I Put a Spell On You 🔞

7 Capítulo O7 — I'm gonna forget you


Notas iniciais
Heeey! Capítulo dedicado à Puddin!!!! Muito obrigada pela recomendação, amor!!! Aproveite! E obrigada também aos favoritos, comentários, acompanhamentos e recomendações :3 Perdão por qualquer erro de digitação Tradução do capítulo: Eu vou te esquecer

Pronto, menina. Chore. Já está em casa, sem ninguém te vendo. Vá para o quarto, deite na cama e chore. Chore, Natasha. Chore pelas palavras de Steve "Fique longe de mim. Fique longe de mim. Fique longe de mim. Fique longe de mim..."
Oh, Deus! Isso dói. Nossa, como dói! Dói muito! A todo momento, a cada segundo, minha mente reprisa a cena de mim e Steve na rua e o jeito que eu implorava por mais um toque seu enquanto suas palavras machucavam meu coração.
Um beijo. Eu queria um beijo. Eu precisava de um beijo. Somente um! Provavelmente, após o primeiro acabaria querendo o segundo e o terceiro. E assim por diante, mas se ao menos ele me desse um... só um!

— Nat!

Não me preocupo em limpar as lágrimas e tentar esconder a dor que sinto. Apenas fico parada, de costas para Rebby, que sei que está atrás de mim tentando entender o que se passa.

— Nat, está tudo bem?

Suspiro silenciosamente enquanto mordo o lábio inferior e sinto mais lágrimas escorrerem. Não, Rebby. Não está. Steve a destruiu.

— Nat?

Ainda sem me virar, sinto as mãos de Rebby tocarem meus ombros. Ela percebe que não me mexo e se põe em minha frente, fitando meus olhos vermelhos e inchados.

— Nat, o que aconteceu?

Ergo o olhar e a encaro. Sem dizer nada, apenas choro ainda mais e a abraço, enterrando o rosto na curvatura de seu pescoço e sentindo seus dedos puxarem meus cabelos lentamente.

— O que foi, Nat? O que houve? – Rebby me abraça mais forte com seu braço livre. — Foi Steve? O que aquele cretino te fez?
— Nada. – eu me solto dela e vou até o quarto. — Ele não fez nada, Rebby.
— Então, qual é o problema? – Rebby me segue.
— Esse! – viro rapidamente para ela e jogo as mãos para o ar ao sentar na cama. — É esse o problema, Rebby! Será que você ainda não entendeu?
— Não! – minha amiga caminha até mim com as mãos na cintura e se senta ao meu lado. — Não, eu ainda não entendi! Você não me explica!
— Steve me mandou ficar longe dele!

De repente, percebo que estou gritando com Rebby, mas ela não tem culpa. Não tem culpa de nada disso, de nada do que me aconteceu.
Calma, menina. Você está ferida, machucada. Não se cobre demais. Sua amiga entende, shhh...
Por que você não pode ser sempre assim, Little Red? Compreensiva e amiga?

— Ele disse isso? – Rebby parece ainda não acreditar, assim como eu não havia acreditado na hora.
— Disse. – minha voz está tão baixa quanto a dela. — Disse que ele não poderia ser o que eu quero que ele seja.
— E o que você quer que ele seja?
— Nada! – ergo os ombros. — Eu não quero forçá-lo a ser nada, Rebby! Só quero... só quero que seja Steve Rogers, o homem pelo qual me... ér...
— Não diga isso. – Rebby pega minha mão e sorri tristemente para mim. — Não diga mais isso, não pense mais nisso. Vá por mim, Nat, desfaça qualquer laço que ainda possa te ligar a ele. Qualquer pensamento, ação... enfim, esqueça.
— Mas... mas... é horripilantemente impossível, Rebby.
— Calma. Eu entendo. Sei pelo o que está passando, mas não é impossível, Nat. Ele pode até ter sido o primeiro que mexeu com você de verdade. Mas, minha amiga, de uma coisa eu sei: ele não é o único homem do mundo nem terá sido o seu último.

Rebby me lança um sorriso confortador e tenho de concordar com ela. Realmente, suas palavras, de certa forma, transmitem conforto e alegria ao meu coração.

