Notas iniciais
Então, olá.

Esse capítulo se encaixa em algum momento na segunda temporada, depois que o Barry apanha feio do Zoom, mas antes deles irem para a terra 2.
Todos os acontecimentos da primeira temporada aconteceram, exceto que Eddie não morreu e Jay e Caitlin não estão se pegando e espero que gostem :)

O mundo praticamente se transformara em cinzas ao redor dela.

Voando por todos os lados, formando finos montes embaixo de seus pés, deixando marcas em sua bochecha e testa, nos braços e pernas.

Barry a manteve protegida da explosão, ela e mais alguns outros, e depois de procurar por sobreviventes nos escombros por quase uma hora até que os paramédicos finalmente apareceram, dava para entender do porquê de tal terrível aparência.

Quando estão certos que todos os sobreviventes foram levados, a última ambulância seguindo pela rua principal, Barry corre com ela para longe, um parque distante e vazio, onde eles podem assistir as consequências da explosão. Daquela distância parece ser tão pequeno, tão insignificante, agora com a adrenalina lentamente deixando seu corpo é que ela começa a sentir as emoções de tal acontecimento.

Ela não ficara próxima de um perigo dessa nível desde a noite da explosão do acelerador de partículas e mesmo assim, ela nunca sentira o perigo com Cisco levando-a para longe da porta selada... Mas ali? Ela seguira Barry sem pestanejar, não tinham como suspeitar que algo daquela magnitude pudesse acontecer, o Jitters não era um alvo, nunca fora antes e olhe agora.

Explodido até o chão.

“Eu não fui rápido o suficiente.” Barry murmura, apoiando as mãos nos joelhos tentando recuperar o fôlego, enquanto o peso do mundo recaia em seus ombros.

“Barry não...” Ela começa, tropeçando ao dar um passo na direção do velocista e apoiando-se nele, enquanto ele a mantem firma com uma mão em sua cintura. “Não faça isso.”

“Pessoas se machucaram, Cait.” É claro a tristeza em sua voz por todas as injustiças no mundo, por todas as pessoas que ele não conseguira salvar. Ela entendia claramente, Eddie, Iris, Joe, Kendra, entre outros que estavam no local, todos eles estavam machucados, mas nenhum morrera e era isso que importava.

“Você não pode salvar a todos, Barry.” Ela dá de ombros. “. Você é um homem só e não deve carregar o peso do mundo, isso vai te destruir um dia.”

“Mas eu tenho... e-eu preciso.” Ele responde frustrado com a verdade nas palavras dela. Mas se ele fora escolhido com um dom daquele, era sua obrigação e dever salvar a todos e naquele dia ele falhara.

“Você tem que saber seus limites!” O tom de voz dela aumenta, talvez dessa forma ele ouça e entenda o significado de suas palavras. Que ele finalmente entenda que não é sua obrigação ser o herói o tempo todo, que Barry pare de arriscar sua vida todos os dias, para que ela possa viver sem o medo de ter que lidar com a possibilidade de nunca vê-lo novamente. “Quantas vezes eu, Joe, Cisco e Iris temos que repetir até que você finalmente ouça?”

Caitlin já cuidara de muitos arranhões, cortes e hematomas, já vira muitos scans de costelas quebradas e tivera que lidar com diversas feridas abertas para ignorar o quão pouco Barry se importa com sua própria vida em detrimento de outras. Ser médico pessoal de um herói descuidado nunca fora parte de seu trabalho, ela é uma bio engenheira, não alguém que precisa lidar com a barragem de emoções que vem ao ver alguém que se ama machucado ou a beira da morte.

E sim, amor, porque em algum momento daquela louca jornada, Caitlin Snow se apaixonara por esse teimoso, cabeça dura e o homem mais altruísta que já conhecera em toda sua vida.

Dando um passo para trás ela descarta seu salto quebrado, o outro seguindo o mesmo caminho. O chão duro incomoda seus pés e o frio começa a lhe tocar, mas nada que ela não consiga lidar depois de um dia como aquele. Nada que ela não conseguia lidar depois de tudo que acontecera nos últimos dias.

Caitlin ainda tinha pesadelos sobre Barry, machucado e ensanguentado depois da luta com Zoom, eram tantos machucados que por alguns segundos ficara paralisada sem saber o que fazer, por onde começar.

“Você quase morreu na última vez.” A voz dela falha, as lágrimas lutando para descerem por seu rosto. “E parece que não aprende, você não é invencível!”

