Notas iniciais
Nooooooooovo capítulo! :D Mais um pouco de Captain Swan com muito "fire" à mistura! Espero que vocês gostem! Boa leitura! :)

Quando a porta se fechou, Killian girou o corpo e os nossos olhares se encontraram.

Meu Deus, eu estava tão fodida.

***

Bocejei e atirei os malditos óculos para a mesa. Usava-os para descansar a vista, especialmente quando ficava muito tempo em frente a um computador, o que era exatamente o que estava acontecendo. Espreitei o relógio. 4:53 da madrugada.

Cocei os olhos. O meu corpo precisava de descanso tanto como a minha cabeça precisava descobrir o que Killian fizera para voltar a ser procurado. Eu tinha que saber o que tinha acontecido. Frank estava atrás dele e era uma questão de tempo até o encontrarem. Eu sentia a necessidade de saber. Por mim e por Henry.

Estivera a noite toda procurando alguma coisa sobre ele, descobrindo apenas o quão confidencial meu emprego era.

Existia apenas uma solução de último caso: ligar para Graham. Sabia que ele me diria o que estava acontecendo mas não seria estranho eu ligar depois de quase um mês sem falar com o meu ex parceiro e perguntar sobre Killian, um procurado atual?

Muito estranho. Graham era inteligente e perceberia que eu sabia do paradeiro de Jones. Não. Tinha que existir outro jeito de descobrir.

A minha cabeça dava voltas e voltas. Seria alguma coisa grave? Ou não passava novamente de uma enorme dívida a uma empresa qualquer? Bem, não era uma simples dívida. Até onde eu sabia Killian tinha acordado alguma coisa com as pessoas que nos contrataram para o procurar. Quando iniciei o caso, Jones era procurado por roubo a uma loja de jóias mas poucos dias depois era por uma dívida pagável. Nunca me contaram como ele conseguiu fazer isso e na altura eu não me importei.

Seria isso novamente? Uma dívida?

Suspirei e deixei o assunto para depois. Cansada, fui sorrateiramente até à cama do meu garoto. Ele dormia calmamente. Deitei o meu corpo cuidadosamente a seu lado para não o acordar, deixei a minha cabeça descansar sobre a almofada e beijei a sua testa, me apagando momentos depois...

E de manhã, senti alguém beijando a minha cabeça.

– Bom dia mamãe.

Foi inevitável sorrir e atacá-lo de cócegas depois. Eram esses pequenos momentos que me davam a força que eu precisava para continuar a viver. Henry tinha um poder especial de alegrar o meu dia.

Preparei o seu pequeno almoço e fui deixá-lo na escola, regressando a casa rapidamente, morta de sono.

Dormi mais um pouco, sem sonhos. Acordei, preparei alguma coisa para almoçar sozinha já que Henry ia almoçar com os coleguinhas. Comi e me preparei para ir passear por Storybrook. Não sabia o que era, mas alguma coisa naquela cidade me fascinava.

Coloquei o vestido preto básico que comprara dias antes, os sapatos também novos e arrumei o meu cabelo.

Saí e o ar refrescante me fez rir. Era bom poder sair de casa a pé e ter acesso a uma cidade inteira. Caminhei algum tempo, perdida em pensamentos, cumprimentando conhecidos do café aqui e ali. Andei em ruas desconhecidas e quando dei por mim estava ao lado de um bar? café? restaurante? Nada me parecia definir o lugar até entrar. Era mais como uma taverna, antiga, em madeira, com ornamentos antigos, mesas com aspeto ainda mais antigo, bancos grandes também de madeira. Me fazia recordar os contos de criança sobre piratas, onde eles iam se divertir por noites e noites fora.

O lugar estava um pouco lotado. Pessoas mais velhas, especialmente homens, que eu nunca vira até então, jogavam algum jogo de cartas e dados em quase todas as mesas. Era realmente um ambiente característico. Eu gostava.

Me aproximei do balcão e pedi um refrigerante. Fui servida e decidi ficar um pouco e ocupar uma mesa. Era completamente diferente do café da Granny. Não era um ambiente familiar. Era, pelo contrário, um ambiente sujo e misterioso. Eu adorava o lugar!

Demorei algum tempo a acabar com a bebida e quando o fiz, fui me levantar mas alguém colocou a mão no meu ombro, me forçando a sentar de novo. Olhei para cima e adivinha só?

– Killian. — revirei os olhos.

Era óbvio que ele frequentava lugares assim. Era a cara dele!

O capeta se sentou no mesmo banco que eu, ao meu lado. Rodei o corpo para o poder encarar. A fraca luz favorecia tudo no seu rosto, especialmente a barba, que estava maior do que quando eu a sentira.

