I See You

8 Capítulo 8


Notas iniciais

— Meus olhos me enganam? — indagou o rei élfico com um imperceptível sorriso. — Dáin II Pé de Ferro… — exclamou lentamente, permitindo com que cada sílaba dançasse em sua boca. — o que o Rei Sob a Montanha faz em meu reino?

O anão se aproximou do trono onde o senhor da Floresta das Trevas se encontrava assentado de maneira prepotente. Dáin trocou olhares com Balin e Dwalin, que o acompanhavam não muito atrás.

— Procuro o rei deste lugar. — o ruivo disse ao olhar em volta. Thranduil ergueu uma das sobrancelhas, curioso. — Por acaso não o viu por ai, fadinha?

Dwalin riu e tossiu de maneira forçada logo em seguida, disfarçando seu deslize.

— Não é sábio de sua parte me ofender em minhas terras, naugrim. Pode se machucar… — Thranduil soou extremamente provocativo.

— Quero ver você tentar! — Dwalin se pôs em frente a seu rei, de modo protetor, e empunhou seu martelo.

Imediatamente os guardas próximos ao trono entraram em formação de defesa ao rei élfico, apontando suas armas douradas na direção dos anões. O Rei Sob a Montanha continuava firme enquanto seu capitão fitava os elfos de modo desafiador.

— Irmão… — Balin interveio ao se colocar entre o anão e o grupo de guardas. — contenha-se. Este é o reino deles, não o nosso.

— Ele ameaçou nosso rei! — Dwalin rebateu entredentes. — Este projeto de elfo ameaçou o nosso rei!

Sentado em seu trono, Thranduil não havia abandonado sua postura de indiferença e elegância. E não se perturbara nem um pouco com a mudança perigosamente repentina da situação, na verdade, aquilo apenas deixava tudo muito mais interessante.

— Oh, perdoe-me. Eu disse algo errado? — Thranduil indagou de modo cínico e zombeteiro. Seus olhos, antes fixados em Dwalin, se voltaram para o rei anão. — Prefere continuar se deslumbrando com a visão das armas de meus soldados apontadas para você e seus cães de guarda ou nós podemos ter finalmente uma conversa de rei para rei?

Dáin ponderou alguns segundos e então revirou os olhos.

— Dwalin — ele disse ao tocar o ombro de seu capitão. — abaixe o martelo. — o anão resistiu um pouco, voltando-se para seu soberano e fitando-o de forma contrariada. — Viemos em paz, lembra? Abaixe logo a porcaria do martelo!

O filho mais novo de Fundin bufou irritado, mas obedeceu. Os elfos logo recuaram e voltaram às suas posições originais, totalmente impecáveis.

— Perguntarei outra vez. — o loiro iniciou com as sobrancelhas franzidas. — O que o Rei Sob a Montanha faz em meu reino?

— Acredite se quiser, elfo, não estou aqui por minha vontade. — respondeu Dáin de forma rude. — Mas, dado às circunstâncias, vim para dizer-lhe que já é hora da aliança entre nossos povos ser refeita.

Thranduil riu debochado.

— Quem está indo roubar o tesouro da sua montanha desta vez? — o rei anão cruzou os braços, confuso. — Este é o único motivo plausível que justifique esta sua iniciativa. — ele fechou os olhos e tragou o ar de forma pesada. — Vocês anões são gananciosos e teimosos. Um bando de trogloditas. Porém, são espertos o suficiente para não fazerem nada sem algo em troca.

— Está nos chamando de interesseiros? — Dáin já estava irritado. — Ora, seu elfo burro! — Thranduil se ergueu de seu trono com a fúria explícita em suas feições. — Acha mesmo que esses matinhos podres, que você chama de floresta, ou os muros em volta dessa casinha, que você chama de palácio, e até mesmo esses senhores, ou senhoras, eu nunca soube distinguir — o anão não perderia a oportunidade de insultá-lo. — que você chama de guerreiros, vão resistir por muito tempo caso o seu reino seja confrontado? — Dáin massageou a barba ruiva com alguns fios brancos enquanto ria sarcástico. — Não seja ingênuo, fadinha!

O elfo cruzou as mãos atrás das costas, fitando-os de cima.

— Não tente me subjugar com os seus devaneios. — proferiu arrogante. — Isso não vai acontecer.

— Rei Thranduil — Balin tomou a palavra pacificamente. — as habilidades dos elfos de seu reino são conhecidas por toda a Terra Média.

Puxa saco… — Dwalin sussurrou debochado, recebendo um olhar de reprovação de seu soberano.

