I See You

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Olá, leitoras! ♥ Aconteceram muitos imprevistos que nos levaram a todos esses acontecimentos! Pensamos e resolvemos repostá-la. Talvez não chegue aos tantos favoritos ou recomendações de antes, mas amamos tudo isso aqui! ♥ ♥ Boa leitura!

Ela caminhava a passos firmes e decididos, sabendo que não poderia fraquejar naquele momento crucial. Seus últimos dias haviam sido dedicados a tal decisão, e a elfa estava mais do que convicta de sua escolha — por mais ridiculamente emocional que pudesse parecer.

Seus pensamentos frenéticos e incontroláveis logo foram interrompidos e toda sua atenção foi voltada para o ser assentado imperiosamente sobre o trono de madeira esculpida.

Ela agora estava diante do rei.

— Algum problema, Tauriel? — sua voz imponente ecoou por toda Sala do Trono.

— Vossa Majestade — respirou fundo e continuou: — depois de tantos acontecimentos, tantas tragédias… nós sabemos que nada é como antes. — os olhos azuis e penetrantes do elfo a fitaram com um real interesse. O que ela estava tentando lhe dizer? — A excessiva perda de nossos parentes em Erebor entristeceu todo o reino, contudo — ela engoliu em seco. — o que de mim foi tirado naquele lugar é o que mais me dói. — Tauriel inclinou a cabeça, envergonhada pelo tom de embargo que sua voz tomara.

— Sua indelicadeza em me relembrar tamanha tragédia, assim, de supetão, é algo que vejo com maus olhos. — Thranduil respirou fundo. — Todavia, me compadeço de seu sofrimento. E o meu consolo, por mais austero e cruel que possa parecer, é dizê-la que todos nós sofremos perdas. É uma característica irrevogável da vida.

O olhar da elfa ganhou um brilho de desafio, mas ela se conteve.

— A questão, meu senhor, é que sou muito agradecida que tenha voltado atrás com sua palavra e me aceitado de volta. — exclamou e tomou coragem para completar. — Mas, neste momento, renuncio meu cargo de chefe da guarda real e elfa do reino da Floresta das Trevas.

Thranduil ergueu uma das sobrancelhas e levantou-se de seu trono.

— Estas são as palavras de uma criança tola que se entrega a dor da perda e é incapaz de colocar o próprio povo em primeiro lugar.

— Estas são as palavras de alguém que cumpriu com o dever com seu povo e, ainda assim, é consumida por lembranças que a corroem! — Tauriel se exaltou. — É pedir muito que meu senhor me liberte desta prisão que a solidão se tornou? Que me deixe ir e seguir o meu caminho?

O rei a fitou de cima e, após longos minutos em silêncio, voltou a se sentar.

— E acha que isso a ajudará a esquecê-lo? — ele questionou em um tom mais ameno, ainda que com leves pinceladas de sua costumeira acidez. — Que a salvará da prisão da solidão?

— Nunca saberei se não tentar. — a elfa estava convicta.

Thranduil a entendia, mesmo que se negasse a transparecer. E como fez com Legolas no dia em que se despediram no Morro do Corvo, ele inclinou a cabeça levemente e tocou o peito com a mão direita.

— Vá, e que você encontre a paz que procura. — Tauriel sorriu levemente e retribuiu aquele gesto que, apesar de simples, era repleto de significados. — Mas, antes de ir, escolha alguém apto a substituí-la. Um novo chefe para a minha guarda real. Esta é sua última tarefa.

— Eu o farei com sabedoria, meu senhor. — a elfa o respondeu ao fazer uma longa reverência, pois se sentia extremamente agradecida por ter sua partida abençoada. E após retomar a compostura, ela ergueu os olhos para fitá-lo uma última vez antes de se retirar. — Hannon le, aran nîn!

.o0o.

— Duvido que chegue mais rápido que eu, Annchir! — a elfa disse enquanto corria em direção aos portões do palácio. Sua risada suave e contagiante ecoava como música por entre as árvores negras e de aspecto sombrio, o que concedia o mínimo de encanto àquele cenário escuro e sem vida.

O loiro ia bem em seu encalço e, por poucos segundos, ele finalmente conseguiu ultrapassá-la. Contudo, seus esforços se mostraram insignificantes quando a leveza nos pés de sua irmã gêmea a fez vitoriosa.

— Isso não é justo, eu merecia ganhar desta vez. — Annchir murmurou com irritação quando ambos chegaram às bordas do palácio.

— No dia em que se esforçar ao máximo, não somente para me vencer mas também para realmente aumentar suas capacidades, então merecerá ganhar. — Luna o respondeu com sua paciência habitual. Sendo a mais velha, ela se via no dever de suportar as extravagâncias do ego de seu irmão.

Apesar de serem gêmeos, ambos eram diferentes em muitos aspectos. Porém, dentre todos, a aparência era o mais evidente.

Annchir tinha cabelos claros como o sol e olhos cor de jade, olhos extremamente vivos e sagazes, como os das temíveis serpentes aladas de outrora. Sua pele era pálida e, diferente de seus parentes, ele não era tão elevado em estatura. Mas era peculiarmente belo, apesar de tudo, e seu porte honrava a memória de seus antepassados.

Já Luna possuía longos cabelos negros, exatamente como o céu em noites sem estrelas, e seus olhos eram de um azul esplêndido e vibrante, tão claros quanto as águas nervosas de Belegaer. Ela era a guardiã das fronteiras do reino e, ao contrário de seu irmão, era alta e de postura firme — o que evidenciava seu espírito guerreiro.

