I See You
18 Capítulo 18
Notas iniciais
A brisa da manhã batia contra seus cabelos levemente cacheados e deixava sua expressão preocupada em evidência. Ele não desviara sua atenção da entrada da cidade desde o alvorecer, a espera de Luna.
— Até quando pretende permanecer aqui? — indagou Bëor, disfarçando seu divertimento.
Bard franziu o cenho e voltou sua atenção para o ancião.
— A noite não demorará a chegar e ela ainda não retornou ou sequer enviou notícias. Temo que algo tenha acontecido… — respondeu inquieto.
— Levando em consideração a quem nos referimos, você não deveria se preocupar. Mesmo com suas belas e delicadas características, Luna é suficientemente capaz de se proteger diante de qualquer perigo. — Bëor deu de ombros. — Se não o conhecesse desde seu nascimento diria que a Dama da Floresta conquistou não somente o seu respeito, mas também algo muito mais precioso…
Bard desviou seus olhos para o chão e balançou a cabeça negativamente.
— Há uma eternidade entre nós que não pode ser preenchida, meu amigo. Uma escuridão que nenhuma luz pode romper, somente Aquele que um dia a fez reinar. — ele fez uma pausa. — Dos Fírimar eu sou, dos Quendi ela é. Seu calor acendeu e a sua luz me atraiu, mas jamais poderei tocá-la. Como velas e mariposas…
Eles permaneceram em silêncio por um tempo.
— Isto me soa tão triste, e também um tanto negativo para alguém que teve coragem de enfrentar um dragão. — o ancião sorriu de maneira suave e tocou um dos ombros do homem a seu lado. — Não tenha medo do que lhe trará felicidade, filho. Lute por aquilo que o seu coração anceia, não fuja por se considerar desmerecedor. Tenha coragem!
Os olhos castanhos do arqueiro o fitaram com gentileza.
— Obrigado! — ele exclamou e retribuiu o toque no ombro de Bëor.
— De qualquer forma, estou indo ao encontro de Elros e Húrin. Temos assuntos importantes a discutir… — fez menção em se retirar, mas se voltou outra vez para Bard. — pode vir, se quiser.
O arqueiro ponderou, estava indeciso entre permanecer à espera da elfa ou acompanhar o amigo.
— Tudo bem. — acabou aceitando.
Bard se pôs ao lado do outro, porém, antes que pudessem se afastar o suficiente, eles ouviram o som de pedras sendo esmagadas por passos duros e pesados pelo cansaço. Ambos se voltaram para trás e avistaram a líder dos elfos se aproximar de Valle, ainda distante.
— Luna? — o arqueiro comprimiu os olhos para ter certeza do que via e passou a caminhar na direção da elfa. Não ouvindo resposta, ele apressou seu passo e logo se viu correndo na direção dela, estando cada vez mais próximo da figura abatida.
Antes que ela desabasse por completo os braços acolhedores de Bard a seguraram de forma protetora e ambos caíram sentados sobre o chão rochoso. Ele procurou seu olhar azulado, este escondido pelas pálpebras fortemente fechadas, e entreabriu os lábios diante de sua completa confusão.
De maneira suave, tudo por estar temeroso em vê-la desfazer-se mediante a seus toques, Bard repousou a cabeça de Luna contra seu peito e não demorou até se sentir ser molhado por lágrimas silenciosas.
— O que aconteceu? — o arqueiro sussurrava para ela, não escondendo sua preocupação em vê-la chorar. — Luna… fale comigo, por favor!
Os dedos finos agarraram-se a seu casaco e o seguraram com desespero e aquilo o fez apertá-la ainda mais contra si, angustiado.
— BËOR! — Bard gritou impaciente. — BËOR! — olhou-o por cima dos ombros, repudiando sua demora.
O ancião, por sua vez, aproximava-se o mais rápido que suas pernas cansadas conseguiam. Se agachando com dificuldade ao lado do antigo barqueiro, ele fitou a elfa com preocupação.
— Pelos céus, o que houve? — indagou imediatamente.
