Ilha dos Lobos
8 Pesadelo
Notas iniciais
Hayley acordou sentindo o colchão afundar logo ao seu lado. Abriu os olhos piscando atônita, ainda era madrugada e as empregadas estavam ali? Sua pergunta foi respondida pela luz do abajur que foi acesa por uma mão pálida, não eram as empregadas. Quando seus olhos se adaptaram a luz fraca, pode distinguir as formas de Elijah, Damon e Klaus a sua volta na cama e engoliu em seco. Não foi a presença deles que a assustou e sim o brilho dourado nos olhos dos três e a expressão divertida.
– O que estão fazendo no meu quarto? — Hayley disse com rispidez, imaginando que aquilo fosse alguma brincadeira para assusta-la. Se era estava dando muito certo.
– Nosso quarto — a enfase que Damon deu na palavra nosso a fez estremecer. Então algo cintilante chamou sua atenção, seu vestido era bordado com detalhes que brilhavam a luz. Um lindo vestido branco, vestido de noiva. Hayley sentiu sua garganta se fechar.
– C-como? — sua voz saiu fraca e entrecortada — Não! — ela recuou, pressionando suas costas contra a cabeceira da cama e tomando a maior distância possivel dos três. Só então ela percebeu o olhar maldoso que eles mantinham sobre ela. Elijah vasculhava o corpo de Hayley com os olhos descaradamente, logo ele que havia sido tão amigavel no começo.
A menina pensou em exigir uma resposta, estava pronta para gritar com os três, quando Elijah levou as mãos a seu cabelo e puxou sua nuca para ele num movimento rápido. Ele se aproveitou que os lábios da menina estavam entreabertos de choque e lhe beijou sem pudores, forçando sua língua contra a dela em uma dança descoordenada. Hayley tentou empurra-lo, mas ele sequer se movia diante de seus protesto, então ela mordeu-lhe a língua e Elijah se afastou com uma expressão de dor.
– Saiam daqui! — Hayley gritou e tentou sair da cama, mas Klaus agarrou seu tornozelo e a puxou, fazendo-a cair de bruços na cama. O hibrido rasgou as costas do vestido que Hayley usava, fazendo os botões de pérola voarem pelo quarto.
A menina se virou rapidamente, segurando o vestido para cobrir seu corpo, estava horrorizada e algumas lágrimas começavam a surgir em seus olhos. Os três pareciam se divertir com o medo nos olhos de Hayley. A mão hábil e fria de Damon começou a subir pela perna dela, quase chegando a sua intimidade.
– Não! — ela tentou retirar a mão de Damon de sua coxa e Elijah se aproveitou desse movimento para arrancar o resto dos tecidos do vestido que Hayley usava para cobrir o corpo, deixando-a somente com finas roupas intimas — Não, por favor — ela implorou, sentindo lágrimas quentes descerem por seus olhos.
– Por que tenta nos impedir? — Damon perguntou, sua expressão parecia divertida — Você nos pertence agora, uma hora ou outra vamos tomar o que queremos de você — ele sorriu de lado e então Hayley entendeu. Era sua lua de mel, ela precisava consumar seu casamento. Mais lágrimas desceram e ela continuou tentando se cobrir com as mãos, mas não se afastou quando Elijah se aproximou.
Ela estremeceu ao sentir os lábios estranhamente gelados de Elijah nos dela, ele a beijou com a mesma brusquidão de antes, segurando seus cabelos com firmeza. Hayley não correspondeu nem se afastou, somente deixou que Elijah comandasse, com medo do que viria pela frente. Outras mãos, as mãos de Damon, abriram o fecho de seu sutiã sem a menor delicadeza, quase rasgando o tecido fino. Outra onda de choro irrompeu em Hayley quando ela percebeu seus seios expostos, mas tentou não demonstrar. Elijah finalmente deixou seus lábios em paz, mas só para Klaus entrar em seu lugar com um beijo ainda mais duro e bruto. A boca de Elijah desceu até os seios pequenos e os tomou entre os lábios, chupando e dando pequenas lambidas. Hayley soltou um gemido de dor ao sentir os dentes de Elijah roçando naquela área que já estava dolorida e sensível.
Damon estava atras, naquela posição teve livre acesso ao outro seio que Elijah não estava ocupando, apalpou-o enquanto a outra mãos descia pelo abdômen de Hayley. Klaus preveu a intenção do irmãos e abriu as pernas da menina, segurando-as pela dobra do joelho e a obrigando a mante-las assim. Então Damon desceu a mão por baixo da calcinha de Hayley, movendo bruscamente os dedos ali. Quando Hayley sentiu dois dedos lhe penetrarem, empurrou os lábios de Klaus e soltou uma exclamação de dor. Tentou tirar a mão de Damon dali, mas Elijah segurou seus pulsos contra a cama.
