I See You
21 Capítulo 21
Notas iniciais
A partir de que ponto a razão é perdida para que a loucura governe?
Aquela era uma das perguntas que sondavam seus pensamentos em um ciclo inevitavelmente vicioso, e nada, nos últimos dias, conseguia lhe perturbar com tanto sucesso quanto as palavras contidas naquela simples e astuta questão.
O que estava fazendo? Pelo que estava fazendo?
O elfo já não conseguia se lembrar de seus tempos de glória, tempos onde suas preocupações limitavam-se unicamente a seu povo. E como uma provocação silenciosa e cruel de sua própria mente, ele voltava com uma constância miserável ao início de sua fatídica desventura.
Qual fora seu primeiro pensamento?
Sabia que havia sido algo extremamente rápido e espontâneo, e sua própria incapacidade em detê-lo ainda conseguia fazer seu sangue borbulhar a ponto de queimá-lo por dentro. Fora, talvez, o único segundo em que nada pareceu-lhe suspeito, sem qualquer ar de desgraça.
Doce inocência.
Sim, se ele ao menos desconfiasse de que a partir dali seria sujeito a tais situações teria usado de sua astúcia para evitar os acontecimentos posteriores àquele momento, afinal, qualquer coisa seria válida para anular as circunstâncias que teria de suportar.
Malditos olhos!
De um azul tão claro e puro quanto o mais limpo céu de verão, de uma beleza tão cálida e grosseira que somente pela mera lembrança tencionava os músculos de seu corpo. Tudo por sua ânsia em revê-la, em tocá-la, sentir seu perfume suave… e aquilo o perturbava dia e noite.
Você não passa de um sopro, uma sombra débil e obtusa…
O loiro permitiu com que um sorriso se formasse no canto de seus lábios, um sorriso de puro escárnio e deboche para a memória inesperada e torturante que mais uma vez preenchia seus pensamentos sem a sua permissão.
As palavras são armas invencíveis, e o elfo reverenciava a própria habilidade em manuseá-las.
Havia sido tão fácil afastar e ferir Luna, tão simples. E ela o retribuíra, como ele havia previsto, tudo em um ato espontâneo de autoproteção. A elfa era forte e seu orgulho tão grande e profundo quanto o do rei, mas aquilo a transformava em um ser previsível, estupidamente previsível.
Ele voltou a endurecer sua expressão.
Se Luna ao menos suspeitasse de seus motivos não o julgaria com tanto afinco por suas palavras que nada mais foram do que um meio de distanciá-la. Julgar é sempre o caminho mais fácil, porém, não há vontade em se dispor a fazer algo melhor.
Negava, negava e por séculos negaria o que, como um tumulto incessante, ensurdecia seus pensamentos.
Se ele tivesse o poder de retornar no tempo teria negado a Tauriel o direito de partir ou teria pensado duas vezes antes de ordená-la que escolhesse um sucessor. Muita tristeza e amargura teria sido evitada se tudo tivesse sido diferente, mas a realidade — ainda que insuportavelmente cruel — estava diante de seus olhos e era nela em que ele deveria se concentrar.
— Vossa Majestade, logo estaremos em Valle. — ouviu Nathrini comunicá-lo após este passar a cavalgar a seu lado.
Thranduil respirou fundo e fitou o caminho que ainda deveria percorrer, enquadrando aquela simples visão em todos os sentidos de sua vida. Ele já havia ido longe demais para arrependimentos e tal postura não fazia parte de sua personalidade. Não voltaria a traz e, aonde quer que aquilo terminasse, estava disposto a arriscar tudo.
O rei da Floresta das Trevas, indiscutivelmente, não estava acostumado a perder.
.o0o.
Alguns homens bebiam apoiados ao balcão e mulheres conversavam enquanto serviam as mesas do recinto. O arqueiro, por sua vez, ergueu os olhos preguiçosamente e passou a observar a visível tranquilidade dos presentes com um incômodo explícito.
— Ler sua expressão não é um trabalho muito difícil, meu amigo. — Bëor se aproximou e então sentou a seu lado.
— Alguém aqui leva a sério o que está acontecendo, ou melhor, o que está prestes a acontecer? — ele indagou antes de dar uma golada demorada na bebida em seu copo.
O ancião o fitou em silêncio por alguns minutos.