— Não sei. — Bard respondeu e tomou Luna em seus braços para se colocar de pé. — Vá para a cidade e convoque o povo para a praça principal. Diga que é urgente e debata algum assunto, qualquer assunto. A levarei até a minha casa. — ele baixou os olhos, franzindo o cenho suavemente ao observar cada traço daquela face de expressão frágil. — Suponho que ela não desejaria que alguém a visse neste estado…
O ancião não lhe respondeu, apenas virou os calcanhares e partiu no mesmo instante para cumprir o pedido do arqueiro.
— Tudo vai ficar bem… — Bard sussurrou suavemente para o rosto pálido de Luna.
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— Papai? — Sigrid questionou assim que abriu a porta. A jovem não poderia estar mais surpresa. — O que está acontecendo? — deu passagem para que o homem entrasse com a elfa em seus braços.
— Onde está o seu irmão? — Bard indagou rapidamente.
— Mestre Bëor veio pedir que ele o ajudasse a convocar o povo, por isso a rua está deserta. — ela respondia ao mesmo tempo em que se atrapalhava com as palavras. — Mas, pai… o que está acontecendo? — voltou a indagar enquanto o seguia pelo corredor.
— Abra para mim! — Bard se referia a porta do próprio quarto e Sigrid obedeceu. Ele adentrou o recinto apressadamente e então depositou o corpo inerte de Luna com delicadeza sobre a cama. — Tranque as janelas e feche as cortinas!
A garota fazia como lhe era ordenado, completamente inquieta quanto aos motivos do mais velho em relação àquilo.
— Papai? — a voz de Tilda soou da porta e a confusão era evidente em suas feições infantis. — O que ela tem?
— Sigrid! — o arqueiro exclamou e a mesma logo se dirigiu a irmã.
— Querida, venha… — ela chamou e ambas se retiraram.
Agora sozinho, o homem se sentiu livre para suspirar profundamente, na tentativa de organizar os pensamentos. Ele se agachou ao lado da elfa de maneira cansada e a fitou fixamente, observando seu rosto rosado e marcado pelas lágrimas que ela havia derramado.
— Luna… — chamou-a em um tom baixo, quase inaudível. — Pode me ouvir? — seus olhos permaneciam fechados e sua respiração agora era calma e suave.
Adormecera.
Não querendo perturbá-la, Bard resolveu se retirar. Quando estivesse bem-disposta conversariam e, com sorte, ela lhe contaria o que havia acontecido.
Acariciando seus cabelos negros e levemente desalinhados, o homem depositou um beijo cálido em sua fronte para logo depois colar sua testa à dela, tentando conter a crescente aflição em seu coração.
— Durma bem! — ele exclamou e se ergueu outra vez, se retirando do quarto sorrateiramente.
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…
O sopro de ar seco lhe agredia violentamente e os grãos de areia, que se levantavam do chão, arranhavam sua face. Em um ato de proteção e até desespero, ele colocou uma das mãos em frente ao rosto enquanto caminhava de encontro a um destino desconhecido.
No mesmo instante em que saíra das terras do rei sentira vontade de voltar, pois o gosto amargo da solidão inundou sua existência e o fez pensar em sua bela irmã. Sim, ele pensou em Luna o encarando com suas íris da cor do topázio azulado cheias de compaixão e felicidade.
Mas Annchir não retrocederia, tinha ido longe demais para desistir tão facilmente.
Ele era um elfo silvestre, da Casa dos Teleri. Sua avó era uma sindar e o pai de seu pai era um dos Altos-Elfos, da Casa dos Noldor, e o sangue nobre do Oeste também corria em suas veias.
Não desonraria seus ancestrais acovardando-se perante o desconhecido.
Uma chama ardia dentro de si e consumia aos poucos tudo aquilo que poderia ser considerado bom. Esta mesma chama mantinha a ferida em seu coração encarniçada e não a permitia encontrar paz, cicatrizar… ela o impelia a seguir em frente como um lembrete, como uma ordem de seu subconsciente. E ele obedecia sem pestanejar, como um escravo de sua própria vontade.