— É verdade. – eu me sinto acalmar aos poucos. — Mas ainda assim é difícil.
— Eu sei. – seu toque em minhas mãos se aperta levemente. — E é por isso que estou aqui.
— Como assim? – dou de ombros. — Não trabalha hoje?
— Não. Priscilla me deu folga. – Rebby sorri. — Mas, amanhã, eu trabalho. Mas, como é um estágio, não fico o dia todo. Por isso, ela tem duas assistentes.
— Entendo. – assinto com a cabeça. — E qual é a sua ideia aqui?
— Comer porcarias, como sorvete e biscoitos, e assistir a filmes...
— Típico de mulherzinha sofrida. – eu e ela rimos. — Okay, eu topo o sorvete, mas sem mais porcarias e filmes.
— Certo. – Rebby se levanta da cama. — Eu vou tomar um banho e depois vou ao mercado comprar os potes de sorvete, tá?
— Tá. Obrigada, Rebby! Vou dormir um pouco antes de estudar.
— Sim, faça isso. Fique bem, Nat.

Sorrio em resposta quando Rebby se aproxima e beija minha cabeça. Assim que ela sai do quarto e deixa a porta aberta a meu pedido, eu tiro os sapatos e deito na cama. Deixo o calor da coberta aquecer meu corpo, assim como pudesse aquecer também meu coração fragilizado.
Eu ainda estou doída. Ainda estou me sentindo fraca e machucada, mas, ao repousar minha cabeça no macio travesseiro, uma vez que fecho os olhos, não consigo mais abri-los. E então embarco num profundo e calmo sono, com o último pensamento em Steve Rogers e suas duras palavras afetando terrivelmente o fundo de meu coração.


▪️▪️▪️

Sabia que eu amo tê-la em meus braços? – sua respiração quente e branda bate na pele suave atrás de minha orelha antes de beijos leves preencherem o mesmo lugar. — Amo tê-la em meus braços, amo sentir o teu cheiro, o gosto de seus beijos, o calor do teu corpo... – Steve fala e me beija. — ...eu amo você, Natasha! Eu amo você!

Sorrio, fechando os olhos e mordendo meu lábio inferior enquanto apoio todo o peso de meu corpo no colo de Steve.
Minhas costas se apertam contra seu peito coberto pela camisa polo, já que estou envolvida por seus braços e sentada sobre a areia da praia assistindo ao sol se pôr.

— Eu também te amo, Steve. – murmuro ainda sem crer que o verdadeiro amor chegou para mim. — Eu te amo muito, sempre te amei. Acho... acho que... te amei desde a primeira vez que te vi.
— Acha? – Steve grunhe em meu ouvido e, em seguida, sinto suas mãos apertarem ainda mais minha cintura. Seus dedos causam cócegas nas laterais de meu corpo. —
Você acha, Srta. Romanoff? Que papo é esse de "acha"?
— Pare! Pare, Steve! Pare! Por favor! – imploro e rio ao mesmo tempo, tentando me soltar de seus braços, mas os mesmos só tendem a me prender ainda mais.
— Conserte sua frase, Srta. Romanoff.

Tento me soltar mais uma vez antes de Steve agarrar meus braços e me empurrar para baixo. Ele se põe por cima de mim, que acabo ficando presa com seu peso.
Steve segura meus pulsos contra os grãos da branca e fofa areia da praia e distribui beijos pelos lados de meu pescoço, alternando com mordidas e chupões.

— Steve! Steve, pare. Vai deixar marcas.
— E...? – ele não para. — Vai ser bom para verem que é minha.
— Steve! – tento fugir de seus beijos. — Steve, é sério. Desculpe. Eu... eu
realmente te amei desde o primeiro instante que te vi.

Ele para, erguendo o rosto e fitando o fundo de meus olhos.


— E você acha que isso vai me fazer parar de te beijar?

Coro, sorrindo para ele em desafio.

— Você é minha e eu te beijo a hora que quiser... – seus lábios se aproximam dos meus. — Eu te amo, Natasha.
— Eu também te amo, Steve.

Sua boca encosta na minha e iniciamos um beijo quente, calmo e apaixonado.


Abro os olhos abruptamente e olho ao redor de meu simples quarto. Levo a mão até a cabeça e esfrego a testa antes de bocejar.
Meu relógio de pulso denuncia que já passa das quatro da tarde. Nossa! Eu dei um bom cochilo!
Após me espreguiçar relaxadamente na cama, resolvo levantar para distrair minha cabeça. Deixo meus pés ainda vestidos com as meias, devido ao frio, e saio do quarto.