— O que quero dizer — o mais velho dos irmãos voltou a falar. — é que não podemos contar somente com a força de nossos braços, ter um aliado pode ser sempre de grande ajuda. — o anão meneou a cabeça. — Restabelecer a aliança conosco pode ser chamado de um ato de precaução recomendável.

Thranduil voltou a se sentar, estava verdadeiramente pensativo.

— E se um dia você nos chamar, não se preocupe. Ao contrário de você, nós honramos nossos juramentos e iremos respondê-lo… — proferiu o rei anão, pisando exatamente aonde ele sabia que iria doer.

O elfo cruzou as mãos em frente ao rosto, fitando Dáin com uma arrogância dilacerante e sendo correspondido com a mesma intensidade.

— Não preciso de sua ajuda, anão.

Rei anão. — corrigiu Dwalin, ríspido.

— Senhores, por favor… — Balin já estava impaciente.

Dáin bufou irritado.

— Não perderei mais nenhum segundo neste lugar. Se esta criatura — apontou para Thranduil. — não quer uma aliança com o nosso povo, eu não me humilharei para persuadi-lo.

O Rei Sob a Montanha o deu as costas e se retirou dali sendo acompanhado por Dwalin, este que sorria minimamente. Balin suspirou frustrado, fitando o rei élfico com profundidade.

— Está vendo…? Demorei semanas para convencê-lo. — o anão passou as mãos sobre o rosto cansado.

— O que você pretende com isso? — Thranduil indagou ao se levantar de seu trono e descer a curta escadaria.

Balin crispou os lábios, sua expressão agora era séria.

— Depois de tantos séculos, você não consegue reconhecer a paz quando ela lhe bate a porta? — ele contrapôs retoricamente. — É isso que pretendo, trazer a paz para nossos povos.

— Paz? — o loiro se aproximou e se pôs de frente para o anão, deixando em evidência a diferença entre as estaturas. Literalmente o fitando de cima. — A única coisa que sei é que paz é somente uma palavra qualquer, algo abstrato. — ele se afastou. — Volte com seu rei e seu irmão para Erebor, não há nada que me interesse nesta oferta.

Balin suspirou entristecido, mas nada respondeu. Ele assentiu rapidamente e se retirou ao mesmo tempo em que Luna se aproximava. Os dois se saudaram cordialmente quando avistaram um ao outro e assim o anão partiu em busca de seu rei e seu irmão.

A elfa fora avisada da visita do Rei Sob a Montanha e imediatamente seguiu em direção à Sala do Trono. Conhecendo o temperamento de seu senhor e seu desamor por anões, Luna resolveu intervir de alguma forma — lamentando o fato de ter chegado tarde demais.

— Majestade. — ela curvou a cabeça.

Ele não fez menção em fitá-la, antes permaneceu da mesma forma de quando Balin se retirara.

— O que quer? — Thranduil se limitou a perguntar, parecendo estar perdido em pensamentos. A chefe da guarda entreabriu os lábios, mas logo voltou a fechá-los. Tendo em vista as circunstâncias, sua presença agora era desnecessária.

— Fui informada da visita do Rei de Erebor em nossos domínios… — iniciou indiferente. — mas vejo que minha presença agora é dispensável. Com sua licença, meu rei. — ela inclinou a cabeça e fez menção em se retirar.

— Espere. — os olhos azulados de Luna se voltaram para Thranduil novamente. O mesmo a fitava por cima dos ombros.

— Meu senhor?

O rei passou a caminhar de um lado para o outro, sem se desfazer de sua calmaria.

— Retirem-se. — ele ordenou a seus guardas, estes que prontamente fizeram o que lhes foi dito.

A elfa os observou caminhar para longe com as sobrancelhas franzidas, de forma a evidenciar sua curiosidade. Ela dirigiu seu olhar novamente a seu rei — que continuava a andar de um lado para o outro, com os olhos fixos no chão.

— Majestade? — o mesmo parou abruptamente após seu chamado, retribuindo o olhar que era lançado para si.

— Dáin quer refazer a aliança. — disse sem rodeios.

A elfa piscou algumas vezes, disfarçando a surpresa que a notícia lhe causara.

— E qual a sua decisão?

— Neguei a oferta. — Thranduil respondeu ao dar de ombros. — Não estou disposto a me unir a anões, não mais.

— Mas, o que aconteceu exatamente? — Luna voltou a questionar. O rei então se aproximou de forma lenta, pondo-se à sua frente.