– Devo admitir que estou surpreendido, love. Não sabia que gostava de lugares como este.
– Eu não sou quem você pensa, Killian. — imitei a deixa que ele gostava de me dizer.
– É normal. — pousou a mão em cima da mesa, perto da minha. — Eu não consigo pensar nada sobre você, Swan. — admitiu. — Você é um desafio para mim.

Tomei a liberdade de parar para apreciar o seu rosto. O cabelo escuro, caindo sobre a testa enrugada devido à maldita sobrancelha que se erguia sozinha, convidativa, sedutora. Os olhos mais charmosos que eu já tinha encarado. O nariz, fino, perfeito. Os lábios...

Engoli em seco. Existia alguma coisa errada comigo. Alguma coisa que me impedia de concentrar quando estava tão perto de Killian. Mesmo sabendo quem ele era, eu não conseguia parar de o desejar.

Foi provavelmente nesse momento em que eu descobri o quanto estava atraída por Killian Jones.

E nada podia fazer para fugir desse fato. Eu precisava de um homem. Os meus desejos e necessidades de mulher cresciam a cada minuto que eu estava perto de Killian. Desde Nova Iorque que não vivia uma noite tórrida de sexo.

Estava sexualmente carente. Precisava me sentir desejada. E Killian tinha o poder de me fazer sentir assim. Ele era certamente muito poderoso nesse quisito.

Tanto que eu me dei ao luxo de esquecer quem nós eramos.

Deslizei o corpo pelo banco, aproximando os nossos corpos.

– Um desafio? — mordi o lábio inferior.

Pude perceber que Killian prendera a respiração por segundos e instantes depois a sua língua tocou o seu lábio superior, humedecendo-o.

– Um desafio bastante agradável.

Sorri com a sua resposta. Toda a sua expressão corporal acusava as suas vontades.

A minha mão, incontrolável, voou da mesa e aterrou na sua coxa. Eu ia seduzi-lo até o sentir a explodir. Como ele fizera comigo durante tanto tempo.

– Eu sei que sou um desafio. — deixei a minha voz rouca e percebi pelos seus olhos que estava no tom certo. — Não sei é se você vai conseguir me resolver.

Subi lentamente a minha mão pela sua coxa e parei porque ele me impediu de continuar, sobrepondo a sua mão forte à minha. Eu estava testando os limites mas provocá-lo era uma forma de saciar algumas das minhas vontades.

Os seus olhos diziam tudo o que ele não podia. Podia ver o desejo e a urgência dentro deles.

Eu serei o único que vai conseguir te resolver.

Senti um arrepio que percorreu a minha coluna até à nuca. Quando ele se aproximou mais, ficando a centímetros do meu rosto, prendi a respiração. Ele sabia jogar aquele jogo melhor que eu. As suas últimas palavras baixaram a minha guarda. A sua voz rouca num sussurro fez o meu corpo tremer e eu sabia que não podia continuar ali. Estava demasiado quente, demasiado perigoso. Demasiado gostoso.

Soltei a respiração e tirei a mão debaixo da sua, me afastei dele e me levantei. Não ia dizer mais nada, apenas sair.

Como se ele não fosse me parar.

– Onde vai? — agarrou a minha mão.
– Buscar Henry.

A minha voz saiu mais fraca do que eu esperava e assim que ele me deixou ir, saí literalmente correndo. Meu Deus.

Meu Deus!


***

– Mamãe ‘tá tudo bem? – Henry inquiriu, comendo uma garfada do frango assado no forno que eu cozinhara para o jantar.
– Sim, garoto. – tentei soar normal mesmo sabendo que Henry percebia que eu não estava.

Mas ele pareceu acreditar. Não só no jantar mas durante toda a noite. Fui deitá-lo e senti os seus olhos nas minhas costas quando saí do quarto. Talvez eu não fosse tão boa atriz. O certo é que a minha noite foi passada metade em branco e a outra metade com sonhos doces, se você me entende.

Era simplesmente díficil esquecer o que eu havia feito. Não culpava Killian pelo episódio da tarde, mas sim eu mesma. Fizera uma promessa a Deus que nunca me deixaria seduzir por Jones. Sabia que era um caminho perigoso que eu não queria percorrer, por mais que o desejasse. Killian Jones era um criminoso e eu queria tudo menos alguma coisa relacionada com ele. O que eu não conseguia entender era o porquê de eu me esquecer disso quando estava perto dele.

A manhã foi também uma espécie de borrão. O domingo parecia ter me cansado ainda mais porque as minhas pernas latejavam a cada passo que eu dava dentro do café. Granny rodopiava à minha volta, perguntando várias vezes se estava tudo bem comigo. O dia estava mais calmo do que o comum e assim que Mary passou pela porta eu a raptei para uma mesa.

Precisava contar a alguém ou explodiria.

Mary ouvia tudo com a boca aberta em “o”. Eu não sabia se ela só me reprovava ou se queria socar a minha cara também.

