.

– Sabemos que é muito precipitado e não estamos te obrigando a nada, mas é a melhor saída que temos — ele disse.

– Temos uma família a zelar e só vamos entrar nessa guerra se tivermos alguma vantagem nisso — Damon concluiu.

O olhar dos três em cima dela e a proximidade só a fazia ficar mais nervosa. Queriam que casasse com eles, que virasse uma Mikaelson, que casasse com os três! Não! Não. Ela não podia casar com três homens, não podia fazer parte daquela tradição sem sentido. Estaria traindo seu povo ao casar com alguém de outra alcateia, ainda mais casando com três lobos de outra alcateia. Ela imaginou o que seu pai pensaria disso e estremeceu.

– Eu não posso. Me desculpem, mas eu sou fiel ao meu povo e minhas tradições são bem diferente das suas — as palavras saltaram da boca de Hayley — Não precisam entrar nessa guerra por minha causa — Ela ficou de pé e Klaus também ficou.

– Acha que temos alguma escolha? Acha que depois de eu ter matado o tio de Jackson nós temos como evitar uma guerra? — Klaus estava exaltado, olhava Hayley de cima, mas a menina não se deixou intimidar.

– Eu não pedi para você matar ninguém! — Ela revidou em um tom de voz mais alto do que o de Klaus.

– Ótimo! Então seja fiel a seu povo e volte para os braços de Jackson! — Klaus gritou e aquilo atingiu Hayley como um tapa na cara, ela não conseguiu reagir, somente olhou para Klaus e sentiu lágrimas quentes se amontoarem em seus olhos. Quando Klaus percebeu o choque no rosto dela se arrependeu do que havia dito.

– Você não sabe do que está falando... — Hayley passou a mão nos olhos rapidamente — Ele matou meu pai.

Elijah lançou um olhar assassino para o irmão e Damon resolveu falar antes que os dois também discutissem.

– Você tem o resto do dia para pensar sobre isso, se essa ainda for sua resposta final, aceitaremos.

Hayley virou de costas, queria sair logo dali.

– Hayley — Elijah a chamou e ela olhou para trás — Você não vai ficar desamparada — Ele colocou certeza em sua voz.

– Pense bem. Nós protegeremos você, mas seu povo está sozinho — Klaus finalizou e Hayley voltou a andar em direção a porta, sentindo uma lágrima quente rolar por seu rosto. A sua cabeça voltou a latejar, não conseguia lidar com tantas emoções ao mesmo tempo. Ela se surpreendeu ao ver Rebekah do outro lado da porta.

– Você está bem? — ela perguntou, preocupado.

– Sim, só minha cabeça que está doendo um pouco.

– Venha comigo.

As duas andaram por vários corredores novamente, Rebekah pediu para que a sra. Bennett trouxesse algo para a dor de cabeça de Hayley e depois foram para os aposentos de Hayley. Ela sentia uma vontade enorme de chorar novamente, não conseguia raciocinar ainda, tudo o que eles haviam acabado de falar rodando em sua cabeça. Quando entraram ela se sentou na cama e Rebekah permaneceu em silêncio. Sra. Bennett entrou no quarto e entregou a Hayley uma pílula e um copo d'água, ela tomou e remédio e a empregada saiu.

– Você quer que eu te deixe sozinha? — Rebekah olhava para ela preocupada.

– Não... — Hayley refletia sobre tudo o que tinha acontecido e concluiu que Rebekah era a melhor pessoa para lhe ajudar — Preciso fazer algumas perguntas.

Rebekah suspirou e se sentou na cama em frente a Hayley.

– Eu fui contra o pedido, pelo menos por agora. Você ainda não está preparada para isso.

– Não foi um pedido, foi uma proposta de negócios — Hayley respirou fundo — Eu sei que um dia vou casar e criar uma família, mas eu não queria que você desse jeito... Não queria que fosse um acordo.

Rebekah olhou para a menina com tristeza.