— Querem que refaçamos nossa aliança, simples assim — a fitou por longos segundos, olhando no fundo de suas íris azuladas. — e eu recusei. — finalizou para logo voltar a se afastar. Ele estava inquieto, o que não passou despercebido pela mesma.

— Não acho que seja algo ruim, meu senhor. — Luna iniciou ao ignorar o arrepio que sentira ao ser fitada daquela forma por seu soberano. — Na verdade, penso que seja uma boa proposta, algo muito bom para as duas partes.

— Anões são teimosos e grotescos. Não se pode ter um diálogo com nenhuma daquelas criaturas. — Thranduil cuspiu as palavras.

— Eles vieram até nós. — a elfa se mantinha neutra, quase tão indiferente quanto seu rei. — Se for questão de orgulho… – foi interrompida.

— Não se trata de orgulho, Luna. Se trata de princípios.

— Que tipos de princípios o impedem de aceitar uma proposta simples e que favoreceria dois povos? — ela indagou.

— Não tente me ensinar a governar meu reino. — ele foi ríspido e Luna riu de maneira suave, como se conversasse com uma criança demasiadamente mimada.

— Não estou tentando ensiná-lo absolutamente nada, meu rei. Mas, creio que não estaria me contando nada disso se não esperasse ouvir a minha humilde opinião. — o sorriso em seus lábios permanecia intacto enquanto seu senhor a fitava com os olhos cerrados.

Thranduil respirou profundamente e então voltou a se colocar diante de Luna.

— Considera o restabelecimento da aliança entre os dois povos algo positivo?

— Sinceramente, sim. — respondeu. — Não somente pelo fato dos riscos de ataque, já que teríamos a quem recorrer… — foi interrompida.

— Nunca vai acontecer. — o elfo afirmou convicto.

— Mas também — ela apenas continuou. — pelo fato de, particularmente, eu não concordar com o alimento da mágoa.

O rei élfico ergueu uma de suas sobrancelhas, intrigado.

— Está me dizendo que quer o restabelecimento da aliança não somente pelo fato de ser algo bom para os dois povos, mas também por não concordar com o costume de velhas mágoas? — sua voz soara mais rouca que o desejado enquanto seu olhar se escurecia, este fixado em Luna. — Não me faça rir.

— Meu senhor, se ambos fôssemos dirigidos pela mágoa creio que não toleraríamos a presença um do outro. — ela meneou a cabeça e Thranduil sorriu de canto, satírico. — Porém, somos serem racionais. Não devemos permitir com que as circunstâncias, por piores que sejam, nos influenciem. A mágoa é destrutiva, então devemos vencê-la para que ela não nos vença.

Após o término de sua fala, Luna se afastou e se sentiu incomodada pela forma com que seu soberano a fitava.

— Então essa é a sua opinião? — ouviu-o indagar.

— Sim.

— Acha mesmo que esta aliança fará bem ao nosso povo? — Thranduil voltou a questionar, dessa vez em um tom mais profundo.

— Sim, meu rei.

Fez-se silêncio por alguns minutos. A atmosfera pesada era quase palpável e a elfa já preparava algo para dizer quando o loiro se pronunciou:

— Que assim seja. — Luna voltou-se rapidamente para seu rei. Seus olhos evidenciavam sua surpresa. — Vá em busca de Dáin e peça-o para retornar com sua comitiva, tenho uma proposta que ele não poderá recusar.

A chefe da guarda nada respondeu, estava pasma demais para proferir qualquer palavra. Seu soberano havia realmente dado ouvidos à sua opinião?

Ela fez uma leve reverência e então caminhou para longe dali, indo de encontro ao Rei Sob a Montanha. Sua mente se resumia a um indescritível turbilhão e, a cada passo que dava, Luna concluía que talvez seu rei não fosse tão desprezível assim.

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— Você quer o quê? — o anão indagou.

— É um preço baixo a ser pago. — respondeu o elfo ao dar de ombros. — Creio que meras gemas não farão falta em seu grande estoque de preciosidades.

— Thrór não quis dá-las a você, assim como Thorin. — Dáin estreitou os olhos e deu um passo à frente. — Por que eu deveria fazê-lo, fadinha?

— Porque foi você quem veio aos meus domínios. — Thranduil o respondeu rispidamente. — Porque é você que quer restabelecer a aliança. — fez uma pausa e meneou a cabeça. — E porque eu as quero, de qualquer forma.

O rei anão riu alto e debochado.

— Para uma coisinha de aparência tão delicada você é muito corajoso, ou um completo tolo. — o ruivo admitiu, massageando sua barba longa.

