Ilha dos Lobos
3 Empire
Notas iniciais
The stars, the moon, they have all been blown out
You left me in the dark
No dawn, no day, I'm always in this twilight
In the shadow of your heart
Hayley não aguentava dar mais um passo que fosse. Já havia perdido as contas de a quantas horas corria, caminhava e caía. Seu corpo todo estava fraco demais, o efeito dos remédios estavam passando e ela sentia muita dor, se apoiava em árvores enquanto andava sem rumo. Finalmente ela ouvir alguém se aproximando e deixou o corpo exausto cair na chão da floresta. Observou um enorme lobo cinzento a fitar com os olhos cerrado e deixou uma escuridão tentadora tomar conta do seu ser.
Quando Hayley recuperou a consciência percebeu dois homens a arrastando por um piso de mármore. Eles a soltaram no chão e ela se sentou sobre as pernas, ainda fitando o chão. Seu vestido estava rasgado e sujo, havia perdido seus sapatos. Ela engoliu em seco enquanto tentava raciocinar. Devia ter conseguido chegar no território de outra matilha.
– Mikaelson, acabamos de encontra-la na floresta — um dos homens ao lado de Hayley disse.
Mikaelson. Ela havia invadido o território de outra matilha. Hayley lembrou-se vagamente do que seu pai havia dito sobre os Mikaelson. Mantinham tradições estranhas, não tinham um único alpha, eram reservados e antiquados, viviam em uma região montanhosa. Ela lembrou de que quando era criança havia pedido a seu pai que a levasse para conhecer as montanhas, ele teve que pedir autorização a um Mikaelson e ele negou.
– Essa hora da manhã e já encontraram problemas — uma voz masculina disse. Hayley levantou os olhos pela primeira vez.
A sua frente haviam três homens sentados em tronos, a observando com diferentes expressões. O da direita, que acabará de falar, era loiro e parecia irritado, semicerrava os olhos fazendo-a sentir medo. O da esquerda estava sorrindo, parecia se divertir com alguma coisa, era moreno e tinha olhos azuis vibrantes. Já o moreno que estava no meio dos três parecia o mais velho, ele mantinha uma expressão fria, uma incógnita.
– Ela disse alguma coisa? — o moreno do meio perguntou.
– Ela desmaiou assim que a encontramos.
– Ela não me parece oferecer perigo, Elijah — o jovem dos olhos azuis se pronunciou.
– É só uma invasora, cortemos o problema pela raiz — o loiro disse — Decapitem.
Hayley olhou para o loiro, chocada. Tentou ficar de pé, mas estava fraca demais.
– Não! — foi a única coisa que ela conseguiu dizer.
– Veja só, a menina fala — o homem a esquerda se divertia.
– Não seja tão radical Klaus, é só uma garotinha — um quarto elemento surgiu. Era uma mulher loira, parecia muito bonita para Hayley, mas sua visão estava turva. A mulher caminhou até Hayley e se abaixou em sua frente.
– Ela está machucada — ela disse, e passou os dedos pelo rosto de Hayley, tirando seu cabelo do rosto — Qual seu nome, menina?
– Hayley Marshall — a menina se segurava firme nos restos de força que haviam em seu corpo, a visão estava turva e ela se sentia prestes a desmaiar.
Alguma coisa na expressão da loira pareceu se iluminar.
– Ela é a menina que o Rusell roubou — ela afirmou.
Elijah se levantou para ver a menina mais de perto.
– Não é nosso problema — o outro moreno falou, sua expressão divertida havia se desfeito.
– Ela está fugindo do Rusell e agora está no nosso território, virou nosso problema. E está machucada, precisamos ajuda-la — Elijah disse em tom determinante.
– Vamos interroga-la — Klaus também se aproximou de Hayley.
– Não sejam estúpidos, ela mal consegue ficar de pé! — a loira disse num tom irritado — Me ajude a carrega-la, levem para meus aposentos — ela ordenou e um dos homens ao lado de Hayley a pegou no colo.
– Isso que dá aceitar mulheres no comando de uma alcateia — Klaus revirou os olhos.
No caminho para os aposentos a loira alarmava os empregados e dava ordens com urgência, quando o homem largou Hayley de pé no chão dentro do quarto, suas pernas fraquejaram e a loira a segurou antes que ela caísse.
– Pode ir agora — ela dispensou o guarda e ajudou Hayley a caminhar até outra porta. Era um banheiro enorme, duas empregadas estavam debruçadas sobre uma banheira, enchendo-a com água morna.
A loira virou Hayley de costas e começou a abrir seu vestido, a menina protestou.
– Tudo bem Hayley, pode confiar em mim — ela deu um sorriso doce.
– Qual seu nome? — Hayley fitou a loira, tentando ver por trás da nuvem de cansaço que cercava sua cabeça. Ela era alta, esguia e extremamente bonita. Tinha os mesmo olhos azuis de seu irmão moreno. Ela parecia bondosa.