– Se continuar com isso, vou te fazer sentir dor de verdade — Klaus ameaçou enquanto segurava o queixo da menina com força.
Então ela percebeu que os três se entreolharam, como se perguntassem algo com o olhar, e Elijah respondeu um quase inaudível "eu". Os três começaram a se despir e Hayley engoliu em seco. Percebeu que as lágrimas em seus olhos secaram, ela deitou na cama e ficou lá como um corpo sem vida. Ela precisava passar por aquilo, pois era parte de um acordo, então o que poderia fazer além de deitar ali e torcer para que não doesse tanto quanto algumas mulheres de sua vila haviam relatado? Nada.
Elijah se deitou sobre ela completamente nu, encaixou seu quadril no meio das pernas que não ofereceram resistência. Hayley olhou para os olhos negros em sua frente procurando a bondade e doçura que tinha visto anteriormente, deveria ter imaginado aquilo tudo. Agora só existia um brilho lupino e vazio. Ela sentiu o membro gélido e grande demais roçar em sua intimidade. Tudo naquele quarto era frio como no dia em que estava deitada na floresta quase inconsciente. Seu corpo estremeceu em resposta ao corpo de Elijah e ele voltou a beija-la para abafar o grito que se espalhou pelo quarto quando ele perfurou sua virgindade em um movimento brusco e certeiro, fazendo surgir sangue e mais lágrimas quentes dos olhos da menina.
Hayley acordou com o próprio grito. Ficou sentada na cama em um movimento tão rápido que a deixou tonta. Sheila e Bonnie a encaravam assustadas com o grito. Quando ela checou os lençóis e percebeu que ainda usava o mesmo pijama da noite anterior soltou um suspiro de alívio. Fora tão real! Todo seu corpo estava tremulo e cansado, como se tivesse acabo de passar por tudo aquilo, mas a atmosfera clara e o calor do quarto revelava que foi um sonho.
– Você está bem? — a Sra. Bennett se aproximou da cama, não parecia realmente interessada na resposta.
– Sim, foi só um sonho — Hayley jogou os cobertores para o lado.
– Eu trouxe um desjejum...
– Preciso de um banho — Hayley interrompeu a empregada, passando pelas duas e entrando no banheiro.
Sua respiração ainda estava exaltava. Ela tirou as roupas depressa e abriu o chuveiro ainda gelado sobre sua cabeça, lavando todo o suor de seu corpo. Tomou um banho demorado enquanto lembrava das cenas claras do sonho e separava-o da realidade. O pensamento de que talvez o sonho não esteja tão distante assim da realidade lhe assombrava.
Ela saiu do banho e vestiu um vestido simples, branco com estampa preta. Deu um laço delicado na fita que ficava a altura da cintura e calçou sapatilhas pretas. Resolveu deixar seu cabelo solto e ele caiu levemente sobre seus ombros, já estava no comprimento de sua cintura. Ignorou completamente a senhora Bennett que insistia que ela comesse seu desjejum antes de descer e saiu de seu quarto. Se ela só devia sair do quarto para as refeições, teria que aproveitar ao máximo o tempo longe daquele local tão solitário. Finalmente Hayley havia decorado o caminho até o salão onde serviam o café da manhã.
Quando ela chegou no salão, todos já estavam na mesa, pareciam focados em um assunto importante, mas quando deram pela presença de Hayley todos silenciaram. Ela pensou em perguntar qual era o segredo, mas decidiu que não era uma boa ideia.
– Bom dia! — Elijah foi o primeiro a lhe cumprimentar e quando ela viu que os olhos negros ainda tinham a mesma bondade da noite anterior, quase suspirou de alívio. Aquele sonho havia lhe perturbado profundamente.
– Bom dia — ela respondeu. Dessa vez ela sentou entre Rebekah e Damon. A mesa voltou a se encher com a conversa, agora não tão séria quanto a anterior.
– Dormiu bem? — Klaus parecia tentar ser simpático, e apesar de Hayley ainda lembrar muito bem como ele havia a machucado no outro dia, ela decidiu tentar também.
– Sim — ela mentiu e deu um sorriso minimo, então pegou um pedaço de bolo de morango e comia distraída quando notou o olhar de Damon sobre ela. Ele mantinha o mesmo sorriso de lado no rosto.
