I Put a Spell On You 🔞
1 Capítulo O1 — Steve Rogers
Notas iniciais

I put a spell on you
Eu pus um feitiço em você
'Cause you're mine
Porque você é meu
Sou despertada de meu tranquilo sono com a música que toca como despertador ao meu lado. Gemendo, eu me espreguiço relaxadamente na cama ainda sentindo o calor das cobertas sobre mim.
You better stop the things you do
É melhor você parar de fazer o que faz
I ain't lyin'
Eu não estou mentindo
No I ain't lyin'
Não, eu não estou mentindo
Esfrego o rosto levemente na tentativa de afastar um pouco do cansaço que sinto e me levanto. Chuto as cobertas e vou até a janela. Puxo um pouco da cortina de tecido cor vinho para o lado e verifico o clima que se estabelece em Nova Jersey: chuva. E pelo jeito pode engrossar. Preciso ser rápida!
You know I can't stand it
Você sabe que eu não posso suportar isso
You're runnin' around
Você está correndo em voltas
You know better daddy
Você sabe melhor, papai
I can't stand it cause you put me down
Eu não posso suportar isso porque você me põe para baixo
I put a spell on you
Eu pus um feitiço em você
Because you're mine
Porque você é meu
You're mine
Você é meu
Suspiro com a visão do céu nublado e volto a ponta da cortina para o lugar. Ao chegar ao banheiro, vejo meu reflexo no espelho: olhos vermelhos, rosto sonolento e cabelos cheios e armados. É, dormir de cabelos molhados realmente é um desastre! E a cada manhã que acordo nesse estado acabo ficando mais certa disso! Então por que não para com essa mania? Nem eu mesma sei.
You know I love you
Você sabe que eu te amo
I love you
Eu te amo
I love you
Eu te amo
I love you anyhow
Eu te amo de qualquer maneira
And I don't care if you don't want me
E eu não ligo, se você não me quer
I'm yours right now
Eu sou sua agora mesmo
I put a spell on you
Eu pus um feitiço em você
Because you're mine
Porque você é meu
Retiro o short do pijama junto da calcinha rosa feita de renda e os jogo no chão, logo em seguida tirando a camiseta de seda fina da mesma cor pela cabeça e dando a ela o mesmo destino das outras roupas. Abro uma porta do box e giro a torneira, ligando o chuveiro e sentindo as gotas caírem sobre a palma de minha mão direita. Enquanto a água esquenta, eu escovo os cabelos e os prendo em um coque com uma presilha grande e preta feita de plástico, pois esse será meu penteado para a entrevista que tenho daqui a pouco: simples e arrumado.
You know I can't stand it
Você sabe que eu não posso suportar isso
You're runnin' around
Você está correndo em voltas
You know better daddy
Você sabe melhor, papai
I can't stand it cause you put me down
Eu não posso suportar isso porque você me põe para baixo
I put a spell on you
Eu pus um feitiço em você
Because you're mine
Porque você é meu
Because you're mine
Porque você é meu
Because you're mine
Porque você é meu
▪️▪️▪️
— Bom dia, Rebby! O que faz em pé tão cedo?
— Oi, Nat! – Rebecca dá mais um gole em seu café e termina de digitar algo em seu celular. — Estava checando meus e-mails e vendo um pouco de TV. E aí? Preparada?
— É, digamos que sim.
— O que foi?
Rebecca Deelwish. Minha melhor amiga. Dividimos um apartamento simples em Nova Jersey há mais de dois anos. Viemos para cá um tempo depois de terminarmos o colegial e darmos início à faculdade.
Rebecca estuda Moda e eu estudo Psicologia. Falta pouco para terminarmos os estudos e seguirmos nossos sonhos!
Faço Psicologia, mas quero me especializar na parte infantil. Penso em atuar junto da pedagogia, como orientadora educacional, ajudar as crianças, mas também já pensei em trabalhar com números, gráficos, edição... me sinto uma "divergente". Que original de sua parte, Srta. Romanoff!
— Não foi nada. – eu me sirvo com um pouco de suco de laranja. — Só estou me sentindo um pouco pressionada.
— Olha, não precisa ficar assim. – Rebecca se levanta do sofá e vem até mim enrolada em seu cobertor. — Vai se sair bem na entrevista! E sei que vai fazer isso muito bem por mim.