— A persistência nunca deve ser considerada tolice. — o loiro retrucou e então fixou seus olhos em Luna, esta que se mantinha em silêncio. — São apenas negócios. — ele disse ao se voltar para Dáin.

— Bem… é justo! — Balin parecia satisfeito.

— Justo? — seu irmão se opôs. — Estamos pagando para que esse rei concorde em refazer a aliança que ele mesmo desonrou no passado! Onde está a justiça nisso tudo?

Luna meneou a cabeça em concordância e assim recebeu um olhar de reprovação vindo de seu soberano.

— Você, anão, transforma isto em uma tempestade violenta, como a de águas escuras que guerreiam entre si numa fúria incessante. — a expressão do elfo era de superioridade. — Justo ou não, é a minha condição. Vocês vieram até mim, não o contrário.

O Rei Sob a Montanha ponderou alguns segundos enquanto fitava Thranduil ameaçadoramente. Balin se aproximou de si e sussurrou:

— Dáin, as gemas não nos farão falta. Não é um preço alto a se pagar por algo que beneficiaria nosso povo, sem contar de que neste acordo um amigo a mais seria um inimigo a menos… — ele sugeriu ao balançar a cabeça discretamente na direção do rei da Floresta das Trevas.

— Hn… — resmungou o anão. — mesmo não gostando desta ideia, devo concordar. – também sussurrou para seu conselheiro.

O elfo respirava de forma pesada, um tanto impaciente. O olhar hostil de Dwalin pesava sobre si — não que o rei ao menos se importasse com isso. Luna continuava silenciosa, contentando-se em apenas assistir a cena. Certamente, ela não pôde deixar de achar a situação cômica.

O ódio mútuo entre os reis era quase palpável.

— Proponho um acordo. — a voz grave do rei anão ecoou pelo recinto, se espalhando por toda Sala do Trono. — Nos últimos dias, constantes discussões têm ocorrido entre os homens por conta da escolha de um líder para a Cidade de Valle. Ao que parece, Bard, o Matador do Dragão, não pretende se candidatar. Para evitar o pior, mantive guardas na cidade e até então pude controlar os arruaceiros que incitam as discordâncias. Mas, Erebor volta a se reerguer e eu não posso envolver o meu povo em assuntos dos homens, não há tempo para isso.

— Ainda não compreendo de que forma isto se relaciona a nossa aliança. — Thranduil disse ao erguer uma das sobrancelhas.

— Não se intrometa e me deixe continuar. — Dáin retrucou grosseiramente. — Como dizia, meu reino está se reerguendo e eu não tenho tempo de me envolver nos problemas dos homens, assim como não posso deixá-los se matarem. — o ruivo sorriu maroto. — E é aí que você entra. — o rei élfico contraiu as sobrancelhas, intrigado. — Eu lhe dou suas tão preciosas gemas, o que seria bom para você. Por sua vez, você envia um grupo de seus soldados para cuidar da segurança da Cidade de Valle até as coisas se acalmarem entre os homens, o que seria bom para mim. E assim refazemos a aliança entre nossos povos, o que seria bom para nós dois. — o anão sorria satisfeito com a própria ideia.

— O quê? — foi tudo o que Thranduil conseguiu proferir.

— Me parece uma boa ideia. — Dáin assumiu uma expressão de confusão.

— Na verdade, é sim. — comentou Balin.

— E você espera mesmo que nossos povos tenham uma convivência agradável estando, relativamente, próximos? — o loiro indagou com ironia.

O Rei Sob a Montanha assentiu em concordância, franzindo as sobrancelhas como se não tivesse pensado nesse ponto da questão.

— Se este for o caso, envie alguém que comande sua tropa e mantenha a paz, agindo de forma neutra entre os povos. — sugeriu Balin.

— Um capitão. — explanou Dwalin, desta vez, interessado.

O rei élfico estava perturbado, como se lutasse internamente, mas cuidou para que esta luta não ficasse em evidência. Ele mantinha uma postura ereta e sua expressão não poderia estar mais impassível.

— Posso escolher um líder… — iniciou calmamente, porém, foi cortado pela voz grave de Dáin.

— Não, nós escolheremos. — Thranduil o fitou com desdém, mas resolveu não se opor. — Meu reino, minhas regras. — ele foi inflexível. — Dwalin ficará responsável pela escolha. Meu capitão escolherá o seu.

O elfo outra vez fez menção em dizer algo, o que não adiantou já que voltou a ser interrompido por um dos naugrim. Luna sorriu disfarçadamente, ela havia gostado dos anões e sua total intrepidez.