Annchir não sabia para onde seus pés o levavam, nunca havia ido muito longe após as fronteiras e mais do que nunca sentiu sua fúria cair sobre seu antigo soberano. Trancados e escondidos do mundo, era assim que viviam os elfos silvestres, sendo subjugados pelo rei da Floresta das Trevas.
Despreparado, estava despreparado!
O elfo caiu no chão de joelhos, permitindo com que a ventania forte lhe tocasse o rosto sem se importar com os ferimentos que a mesma lhe causava. Sua espada pesava na bainha, como se clamasse para voltar a seu lar de origem. O arco em suas costas estava escurecido e desgastado, sem um alvo para sua flecha já que seu mestre não conseguia contemplar nada além do amarelado da areia levantada pelo vento.
Ele estava perdido e sozinho, agora mais do que nunca.
Annchir se permitiu desabar sobre o chão, completamente exausto. A dureza plana machucava sua cabeça e as pedras rasgavam suas roupas. Ele estava imundo, como um nômade sem destino, sem causa, sem motivos. A única coisa que o mantinha era sua própria vontade, a vontade de ser mais do que jamais fora. Contudo, aos poucos, seus olhos se fechavam e a luz se afastava, levando toda sua esperança.
Mas quando o frio do desespero começou a subir por sua mão, a chama em seu peito se espalhou e incendiou seu espírito. Como a senhora de seu destino, ela o obrigou a abrir os olhos, a não desistir, mas o loiro sequer tinha forças para sentar-se sobre o chão. Imagens de sua infância invadiram sua cabeça e ele vivenciou tudo aquilo que queria esquecer; toda a dor da rejeição, do desamparo. Sentiu ódio, mágoa e quis vingança… estava sendo envenenado por si próprio, e aquilo lhe serviu de força para continuar.
Annchir sentiu algo parecido com um focinho cheirá-lo e então ouviu um rosnado próximo a seu rosto. Ele abriu parcialmente os olhos e se deparou com um Warg montado por um Orc, ambos exatamente sobre si e prontos para matá-lo a qualquer momento. Porém, ainda que diante da morte, algo o dizia que sua vida não acabaria ali, que ele não morreria daquela maneira humilhante.
Aquele era o começo. Sim, apenas o começo.
…
— O que faz escondido aqui, filho de Eru? — Húrthak questionou enquanto se aproximava e seu cheiro pútrido empestou o ambiente de imediato.
O loiro se voltou para trás sem se preocupar em fitá-lo diretamente. Considerava uma lástima ter de suportar tais criaturas, mas, sendo necessário, ele não tinha outra escolha.
— Meditando. — respondeu com sarcasmo. — Oh, mas suponho que não saiba o significado de tal palavra… por favor, peço que não se incomode por não me compreender. — o Orc deu um passo à frente de maneira ameaçadora.
— Cuidado. — rosnou entredentes. De dentro de sua boca borbulhava algo negro enquanto suas feições deformadas contraiam-se por sua raiva. — Este não é seu reino e nós não somos amigos, Annchir…
O elfo cruzou os braços e ponderou alguns segundos. Sua postura irônica permaneceu intacta.
— Eu sou essencial para os planos do mestre, mas você é substituível. — sua prepotência era apetitosa ao paladar da criatura. — Ele não se importaria se, por alguma lamentável desventura, um de seus milhares e fétidos animais sumisse. Puft! — Annchir simulou uma surpresa e logo abriu um sorriso desprezível. — Não acha? — indagou com cinismo. — Pense junto comigo, se conseguir, será que sou eu quem deve tomar cuidado?
Os dentes de Húrthak trincaram e mais do que nunca o Orc teve vontade de provar do sangue que corria nas veias do elfo à sua frente.
— Arrependo-me do dia em que poupei a sua vida. — rugiu de maneira raivosa contra a face do loiro, este que apenas o fitou enojado. — Eu ainda o verei sangrar até a morte!