— Passei a noite tentando me convencer disso. – dou um gole em meu suco. — Espero que esteja certa!
— Não esquenta. Você vai entrevistar Priscilla Donut no meu lugar! Vai dar tudo certo.
— Não vou te desapontar, Rebby. Mas você que entende de moda. Eu... e-eu não ligo para essas coisas e...
— Por falar em moda... – Rebecca me estuda de cima a baixo. — O que acha de ir lá dentro e trocar de roupa?
Suspiro, checando meus trajes e voltando a olhá-la com meus ombros erguidos. O que eu tenho de errado? Estou com uma saia longa de cor azul escuro que bate até meus joelhos, camisa branca de mangas cumpridas e botões prateados na frente, suéter rosa claro cobrindo a camisa e sapatilhas da mesma cor.
— Qual o problema?
Rebecca ri e revira seus lindos e grandes olhos azuis para mim.
— Nat, vai estar entrevistando uma estilista que entende tudo sobre o mundo da moda! Tem certeza de que quer ir vestida assim?
Suspiro novamente, desta vez, saindo mais como um bufo. Termino de tomar meu suco rolando os olhos para cima e ponho o copo dentro da pia.
— Eu tenho que ir agora! – vou até Rebby e deposito um beijo no topo de sua cabeça. — Descanse e fique melhor. Eu volto logo.
— Tchau, Nat! Obrigada! Ah, espera!
— Sim? – eu me viro para ela.
— Não mencione sobre Steve Rogers!
— Steve Rogers?
— É, Natasha! – Rebby revira seus olhos. — Ele é a razão do edifício Rogers' existir, mas a Priscilla também é uma forte atração. Não o mencione na entrevista, ela pode sentir como se fosse uma afronta, tipo uma ofensa, entendeu?
— Ahn, tá, mas eu pensei que...
— Ele é muito amigo dela. E a ajudou bastante no início da carreira, mas a Priscilla também é super talentosa. E mencionar sobre Steve pode dar o entender de que talvez você esteja dizendo que, sem ele, ela não existiria. Entendeu?
— Certo! Não se preocupe. Sem Steve Rogers na entrevista!
— Ótimo! Boa sorte!
Sorrio em resposta, abrindo a porta de casa e saindo rumo a tal tão sonhada e importante entrevista que seria para Rebby.
▪️▪️▪️
Vejo que tem um espaço vago entre meu carro e o da frente. Pego no volante e avanço um pouco, mas então volto a ficar parada. Ah! Este engarrafamento está me matando e eu ainda tenho aula mais tarde!
Estou atrasada e ainda tenho de estar na faculdade daqui a uma hora e meia. E, do jeito que as coisas estão, não duvido nada de que possa me atrasar para a aula também. E ainda tenho o trabalho na livraria às três da tarde. Hoje terei de substituir Clint e ir até às nove da noite, chegando à minha casa bem tarde e tendo aula amanhã de manhã cedo!
O semáforo pisca e eu vejo que desta vez está a favor do trânsito. Engato a marcha e ando com o carro, mas minha alegria dura pouco. Continuo no ritmo de parar, esperar e andar até chegar aonde eu já deveria estar. Perfeito! Meia hora atrasada! Esplêndido, Srta. Romanoff!
Estaciono o carro ao meio fio, pego as chaves e desço completamente desesperada com o meu atraso.
Ajeito amochila preta nas costas e acomodo melhor a pasta de Rebby em minhas mãos, e... nossa! Só agora reparo no tamanho deste prédio! Quantos metros deve ter isso aqui? Quantos andares? Quantos homens o construíram? Ah, você não tem tempo para isso!
Balanço a cabeça e me concentro em continuar na missão de ajudar Rebby. Passo a mão pela testa e caminho em direção aos janelões de vidro que têm o nome Rogers' estampado nas duas aberturas. Rebecca me disse que o edifício é do tal bilionário, mas Priscilla Donut trabalha em um andar reservado para moda em revistas. E ela é a única e verdadeira razão de eu estar aqui.
Suspiro mais uma vez enquanto ainda leio o nome do empresário e passo pelas portas giratórias de vidro, atravessando o saguão e cruzando a recepção. Recebo alguns acenos de cabeças dos seguranças e recepcionistas. Devolvo os cumprimentos sorrindo simpaticamente enquanto ando em direção aos elevadores, onde aperto o botão e aguardo por um ansiosamente.
