I See You
36 Capítulo 36
Notas iniciais
Parecia uma sala vazia, escura e gelada.
Ela estava de pé, mas não existia chão sob seus pés. Estava vestida, mas sentia como se o próprio inverno a envolvesse. Tinha consciência, mas não havia vida.
Uma ardência no ponto entre sua barriga e o peito a incomodou e a fez levar sua mão até o local, mas, ela não encontrou nenhuma espécie de ferimento e finalmente percebeu que suas vestes eram simplórias e estavam totalmente limpas. Sem nenhum vestígio do sangue que a cobria, como em sua última memória.
Luna franziu o cenho, confusa.
Se aquele era o vazio da morte, por que seu espírito não estava nos Salões de Mandos?
Aos poucos, o incômodo do ferimento que ela não via em si se intensificou a tal ponto de fazê-la gritar, como se revivesse o fatídico momento. A dor a que seu corpo físico havia sido sujeito retornou, em toda sua miséria, e então a elfa percebeu que tudo ao redor se tornava consistente.
Ela viu formas e distinguiu cores, para logo ser sugada pelo que parecia um buraco negro e sufocante. Uma vontade desesperadora de respirar a abateu e Luna rapidamente foi jogada em um mar escuro de pontos policromáticos, onde uma poderosa luz — no final do caminho de estrelas — a puxava para si em uma velocidade inimaginável.
A elfa sentia como se contemplasse as maravilhas do universo, vendo os segredos do mundo se desdobrarem diante de seus olhos como rolos de tecidos se abrem sobre uma longa mesa. Os vários caminhos que se revelavam embaixo de si pareciam entradas para outras dimensões, outras possibilidades… mas, ela continuou sendo puxada para o final de tudo aquilo.
Uma música invadiu todo aquele cenário espetacular e inimaginável, e sua beleza era extraordinária demais para ser descrita em palavras. Luna jurou ter visto o momento, agora passado, em que os Ainur cantaram os temas dados por Eru e criaram a magnífica Ainulindalë.
Ela desejou nunca mais sair dali, desejou continuar escutando o belo cântico para toda a eternidade, pois, era uma sensação maravilhosa e indescritível. Por conta disso, Luna relutou durante o resto caminho, lutando insistentemente contra a poderosa força que continuava empurrando-a para o final da estrada de estrelas.
Uma voz ecoou como alarido e sobrepujou todos os outros sons, falando palavras incompreensíveis repetidas vezes e preenchendo a áurea de Luna com algo que ela não saberia descrever.
A elfa teve sua vista ofuscada pela magnífica luz à sua frente e por isso colocou uma das mãos sobre o rosto, na tentativa de minimizar os efeitos do brilho extraordinário.
E tudo em seguida voltou a ser escuridão.
…
Luna abriu os olhos de uma única vez para logo voltar a fechá-los, isso por conta da claridade que invadia o recinto e agredia suas vistas. Ela respirou fundo e repetiu o processo, mas agora sua típica ansiedade estava sendo milimetricamente moderada.
Um suave aroma de hortelã invadiu suas narinas e a fez voltar o rosto para a cabeceira ao lado da cama, onde a elfa avistou uma pequena e delicada xícara. Uma fumaça espessa subia da bebida fumegante e denotava o grau de seu calor, mas o cheiro adocicado parecia revigorá-la por inteiro.
Luna ouviu um estalo em sua cabeça e finalmente se deu conta de que estava acomodada nos aposentos do rei.
— Minha senhora! — uma elfa se aproximou com ares de preocupação. — Por favor, não faça esforço. Seu corpo está debilitado e o ferimento ainda precisa fechar. — a serva se curvou sobre a cama, tocando a fronte de Luna para checar se ela ainda tinha febre.
— Nós vencemos? — foi a primeira pergunta que lhe veio a cabeça.
A loira diante de si ponderou alguns minutos, estando em dúvida se devia ou não falar sobre a batalha.
— Sim, vencemos. — ela acabou confirmando.
— E onde está Thranduil?