— Creio que isto não será possível. — Annchir exclamou sem qualquer espécie de alteração em sua paciência. — Ao contrário de você, criatura estúpida, eu nasci para ser eterno. — ele exibiu um sorriso falso, com o brilho de suas íris esverdeadas em evidência. — Agora, deixe-me e envie outra patrulha à Floresta das Trevas. É imprescindível que fiquemos a par de todos os acontecimentos do reino de Thranduil! — o Orc relutou, ainda fitando-o de maneira sedenta. — VÁ! — os passos pesados e raivosos de Húrthak, por conta do metal que protegia seus pés, foram ouvidos em todo o processo de sua retirada.
O loiro voltou a observar a visão diante de si.
Gundabad!
Jamais havia se imaginado em terras amaldiçoadas, mas aquilo não o perturbava. Pelo contrário, o incitava ainda mais. Ele agora detinha de tudo o que sempre teve direito, e com o poder em suas mãos nada poderia pará-lo. Permitindo com que o ódio mastigado por tanto tempo viesse à tona, o elfo agora era livre para tomar o caminho que bem lhe aprouvesse, e ele havia escolhido aquele sem qualquer remorso.
Daria a sua querida irmã exatamente tudo o que a ele fora reservado durante toda sua vida; migalhas, solidão, rejeição, sombra… sim, Luna logo saberia.
Durante todo aquele tempo Annchir a observara de longe, atento a todos os seus passos, e não poderia considerá-la mais tola. Ela, literalmente, parecia facilitar a situação e aquilo fervia o sangue do elfo, tudo estava sendo tão simples.
Annchir ouviu o som de urros ensurdeceres preencherem o ambiente e logo mais o de espadas se encontrando, as criaturas sempre brigavam entre si. Ele sorriu satisfatoriamente e em ser a criatura mais sagaz do lugar, assim nada poderia atrapalhá-lo em seus objetivos
Animais nojentos.
Ele saiu da sacada e retornou com tranquilidade para a escuridão que abraçava o recinto. No breu, somente seus olhos de jade podiam ser vistos. Olhos de um predador ávido por sua presa, olhos perspicazes, olhos impiedosos.
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— Ainda não compreendi o motivo de tudo aquilo. No final, nada do que o velho Bëor disse teve algum sentido. — resmungava Bain enquanto mastigava seu alimento.
— Não seja desrespeitoso, ele tem idade para ser seu avô! — Bard retrucou com autoridade. — E feche a boca quando estiver comendo, garoto!
Sigrid e Tilda abafaram o riso, observando a expressão irritadiça do irmão.
— Papai… — a mais nova iniciou com relutância. — senhorita Luna vai morar conosco agora?
— Ela está aqui? — a voz de Bain soou abafada pela comida recém-colocada em sua boca e ele quase engasgou.
Os olhos castanhos do arqueiro, curiosos com aquela exclamação, caíram sobre Tilda.
— Quem lhe disse isto? — ele indagou pacientemente.
— Foi a Sigrid!
— Ela está aqui? — Bain perguntou outra vez e, como antes, foi ignorado.
— Tilda! — a mais velha protestou com os olhos levemente arregalados e então se voltou para Bard. — Eu não disse exatamente essas palavras, pai, disse apenas que ela passaria esta noite aqui. — a jovem fitou a irmã de esguelha, um tanto raivosa. — Não é, Tilda?
— Não, não. Eu sei o que eu ouvi! — a menor desmentiu e então assumiu uma postura de divertimento.
— Ora sua… — Sigrid se levantou rapidamente e se pôs a correr atrás de Tilda em volta da mesa. A pequena gargalhava alegremente e era acompanhada pelo irmão.
— Meninas! — alertava o arqueiro. — Tilda, pare de correr! — a menor passou exatamente a seu lado e a corrente de ar levantou seu casaco. — Sigrid, deixe sua irmã em paz! — ele proferiu um tanto irritado. — Pelos céus, parem já com isso!
— Tente me pegar! — dizia a caçula na tentativa de provocar a irmã.
— Sua insolente! — Sigrid ergueu a mão, pronta para puxar a barra do vestido de Tilda, porém, ambas paralisaram no mesmo instante em que se depararam com a figura de Luna parada na entrada da cozinha.
