Notas iniciais
Primeiramente eu quero pedir desculpas mil vezes pela minha ausência. Eu tenho passado por um problemas pessoais e andei sem muitas idéias, então parei de escrever, mas agora estou voltando com tudo e espero que ainda tenha leitoras animadas. E eu quero agradecer imensamente à leitora que deixou uma recomendação durante a minha ausencia, você se incentivou a continuar escrevendo.

– Meus pés estão doendo, Damon! — Hayley choramingou, realmente seus pés estavam latejando dentro das botinas de couro. Para completar o visual de "exploradora de castelos antigos", ela usava calças jeans e um sueter azul que Damon havia tirado do próprio corpo quando ela reclamou do frio que fazia nas torres. Cabiam confortavelmente duas Hayley dentro daquele suéter.
Ela parou e escorou as costas na parede, estava ofegante. Eles subiram no mínimo oito andares daquela escada em espiral e ela parecia não ter fim.
– Mas eu não te mostrei nem metade do castelo — Damon piscou os grandes olhos azuis como uma criança que pedia para brincar.
– Eu não tenho culpa se a sua casa tem um milhão de quilometros quadrados — a respiração de ambos estava ofegante — E já está ficando tarde...
– Só quero te mostrar mais essa torre e nosso tour acabou por hoje... — Damon desceu sua voz para um tom rouco extremamente convidativo. Hayley sustentava seu olhar enquanto ele se aproximava deixando o corpo dos dois a menos de um palmo de distância. Hayley estava contra a parede e mesmo que não estivesse não sentiria vontade alguma de se afastar.

Oque tem de tão importante lá? — Hayley sussurou, tentando se manter atenta enquanto Damon deslizava os dedos por uma mecha de seu cabelo.

Uma lenda trágica... — Damon passou a lingua nos lábios e voltou a fitar o fundo dos olhos de Hayley — Uma das minhas preferidas, das várias que existem nesse castelo.
– E o que essa lenda conta?
Damon abriu seu costumeiro sorriso de lado e ofereceu a mão para Hayley.
– Eu só posso contar quando chegarmos lá em cima.
Hayley entrelaçou seus dedos nos dedos dele e deixou que ele a guiasse pela escadaria.
– Diz a lenda que quando a primeira geração de minha família veio para a ilha, trouxeram junto deles uma criada de beleza tão sublime que encantava a todos os homens, desde os vassalos rurais até seus mestres — Damon narrava e sua voz ecoava pela enorme torre vazia, mas mal podia ser ouvida, tamanho era o barulho que o vento fazia naquele aposento redondo, parecia uma mistura de uivos de tristeza e uma canção funebre — Essa criada se apaixonou por um dos soldados da guarda do castelo, mas teve que manter esse amor em segredo pois seu mestre havia a tomado como escrava dele, tomando-a toda a noite e mantendo esse caso extra conjugal em sigilo. Se descobrisse a história de amor, mataria ambos.
E os matou? — a menina piscou os grandes olhos verdes para Damon, que assentiu com a cabeça.
– Os empregados contam que foi numa tarde tão fria quanto essa. Uma das servas, que tinha inveja da beleza da jovem, contou tudo ao mestre. Inclusive que eles iriam se encontrar nessa torre — Ele apontou para uma mancha escura no chão — Matou os dois ali — o moreno fez uma longa pausa antes de continuar — As empregadas dizem que a alma dos dois ainda se encontram todas as tarde nesta torre, para dançar ao som do vento.
– Realmente é uma história... tragica — Hayley soltou um suspiro pesado enquanto Damon a fitava — Acho melhor irmos.