– Rebekah — ela apertou a mão de Hayley, como se estivessem se apresentando formalmente — é melhor você entrar na banheira antes que a água esfrie.
Hayley permitiu que Rebekah abrisse seu vestido, e ela tirou as roupas intimas com dificuldade, seu corpo doía e protestava a cada movimento. Quando entrou na banheira e a água morna envolveu seu corpo, a menina quase soltou um gemido de prazer. Só então notou o quanto estava com frio anteriormente. Rebekah fitou seu corpo e seus olhos se encheram de água.
– Está tudo bem? — Hayley indagou quando percebeu que a loira chorava.
– Sim, sim. É só que eu vi seus machucados... Eu estou muito sensível por causa da gravidez — a loiro sorriu e limpou as lágrimas.
– Ah, meus parabéns! É seu primeiro? — Hayley sinceramente tentou sorrir, mas não tinha forças nem vontade.
– Terceiro — Rebekah riu da expressão surpresa de Hayley — Lobos, você sabe — as duas trocaram um olhar cúmplice, Rebekah ria e Hayley somente tentava.
– Foi Jackson que fez isso com você? — Rebekah tinha um tom de voz sombrio agora, apontou os hematomas que se espalhavam pelos braços e pelos lados do corpo de Hayley. A menina assentiu com a cabeça e abaixou os olhos para a água.
O silêncio dominou o ambiente por um longo tempo. Rebekah se encarregou de lavar os cabelos de Hayley cuidadosamente. Quando a água esfriou Hayley saiu da banheira e enrolaram uma toalha grande e felpuda em volta do seu corpo. Uma empregada mais velha, morena e baixinha entrou no quarto trazendo uma tigela com algo pastoso dentro.
– É para a menina. É bom para os ferimentos.
– Obrigada senhora Bennett — disse Rebekah.
Hayley soltou a toalha e a empregada passou a pasta em boa parte do seu corpo, massageando levemente. Ela fazia caretas de dor de vez ou outra. Depois Rebekah trouxe uma calcinha e uma camisola de tecido muito fino que Hayley vestiu. Rebekah a guiou até uma cama grande e confortável, onde Hayley deitou e adormeceu quase instantaneamente.
Rebekah esperou alguns minutos até ter certeza de que Hayley estava dormindo, então desceu de seus aposentos e foi até o escritório, onde os irmãos estavam.
– Como ela está? — Elijah perguntou assim que viu a irmã entrar.
– Tem vários hematomas, mas não tem nenhum osso quebrado. Ela está dormindo agora — Rebekah respondeu.
– Ela disse algo? — Klaus disse e se sentou na mesa ao lado de Elijah, onde já estavam os outros irmãos.
– Só confirmou que quem a bateu foi Jackson.
Os três homens ali quase rosnaram, Damon bateu o punho na mesa quando ouviu.
– Bater em mulheres. Os Rusell são mais canalhas do que eu imaginava — Elijah afirmou.
– Filho de uma puta — Damon completou.
Então a senhora Bennett entrou na sala.
– Ela está dormindo bem? — Rebekah a perguntou.
– A coitadinha chora e pede pelo pai enquanto dorme — a senhora parecia ter os olhos cheios de lágrimas.
Hayley acordou ouvindo várias vozes a sua volta. Ficou sentada na cama e quando se moveu não sentiu dores. Agradeceu em seus pensamentos a bendita senhora Bennett. Então olhou em volta e puxou os cobertores até o pescoço, pois usava uma camisola quase transparente. Os três irmão Mikaelson estavam dentro do quarto.
– Isso é totalmente sem fundamento, Klaus! — Rebekah esbravejou.
– Precisamos saber irmã — Elijah tentou explicar.
– O que está acontecendo? — Hayley perguntou, sua voz saiu fraca demais e ela se irritou com isso.
– Eles querem saber se você é virgem! — Rebekah cruzou os braços, bufando.
– E-eu sou... — Hayley disse e corou profundamente.
Elijah se aproximou e sentou na cama, olhando para Hayley. Era a primeira vez que ele via a garota com clareza e percebeu que a beleza dela era realmente encantadora. Seus cabelos pendiam em cachos desalinhados, sua boca carnuda e naturalmente vermelha o hipnotizou. Então notou os grandes olhos verdes da menina o fitando um pouco assustada e lembrou-se que devia falar algo.
– Princesa, não significa que nós não acreditemos em você.
– Mas precisamos ter certeza — Klaus completou, estava logo atrás de Elijah.
– Se nós dermos refugio a esposa de Jackson, isso seria considerado roubo e ele poderá declarar guerra contra nós com toda a razão — Elijah explicava, olhando dentro dos olhos de Hayley de uma forma que a garota achou hipnotizante. Mesmo sabendo que a situação era muito complicada, ele se mantinha calmo e acabava a mantendo também.
– Guerrear contra os Rusell por uma donzela será um prazer, mas por sua esposa não me parecer ter sentido — Damon disse e seus dois irmãos concordaram. Seu humor parecia ter voltado.