Os olhos azulados da elfa varreram o local até descansarem sobre Bard, este que se colocara de pé no mesmo momento. Um silêncio desconfortante reinou no recinto, mas o arqueiro logo o quebrou:
— Sigrid, leia uma história para sua irmã na saleta. Bain, vá com elas e aproveite para limpar as lanças…
— Não! — Luna disse rapidamente. — Por favor, não há necessidade de que eles se retirem. — ela não fez menção nenhuma em desviar seus olhos dos de Bard. — Crianças, terminem sua refeição.
Todas as atenções se voltaram para Bard e minutos depois ele apenas assentiu, em uma ordem muda de que eles fizessem o que a elfa havia dito. Lentamente as duas meninas retornaram a seus respectivos lugares e não demorou até que os três voltassem a comer.
O arqueiro se limitava a fitar Luna, sua expressão era séria e seu desconforto mais que palpável.
As três crianças, por sua vez, observavam os dois adultos com atenção. Sigrid e Bain eram os que o faziam com mais afinco — e ainda se entreolhavam vez ou outra — como se entendessem tudo e ao mesmo tempo nada. Ao terminarem os três se colocaram de pé e se retiraram do recinto, todos em absoluto silêncio.
Ele estava indeciso quanto ao que dizer, então, se limitou a apoiar os cotovelos à mesa e repousar a cabeça entre as mãos.
— Obrigado… — a voz fraca de Luna ecoou pelo ambiente.
O homem suspirou.
— Não me agradeça… — disse ao se endireitar e voltar a fitá-la. — a única coisa que quero no momento é que você me diga o que está acontecendo.
— Creio que isto não será possível. — Bard se levantou de forma abrupta e desferiu um golpe contra a mesa.
— Como não será possível, Luna? — ele estava extremamente irritado. — Você vai embora e não tem a consideração de nos informar, não diz absolutamente nada a ninguém — sua respiração se encontrava pesada. — e quando volta está exausta e debilitada. Você desmaiou em meus braços!
— A viagem foi longa e não vim a cavalo. — ela argumentou sem se desfazer de sua indiferença, muito diferente do ser abatido que havia molhado suas roupas com lágrimas.
Bard se aproximou da elfa e se colocou à sua frente.
— Eu não poderei ajudá-la se você não me contar o que está acontecendo! — ele estava cansado daquilo.
Luna desviou o olhar.
— Você não pode me ajudar, ninguém pode.
— Confie em mim… — o arqueiro pediu e sua expressão era de angústia. Aquilo foi o suficiente para que a elfa voltasse a fitá-lo.
— Me perdoe, mas as minhas experiências me ensinaram a não confiar em ninguém. — ela lhe dirigiu um sorriso triste e tocou seu rosto com suavidade.
— Alguma vez provei ser indigno de seu respeito? — ele capturou a mão que acariciava seu rosto e a apertou contra o próprio peito, como se aquilo pudesse fazê-la entender a dimensão de seu sentimento. — Eu jamais seria capaz de magoá-la, Luna, jamais!
Seu coração anestesiado agora voltava a doer e sangrar, estando compadecido pela bondade do homem à sua frente. Sua dor imensurável se apaziguava em sua presença, porém, ela sabia que não o correspondia — mesmo que sua alma desejasse. Então, num ato desesperado por consolo, a chefe da guarda o abraçou e se escondeu entre os braços que logo a rodearam. Ela encostou a cabeça sobre o peito de Bard, ouvindo as batidas aceleradas de seu coração, e assim se permitiu chorar.
Uma última vez…
— Hannon le, mellon nîn! — a elfa sussurrou enquanto sentia o gosto salgado das próprias lágrimas.
— Você precisa me ensinar algumas coisas, continuo não compreendendo a sua língua! — o arqueiro disse de maneira divertida e se alegrou internamente ao ouvir uma risada da dama em seus braços. Ele a afastou o suficiente para fitar seu rosto corado e limpar suas lágrimas. — Sorria, Luna! Você tem um belo sorriso…
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