— Amanhã o resultado será diferente! — Annchir dizia enquanto caminhavam. — Recomendo que se prepare, pois amanhã vou finalmente vencê-la!

Luna revirou os olhos e não evitou um sorriso de canto.

— Em certos assuntos, como em falta de senso, você já me venceu, irmãozinho. — ela o respondeu e o ouviu bufar.

— Eu gostaria de, ao menos uma vez, encontrá-los em um momento de paz. — Tauriel se pronunciou após eliminar a distância que os separava. Os dois fizeram uma leve reverência e ela continuou: — Luna, quero falar com você — se direcionou a elfa e então se voltou para o irmão desta. — a sós.

Annchir pareceu contrariado, mas não ousou protestar. Ele assentiu levemente, se curvou e então se retirou.

— Algum problema, minha senhora? — Luna questionou com curiosidade. — Creio que queira falar sobre a constante passagem de humanos pela floresta. A notícia da retomada dos anões sobre Erebor já está espalhada, muitos se atrevem a entrar em nosso reino para irem em busca da montanha e suas riquezas.

A ruiva suspirou.

— Não é sobre isso que venho falar. — ela exclamou e então fitou a outra elfa profundamente. — Abdiquei do cargo e estou partindo da Floresta das Trevas. O rei abençoou minha partida e, como último dever, pediu-me para deixar alguém apto em meu lugar.

Luna piscou algumas vezes. Sua expressão era serena, mas ela estava confusa. Após ser iluminada pela compreensão, seus lábios se entreabriram e as emoções que a preenchiam se tornaram explícitas em suas feições delicadas.

— Senhora?

— Quero que você fique em meu lugar, que lidere a guarda real e que proteja o reino. — a voz de Tauriel era firme e decidida. Ela sabia exatamente a quem estava fazendo seu pedido e também sabia que não iria se decepcionar.

Luna assentiu e não conseguiu conter o pequeno sorriso que se formou em seus lábios.

— Como desejar. Prometo não falhar em meu dever. — ela exclamou ao se inclinar respeitosamente e a ruiva, com gratidão, a imitou. — E para onde vai? — os olhos azuis de Luna fitavam os verdes de Tauriel com curiosidade.

— Para muito além da floresta, onde o vento do norte me levar! — ela respondeu com suavidade e recebeu um olhar gentil. — Bem, é melhor eu ir. — tocou o ombro de Luna e suspirou levemente. — Seja forte pelo nosso povo, e seja paciente com o nosso rei. — disse em tom de despedida.

— Eu serei, minha senhora.

— Não precisa me chamar assim, você é a chefe da guarda agora, não eu. — Tauriel sorriu ao ver a expressão de espanto da outra elfa. Ela inclinou a cabeça e se preparou para se se retirar. — Boa sorte, minha senhora.

A ruiva lhe deu as costas enquanto desejava internamente que tudo desse certo, que seu reino e seu povo prosperassem ainda mais e que seus caminhos voltassem a brilhar como outrora.

Para ela, estava na hora de uma nova jornada. Bem longe dos limites da Floresta das Trevas!

.o0o.

— O que Tauriel queria? — foi questionada assim que Annchir a avistou.

— Logo saberá. — Luna se limitou a responder. Já imaginava o que viria se contasse as novas ao irmão caçula, então preferiu retardar este momento ao máximo.

— Dizem que ela irá embora… — ele mencionou, forçando desinteresse. — será verdade?

A elfa deu de ombros, dando o assunto por encerrado.

— Como estão os preparativos para a festa desta noite? Ouvi dizer que será a comemoração mais linda que toda Terra Média já contemplou! — ela disse casualmente, tentando mudar o rumo da conversa.

Foi a vez do loiro dar de ombros.

— Ainda não entendi a verdadeira razão para tudo isso. De qualquer forma, não me importa. — ele respondeu ao fitar a irmã com um ar entediado. — Estarei de vigília esta noite.

— Não seja estraga prazer, Annchir…

.o0o.

Alguns pássaros voavam pelo salão enquanto o som de harpas e flautas preenchia o ambiente. Os súditos sorriam, outros conversavam; tudo em perfeita paz, como sempre.

— Minha dama, onde está seu irmão? — Cúvaethor, um arqueiro da guarda real, questionou quando se aproximou de onde Luna se encontrava.

— De vigília. — ela se limitou a responder. Estava concentrada demais observando a beleza do lugar para dá-lo qualquer gota de sua atenção. O loiro a fitou por vários segundos, ainda esperando que falasse algo, mas acabou desistindo.

Luna Ela era cobiçada, além de ser uma guerreira excepcional era dona de uma beleza admirável. Por conta de sua descendência, suas características eram raras entre os elfos silvestres.

— Eu… — Cúvaethor iniciou, mas um dos guardas se aproximou e o interrompeu.

— Senhora, Sua Majestade, o rei Thranduil, solicita sua presença na Sala do Trono. — ele fez uma reverência e se retirou.

A elfa entreabriu os lábios e suspirou, já imaginado o que a esperava. Ela fitou Cúvaethor rapidamente, em uma despedida muda, e então seguiu rumo ao local mencionado.

Enquanto caminhava, Luna pensava no que seu senhor lhe diria. Jamais trocara uma palavra com o soberano ou sequer o fitara diretamente. Não poderia vacilar, deveria agir de maneira calma e firme, assim ele teria certeza de que sua guarda estaria em mãos confiáveis.

Ela havia feito uma promessa a Tauriel, e jamais voltava atrás com sua palavra.

Notas finais
Hannon le, aran nîn - Obrigado, meu rei ... Postaremos todos os dias! Abraços! :)