A serva permaneceu em silêncio enquanto ajeitava as cobertas sobre Luna e, com uma exímia gentileza, proferiu:
— Deve descansar…
Ela posicionou a mão livre atrás da cabeça de sua senhora e a ergueu suavemente, oferecendo-a o líquido com aroma de hortelã que vinha de dentro da xícara. Relutante, a chefe da guarda aceitou bebê-lo e então voltou a deitar a cabeça sobre os travesseiros.
A serva se inclinou de maneira respeitosa e, por fim, se retirou.
Luna se viu sozinha com seus pensamentos e percebeu que não se lembrava de muito, apenas de alguns momentos do que acontecera antes de cair dentro do vazio. A visão turva do rei élfico e de seu irmão preenchia o vácuo em suas memórias, porém, não sanava suas dúvidas sobre o que havia acontecido depois.
Ela parecia ter acabado de fechar os olhos, ainda no campo de batalha, quando tornou a abri-los nos aposentos do rei.
E ele, onde estaria?
Seus olhos voltavam a pesar e Luna logo retornou para o vazio de sua mente, mas, não antes de se arrepender de ter aceito beber o líquido que lhe fora dado.
.o0o.
A sensação de estar caindo a invadiu e a elfa abriu os olhos de súbito, com espanto. Ela fez menção em se sentar, contudo, a mão em um de seus ombros a impediu.
— Volte a se deitar. — Thranduil estava sentado a seu lado.
— Meu senhor…
— Como se sente? — ele a interrompeu. Sua face se encontrava inexpressiva e Luna via explicitamente os músculos retraídos sob suas vestes nobres.
— Estou bem. — considerando que poderia estar pior, aquilo não era propriamente uma mentira.
Thranduil percebeu e sorriu de canto.
— Eu vejo a dor na face.
Luna suspirou.
— Este ferimento um dia vai sarar e a agonia vai embora. — ela fez uma pausa. — Todavia, alguns machucados vão tão fundo que se tornam eternos.
O elfo não respondeu de imediato, apenas continuou em silêncio enquanto observava os olhos dela serem destacados pela palidez em sua face.
— Você precisa descansar… — ele foi interrompido.
— Já descansei demais.
— Uma semana é muito pouco para mim. — a chefe da guarda arregalou levemente os olhos.
— Uma semana?
— Descanse. — o rei fez menção em se por de pé, mas uma das mãos de Luna rodeou seu pulso e o impediu. Ele voltou os olhos para o local e depois os redirecionou a ela. — Qual o problema desta vez?
— Onde está meu irmão? — Thranduil torceu o lábio com aborrecimento. Ele já esperava por aquela pergunta, só não tão cedo.
— O corpo foi posto no túmulo de seu pai, achei que seria apropriado. — se limitou a responder. — De qualquer forma, não pense nisso agora. Terá bastante tempo para resolver tais assuntos quando se sentir verdadeiramente melhor. — aconselhou.
Em meio aos sentimentos confusos que a sondavam, Luna percebeu que Thranduil permanecia alheio, como se procurasse se desviar dela ao falar apenas o necessário.
A elfa sentia certa hesitação de sua parte, e aquilo a causou dúvida.
— Há algo errado. — ela afirmou.
— Você poderia estar morta.
— Não estou.
— Poderia. — ele retrucou entredentes. — Se Mithrandir não tivesse chegado a tempo de fazer algo… — seu semblante comumente apático se transformou em uma expressão pesarosa enquanto todo o cansaço das noites em que não conseguira dormir, se garantindo de que Luna estava respirando, viesse à tona. — A sua teimosia quase a extinguiu do mundo. — Thranduil voltou a falar e seu tom era seco, quase acusatório. Ele baixou os olhos e logo tornou a erguê-los, mas na direção de um ponto qualquer. — Não ouse fazer isso de novo.
— Ainda me surpreendo por achar que eu vá obedecê-lo. — a chefe da guarda se sentou sobre a cama, indiferente ao olhar reprovador que recebeu por se sujeitar a tamanho esforço. Sua frase fora dita com uma ponta de divertimento, apenas para amenizar a tensão que se deitara sobre os dois.
Thranduil bufou e meneou a cabeça negativamente, ele não via nenhuma graça naquela situação.
Seus olhos frios e impassíveis analisaram a face pálida e abatida de Luna, observando que os cabelos dela desciam como ondas por seus ombros e terminavam calidamente sobre o colchão macio. Ele não deixou de notar seu colo exposto pelo tecido fino e feio, considerando aquilo um trapo medíocre que apenas se passava por um vestido.