Faltava somente uma semana para o casamento. Sete dias. Isso não parecia real para Hayley, parecia que ela estava assistindo uma peça de teatro, ou vivendo a vida de outra pessoa. E acreditar que aquilo tudo não era real era a única coisa que a dava coragem, e era o que a faria subir ao altar com os três irmãos Mikaelson daqui a sete dias.
Todos dentro daquele castelo pareciam correr por suas vidas, e quanto mais proxima a data do casamento se aproximava, mais caotica parecia a vida dos Mikaelson e seus empregados. É de se entender que organizar um casamento em meio a uma guerra e alojar os Marshall sobreviventes ao mesmo tempo era uma tarefa difícil, mas Hayley se sentia sozinha. Obviamente a menina tinha tentado convencer Rebekah a fazer uma cerimônia simples, reservada somente para a família, mas a loira cortou essa idéia pela raiz com a seguinte frase: "Nós faremos o máximo que pudermos dentro das circunstâncias". E o máximo na linguagem Mikaelson é realmente muita coisa.
O único que não parecia ocupado demais para passar algum tempo com Hayley era Damon. Na verdade ele estava aproveitando a ausencia dos irmãos para monopolizar sua noiva nos ultimos dias. E Hayley estava tirando todo o proveito disso para conhecer-lo melhor.
Aos olhos da menina, Damon era um desafio divertido de enfrentar. Ele era o completo oposto de seu irmão mais velho, seguia cada um dos seus extintos sem pensar em consequencias. Era como se a cada fala e gesto Damon estivesse tentando puxar Hayley aos seus limites, instiga-la. Se esse era o objetivo do moreno, ele tinha sucesso como ninguém. A simples proximidade dos corpos de ambos fazia a garota perder o folego. Todos os elogios dele a deixava sem respostas. De vez em sempre ela se pegava fitando os lábios dele em meio a uma conversa, e tudo o que ela tinha em mente era a vontade de toca-los com os dela. E as conversas nunca eram muito longas, pois nenhum dos dois se importava muito com dialogos. Tudo ali era fisíco e instintivo. Um simples toque da pele de ambos era suficiente para desencadear desejos até então desconhecidos pela menina, e ela não gostava de admitir, mas Damon fazia uma pequena parte dela ansiar pelo dia do casamento.
Damon só tinha um problema, e esse problema estava tirando a mesa do café da manhã neste momento.
– Vocês sabem porque Damon não veio tomar café da manhã hoje? — Rebekah perguntou em um tom quase irritado. Até podia parecer uma pergunta para todos que estavam na mesa, mas a família sabia que a pergunta foi direcionada a Bonnie. O caso dos dois já não era um segredo pra ninguém da família.
– Ele disse que estava indisposto, senhora — Bonnie disse em um tom submisso enquanto Hayley fitava seu rosto admirada por não encontrar uma mínina expressão de vergonha. Aquilo causou na menina uma mistura de sentimentos quase impossiveis de descrever, ia desde a desilusão até a raiva, mas tudo o que ela fez foi abaixar os olhos e se odiar por não conseguir falar ou fazer absolutamente nada contra a empregada naquele momento.
Mas Hayley decidiu agir. Ela não sabia o que iria fazer, mas precisava fazer algo. Instintivamente ela seguiu a empregada que levava os pratos até a cozinha, e esperou escondida atras de uma das várias portas do corredor até que essa saisse da cozinha. A próxima parada de Bonnie foi tão obvio que Hayley sentiu quase como um tapa na cara. Ela se esgueirou por caminhos diferentes dos corredores principais que os Mikaelson costumavam usar e logo estava dentro do quarto de Damon, estava tão apressada que não notou Hayley acompanhando todo o seu percurso.
Hayley parou em frente a porta do quarto de seu noivo, sua respiração estava irregular e suas mãos tremiam em uma mistura do raiva e impotencia. Ao mesmo tempo ela se perguntava se podia sentir raiva de Damon por ter um caso com outra, afinal eles não eram noivos de verdade, não eram apaixonados, aquilo era um casamento de negócios. Mas assim que ela ouviu as risadas de Bonnie e a voz de Damon sussurando palavras que ela não conseguia distinguir, mas entendi muito bem o teor pelo seu tom, não esitou em agir.
Ela abriu a porta e lançou o seu melhor olhar de ódio para Damon. O moreno tirou Bonnie do seu colo num movimento rápido, perplexo, fitou a menina de pé a sua frente sem reação. Hayley tão pouco conseguiu reagir, tudo o que ela conseguiu fazer foi olhar para os dois. Enojada, com raiva e ao mesmo tempo triste. Ela realmente tinha começado a acreditar que Damon nutria algum sentimento por ela nesses ultimos dias que passaram tão perto, mas agora ela estava vendo que ele era um grande ator, só isso. O casamento pra ele não deveria passar de uma negociação, e devia ter sido divertido fazer a garotinha idiota deseja-lo.
– Hayley, eu... — antes que Damon precisasse gaguejar vergonhosamente tentando se explicar, Hayley deu as costas para os dois e saiu do quarto. Ele correu atras dela e a garota aumentou a velocidade dos seus passos, quase correndo — Hayley, eu sinto muito!
– Pelo que?! — ela continuou andando em direção do seu quarto, sem virar o rosto para ele.
– Por isto... Eu... Eu não queria faltar com o respeito a você, Hayley... -ele gaguejou. Finalmente ela virou de frente para encara-lo, seus olhos pareciam queimar os dele.
– Você não precisa fingir que gosta de mim e que isto é um noivado de verdade, pois isto não é — o tom e as palavras de Hayley pareciam ferir Damon, mas ela não ligou — Faça o que bem entender. Se a ama, eu não quero ficar no meio disso.
Então Hayley entrou em seu quarto e bateu a porta, deixando um Damon perplexo e arrependido do lado de fora.

Notas finais
Gente, eu quero pedir desculpas pela falta de paragrafos, é que eu tive alguns problemas quando fui colocar o texto aqui e não consegui organiza-lo, mas acho que dá pra entender da mesma maneira. Enfim, vou tentar voltar a postar duas vezes por semana. Nos vemos no próximo capitulo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.