– Bem... – começou quando eu terminei de explicar tudo. – Eu acho que consigo entender toda a... atração. Killian é um homem muito atraente – limpou a garganta. – E dadas as circunstâncias, eu não te condeno Emma.

Supus que as “circunstâncias” seriam a minha carência sexual e deixei a minha cabeça cair sobre a mesa. Eu devia parecer desesperada.

– Eu peguei um criminoso, Mary. Como pode não me condenar? – ouvi a sua risada.
– Porque nenhum de nós pode explicar o porquê de nos sentirmos, ou não, atraídos por alguém. – apertou a minha mão. – Apesar de não te condenar... eu acho que não devia se aproximar dele sem saber o que é que ele fez.

Levantei a cabeça e a olhei. Ela tinha razão.

Toda a razão do mundo, aliás. Eu não podia me envolver com Killian sem saber o que estava acontecendo. Só precisava lembrar disso quando ele estivesse na minha frente. Só isso.

***

Uma semana se fora. A cada dia que passava eu me sentia mais ligada a Storybrook. O meu trabalho no café se tornava mais fácil e melhor a cada hora. Eu estava me habituando à cidade pequena, ao ambiente calmo, à rotina. Henry estava se dando perfeitamente bem na escola, tinha amiguinhos que já tinha levado a casa e a professora dizia que ele não tinha problema nenhum com a mudança.

Tudo estava se encaminhando na minha vida. Podia ver Storybrook como um lugar para viver e ver Henry crescer. Isso era tudo o que eu podia pedir a Deus. Segurança e acalmia.

Existia, porém, uma coisa que me impedia de sentir todo o conforto que a cidade podia me oferecer. Killian ainda não desaparecera do mapa e apesar de o ter encontrado apenas uma vez durante toda a semana, ficava cada vez mais difícil esquecer da sua presença.

O fato de eu estar irremediavelmente atraída por ele não era a única coisa que me fazia lembrar de Jones. Henry me falava dele ocasionalmente e por mais que eu me fizesse de cega, podia ver uma certa admiração nas suas palavras e perguntas. Pensar que meu filho e um possível crimonoso tinham algum tipo de relação me deixava muito inquieta.

Mary conversava comigo todos os dias na lanchonete. O assunto sempre acabava por ser sobre a minha vida amorosa e ela chamara Regina e Belle para opinar sobre. Todas eram de confiança e eu agradecia vezes infinitas a atenção e o apoio que as três dispensavam. Podia dizer que tinha amigas em Storybrook e isso era outra coisa que me fazia um bem tremendo.

E a opinião sobre Killian não diferenciava: ele era demasiado atraente para uma mulher sexualmente carente e, também, um antigo ladrão em fuga. E a história podia se repetir. Sim, porque eu ainda não descobrira em concreto o que ele tinha feito dessa vez. Frank me ligara para saber se estava tudo bem e eu perguntei, por um enorme acaso, se a situação de Jones era muito grave ao que ele respondeu que "não é nada que te surpreendesse, Emma". Mas isso queria dizer o quê? Que ele tinha novamente dívidas enormes e fugia? Ou que era alguma coisa mais grave e como eu já conhecia a sua reputação não ia ficar surpreendida com nada?

A minha sorte é que ele estava mais ausente do Granny's. Se continuasse assim eu podia tentar tira-lo da minha cabeça.

Deixei os meus pensamentos de lado e me foquei no empadão que estava preparando. Henry estava no sofá esperando o jantar, assistindo TV. Eu percebera ao almoço que o garoto estava meio ausente, com respostas curtas e por vezes me ignorando. Dizia que estava cansado e com sono. Não tinha febre nem a garganta vermelha. Não sabia mais o que fazer e isso me frustrava.
Ia tentar o seu prato preferido.

– Amor a comida está pronta. — chamei assim que tirei o empadão do forno.

Ele veio correndo.

– Que cheirinho! — comentou assim que eu lhe servi a comida.
– É o curativo para o teu cansaço. — beijei a sua testa.

Deu uma risada. Ele me parecia um pouco mais animado e conversador. Estavamos comentado alguma notícia que passou na TV quando uma batida na porta ecoa na sala. Fui abrir rapidamente, estranhando qualquer visita aquela hora.

Quando abri a porta e encarei a figura tão bem conhecida por mim, me preparei para voltar a fechá-la sem ouvir qualquer explicação. Killian segurou a porta com a mão, me impedindo de a bater.

– Swan! Me ouve! — pediu. — Eu juro que não queria te incomodar a essa hora mas tem uma coisa que eu queria falar contigo. — continuou a forçar a porta para eu não a fechar. — É sobre Henry.

Notas finais
O que quererá Killian contar a Emma sobre o pequeno Henry?? Quero saber o que vocês acham! :D E espero ler as vossas opiniões que tão importantes são para mim! Até ao próximo!