Luna ruborizou pela forma como era fitada, e então ergueu o lençol parcialmente para esconder seu corpo machucado.
— Ordenarei que tragam um vestido devido a uma elfa da sua patente. — ele soou com indiferença, mesmo que um imperceptível sorriso emoldurasse seus lábios diante da vergonha desnecessária de Luna.
— Quero falar… — ela iniciou com relutância. — falar sobre o que conversamos antes da batalha. — engoliu em seco.
Thranduil franziu o cenho e remexeu os ombros para cessar o formigamento naquela área. Ele sabia que não poderiam fugir do assunto por muito tempo, o que não minimizava sua inevitável ansiedade.
— Não retiro nada do que lhe disse. — suas pedras azuladas pareciam o oceano, cheio de segredos e mistérios ávidos a serem desvendados.
Luna baixou o olhar, sem jeito.
— Confesso que fui tola e até grosseira. — respirou fundo. — Estava confusa e não fiz bom uso de nossa única oportunidade em… — ele a interrompeu.
— Explicações são desnecessárias, eu sempre compreendi os seus motivos.
— Não — Luna se apressou em dizer. — eu quero, digo, eu desejo que saiba que o perdoo. Seja lá o que sente por mim é indesejado pelo senhor e por este motivo fez o que fez, e agora eu entendo. — ela sorriu de maneira triste. — Não anseio viver uma eternidade nutrindo sentimentos corrosivos, vi até onde isso levou meu irmão e não pretendo seguir o mesmo caminho. — Luna confessou entre um suspiro. — Quero somente viver em paz. Então, por favor, vamos deixar o passado no passado.
Eles voltaram ao silêncio enquanto o olhar do rei permanecia sobre a elfa, e este era profundo e avassalador. Ele fez menção em erguer a mão em sua direção, mas Luna instintivamente recuou. Por conta disso, Thranduil se deteve por um segundo, contudo, acabou realizando sua vontade ao retirar a mecha de cabelo que caía sobre o rosto dela, recolocando-o calmamente atrás de sua orelha.
Luna baixou o olhar ao sentir os dedos frios do soberano a tocarem com tanta gentileza, mas logo voltou a erguê-lo para fitar Thranduil com curiosidade. Ele havia descido a carícia por sua face e agora massageava seu pescoço, como se lamentasse profundamente por cada arroxeado que marcava sua pele macia e leitosa.
— O que está fazendo? — ela questionou num sussurro, mas foi ignorada.
A chefe da guarda soltou o lençol, que ainda cobria seu corpo, e repousou sua mão sobre o peito de Thranduil — impedindo-o de qualquer movimento para se aproximar.
Os olhos do senhor da Floresta das Trevas caíram para a mão da elfa, que os separava, e rapidamente tornaram a fitá-la. Em um movimento rápido, ele apenas empurrou o empecilho para o lado e impulsionou o próprio corpo para mais perto do dela, tomando cuidado para não machucá-la.
Thranduil permaneceu assim por longos minutos, apenas a analisando.
— O que você faz comigo, Luna? — seu tom de voz era recheado por algo que ela não soube classificar. — É poderoso, eu sinto… — ele fechou os olhos e aspirou seu perfume. — nunca mais ouse morrer.
— Eu não faço promessas que não posso cumprir. — a elfa sentia um frio em sua barriga e um calor passou a invadir seu corpo por tê-lo tão perto.
— Eu quero beijá-la… quero tocá-la… — o rei sussurrou com sinceridade, massageando sua face e fitando cada traço de seu rosto como se mirasse o extraordinário. — você está viva! — ele pronunciou extasiado, mas, ainda assim, baixo como um murmúrio. — Está aqui!
Luna suspirou e o fitou nos olhos. A distância entre os dois era mínima e ambos podiam sentir a respiração quente um do outro.
— Você não faz nenhum sentido… — ela retrucou com um meio sorriso.
— Eu a amo. Ardentemente. — Thranduil exclamou de uma única vez, sentindo as palavras escorregarem de sua boca como mel. — E isso, faz algum sentindo para você?
