Notas iniciais
Esse capítulo é totalmente voltado para Hayley e Elijah, espero que gostem. Boa leitura!

Hayley fitava seu reflexo em frente ao espelho, novamente dentro de seu quarto luxuoso e solitário, ainda sem acreditar no rumo que sua vida havia tomado. Tudo mudou tão rapido que ela ainda não conseguia processar os fatos. Daqui a menos de duas semanas ela casaria com três homens que mal conhecia. Ela tentou ao máximo não se desesperar e organizar tudo em sua mente. Se iria casar com três homens que mal conhecia, o primeiro passo para facilitar as coisas era conhece-los.

Elijah foi o pioneiro no primeiro passo. No dia seguinte depois de Hayley ter aceitado a proposta, os dois estavam conversando no final do almoço quando Hayley deixou escapar que aquele quarto era um tédio e que ela gostaria de ao menos ter alguma coisa para ler.

– Mas isso não será problema — Elijah deu um sorriso empolgado e se colocou de pé — venha comigo.

Hayley se apressou em segui-lo. Elijah a levou para uma pequena biblioteca. A sala era pequena, mas ocupava dois andares com paredes repletas de livros de cima a baixo. No centro só havia espaço para uma pequena com quatro poltronas confortáveis ao seu redor.

Obviamente, Hayley abriu um sorriso esplendido que tirou o ar do moreno ao seu lado por alguns segundos. Ela correu os dedos pelos livros, lendo seus títulos. Ele escorou o corpo na porta enquanto seus olhos acompanhavam cada movimento da menina.

– Pode ficar a vontade, venha aqui sempre que quiser e pode levar os livros para seu quarto — ele disse, ela parecia concentrada demais para ouvir, ele deu alguns passos e parou de costas para ela, de frente para uma prateleira oposta — E também pode ficar a vontade para entrar aqui sempre que precisar, ou quiser — a voz de Elijah pareceu falhar no final da frase, mas o que ele fez em seguida prendeu a atenção de Hayley. Ele puxou um livro de capa vermelha daquela estante, na verdade uma alavanca disfarçada de livro. Então a estante e a parede se abriram, dando visão para um quarto.

Hayley quase riu consigo mesmo. Um castelo com passagens secretas, isso era tão clichê, porém mais divertido do que ela imaginava. E também tinha permissão para ir ao quarto de Elijah, o que era bem interessante.

– Obrigada — ela ainda sorria quando respondeu.

E depois desse dia, passar algumas horas da tarde lendo ao lado de Elijah virou uma rotina. Ao final do almoço os dois iam direto para lá, trocavam poucas palavras no percusso e chegando na biblioteca particular de Elijah, liam em absoluto silêncio. A proximidade entre os dois era fácil e a companhia sempre agradável, Elijah sempre mantinha um dialogo culto e atitudes polidas.

De inicio, Hayley admirava a gentileza e a doçura de Elijah, ao contrário dos outros irmãos ele sempre se esforçava para deixa-la a vontade. Mas com o passar de alguns dias ela percebeu que existia algo a mais por trás dessa postura. Elijah nunca era ele mesmo, nunca se deixava levar por um impulso, era um homem extremamente controlado e sempre media bem suas atitudes. Era como se Elijah não deixasse que ninguém conhecesse o seu verdadeiro eu. Ele parecia ter algo a esconder. Elijah parecia um mistério a ser desvendado.

E agora Hayley estava ali, ainda fitando sua imagem o espelho. O tempo parecia escorrer como areia por entre seus dedos e ela ainda não sabia como encarar o futuro. Queria se sentir preparada, mas nunca conseguiria. Pois ninguém nunca estará totalmente pronto, mas na hora certo sempre vai ter alguém ou algo para te empurrar para os braços do futuro.