— Esta certamente não foi uma das suas melhores frases, mas tem um fundo de verdade. — satirizou. — Os ventos trouxeram-me a notícia da vinda de um dos capitães do rei Thranduil, e também o rumo nada agradável do diálogo.
— Vento é um termo gentil tratando-se de uma tempestade. Só espero que Elros não tenha acrescentado nenhuma situação ao que realmente aconteceu. — Bard riu com sarcasmo.
— Graças aos céus que não ou eu teria de aturar a imaginação fértil de nosso querido amigo. Elros incluiria uma luta sangrenta entre elfos e homens e como ele, com seu coração destemido, finalizou o impasse! — Bëor gargalhou alto, mas se frustrou com a áurea abatida do antigo barqueiro.
Um barulho foi ouvido do lado de fora do estabelecimento e o som de ferraduras batendo contra o chão preencheu o ambiente. Os olhos castanhos de Bard repousaram sobre a figura de Luna cavalgando pelas ruas de pedra, completamente alheia a si.
— A beleza pode ser uma fiel aliada ou uma inimiga cruel, não acha? — Bëor comentou enquanto também assistia a elfa sumir de suas vistas ao cavalgar para longe.
— Todas as mulheres deste recinto são belas o suficiente para me tentar, mas meu coração não se inclina a algo tão superficial. — o arqueiro o fitou de esguelha. — Vai muito mais além. — ele deu um último gole em sua bebida e então bateu o copo vazio contra a mesa.
— O amor ainda vai matá-lo, está mesmo disposto a pagar este preço?
— Morrer por amor é desistir de lutar por ele, é se dar por vencido. É uma desculpa para fraquejar diante dos obstáculos enquanto se proclama uma honra que, na verdade, não existe. — Bard passou uma das mãos sobre o rosto e suspirou. — Então, não. Não estou disposto a pagar este preço. Conviver com minha dor é mais heroico do que simplesmente desistir e apelar para a morte.
— Bem, depende de qual das inúmeras variações de amor estamos falando. — o mais velho ironizou na tentativa de ganhar um sorriso do amigo.
— Você me entendeu.
Bëor riu e se deu por vencido, a expressão apática de Bard demonstrava sua irremediável amargura.
— Não vai desistir dela, não é?
— Não. — o arqueiro engoliu em seco. — Contudo, também não posso forçá-la a me amar. Que soe como tolice, eu não me importo, mas estarei sempre aqui, esperando-a.
O ancião olhou em volta, curioso.
— Não exatamente aqui, não é? — se referiu ao recinto. — Porque este lugar é um péssimo local para se esperar, a bebida daqui é assombrosa! — ele brincou e finalmente conseguiu arrancar um sorriso de Bard.
— Você me entendeu.
.o0o.
Ela desceu de sua montaria e então adentrou a hospedaria dos elfos, tudo enquanto ignorava os apelos de seu conselheiro.
— Minha senhora, escute-me, por favor! Ficar nesta cidade significa afrontar diretamente nosso rei, os soldados não podem pagar o preço de nossa desobediência! — ele argumentava em seu encalce.
— Chega, Lúthian. A responsabilidade está sobre minhas costas, uma vez que sou a autora de todo o ocorrido, então pare de se preocupar ou ao menos me poupe da sua histeria.
— A senhora bem sabe que Sua Majestade não interpretará a situação desta forma, e todos nós pagaremos muito caro por isso! — Luna se voltou abruptamente e se não fosse pelo esplêndido reflexo eles teriam esbarrado um no outro.
— Eu compreendo a natureza de todo este discurso, então não pense que consegue me enganar. Você não se importa com nenhum dos soldados, apenas deseja salvar a sua própria pele da fúria de nosso soberano. — ela se preparou para se retirar. — Se for perspicaz, como eu penso que é, não voltará a me perturbar com protestos ou julgamentos. Acredite, posso aprender a ser muito pior do que Thranduil. — finalizou com rispidez e então o deu as costas.
Luna usara seu dia para patrulhar os arredores da cidade, pois notícias de que Orcs sondavam os limites ao sul da montanha chegavam constantemente a seus ouvidos e a deixavam demasiadamente inquieta. Mesmo Dáin tendo-a assegurado de que estava cuidando de tudo, ela não conseguia deixar de se sentir responsável pela segurança das pessoas de Valle.