Luna sentiu seu corpo estremecer e piscou algumas vezes, esperando que assim pudesse recobrar a lucidez e ter a certeza de que não havia ficado completamente louca.
— Não, não faz. — ela se viu obrigada a dizer.
As íris de ambos faiscavam, mas não havia nenhum sinal de ódio. Era algo muito mais significante, muito mais forte e infinitamente superior.
— Não posso ser mais claro do que isso.
— Eu acredito. — Luna mordeu o lábio com a desconfiança explícita em seus olhos. Ela sempre o fitava daquela maneira quando duvidava de suas intenções. — Você está completamente louco, Thranduil…
— Inegável. — ele concordou, sem qualquer sombra de receio. — Contudo, acredito que as melhores pessoas sejam assim.
— Mas eu não acredito que tenha encontrado uma classificação para o que sente com tanta rapidez. — a elfa contrapôs, estando atenta a cada movimento seu.
— Você quer uma declaração emocionada? Palavras bonitas e amorosas? — ele sorriu com cinismo enquanto voltava a se aproximar bruscamente, contendo as tentativas rígidas de Luna em afastá-lo.
Sua respiração quente e ritmada batia contra o ouvido dela.
— No mínimo… — a voz da elfa parecia um fio e seus olhos semicerrados denotavam sua entrega.
— Eu não sou assim, você sabe disso. — Thranduil aspirou o perfume dela mais uma vez, sentindo uma onda elétrica subir por sua espinha. E em sua nada humilde opinião, palavras eram insuficientes para descrever o que ele sentia naquele momento. — Eu a amo, Luna — exclamou. — e isso me basta.
O elfo capturou seus lábios com uma paixão arrebatadora, como se daquela forma pudesse transformá-los em um só. Assim ela ficaria segura para toda a eternidade, assim nunca partiria, nunca o deixaria.
Luna cessou o beijo e recostou sua fronte à dele. O porte arrogante e orgulhoso de Thranduil ainda estava lá — ambos evidenciados pelos ombros largos e postura imperante — contudo, seus olhos mostravam uma sinceridade tão cálida que ela quase sorriu.
— Eu sou apenas uma elfa da floresta.
O rei sorriu de canto.
— Se sente inferior a mim? — ele não perderia a oportunidade de provocá-la.
— Por que me sentiria inferior a um ser desprezível como você? — ela revidou.
Thranduil voltou a tomar seus lábios, desta vez, um tanto furioso. Suas línguas brigavam por controle e nenhum dos dois estava disposto a ceder. Após alguns minutos naquele carinho controverso, ele interrompeu o beijo e a fitou nos olhos.
— Dê-me uma razão para começar de novo! — seu hálito quente batia contra o de Luna enquanto ele segurava seu rosto com as duas mãos. — Você já mudou a minha vida simplesmente por estar aqui, o meu último resquício de luz!
— Achei que fosse a sua noite, que representasse a escuridão…
— Eu estive desorientado em meus tantos pensamentos, interpretei a mim mesmo de uma maneira errônea e a culpei desmerecidamente. Todavia, tudo agora é claro para meus olhos. — Thranduil sorriu um sorriso vívido, puro e sem reservas. — Luna, a noite maligna estava dentro de mim. E tão sublime quanto a própria Isil, você foi a luz que rompeu a minha escuridão!
A chefe da guarda sentiu seus olhos marejarem e seu coração passou a bater acelerado. Algo transbordava em seu peito, como se curasse todas as dores e cicatrizasse suas feridas.
— Você disse; sem declarações e palavras amorosas. — ela satirizou e o fez revirar os olhos, o que não passou de um gracejo de ambas as partes. Após alguns segundos, Luna roçou seus lábios nos dele. — A minha razão me diz para afastá-lo, mas o meu coração insiste em acreditar no que você me diz.
Thranduil pensou em comentar o que ela havia declarado antes de desacordar no campo de batalha — já que evidentemente não se lembrava — porém, ele não desejava impeli-la a nada.
Luna deveria redescobrir aquilo sozinha.
— A sua razão enxerga a minha sinceridade, e você sabe que não tem mais motivos para duvidar de mim. — ele sentia seu sangue circular enlouquecido em todas as veias de seu corpo. Tê-la ali, depois de tanto tempo, era como voltar a respirar.