Demora menos de um minuto para que o barulho anunciando a chegada de um deles invada meus ouvidos, o que me faz parar de encarar a escultura que tem no final do saguão. Será de mármore?
▪️▪️▪️
Vigésimo primeiro andar. As portas do elevador se abrem, o que me permite avistar um extenso corredor feito de chão de pedras pretas e brancas. No centro, a cor bege do solo destaca mais uma escultura.
Saio do elevador e uma mulher loira de olhos castanhos com os cabelos soltos até os ombros vem me cumprimentar.
— Bom dia! – diz formalmente. — Posso ajudá-la?
— Bo-bom dia! Eu... eu vim para a entrevista com Priscilla Donut.
— Ah, sim! É a Srta. Deelwish! – ela dá a volta em sua mesa e mexe em uns papeis. — Aguarde um minuto, por favor.
— Cla-claro, mas eu... e-eu... não sou...
— Um momento, por favor!
A mulher loira levanta seu dedo indicador da mão direita enquanto aguarda por algo com o telefone branco, que fica em sua mesa, colado à sua orelha esquerda.
Eu me silencio intimidada pelos olhares que me cercam. Todo o ambiente ao redor parece me cercar até me deixar diminuída. Este andar... é um andar só? Possui escadas em caracol bem no centro, com corrimões acompanhando a classe dos demais objetos. Tais corrimões parecem mais serem feitos de ouro!
O andar também possui mais de quatro elevadores no extenso corredor em aberto. E pessoas transitando com pastas e bolsas para lá e para cá. Todas muito bem vestidas e elegantes. Eu me sinto tão... excluída. Por que não repensou sobre a proposta de Rebby de ir trocar de roupa?
— Srta. Deelwish? – a moça faz com que eu a olhe. — Pode vir comigo.
A mulher loira cola um papel em meu peito por cima de meu suéter de cor rosa. Ao ler, vejo que está escrito Srta. Deelwish.
Ajeito a mochila nas costas mais uma vez, mas não por estar em uma má posição, e sim pelo meu próprio nervosismo.
Sigo a mulher loira até chegarmos a uma porta preta feita de aço social, com a maçaneta longa que cobre até a metade. A porta se abre e a moça me faz um movimento com sua mão para que eu entre. Sorrio para ela e obedeço, entrando na sala e reparando na decoração cara e moderna.
Flores e arranjos no canto esquerdo, janelas do chão ao teto ao fundo, poltronas, sofá e mesas que enfeitam o centro e que continuam até o canto direito. E, no meio, uma Priscilla Donut que me encara de modo afiado atrás de sua mesa de vidro.
Ela é morena, diferente da mulher que me atendera, mas também é mais bonita, mais alta e aparenta ser mais jovem.
— Srta. Deelwish? – a mulher me mostra um sorriso fechado e frio. — Podemos começar?
— Ér... sim, sim! Desculpe pelo atraso, eu... peguei um trânsito terrível! Sinto muito mesmo!
Vou explicando o motivo de minha demora enquanto ando até as cadeiras que têm na frente de sua mesa, percebendo as mudanças de expressão que se formam em seu rosto.
— Não se preocupe. Incidentes acontecem, não? – sorri de maneira irônica. — Sente-se, por favor.
— Obrigada!
Eu me sento em sua frente e retiro o gravador da mochila. Após ligá-lo, descanso o objeto sobre a mesa e pego o caderno com as perguntas de Rebby.
Limpo a garganta e encaro o rosto da Srta. Donut.
— Pronta?
— A mais de uma hora, Srta. Deelwish. Por favor, ande logo com isso. Não tenho o dia todo.
Sinto meu rosto queimar. Ignorando sua ríspida resposta, respiro fundo mais uma vez e inicio a entrevista, nem me preocupando em me apresentar verdadeiramente como Natasha Romanoff.
▪️▪️▪️
— Olá! – a moça que me atendeu me cumprimenta mais uma vez ao me ver passar por sua mesa. — Como foi, Srta. Deelwish? Conseguiu o que queria?
— Sim! – sorrio em resposta. – Obrigada...