Um estranho pressentimento invadiu seu coração e quase a fez dar meia volta para fazer ao menos uma última ronda, mas a elfa desistiu. Ela sabia que estava sendo obsessiva em relação a seu dever e tratou de refrear suas emoções.
Ao deixar tais pensamentos de lado, a elfa caminhou pela hospedaria, subiu uma leva de escadas e logo avistou a porta da sala de reuniões. Quando finalmente adentrou o recinto, ela encontrou Argon lendo algo com bastante atenção e então indagou:
— Algum problema?
— Pedi que fizessem uma contagem de nossos soldados e a mesma não bate com o número que trouxemos para cá. — ele lhe dirigiu um olhar preocupado. — Estão desaparecidos!
Luna o fitou com seriedade.
— Dê-me isto! — ela pediu e logo foi atendida, mas não poderia ter se sentido mais confusa ao ver que as informações contidas ali apenas confirmavam o que o conselheiro havia dito. — Faça um levantamento mais específico, os soldados não podem ter simplesmente sumido. Nós iremos encontrá-los.
— Minha senhora, já estamos aqui contra a vontade de nosso rei e agora nossos irmãos começam a desaparecer. Isto é um sinal de que devemos voltar para nosso reino! — Argon tentou argumentou. — Sei que a última palavra lhe pertence, e eu respeito isso, mas não está fazendo uso dela com tanta sabedoria quanto deveria.
— E como acha que eu deveria fazer uso do poder de minha palavra? — Luna indagou com irritação. — É capaz de ter um pouco de fé antes de se encolher pelo medo? Todos nós devemos sempre recorrer a proteção das asas do rei da Floresta das Trevas?
— Tudo o que quero é retornar para minha terra e reencontrar a minha família, assim como todos os outros soldados!
— Isto é apenas uma missão e não um exílio.
— As opiniões se dividem quanto a isto, e nem preciso mencionar o fato de que agora estamos aqui contra a vontade de nosso soberano. Até mesmo o mais fiel de seus subordinados questiona sua sabedoria em relação a dirigir esta tropa.
Luna se calou no mesmo instante, sem qualquer direito de discordar da opinião de seu conselheiro. Afinal, o que ela estava fazendo?
Naquele exato momento a elfa percebeu que suas últimas decisões nada mais eram do que o reflexo de sua alma marcada pela mágoa que sentia de Thranduil. E agora, sendo a pior inimiga de si mesma, ela estava perdendo o respeito daqueles a quem havia jurado guiar com a mais pura sabedoria.
— Minha senhora? — Argon a chamou após perceber que havia alcançado sua consciência. Seus olhos castanhos refletiram a luz que vinha do lado de fora da janela entreaberta e ele continuou: — Está na hora de voltarmos para casa, Valle não precisa de nós. Não há nada aqui que eles não possam fazer sozinhos.
Luna sentia como se houvesse acordado na beirada de um abismo, um abismo aonde se afogaria em um mar profundo e indomável de ódio e tristeza, o mesmo onde seu irmão se afogara. Aquilo a fez perceber que as coisas não deveriam ser assim, ela não deveria permitir com que fossem assim. Seu caráter estava muito distante daquilo, e agora Luna se lembrava de quem realmente era.
— Você tem razão. — a elfa dirigiu um olhar compassivo a Argon. — Mande uma equipe em busca de nossos soldados desaparecidos e, assim que os encontrarem, voltaremos para a Floresta das Trevas. Como o rei ordenou.
O conselheiro sorriu abertamente.
— Hannon le, Luna! — ele se inclinou em agradecimento e a chefe da guarda apenas retribuiu a cortesia. — Bem, creio que agora… — sua fala foi interrompida por um som ensurdecedor que veio do lado de fora.
Argon se dirigiu rapidamente até a janela mais próxima e quase desvaneceu pelo horror que seus olhos passaram a contemplar.
— Minha senhora — sua voz soara pesada e aturdida quando ele voltou seus olhos para fitá-la. — são as tropas de nosso reino, elas estão ateando fogo em Valle!
Abalada com o que ouvira, Luna saiu às pressas do recinto e Argon ia em seu encalce.
