Ilha dos Lobos
4 Pedido de Desculpas
Notas iniciais
Rebekah mandou que as empregadas preparassem um quarto para Hayley e abasteceu um closet de roupas inteiro para a menina com inacreditável rapidez. Por volta das onze horas todos na casa foram dormir e Hayley acabou ficando sozinha em seu "quarto". Para ela aquele lugar mais parecia sua casa particular dentro do castelo Mikaelson. A decoração era linda, paredes brancas com papeis de parede branco e dourado em alguns espaços, os móveis de madeira entalhada que pareciam relíquias e contrastava com os variados aparelhos eletrônicos super modernos. Hayley apertou o botão power de um controle remoto e um quadro que ficava em cima da lareira virou uma tv de infinitas polegadas. Com outro botão ela fez a cortina blackout se levantar, mostrando uma enorme porta de vidro que dava para uma sacada. A vista era para um vale montanhoso e cheio de cabanas charmosas, parecia uma pintura de tão belo.
Ela não estava minimamente com sono, então resolveu aproveitar a jacuzzi que havia em seu banheiro. Antes ela procurou algo para beber no frigobar, havia água, refrigerante e champanhe. Ela pensou que talvez um pouquinho de álcool iria fazer bem. Abriu seu champanhe, esperou a banheira encher, jogou algumas gotas de um óleo de banho que tinha um delicioso cheiro de cereja e entrou na banheira. Conforme seu cérebro ia ficando mais fraco por culpa de sua pouca tolerância a álcool, mais difícil era manter as lembranças terríveis fora de seus pensamentos.
Tudo que Jackson havia lhe feito, cada um que ele havia lhe tirado, cada dor que ele a havia feito sentir ele iria sentir em dobro. Hayley pode sentir o gosto amargo e seco da vingança em sua boca, e ela a teria a qualquer custo.
Seu cérebro correu até a família que a hospedava, lembrou-se das palavras de Damon "lutar por uma donzela será um prazer", eles não pareciam o tipo que foge de uma boa briga, ainda mais se Hayley lhe desse os motivos certos. Se tivesse a proteção dos Mikaelson poderia conseguir proteção para seu povo também, se conseguisse formar um exército poderia encurralar Jackson e ter sua vingança.
Uma pequena parte de Hayley, aquela menininha de dois dias atras olhava para o plano diabólico que ela planejava com os grandes olhos verdes amedrontados, a nova Hayley somente deu de ombro. Era a tragédia dos fatos, essa era a nova realidade, a realidade em que ela não tinha mais o resto da família que tinha sobrado e estava totalmente sozinha, em uma terra estranha, onde teria que se virar por si própria. E a vingança era a única coisa que Hayley tinha, se tirassem isso dela também, ela não teria um propósito para viver. Então ficou ali, tramando seu plano de vingança enquanto a água esfriava.
Pela manhã Hayley foi acordada por sonoras batidas na porta do seu quarto.
– Entre — ela murmurou, se sentando na cama, e a dor de cabeça devido o consumo de uma garrafa de champanhe inteira lhe atingiu.
– Bom dia — o rosto de Rebekah, sempre sorridente, surgiu na porta.
– 'Dia — uma Hayley que sem perceber coçava os olhos de maneira infantil respondeu.
– Meus irmãos estão preparando um café da manhã especial e você é a convidada ilustre — que tipo de pessoa oferece um café da manhã especial dentro da própria casa? Hayley franziu o cenho e voltou a prestar atenção em Rebekah — devem estar arrependidos do modo que te trataram quando você chegou aqui e querem se redimir. Enfim, se apronte, em vinte minutos eu passo aqui para descermos juntas! — Rebekah estava estranhamente animada e Hayley somente assentiu.