— Cameron. – diz. — Meu nome é Cameron Harries.
— Cameron! Okay! – aperto sua mão simpaticamente. — Tenho que ir agora! Mais uma vez, obrigada!
A loira sorri de volta para mim e eu me dirijo para um dos elevadores. Assim que as portas se abrem, eu entro e encosto a parte de trás de minha cabeça na parede. A entrevista ainda roda em minha cabeça de maneira turva.
Será que a Srta. Donut teria agido do mesmo modo que agiu comigo, se fosse Rebby a entrevistadora? Será que não gostou de mim por causa de minhas roupas? Pelo meu cabelo? Pela minha voz? Ah... sim! Pelo seu atraso, idiota!
O som anunciando a chegada do elevador me faz despertar de meus pensamentos. Nossa! Que rápido! Eu me preparo para sair e, quando as portas se abrem, percebo que estou em outro andar. Mas o quê? Como assim? Dou um passo para frente na intenção de buscar alguma informação, mas acabo tropeçando em algo, ou melhor, em alguém, caindo bem de quatro no chão e sentindo este outro alguém cair bem ao meu lado. Droga, Natasha! Quem você acabou de derrubar?
Ainda com a cabeça abaixada, vejo de soslaio a pessoa se levantar às pressas e, em seguida, sapatos masculinos de couro, de cor preta — que parecem e devem ser caros — invadirem meu campo de visão.
Uma mão se estende para mim e me oferece ajuda para levantar. Mordo o lábio inferior ainda sem olhar para cima e decido aceitar a ação de bom grado.
Finalmente levanto a cabeça e me deparo com lindos e sombrios olhos azuis me fitando atentamente. Meu rosto queima enquanto eu me ponho de pé e ajeito a saia.
O rapaz que me ajudara tem cabelos loiros e perfeitamente desarrumados. Ombros largos, braços fortes, um verdadeiro modelo! Gostoso! E, também, os mais misteriosos olhos que já pude ver, apesar de serem maravilhosamente hipnotizantes.
— A senhorita está bem, Srta... Deelwish? – pergunta o homem após ler o nome que está escrito no papel colado em meu peito, ainda me olhando de modo sinistro e segurando minha mão.
— Sim!
Minha resposta sai de modo desesperador quase sem voz. Limpo a garganta e me afasto de seu toque, ainda sentindo o calor descendo por minhas costas e coxas e meu rosto queimando como nunca antes.
— Sim, eu estou. Desculpe, eu estava distra...
— Não se preocupe. – o homem me corta com um breve sorriso fechado. — A senhorita se machucou?
— Não, não! Eu estou bem. O senhor se machucou?
Ele não me responde em palavras. Apenas sorri antes de olhar ao nosso redor, onde noto que alguns funcionários tentam disfarçar a atenção que mantêm em nós. Não está funcionando...!
— A senhorita parece perdida. Posso ajudá-la em algo?
— Ér... não, eu... eu vim para uma entrevista com... com Priscilla Donut, mas...
Enquanto explico toda a situação de minha frustrada manhã neste prédio, noto que, ao pronunciar o nome da estilista, o tal homem me olha de cima a baixo. Ele franze o cenho para minha saia azul escuro e o suéter rosa claro acompanhados por sapatilhas da mesma cor.
— ...e foi isso! – finalizo, mas alguma coisa dentro de mim diz que ele não prestou atenção em nada do que eu disse. — Então, já estou indo! Desculpa e obrigada, mais uma vez! Até mais!
— Eu a acompanho, Srta. Deelwish. Inclusive, já estava de saída.
Ele entra no elevador junto comigo. Sem saber como eu responder, eu só balanço a cabeça e observo as portas se juntarem novamente.
Nervosa, eu me aperto no canto do elevador. De repente começo a me sentir sufocada e enclausurada. Oh, meu Deus! O que estou prestes a fazer? Por quê? Fique calada, Natasha...
— Na verdade... – mordo o lábio e sinto meu rosto corar novamente com o que vou dizer. — ...quem se chama Deelwish é minha amiga. Ela não pôde vir e eu a substituí. Ela que estuda Moda, eu estudo Psicologia.
Arrisco um olhar para o lado e observo que o homem me encara de modo analisador e atento. Seus olhos parecem faiscarem para mim enquanto mordo o lábio.