– Você queria amar e ser amada, eu sei. Todo mundo quer — Rebekah se aproximou mais e sorriu minimamente — Isso tudo é louco demais para você, nossas tradições são estranhas para você e tudo parece confuso. Eu também já me senti assim. Eu não queria casar com Stefan e Enzo, queria casar com alguém que eu amasse, mas com o tempo eu aprendi a ama-los. Com o tempo eles me conquistaram, me amaram e eu retribui e quando meus filhos vieram eu me apaixonei completamente por eles.

Hayley fitava a expressão encantava de Rebekah enquanto falava nos maridos e se lembrou da cena de ontem, ela viu aquilo como luxuria na hora, teve a mesma reação de susto e incompreensão de quando acabou abrindo um canal de pornografia sem querer na casa de seu tio quando era criança. Talvez o que viu no quarto de Rebekah não fosse isso, fosse amor.

– Você mal nos conhece agora — Rebekah continuou — Mas com o tempo vai ver que meus irmãos são homens bons, eles tem seus defeitos, mas são honrados. Eles lutam e respeitam a família de um modo que eu nunca vi e sei que se casar com eles, vão a proteger de Jackson como ninguém iria proteger. Se você se tornar uma Mikaelson, você e sua alcateia estarão a salvo.

A menina refletiu sobre aquilo por algum tempo e viu sinceridade no que Rebekah falava. Talvez fosse a única maneira de se manter a salvo.

– C- como isso funciona? — Hayley tentava se explicar — O casamento conforme a tradição de vocês?

– É mais simples do que você imagina — Rebekah sorriu — No começo parecia estranho até mesmo para mim que já nasci sabendo dessa tradição, mas depois você se acostuma, é como qualquer casamento. Você só precisa saber dividir a atenção entre os três, bem... — Rebekah não parecia conseguir explicar — Tem muito a ver com instintos — ela concluiu.

–Eu não sei... Não parece certo pra mim.

– Eu entendo, mas tente pensar nos três como um só.

– Mesmo que eu pense, eles continuam sendo três — Hayley apertou os lábios, tentando entender o raciocínio de Rebekah — E se tivermos filhos? Como vão saber qual é de quem?

– Seus filhos terão três pais, não importa com quem se parece. Os três são como um só — Rebekah observava a expressão pensativa de Hayley, talvez a garota não fosse aceitar aquilo tão fácil, mas estava se esforçando para compreender — Você ainda está confusa, descanse um pouco e pense — Rebekah sorriu e se colocou de pé — O que precisar é só bater na porta ao lado.

Rebekah saiu do quarto e Hayley sentiu seus olhos pesarem, talvez fosse pelo remédio para dor. Estava quase caindo no sono quando ouviu alguém bater em sua porta.

– Entre — ela disse e se sentou na cama.

Ficou surpresa ao perceber o moreno com roupas elegantes entrar ao quarto e se aproximar de sua cama, Elijah se sentou ao lado da cama de Hayley e a fitou com doçura por alguns segundos que silênciosos.

– Perdoe a mim e a meus irmãos por tudo isso... — as palavras sairam fracas da boca de Elijah.

– Não precisa pedir perdão, vocês tem razão em querer alguma garantia — Hayley suspirou.

Elijah a fitou em silêncio, a tristeza nos olhos de Hayley lhe deixava inquieto, perturbado. Não se recordava de algum dia ter se sentindo assim por alguém, mas talvez fosse só seu extinto protetor. Então notou a expressão cansada no rosto da menina.

– Vou te deixar descansar — ele esboçou um sorriso minimo para Hayley e saiu do quarto.

Hayley o observou sair e viu mais verdade no que Rebekah havia dito, Elijah realmente parecia um homem honrado, fiel e com um bom caráter. E extremamente atraente, assim como seus irmãos. Ele saiu, mas pareceu ter deixado um pouco de si dentro do quarto, talvez fosse o perfeito aroma amadeirado que deixou para trás e agora se espalhava pelo quarto de Hayley, a embalando para o sono.

Notas finais
Até o próximo!