Quando Rebekah saiu Hayley desceu da cama, sentiu que era falta de educação deixa-la desarrumada mesmo estando em um castelo que deveria ter dezenas de empregados, então deixou tudo do modo como havia encontrado. Foi para o closet "provisório" que Rebekah havia arrumado e descobriu que era mais abastecido do que o que ela tinha em casa. Acabou escolhendo uma saia rodada, cintura alta e preta com estampa branca, uma camisa branca de tecido fino que deixou com alguns botões apertos, um cardigan azul celeste e um converse cinza. Desejou que o café da manhã não fosse algo formal. Quando se sentou em frente a penteadeira que mais parecia um camarim de estrelas — de onde Rebekah tirou aquilo tudo tão rápido, por Deus — percebeu que o rosto estava um pouco inchado e o cabelo indomavél, então aplicou um pouco de maquiagem e fez um trança para o lado, a decorando com minusculos grampos que pareciam ter diamantes pequenos na ponta.
Quando saiu do quarto percebeu que tinha ficado pronta antes da hora, então decidiu explorar um pouco o lugar. O hematoma que ela ainda mantinha na coxa, o único que não conseguiu cobrir com a saia, a lembrou de que havia chegado ali semi-inconsciente e não percebeu o quão belo era o local, ela nunca havia estado em um lugar tão luxuoso em toda sua vida, era realmente um castelo.
Klaus pensou em ir pegar alguns livros sobre as taticas de guerra dos Rusell na biblioteca, depois da longa conversa que teve com seus irmãos decidiu que enquanto mais soubesse sobre aqueles desgraçados, melhor seria. Mas na metade do caminho se deparou com a garota, que corria os dedos pelo corrimão de ouro da sacada interna daquele salão, enquanto os olhos enormes fitavam as pinturas sobre o paraíso que se espalhavam pelo teto arredondado. Então Klaus ficou parado no pé da escada, a fitando em silêncio.
A beleza daquela menina era quase injusta. Ao todo podia-se ver uma menina um tanto baixinha e magra, as quando os olhos procuravam por detalhes podia se deliciar. Seu corpo era belo e definido, sua pele branca tinha tom bronzeado muito leve, por baixo do tecido leve da blusa que usava podia-se notar seios médios e firmes, a saia que usava deixava ainda mais visivél sua cintura fina e com uma curva perfeita, e a saia a altura da coxa deixava visivél suas pernas bem torneadas, e que pernas. Klaus respirou fundo e cortou seus pensamentos pecaminosos antes que se empolgasse, então fitou o rosto de Hayley, que parecia perdido em pensamentos. Seus olhos eram verde esmeralda, a cor preferida de Klaus, e pareciam duas luas de tão grandes e brilhantes, o nariz perfeitinho e os lábios carnudos completavam o rosto com jeito inocente.
Havia alguma coisa em Hayley que instigava seus instintos mais profundos. Havia um impulso natural de protege-la, uma vontade quase incontrolavél de afundar o crânio de quem a deixou com aquelas marcas no corpo e aquele olhar assustado, mas também havia uma vontade enorme de toma-la nos braços, tomar aquele corpo para si mesmo, ver aquela expressão de inocencia desfeita em gritos de prazer, gritos pelo seu nome.
Klaus se envergonhou ao perceber que Hayley havia notado seu olhar fulminante em cima dela, e Hayley se envergonhou por ter notado que Klaus a viu tão deslumbrada com a luxúria de seu castelo. Então um pouco de medo acabou visivel nos olhos de Hayley quando ela notou que aquele era o irmão que a mandara decapitar. Mas ele não parecia alguém capaz de fazer isso. A expressão de Klaus se tornou um sorriso terno e ele começou a subir a escada devagar, como para não assusta-la. E ele era tão belo!
Parecia um anjo, ou um ator de cinema que ela vira uma vez um filme de época. Seus cabelo loiro escuro era levemente ondulado, seus olhos não pareciam se decidir entre o verde e o azul e os angulos quadrados de seu rosto o deixava com aquele ar de alpha que Hayley já estava acostumada. Sua barba parecia não feita a alguns dias e Hayley anseou por toca-la, assim como quis sentir a textura da pele branca por baixo do fino tecido da camisa que usava e sentir os músculos rijos que se espalhavam pelos braços e pelos ombros largos.