– Você está linda nesse vestido — Damon disse perto de seu ouvido e Hayley corou vergonhosamente, decidiu não responder pois sabia que iria gaguejar. Droga, porque Damon sempre precisava a deixar envergonhada?
O café da manhã seguiu com o mesmo clima leve e descontraído. Hayley passou a maior parte do tempo conversando com Rebekah sobre assuntos aleatórios e, vez ou outra, percebia o olhar dos três irmãos sobre ela. Tentou pensar o mínimo sobre a proposta do dia anterior, mas ela sabia que mais cedo ou mais tarde eles cansariam de esperar e iriam exigir uma resposta. A resposta de Hayley seria não, então adeus proteção, adeus plano de vingança, adeus castelo dos Mikaelson. Ela teria que se virar sozinha.
De repente alguém abriu as portas duplas do salão, entrando abruptamente. Klaus foi o primeiro a se colocar de pé e franziu o cenho para o invasor.
– Mas que diabos, Marcel...
– Precisamos conversar, agora — Marcel interrompeu Klaus e Hayley criou uma simpatia imediata pelo homem moreno a sua frente. Foi o primeiro empregado que teve coragem de falar de igual para igual com um Mikaelson.
– Fale logo — Rebekah exigiu, parecia preocupada com a expressão de Marcel.
– Jackson está massacrando o vilarejo dos Marshall — Hayley piscou atônita enquanto as palavras se encaixavam em sua cabeça — Eles já devem estar voltando para o território deles agora. Por favor Klaus, me deixe juntar nossos lobos e esperar eles lá. Marshall era meu amigo! — Marcel olhava para Klaus como se implorasse.
Klaus pousou os olhos em Hayley, sabia o que a sua expressão de choque significava. Era horrível se aproveitar de uma tragédia, mas aquela era a melhor chance que eles e os irmãos tinham para conseguir que a menina aceitasse a proposta.
– Marcel, eu também adoraria mandar nosso exército para lá agora, mas essa guerra não é nossa. Não podemos sofrer baixas — Klaus disse num tom frio e determinante.
Hayley sentiu lágrimas quentes se acumularem em seus olhos. Será que estavam todos mortos? Todos seus amigos de infância, as pessoas que a criaram estavam mortas. Aquele desgraçado não se contentou em lhe tirar somente a família, tinha que matar todos aqueles que ela um dia conheceu.
– Todos eles morreram? — a voz de Hayley saiu fraca e ela direcionou o olhar para o moreno. Marcel engoliu em seco e levou a mão ao peito de maneira respeitosa.
– Eu creio que não, Hayley — ele tentou colocar um pouco de esperança na voz, mas falhou — Eu realmente sinto muito pelo seu pai, ele era um honrado.
– Eu também sinto muito... — ela murmurou e olhou para baixo, deixando as lágrimas descerem pelo seu rosto. Rebekah pousou a mão em seu ombro, num gesto de apoio. Hayley permaneceu em silêncio por alguns minutos e todos na mesa respeitaram sua dor, entretanto se surpreenderam quando a garota secou as lágrimas e se colocou de pé.
– Posso falar com vocês três, a sós? — Ela pousou o olhar nos três irmãos.
Elijah se apressou a assentir e os conduziu até a biblioteca. Quando eles chegaram a biblioteca Hayley já estava completamente decidida do que iria fazer. Havia colocado tudo em uma balança e decidiu que seu sonho de casar por amor, suas tradições e tudo o que ela achava corrento antigamente já não valia tanto assim. A vida era outra agora.
– Eu aceito a proposta — ela disse em tom firme. Foi a vez dos três irmãos a sua frente ficarem sem saber como reagir. Elijah abriu a boca para dizer algo e Hayley o interrompeu — Mas tenho minhas condições.
– O que você quer? — Klaus já havia assumido um tom de defesa.
– É justo, Hayley — Elijah se sobrepôs ao irmão — Pode falar.
– Quero que resgatem o que restou do meu povo e os abrigue aqui — os três assentiram ao pedido — E quero um tempo... antes do casamento.
– Não temos tempo — Klaus disse.
– Duas semanas é tudo o que peço — Ela levou os olhos para Elijah, ignorando o outro irmão.
– Perfeito! — Damon finalizou, seu sorriso de canto havia se espalhado por todo o rosto agora.
Quando Hayley deu as costas para os três e começou a andar de volta para o salão, não acreditava em si mesmo. Iria casar com três homens que mal conhecia. Ela encheu os pulmões de ar como quem tenta absorver a realidade, mas mesmo assim ficou chocada quando Elijah anúncio para todos no salão.
– Eu, meu irmãos e Hayley iremos casar dentro de duas semanas.
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