— Rebby?

Chamo e em seguida a vejo sair do quarto e caminhar até mim enrolada em seu roupão.

— Oi, Nat. E aí? Descansou?
— Sim. – bocejo mais uma vez e sinto o rosto quente com a lembrança de meu sonho. — Comprou as coisas?
— Uhum. Eu estava dando mais uma conferida nos estudos. Ia te chamar daqui a pouco para começarmos a nos entupir de gordura e açúcar. – explica e eu rio.
— Valeu, mas vamos pular essa parte. Tenho que estudar ainda. Já perdi quase metade do dia sem rever nada das matérias.
— Certeza?
— Sim, Rebby. Podemos deixar para amanhã. Tá bom?

Começo a andar de volta para o quarto onde está minha mochila junto dos livros e cadernos com as matérias que tenho de estudar, mas Rebby me faz parar no meio do curto caminho.

— Nada de amanhã, Nat!
— Por que não?
— Nós vamos sair amanhã!
— Sair?
— Sim.
— Aonde vamos?
— Ao Bar Mix.
— O quê? Mas por quê? O Bar Mix fica em Manhattan, Rebby!
— E daí?
— E daí que não quero voltar àquele bairro tão cedo. – a lembrança de mais cedo ainda fere meu coração. Rebby suspira com meu desabafo, provavelmente me achando idiota e infantil.
— Bom, querendo ou não, terá que voltar, pois você e eu nos mudaremos para lá, esqueceu?
— Não. Não, não me esqueci, mas...
— Nat, está tudo bem. Gwen tem uma prima que mora lá. E depois da saída iremos para a casa dela. Okay?
— Ér... tá, mas... ainda não vejo motivos para irmos...
— Ora, Nat! Não precisa ter motivos ocasionais! Iremos sair para curtir! – Rebby ergue seus ombros. — Amanhã, querendo ou não, estaremos terminando e começando ao mesmo tempo. Quer mais motivo de comemoração do que terminar a faculdade?

Sorrio com seu inteligente e sincero argumento, cruzando os braços por causa do frio.

— É, pior que é verdade. – concordo ainda sorrindo. — Mas eu também vou? Digo, eu preciso ir?
— Que tipo de pergunta é essa, Natasha? – Rebby põe suas mãos na cintura e arregala os olhos em minha direção. — Claro que você precisa, imbecil! Também terminará os estudos e é nossa amiga. E precisa sair dessa fossa platônica aí!
— E quem vai? – pergunto após passar um tempo encarando Rebby enquanto coçava minha cabeça.
— Você, eu, Miguel, Peter e Gwen.
— Okay... – ergo os ombros e suspiro. — Até que... vai ser bom para... enfim, você sabe.
— Eu sei. – Rebby sorri rapidamente e balança sua cabeça. — E já te aviso que eu vou arrumar você amanhã! Ouviu bem?
— Rebby...
— E não adianta contrariar. Eu vou e ponto!
— Tá! Certo! Então... eu vou estudar e você vai se entupir de sorvete. Tudo bem?
— Tudo... bons estudos!
— Bom... gelado! – eu me atrapalho nas palavras antes de Rebby e eu rirmos uma para outra.

Eu me viro e volto ao quarto. Apanho a mochila e pego meus livros antes de sentar na cama. Preparo todo meu material necessário, incluindo minhas anotações das aulas, e começo a me concentrar em tudo que leio.
Amanhã serão minhas últimas provas e, como Rebby disse, querendo ou não estaremos terminando e ao mesmo tempo começando!

⚫⚫⚫

— Tempo, pessoal! – Sra. Clayton mais uma vez me faz largar a caneta e suspirar de ansiedade. — Entregando suas provas e saindo da sala!

Guardo meus pertences no estojo e o jogo na mochila antes de me levantar com a prova na mão. Eu entrego à Sra. Clayton ao mesmo em que Rebby.
Assim que saímos da sala, Rebby me abraça de lado e beija meu rosto carinhosamente.