O silêncio que se segue é inquietante e incômodo, como se as palavras estivessem fazendo efeito, mas Caitlin sabe decifrar Barry Allen como um livro, assim como o que ele não diz. Quando ele está correndo por ai como Flash, ele acredita que é invencível, acredita que arriscar sua vida é um pequeno preço a pagar se significa salvar de outras pessoas. Ronnie pensava a mesma coisa uma vez e olhe onde aquilo o levou, ela se tornara viúva.

“Eu não vou ficar sentada assistindo.” Ela fala firmemente ficando de costas para o velocista escarlate, as mãos fechadas com força. “Você quer se matar, ótimo, mas eu não vou ficar ali e assistir outra pessoa que eu me importo morrer.”

“Você iria embora?” Barry pergunta surpreso, notando o quão serio ela estava sendo.

“Eu estou exausta, Barry.” Ela sorri ironicamente. “Eu já perdi demais, tem uma hora que a gente chega no limite e eu estou no meu.”

Algumas semanas atrás, ela e Cisco estavam levando um inconsciente Barry para a cama hospitalar que eles mantinham no córtex, Harry estava à beira de um colapso nervoso sobre Zoom e Jessie e Cisco só sabia concertar tecnologia, então é claro que o peso de salvar a vida de Barry Allen caia sobre seus ombros. Sempre sobre seus ombros.

E ela estava cansada. Não iria mais assistir ele em situações arriscadas. Não depois de assistir Ronnie “morrer” uma primeira vez, se tornar FireStorm, para então morrer de uma vez por todas. Não depois de Barry se tornar alguém tão importante para ela.

“Se eu perdesse você...” Ela murmura fechando os olhos com força sabendo que Barry ainda poderia ouvir. “Por favor, não me faça descobrir.”

“Eu não sei como ser de outra forma.” Barry exclama, o tom de voz beirando ao desespero, dando alguns passos na direção dela, o cascalho quebrando sobre seus sapatos. Ele não está vestido com a roupa do Flash, ficou sem tempo para trocar na hora da explosão e ela prefere dessa forma, o rapaz por trás do super-herói. “Eu recebi esses poderes por alguma razão e eu não sei como usar de outra forma.”

“Eu não estou pedindo que você pare de ser o Flash.” Caitlin se vira ficando frente a frente com o rapaz. Sem seus saltos ele é bem mais alto que ela e seu rosto fica de frente com o suéter azul sujo com as cinzas.

Com o passar do tempo Barry se tornou alguém tão importante para ela, muito mais importante que o super-herói que ela tem que brigar porque ele não escuta! E muito mais que apenas um amigo. E é assustador sentir algo por uma pessoa que está disposta a arriscar a vida em qualquer situação de perigo sem pensar duas vezes.

“Eu estou pedindo que você volte vivo!” Ela deixa claro. “Se não por você, então pelo Joe e pela Iris. Pelo seu pai e por m...”

“Por você?” Barry continua quando segundos passam e ela permanece sem falar nada.

A resposta praticamente pula de um lado para o outro em sua mente. Como ela pode dizer isso? Como ela pode se deixar abrir e correr o risco de se machucar quando dá última vez ela quase não sobreviveu?

“Cait.” Barry acaba com todo o espaço entre os dois, uma mão fixa na cintura dela e outra subindo para o queixo fazendo-a encara-lo de uma vez por todas.

“Sim, por mim.”

Os olhos verdes dele não deixam os castanhos dela, mas a mão que segurava o queixo sobe para a bochecha, o dedo limpando a sujeira deixada pelas cinzas e uma lágrima solitária que escapara de seu olho. “Por você.” Ele também murmura, seu olhar recaindo sobre os lábios e não tem escapatória. Os dois estavam naquela dança por tempo demais.

Ela fica na ponta dos pés ignorando o cascalho sobre seus pés descalços e logo os lábios dele estão sobre os seus e o mundo ao seu redor desaparece. O que começa lento e hesitante, logo se transforma em um beijo que nenhum deles iriam esquecer tão cedo.

Ele a segura firme pela cintura e ela mantem as mãos nos cabelos já bagunçados, suas bocas se movendo quase desesperadamente uma contra a outra. Eles poderiam não ter certeza do que o futuro tinha reservado, mas se pelo menos tivessem um ao outro, tudo ficaria bem.

Notas finais
Então, o que acharam?

Essa eu não tenho uma data exata para atualizar, geralmente eu escrevo ones quando me vem a inspiração ou algo do tipo, maaaas se vocês quiserem me mandar prompts ou sugestões do que escrever, uma cena, uma situação, estou aceitando :)