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— O QUE PENSAM QUE ESTÃO FAZENDO? — a voz dela era abafada pelos gritos das pessoas que corriam em meio às chamas, todas sendo consumidas pelo ardor mortal.
Luna sentiu Argon puxá-la rapidamente para livrá-la de uma flecha flamejante que teria transpassado seu corpo.
— PELOS CÉUS, CUIDADO! — ele alertou.
A elfa fitava a cena totalmente horrorizada, e seus olhos banhados por lágrimas não conseguiam acreditar no que viam.
— Como ele pôde? — sussurrou para si mesma.
Seus pensamentos caóticos foram interrompidos quando ela ouviu o som do corpo de Argon ser atingido e lançado ao chão. Elros tentava golpeá-lo com a espada enquanto o elfo, que havia se levantado rapidamente, desviava dele sem fazer menção em revidar seus ataques.
— ELROS, PARE! — o conselheiro rugiu e ergueu a mão para que Luna não se aproximasse, mas aquilo quase o fez ser atingido.
— TRAIDORES! BASTARDOS! — ele desferia os golpes enquanto os atacava com suas ofensas. — MINHA CIDADE ESTÁ QUEIMANDO, MEU POVO ESTÁ MORRENDO! CONFIAMOS EM VOCÊS, TODOS NÓS!
O cansaço logo o atingiu e ele cambaleou. Seu rosto sujo e com resquícios de sangue tornava seu semblante pesado e assustador, mas os elfos sabiam que tudo era causado por sua desolação.
Após a pausa em seu ataque de fúria, Elros ergueu os olhos e fitou Luna ameaçadoramente.
— Você… — ele ergueu a espada na direção da elfa. — você disse que nos ajudaria, nos prometeu! Agora olhe, olhe o que o seu povo nos trouxe! Apenas mais desgraça e destruição! Sua meretriz! Traidora! — o homem se aproximou rapidamente e sua intenção era visível quando ele ergueu a espada com determinação. Porém, antes que a atingisse, caiu desacordado.
Argon o abateu com um golpe certeiro.
— Ele vai dormir um pouco. — exclamou com a respiração acelerada. — A senhora está bem?
Luna ainda estava aterrorizada com o que acontecia, mas não havia tempo para colocar suas emoções em ordem.
— Vamos, nós precisamos ajudar o povo! — ela disse e assim ambos seguiram para as vias principais da cidade, estas que se encontravam repletas de destroços das casas em chamas.
No meio do caminho, eles encontraram soldados da Floresta das Trevas lutando contra os homens de Valle.
— E agora? — Argon indagou com desespero.
O que fazer?
O que fazer?
O que fazer?
Ela estava travada. Deveria lutar contra o próprio povo ou contra aqueles que jurou proteger? Sangue, havia sangue por todos os lados! Homens caídos, elfos feridos… era tudo tão triste, tão enjoativo. Ela sentiu seu estômago se revirar e sua mente dar voltas.
Como ele pôde? Como pôde fazer aquilo? Como?
— LUNA! — Argon esbravejou após segurar seus ombros com força. Mais de um homem caia sem vida e ele estava sendo consumido pela aflição em não saber qual atitude tomar. — O QUE VAMOS FAZER?
Ambos sabiam que não havia outra alternativa.
— Vamos lutar. — ela se desprendeu das mãos dele e desembainhou sua espada para seguir na direção do conflito.
Os soldados derrotavam os homens de maneira rápida e quase indolor, era visível em suas expressões o desacordo com aquela chacina. Contudo, eles haviam recebido suas ordens, e os elfos da Floresta das Trevas preferiam morrer a desobedecer seu soberano.
Seus semblantes entristecidos se iluminaram minimamente quando Luna apareceu, mas logo assumiram certa confusão quando perceberam que ela não lutaria ao lado deles. Por sua vez, a chefe da guarda havia decidido que não os mataria, mas também não permitiria que ferissem o povo de Valle.
— Suas honras foram deixadas para trás, senhores? — ela proferiu com rispidez quando se pôs à frente do grupo de homens, estes que ficaram surpresos ao vê-la protegê-los. Logo Argon se pôs a seu lado e, ainda mais do que antes, seus conterrâneos se alarmaram.