— E aí? Como foi?
— Bem. – sorrio de volta e começamos a descer as escadas. — E você?
— Também. – Rebby me passa segurança pelo olhar. — E então? Animada para hoje?
— Fiquei pensando nisso no meio da prova e acabei me perdendo. – ela e eu rimos ao mesmo tempo. — Mas consegui seguir com o teste.
— Você é doida! – exclama ainda rindo. — Tudo isso é desespero para...
— Não sei. – eu a corto antes que termine sua pergunta. — Talvez. Ainda dói, Rebby.
— Nat...
— E o que mais me dói é não saber o que fiz de errado, não saber em que... em que eu possa ter falhado.
— Nat...
— Foi tão de repente! Ele... ele apenas me disse que não poderia ser o que eu queria que ele fosse. Mas, Rebby, eu juro! Em nenhum momento, eu o forcei a ser algo ou o pressionei de alguma forma. Muito pelo contrário! Ele que...
— Natasha!

Viro a cabeça para o lado e encaro Rebby, que está com uma expressão incrédula em seu rosto enquanto me fita com um sorriso travesso nos lábios.

— Rebby...
— Natasha, para de falar. – ordena de modo categórico. — Meu Deus! Você não fez nada de errado, esse cara babaca que não soube te dar o valor que você merece!

Sorrio carinhosamente por ouvir suas doces palavras. Definitivamente, de todas as poucas amigas que já criei laços afetivos, Rebecca sempre será a melhor!

— Obrigada, Rebby.
— Sem essa. É verdade. Você é única, Nat! Muitos homens gostariam de ter a sorte de te conhecer, mas esse idiota não soube valorizá-la. E te perdeu. Então bora seguir em frente, baby!
— Certo. – sorrio mais uma vez. — Já confirmou com o pessoal sobre hoje à noite?
— Sim, sim. Acabei de mandar uma mensagem para Miguel. Ele vai criar um grupo no Whats app para combinarmos tudo mais uma vez.
— Okay. Ahn... que roupa eu uso?

Rebby sorri com minha pergunta, chegando ao meu fusca junto comigo e soltando meu braço.

— A gente vê isso depois. Tchau! Até daqui a pouco! – eu me despeço, mas Rebby ri e para ao lado do carro.
— "Até daqui a pouco!"?
— É... – enrugo a testa. — Não vai com o seu carro?
— Que nada! – ela bufa. — Teve que voltar para a oficina. Acho que vou ter que comprar um novo mesmo. O motor resolveu fazer gracinha mais uma vez.
— Poxa, Rebby! – lamento por ela. — Então entra aí. Vamos!

Assim que estamos as duas sentadas e com os cintos a postos, eu pergunto novamente à Rebby.

— Você não me respondeu.
— O quê?
— Qual roupa devo usar hoje?
— Não se preocupe com nada. Eu vou te vestir, maquiar e pentear. Vai ficar linda para hoje!
— Ah, Rebby... – reviro os olhos enquanto engato a marcha.
— Para! Pode parar! Vai ser divertido, poxa!
— Divertido? – começo a andar com o carro. — E eu posso saber o que tem de divertido em você me fazer de "cobaia da moda"?
— Ah, pode parar, viu, sua escrota? – Rebby me dá um tapa no ombro e ri de sua própria fala, o que me faz rir também enquanto passo pelos portões da Universidade. — Eu sei arrumar as pessoas muito bem! Por acaso eu já falhei com você alguma vez?

Suspiro, mordendo o lábio inferior e evitando de olhar para Rebby, pois ela está certa. De todas as vezes que me arrumou para eventos, eu sempre fiquei maravilhosamente linda. Quer dizer, ao menos, muito bem apresentável.
As pessoas até podem me dizer que sou bonita e tenho um bom corpo, mas não me vejo com todo esse glamour. A verdade é que nem me vejo tão linda. Eu me vejo apenas com um simples visual, que nem me agrada nem me incomoda, somente me deixa satisfeita.
Nunca fui do tipo vaidosa nem entendo as pessoas que são tão obcecadas pela boa aparência, mas não as condeno por isso. Aliás, não é crime ter beleza. E muito menos querer preservá-la.

— Não vai responder?

Sorrio mais uma vez, notando que Rebby ficou todo esse tempo esperando por minha resposta enquanto eu me perdia em pensamentos sobre minha aparência.