Hayley olhou para o relógio, já se passavam vinte minutos da meia noite, mas ela simplesmente não conseguia dormir. A solidão do quarto a consumia ao ponto de pensar em usar pela primeira vez a permissão que tinha de adentrar o quarto de Elijah, mas pensou que isso seria uma grande ousadia. Talvez somente os livros já pudessem lhe fazer alguma companhia. Ela vestiu seu robi branco e foi até a pequena biblioteca. Fez o menor barulho possível para não acordar Elijah enquanto acabava de ler seu exemplar de um escritor inglês que Elijah havia recomendado. A biblioteca estava fria demais, aquela noite deveria ser a mais fria do inverno, mas a solidão de seu quarto mais fria então Hayley ignorou.

Ela acabou de ler e levou o livro até a estante, quando notou um exemplar de O Pequeno Príncipe, lembrou que aquele livro costumava ser seu favorito na antiga vida que levava. O abriu cuidadosamente, notando que apesar de bem cuidado o exemplar era antigo. Na contra capa estava escrito com uma caligrafia elegante "Mas, com certeza, para nós, que compreendemos o significado da vida, os números não têm tanta importância. -Com amor, mamãe”. Hayley passou os dedos pela frase, como se tentasse decifrar um significado oculto, quando o livro foi retirado de suas mãos. Ela levantou os olhos para se deparar com um Elijah boquiaberto e um tanto nervoso, mas essa expressão só durou o tempo de um vislumbre, rapidamente ele voltou a assumir o tom inexpressivo.

– Me desculpe — Hayley pensou que era o melhor a se dizer diante do que Elijah havia acabado de fazer.

– Está tudo bem — ele sorriu minimamente, como se pedisse desculpas por arrancar o livro das mãos dela. Hayley percebeu que era a primeira vez que Elijah seguia um impulso desde que o conheceu e gostou disso — Esse livro não deveria estar aqui.

– Era o meu preferido quando era criança — Hayley comentou e achou que seria um pouco vergonhoso admitir que lia até poucos dias atras um livro de temática tão infantil.

– O meu também... — Elijah fitava o livro e sua voz saiu quase em um sussurro — Você não acha que está muito frio para ficar aqui? — finalmente ele subiu os olhos para Hayley.

– Um pouco — ela admitiu — Mas eu não consegui dormir, toda a vez que eu fecho os olhos... — Hayley deixou a frase morrer, se advertiu para não ser tão franca e aberta com alguém que ainda era uma total incógnita para ela.

– Toda as vezes que fecha os olhos é como se tudo de ruim que aconteceu nos ultimos dias estivessem gravados em suas pálpebras — Elijah completou, mas não havia emoção na frase.

– Como sabe? — Hayley perguntou depois de um curto silêncio. Elijah fez uma pausa maior antes de responder.

– As empregadas comentaram que você anda tento pesadelos constantemente. É normal, depois de todo esse trauma.

Hayley subiu seus olhos para fitar o rosto de Elijah. Estava totalmente inexpressivo e parecia usar o mesmo tom que médicos usam para lhe receitar um tratamento. Porque ele precisa ser tão meticuloso?

– Acho melhor eu ir.

– Não precisa ficar sozinha se não quiser. Eu acendi a lareira em meu quarto e também não estou com sono — ele disse.

Hayley avaliou por alguns segundos e decidiu aceitar. Elijah deixou ela passar a sua frente. O interior do quarto de Elijah era mais moderno do que todos os comodos que ela havia visto até então, e praticamente não havia cores. Todos os móveis eram marrons e a pouca decoração, como tapetes e cortinas, eram pretas. A lareira estava acesa, aquecendo todo o ambiente. Pela primeira vez hoje Hayley reparou no que Elijah vestia, uma calça preta e um suéter cinza, com sua expressão, ou a falta dela, fechando o visual. Elijah combinava perfeitamente com seu quarto.

Ambos se sentaram em duas poltronas de frente para a lareira, o silêncio que predominou fazia Hayley se sentir uma intrusa, até Elijah resolver falar.