— Minha dama — um deles se manifestou. — devemos destruir a cidade e exterminar todo aquele que mostrar resistência, mesmo que seja de nosso povo. Então, por favor, peço que abaixe sua espada. Não queremos feri-la. — ele alertou.
— Me ferir? — Luna indagou com ironia. — Se me render significa permitir com que este massacre continue, então prefiro ser tratada como um deles e assim receber o mesmo destino que ao povo de Valle foi decretado.
— Esta é a sua última palavra? – o elfo voltou a questionar. Em resposta, Luna apertou firmemente o cabo de sua espada enquanto o fitava de modo superior. Os soldados estavam receosos em confrontá-la, afinal, ela era a chefe da guarda real. Mas, no fim, nenhum deles tinha outra escolha. — Be iest lîn.
Os elfos começaram a avançar em direção ao pequeno grupo e Luna e Argon se entreolharam rapidamente.
— Não tenham medo! — ela exclamou para os homens atrás de si antes do impacto das espadas ser ouvido e a luta iniciada.
Luna investia contra os soldados firmemente enquanto Argon lutava a seu lado e protegia sua retaguarda. Os golpes de ambos os elfos eram certeiros e as lâminas dançavam em suas mãos, pois tanto a experiência quanto a sede de justiça os guiava naquela luta de irmãos contra irmãos. Muita determinação foi vista no entrave dos magníficos imortais, mas não demorou até que o último soldado élfico caísse derrotado diante de Argon e Luna.
Os homens atrás de si comemoraram a vitória.
— Não é hora para felicidade, a batalha ainda não acabou! — o conselheiro retorquiu e então sua postura enrijeceu. — Elros… — o homem se aproximou com uma das mãos sobre a cabeça enquanto fitava a todos com uma expressão que mesclava dor e surpresa.
— Espero que agora acredite em nossa lealdade. — Luna tomou a palavra de forma rígida. — E da próxima vez que me chamar de meretriz ou traidora… — ela estreitou os olhos e ergueu a espada. — não serei tão complacente.
Dando-lhes as costas, a elfa partiu para longe do grupo.
— Ela não teria coragem… — Elros sussurrou para si mesmo e logo sentiu uma mão tocar seu ombro.
— Eu não duvidaria se fosse você. — Argon alertou enquanto fitava os elfos desacordados para frisar o exemplo. Sem mais nenhuma palavra, ele seguiu sua senhora e foi acompanhado pelo grupo de homens.
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— Onde está o resto do povo? — o conselheiro questionou em um sussurro ao mesmo tempo em que observava os soldados da tropa élfica atearem fogo nas casas da cidade.
— Assim que o exército de elfos se aproximou pelo sul, evidentemente pronto para um ataque, Bëor liderou parte do povo para a montanha o mais depressa que pôde. — Elros o respondeu. — Foi tudo rápido demais e por isso apenas alguns conseguiram se refugiar em Erebor, os que restaram foram… — ele fez uma pausa, abalado pela emoção. — foram atingidos pelo grupo frontal de arqueiros. Em um piscar de olhos uma chuva de flechas luminosas preencheu o céu e logo tudo era apenas fogo… e morte.
— Dáin organizou o exército de anões o mais rápido que conseguiu para buscar os sobreviventes e expulsar os elfos, mas mestre Bëor não permitiu com que o rei arriscasse seus soldados. Em um caso mais sério, as forças dos filhos de Dúrin deveriam se manter intactas para que não fossem exterminados. — um dos homens se pronunciou.
— Eu reuni esses homens e alguns outros cujas vidas os soldados de Thranduil já ceifaram. Liderei todos a procura de sobreviventes e também para combatermos o quanto pudéssemos. No entanto, confesso que estaríamos todos mortos caso vocês não tivessem nos ajudado. — Luna sabia que aquilo era o mais próximo de um agradecimento que Elros chegaria.
— E o rei? — ela indagou com os olhos nublados.
— O maldito não foi visto, seu exército foi liderado por… — Elros foi interrompido.
O som do trotar de cavalos preencheu o ambiente e eles logo foram cercados por um grupo de soldados da Floresta das Trevas, estes que apontaram as armas na direção dos homens e elfos.
— Ora, ora, ora… — o loiro dizia tudo pausadamente, com a satisfação estampada em cada letra. — parece que encontrei quem tanto procurava. — fitou Luna.
Continua...
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