Então Hayley corou mais ainda e se esforçou em afastar aqueles pensamentos. Não podia pensar aquilo! E se ele já fosse casado? E ainda mais, ele havia a mandado decapitar! Com certeza deveria haver um homem cruel por baixo daquela expressão de anjo.
– Bom dia — Klaus falou e parou dois degraus abaixo da garota, igualando a altura dos dois. No fundo Klaus achou algo divertido naquilo, mas se esforçou para não demonstrar.
– Bom dia.
– Então, com fome? — Klaus se esforçou para parecer simpatico, o que era raro — O café da manhã está quase pronto, quer que eu...
– Você é Klaus, o que mandou me decapitar, não é? — Hayley o interrompeu e arqueou uma sombracelha, confusa. Será que ela havia errado de irmão? Ou esse não era um dos Mikaelson, somente um empregado extremamente bonito?
– Sim... — Klaus suspirou, aquilo seria mais dificil do que ele imaginou.
– Você manda matar as pessoas e no outro dia as alimenta? — Hayley cruzou os braços, sabia que estava sobre o teto dele e que estava se atrevendo, mas não iria deixar sua crueldade barato.
– Eu estava protegendo minha família — ele simplesmente disse.
– Então você manda matar cada um que entra em seu território com essa desculpa? — agora ela havia conseguido acabar com a paciência que Klaus não tinha.
– Escuta aqui menina...
– Klaus — a voz de Elijah soou no final da escada, advertendo seu irmão. Klaus respirou fundo e recuperou a calma da melhor forma que pode.
– Hayley, eu sinto muito por ter mandado te decapitar, foi uma decisão precipitada e eu cometo muitas — ele falou com sinceridade, Hayley olhou em seus olhos como se medisse as palavras de Klaus e demorou alguns segundos para descruzar os braços.
– Ok, está perdoado — ela disse e passou por um Klaus que bufava enquanto desceu a escada — Bom dia.
– Bom dia — Elijah respondeu, parecia se esforçar para não rir do irmão mais novo e pousou seus olhos chocolate na menina. Sua avaliação de Hayley talvez fosse a mesma de Klaus, mas um pouco menos selvagem e com mais ódio quando seus olhos pousaram discretamente no hematoma na coxa de Hayley. Existia poucas pessoas que Elijah odiava na face da terra, mas no topo de sua lista estava aqueles que maltratavam mulheres. Quando Hayley acabou de descer a escada ele se perguntou como um homem teria coragem em sequer pensar em machucar um ser tão fragil e belo como Hayley. Assim como seu irmão, ele também teve seus sete segundos de devaneio, afinal não era de ferro. Mas não imaginou Hayley gritando seu nome, imaginou a pequena gemendo baixo em seu ouvido enquanto ele a possuia, sendo o seu primeiro, fazendo de Hayley mulher, sua mulher e de seus irmãos. Quando ele olhou para a barriga lisa de Hayley e imaginou o quão linda ela ficaria grávida percebeu que já havia ido longe demais.
– Está com fome, princesa? — Elijah sorriu docemente para a menina. Ele mantinha as mãos nos bolsos de sua calça preta social e Hayley percebeu que ele era o mais folmal ali. Usava uma camisa social azul marinha que emoldurava seus músculos, talvez Elijah fosse dois ou três centimetros mais baixo que Klaus, mas tinha os ombros um pouco mais largos. Possuia o mesmo angulo quadrado no maxilar, talvez um pouco mais proeminente. Ela deveria ter acabado de fazer a barba, pois exalava um cheiro muito gostoso de colônia pós-barba.
– Um pouco — Hayley admitou, olhou de um irmão para o outro abençoando a gene dos Mikaelson, quanta beleza.
– Então vamos — Elijah lhe ofereceu o braço e ela pousou a mão ali, caminhando a seu lado. Os dois comentaram algumas coisas sobre a estadia de Hayley no castelo, que falava que tudo estava maravilhoso e Klaus os acompanhava em silencio.
Leiam as notas finais, por favor queridas.
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