— Já fiz a minha escolha. — Dwalin bateu o cabo de seu martelo no chão e o som ecoou pelo recinto, o que fez a elfa ter um leve sobressalto. — Eu quero ela.

Thranduil seguiu com o olhar a direção em que o dedo do anão estava erguido, parando, por fim, seus olhos em Luna. Esta mantinha uma expressão neutra, mas o rei sabia que ela estava tão surpresa quanto ele mesmo.

— Que assim seja. — confirmou Dáin com um sorriso de contentamento enquanto batia no ombro de seu capitão, tudo com a costumeira brutalidade dos anões. — Ela liderará as tropas élficas na Cidade de Valle e terá como dever manter a ordem entre anões, elfos e, claro, a segurança dos homens.

O rei da Floresta das Trevas o deu as costas, fazendo com que sua túnica se levantasse com o vento por conta da rapidez do ato. Sua expressão não poderia estar mais nublada.

— Bem, então acho que temos um acordo. — afirmou Balin, convicto e visivelmente satisfeito. — Finalmente, paz.

— Seus soldados e sua líder já podem voltar conosco se estiver tudo bem… — iniciou o rei anão e então foi a vez de Thranduil ser indelicado ao interrompê-lo:

— Não. — ele foi cortante, fazendo com que os pelos dos braços da elfa se eriçassem. Thranduil a fitou mas Luna não conseguiu enxergar nada nas íris de seu senhor que não fosse névoa ou escuridão. Percebendo o que acontecia, o mesmo se voltou para Dáin, cortando o contato visual com sua chefe da guarda. — Daqui a três dias eu e minha comitiva iremos à Erebor. Buscarei pessoalmente aquilo que me pertence e assim lhe concederei o que lhe é de direito no acordo. — o elfo inclinou a cabeça de maneira cordial.

Dáin e Dwalin não pareceram satisfeitos em suas expressões. Percebendo o novo entrave, Balin, em toda sua sabedoria, interveio:

— Façamos uma festa! — sugeriu. — A aliança entre dois povos foi refeita, isso cobra uma comemoração digna de reis! Três dias nos darão tempo suficiente para preparamos nossos salões. — ele fitou seu soberano, pedindo internamente que a teimosia de sua raça não prevalecesse naquele momento tão inoportuno.

Um silêncio desconfortante reinou no local. Os olhos da elfa se encontraram com os de Balin e logo voltaram a se fixar no ser de pequena estatura, mas com espírito de gigante.

— Tudo bem. — Dáin, por fim, concordou. O filho mais velho de Fundin suspirou aliviado e Luna sorriu minimamente. Já Dwalin apenas deu de ombros, não demonstrando prazer em estar naquela situação. — Sendo assim, creio que nossa negociação está encerrada. — concluiu o Rei Sob a Montanha ao massagear a barba. — Vejo-o em três dias, elfo.

Dáin o deu as costas e saiu a passos firmes, sendo seguido por seus companheiros — dentre os quais Balin foi o único a inclinar a cabeça respeitosamente para os dois elfos, sendo correspondido.

O som dos passos foi se tornando cada vez mais inaudível até desaparecer por completo. Thranduil subiu as curtas escadas e logo se assentou em seu trono, como de costume, cruzando as mãos em frente ao rosto. Luna e seu rei permaneceram em silêncio e a elfa chegou a entreabrir os lábios, mas não demorou a fechá-los. Se sentia intimidada pelo silêncio absoluto de seu rei.

Luna ergueu o rosto e passou a contemplar a expressão dele. Vazia, estava completamente vazia. Desprovida de todo e qualquer sentimento. E algo dentro de si se remexeu naquele momento.

— Refez a aliança somente por suas amadas gemas? — resolveu indagá-lo.

— Não estou aberto a críticas, Luna. Não me acuse com as suas, não neste momento. — ele proferiu de modo gélido. Seus olhos se encontravam fechados, como se meditasse profundamente.

— Longe de mim perturbar a sua paz, meu senhor. — ela retrucou com ironia ao fazer uma leve reverência. — Com sua licença, preciso preparar as tropas que servirão na Cidade de Valle. — Luna sorriu minimamente, mas não havia nenhuma felicidade em seus olhos. — Quem sabe por lá as coisas sejam… melhores.

A elfa se retirou rapidamente, com a leveza de um pássaro. O olhar profundo de seu soberano agora lhe pesava nas costas, mas ela não o fitou de volta.

Notas finais
Naugrim - Anão ... Beijocas! *-*