– Elijah, isso é um absurdo! É antiquado e uma falta de respeito com Hayley — Rebekah apelou para o irmão.
– Tudo bem Rebekah, eu não tenho nada a esconder — Hayley disse, estava envergonhada, mas mesmo assim se manteve firme.
Os três irmãos se afastaram da cama e cruzaram os braços sobre o peito.
– Peça para a parteira entrar, Senhora Bennett — Klaus pediu e assim foi feito. Uma senhora um tanto mal-encarada entrou pela porta e se aproximou de Hayley. Ela tentou ao máximo ignorar a presença dos homens ali para não ficar mais nervosa ainda.
– Vocês não vão sair do quarto? — Rebekah estava extremamente irritada.
– Nós ficamos — Damon disse, sem desgrudar os olhos de Hayley, assim como seus outros irmãos, mas ele era o menos discreto.
A parteira se aproximou e retirou os cobertores de Hayley, expondo seu corpo deitado na cama. A camisola cobria muito pouco de seu corpo, e a tecido fino emoldurava cada curva. Os irmãos a fitaram e depois trocaram olhares surpresos com a perfeição do corpo de Hayley. Era realmente o corpo de uma mulher, com seios fartos, coxas perfeitamente arredondadas e uma cintura fina. Damon juntou os lábios para soltar um assovio, mas Elijah lhe deu uma cotovelada nas costelas.
A parteira pressionou a base dos seios de Hayley com a ponta dos dedos. Os três irmãos observavam cada reação da garota, os olhos fervendo de luxuria, a corrente de calor de seus corpos pareciam fluir para o quarto inteiro. Hayley fitava o teto, descontou seu nervosismo nos lábios, os mordendo fervorosamente. A senhora começou a pressionar com a ponta dos dedos a barriga dela e a menina soltou um gemido de dor quando pressionou um de seus hematomas. Damon passou a língua nos lábios ao ouvir.
– É óbvio que ela não está gravida! Ela só esteve com ele por uma noite antes de fugir! — Rebekah berrou para a parteira que cerrou os olhos para ela.
– Só estou fazendo meu trabalho — a velha resmungou e abriu as pernas de Hayley com brusquidão.
Hayley fechou os olhos e os apertou, desejando desaparecer dali, seu rosto parecia queimar.
– Já basta — Elijah disse, com um olhar firme para a senhora — Se Hayley não fosse realmente virgem ela não teria a deixado ir tão longe — ele olhou para os irmãos e os dois assentiram.
A velha se afastou de Hayley, que suspirou aliviada. Damon balançou a cabeça, tentando afastar o calor que havia dominado seu corpo. Elijah e Klaus estavam no mesmo estado.
– Bem, nos desculpe por isso princesa — Damon lançou um ultimo olhar para o corpo de Hayley antes de ela se cobrir com os cobertores. Ela somente assentiu.
– Agora pode ter certeza que será protegida por nós, Jackson nunca mais tocará em você — Elijah falou olhando nos olhos da menina, lhe passando confiança.
– Me desculpe e boa noite — Klaus saiu e logo após os irmãos seguiram-lhe. Rebekah ainda parecia muito irritada, mas respirou fundo e se sentou na cama ocupando o lugar em que Elijah uma vez estivera.
– Eu sei que isso é ridículo, mas eles queriam ter certeza — Rebekah disse como quem pede desculpas e Hayley assentiu.
– Está com fome? — Rebekah perguntou e Hayley assentiu novamente, a loira sorrio para a menina, compreendendo sua falta de palavras — Vou pedir para trazerem algo aqui para você.
Os irmãos saíram do quarto e caminharam para o escritório em silencio, os três perturbados. Quando chegaram lá, Klaus finalmente rompeu o silêncio.
– É de se entender a obsessão de Jackson por ela.
– Ela é linda — Damon confirmou, sorria de modo bobo e seu pesamento ainda estava nos aposentos de Rebekah. Os três se sentaram em volta da mesa.
– Vocês já perceberam que se nos casarmos com ela, seremos donos de metade da Ilha dos Lobos? — Elijah disse e os irmãos começaram a se focar nele.
– O território dos Rusell fica entre o nosso e o dos Marshall — Damon observou.
– Basta derrubar o Russel e então três quartos da Ilha é nosso — um sorriso presunçoso de formou no rosto de Klaus enquanto ele falava.
– Vocês esqueceram o fator Hayley. Não podemos simplesmente toma-la como Jackson fez, ou quase fez, que seja. Temos caráter. — Elijah falou.
– Essa é a parte mais delicada — Damon suspirou — Ela está muito assustada, acabou de perder o pai. E ela nem conhece nossos costumes...
– Então matamos Jackson e depois ganhamos a confiança dela — Klaus falou num tom leve.
– Muito fácil, Senhor "Vamos Decapitar" — Elijah disse ironicamente e os três riram.
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