— Pense, Thranduil. — Luna estava temerosa. — Este é o nosso último resquício de lucidez ou a gota definitiva para que o cálice de nossa loucura transborde?
— Real! É apenas real, Luna! — o soberano temia se acomodar sobre ela e acabar machucando–a. Todos os músculos de seu corpo protestavam para tocá-la, mas ele refreava esta vontade. — Você disse que deveríamos deixar o passado no passado, não disse? — fez uma pausa. — Eu a quero aqui, comigo.
Mesmo soando como exclamação, aquilo era uma súplica. Luna viu o desespero por debaixo das simples palavras e o abraçou da forma que pôde, pois a posição não a favorecia.
— Como posso amar estando coberta pela sombra do medo? Como posso viver sobre o fio desta espada? Ah, tudo já é tão difícil para nós! — um sorriso imperceptível moldou os lábios do rei e ele acariciou seus cabelos negros com ternura. — Entretanto, de alguma maneira, sinto todas as dúvidas indo embora. Thranduil… — Luna ergueu o olhar. — eu também o amo!
E aquilo foi o ponto final, o suficiente para que uma onda eletrizante percorresse o corpo do elfo. Não era nada relacionado a mera lascívia ou erotismo, era algo imaculado, uma sensação que apenas o verdadeiro amor poderia proporcionar.
Por sua vez, Luna sabia que Thranduil não era o seu ideal de amor, na verdade, ele estava muito distante de qualquer utopia que ela pudesse ter com relação a sentimentalismos. Contudo, ideais não constroem histórias verdadeiras. E apesar de soar extremamente contraditório, Luna compreendia que todas as dores sentidas durante aquele longo caminho foram necessárias para que o seu pequeno conto se tornasse real.
Do seu próprio jeito, o estranho amor dos dois se moldou e se transformou em algo tão palpável e ardente quanto o sol que se erguia pela manhã.
Os minutos passavam aos montes enquanto eles ainda se entreolhavam em silêncio, ambos emoldurados naquela pintura que o tempo guardaria para si como se fosse um tesouro precioso. Não havia pressa, a excelsa eternidade — serva de sua própria natureza — os aguardava pacientemente.
A elfa não sentia vontade em sair dali, nos braços de Thranduil ela se sentia segura, se sentia em paz. Todo o caos do lado de fora se tornou irrelevante, pois, ele estava consigo. E apesar de seus defeitos — inúmeros defeitos — Luna sabia quem o elfo verdadeiramente era por detrás de toda a áurea orgulhosa e antipática. Ela conhecia cada uma de suas imperfeições, cada traço de suas cicatrizes e, agora, enxergava muito além de suas máscaras.
Ela finalmente o enxergara.
— Você ainda precisa descansar — Thranduil murmurou calmamente enquanto erguia a mão para tocar a face dela. — teve febre a noite inteira. — ele esperou mais uma pouco e então se levantou, sem dá-la qualquer chance de impedi-lo.
A chefe da guarda sorriu de canto.
Thranduil caminhou até um dos cantos do aposento e se demorou à frente de uma pequena mesa de mogno entalhado. Quando retornou, ele trazia consigo a joia de Luna em suas mãos, carregando-a cuidadosamente.
— Nos delírios causados pela febre você a mencionou, por isso pedi que a buscassem em seus aposentos. Supus que a faria bem ter algo de sua família por perto. — o elfo exclamou ao voltar a se sentar a seu lado, erguendo o colar de diamante em sua direção.
As íris azuladas de Luna o fitaram por um instante e então ela fechou suas mãos sobre a palma de rei, empurrando-a de volta suavemente.
— Não. — ele ergueu uma de suas sobrancelhas, confuso. — Ela é sua! Silmalótë é muito importante para mim, é a representação do meu espírito. — a elfa sorria gentilmente. — É uma troca; você me deu o seu coração, e agora eu lhe dou o meu.
O rei da Floresta das Trevas fechou a mão e trouxe Silmalótë para perto de seu peito, aceitando aquele presente extremamente precioso. Ele devolveu o sorriso de Luna e então a beijou sem aviso prévio, rodeando-a com seus braços e pressionando seus lábios contra os dela.
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