– Então, como se sente com o casamento?

– Nervosa — Ela fitava o fogo — E você?

– Bem, Rebekah está cuidando de todos os preparativos, tudo ocorre bem, acho que não a motivos para você ficar nervosa — ele lançou seu olhar doce que já não tinha o mesmo efeito.

Aquilo estava atormentando Hayley. Mais uma vez ele desviara, mais uma vez ele não falara sobre seus sentimentos, negava até mesmo a declaração mais simples. Sempre uma incógnita, protegido com paredes invisíveis por todos os lados. Mas ela estava determinada a desvendar-lo.

– Porque sempre faz isso? — Hayley perguntou depois de alguns minutos de silêncio. Elijah se preocupou com o tom de acusação na voz de Hayley.

– Isso o que, exatamente?

– Nunca fala sobre seus sentimentos — Hayley olhou para Elijah e percebeu que ele fitava o fogo, sem olhar para ela.

– Eu falo sobre meus sentimentos — ele rebateu, fingindo um tom desinteressado.

– Sabemos que isso é mentira.

Elijah finalmente olhou para ela, estava mais dificil que nunca manter-se impassível.

– Está me chamando de mentiroso? — Ele foi firme e sério, repreendendo Hayley, mas ela não se deixou impressionar.

– Por que você insiste em ser uma incógnita, Elijah? O que você esconde? Ou do que você se esconde?

Elijah tentou rebater, mas nada saiu de sua boca. Hayley tinha toda a razão no que estava dizendo. Ele voltou a olhar para o fogo. Quando Hayley percebeu que não teria uma resposta, se levantou e foi em direção a porta do quarto, mas antes virou-se para Elijah e despejou sua ultima frase.

– Você disse que eu posso confiar em você, mas eu não posso confiar em alguém que não conheço.

Ela voltou a se virar para a porta e estava girando a maçaneta quando a voz de Elijah soou em suas costas.

– O livro que você pegou na estante, eu ganhei de minha mãe quando tinha nove anos. Dois meses antes de Damon nascer e minha ela morrer.

Hayley se virou para Elijah. Ele estava somente a alguns centímetros dela. Seus olhos negros refletiam as chamas da lareira e agora havia uma expressão em seu rosto. Ela se arrependeu profundamente de tudo o que disse assim que viu a tristeza se espalhar pelo rosto do moreno.

– Minha mãe foi a única pessoa que um dia me mostrou verdadeiramente como é ser amado, Hayley. E quando ela se foi, eu tive que cuidar de meus irmãos. Meu pai nunca foi um homem movido a emoções, e quando a única pessoa por quem ele já nutriu algum tipo de sentimento morreu, ele se fechou totalmente. Nos poucos anos que eu tive com meu pai, eu aprendi a ser como ele. E quando ele morreu, três anos depois, eu criei meus irmãos como ele teria criado. Então, me desculpe se eu não consigo expressar meus sentimentos como deveria.

A menina ficou sem reação diante daquilo. Elijah suspirou, como se tivesse tirado um grande peso de seus ombros. Finalmente ele havia deixado a máscara cair e mostrado as feridas que haviam por baixo de seu terno de polidez, frieza, sobriedade e autoridade.

Depois daquilo, tudo o que Hayley pensava sobre Elijah mudou. Ele era mais parecido com ela do que poderia imaginar. Eles voltaram para as poltronas e Elijah continuou a falar, na verdade despejar seus sentimentos pela primeira vez na vida. O máximo que Hayley pode fazer foi ouvir tudo enquanto segurava sua mão, demonstrando que estaria ali para ele sempre que precisasse.

Notas finais
Eu quero agradecer imensamente a recomendação que a Clarice deixou na fic, eu fiquei muito feliz! Muito obrigada! E também agradeço a todos que comentaram no último capitulo, vocês me deixaram feliz. Até sexta que vem!