— Psicologia? – indaga após um bom tempo em silêncio. — E o que a fez amar o curioso mundo da mente? Dr. Freud?
O loiro parece me interrogar com o olhar quando eu solto uma risadinha.
— Qual é o seu nome?
— Natasha. – respondo ainda rindo. — Natasha Romanoff.
— Steve Rogers!
Quando aperto sua mão, uma onda de choque sobe de meus dedos até o ombro e assim se espalha por todo o corpo.
No susto, eu me solto de seu toque e mordo mais uma vez o lábio. Oh! Então este é o bilionário que Rebby me alertara!
— Srta. Romanoff, poderia me dizer o motivo de sua risada?
Meu rosto explode novamente em chamas escaldantes e altas. Aperto os dentes mais uma vez no lábio, sem saber como agir perto desse homem.
— Ah... ér... é bobagem. Deixe para lá!
— Diga. – sua voz tem o poder de sair calma ainda que autoritária.
— Bom, o senhor me perguntou o que me fez amar o curioso mundo da mente.
— Sim.
— E sugeriu Dr. Freud como opção.
— Sim. E?
— E que ele não era um psicólogo, mas sim um filósofo. Tudo bem que é uma inspiração para a psicologia, mas não para mim.
— Como assim?
— Bem, a filosofia psicológica dele é ótima, mas eu não o vejo como um psicólogo.
— E como a senhorita o vê?
— Bom, mais precisamente como um psicanalista. Ou então...
— Aí está! – ele me interrompe. — Quem disse que a psicologia não tem ligamento com a filosofia? Ou até mesmo com uma psicanálise?
Paro de sorrir, corando mais uma vez e mordendo o lábio novamente. Essa é a minha área de estudo! Minha área profissional! É onde me sinto competente e com as rédeas nas mãos. Mas ele está tirando tudo isso de mim com simples e poucas palavras! Como se atreve, Sr. Rogers?!
O elevador chega e, quando as portas se abrem, solto um breve sorriso para o Sr. Rogers e corro para fora. Meus pés são ágeis ao me ajudarem a atravessar o mesmo saguão pelo qual entrei. A neve do lado de fora distribui flocos por meu rosto e cabelo. Ótimo!
Ando até meu carro e tomo um susto ao ouvir a voz grossa e firme do Sr. Rogers chamar minha atenção.
— Este é o seu carro, Srta. Romanoff? – ele enfia as mãos nos bolsos de sua calça cara e me encara de modo repreensivo.
— Sim? – hesito em afirmar, portanto limpo a garganta e respondo com firmeza. — Ér... sim.
— Melhor dirigir com cuidado! Está nevando e a estrada está molhada e escorregadia. É perigoso! – sua advertência me atinge de maneira ameaçadora.
— Pode deixar. Irei com cuidado. – mesmo estranhando seu comportamento, eu sorrio em forma de agradecimento por sua preocupação. — Tchau, Sr. Rogers!
— Vá com atenção e use o cinto de segurança! Dirija devagar. – ele para por um instante e suspira. — Até mais ver, Srta. Romanoff.
Sem esperar por outro momento constrangedor, que consegue me queimar mais do que o gelo em contato com meu rosto, entro em meu simples fusca e fecho a porta. Com suas palavras piscando em minha mente, descanso a pasta de Rebby no banco ao meu lado e afivelo o cinto de segurança. Boa menina! Seguindo as ordens de um estranho!
O Sr. Rogers ainda está parado na calçada com as mãos nos bolsos de sua calça e seu olhar queimando o vidro do carro. É como se sua potência pudesse atravessar o material que nos separa e me cobrir por inteira. Nunca me senti assim na presença de homem algum. Na verdade nunca me senti assim na presença de pessoa alguma! Muito menos na de um completo estranho com quem troquei poucas palavras.
Suspirando, mordo o lábio mais uma vez e dou partida. O carro treme no início devido ao velho motor. Tenho um pouco de dificuldade em engatar a marcha e sair da vaga que encontrei por causa do gelo. Finalmente, os pneus resolvem cooperar comigo e eu arranco com o fusca.
Mesmo sem olhar de volta, posso perceber que o Sr. Rogers se encontra da mesma maneira de antes. Mas o que será que esse homem tem contra meu pobre carro?
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