— Okay, Rebby. Desculpe. Sempre que você me arrumou, eu gostei! Aliás, adorei!
— Ha! – Rebby bate as palmas de suas mãos uma na outra. — Palhaça!
— Vamos que horas para lá?
— Ahn... Miguel acabou de perguntar se nove horas está bom. – Rebby lê algo em seu celular. Provavelmente as mensagens do grupo. — Topa?
— Nove da noite? – indago. — Não pode ser mais cedo, tipo... oito?
— Natasha! Fala sério! A faculdade acabou e hoje é sexta-feira! Pego no trabalho agora, mas só até às sete. Amanhã nem eu nem você trabalhamos. E mais um detalhe: somos adultas, baby!
— Opa! Quem disse que eu não trabalho amanhã? – Rebby parece surpresa.
— Clint não te dispensou?
— Não, Rebby! – nego. — Ele já me liberou muitas vezes por sua causa. – acuso. — Não vou faltar amanhã. E nós trabalhamos com comércio, então abrimos aos sábados.
— Tá, tá, mas isso não importa. Podemos muito bem sair.
— Mas, Rebby...
— Fala sério, Nat! Por que quer que seja mais cedo?
— Ah, bom...
— Olha, eu vou para o escritório da Priscilla e você aproveita o resto do dia para ir empacotando mais coisas da nossa mudança, certo?
— Não. – respondo antes de virar mais uma esquina. — Também tenho que trabalhar hoje, já que saí cedo ontem.
— Ah, que chato. – bufa. — Ih! Natasha!
— Que foi?
— E se eu encontrar com o Steve por lá?

Dou uma violenta freada, escutando buzinas soarem atrás de nós e alguns xingamentos me deixarem envergonhada. Fecho as janelas rapidamente enquanto Rebby devolve alguns dos palavrões que nos foram direcionados.

— Ei, ei! Pare com isso! – puxo-a de volta para o banco e fecho a janela do seu lado. — Chega, Rebby.
— Mas eles estão...
— Deixa. Eu errei mesmo.
— Natasha...
— Rebby, esqueça isso. – reviro os olhos. — Agora se foque na questão sobre Steve que você mesma criou!
— Eu não criei nada! Só pensei em alto numa coisa que pode mesmo acontecer! Afinal aquele prédio é dele e ele sabe que eu trabalho lá! E que sou sua amiga!
— Eu sei. Mas não se preocupe com isso. – falo calmamente. — Se encontrar com Steve por lá, você irá apenas cumprimentá-lo formalmente. Entendeu? Por favor, nada de ir tirar satisfações e querer tomar minhas dores, tá?
— Tá, tá. – Rebby parece concordar.
— Rebby? É sério!
— Ai, tá bom!
— Mesmo?
— É! Por mais que eu queira arrancar as bolas daquele cretino por tê-la feito sofrer, não vou! Mas só não vou fazer isso porque você está me pedindo.
— Obrigada. – sorrio aliviada. — Você vai para casa ou vai direto para a Priscilla?
— Que horas são?
— Dez.
— Vou em casa trocar de roupa e pegar outra bolsa. Depois tomo um táxi e sigo para lá.
— Certo. Ah! Ligue assim que chegar lá, tá bom?
— Para quê?
— Não sei. Na verdade, eu gostaria que me ligasse, caso visse o Steve, mas...
Esqueça esse cara! – Rebby grunhe. — Mas pode deixar. Qualquer coisa eu te aviso, sim.
— Okay. Obrigada, Rebby. – sorrio para ela, que sorri de volta enquanto me preparo para virar mais uma rua.

▪️▪️▪️

Isso é ótimo, querida! Mas não fique se preocupando mais com essas coisas, aposto que você foi bem!
— É... obrigada, mãe.
Natasha?
— Sim, mãe?
Está tudo bem, filha?
— Como assim?
Ora, Natasha! Você sabe! – a voz de minha mãe parece estar dura, quase que me repreendendo. Mas sei que está preocupada comigo. — Está diferente, como... como se estivesse chateada com algo.

Suspiro, mordendo o lábio inferior e fitando a rua pela vidraça da livraria. Sinto um calor percorrer meu corpo junto de uma dor que se forma em meu peito.
Ainda me queima por dentro relembrar de que, uma vez, Steve Rogers esteve aqui. Uma vez Steve Rogers entrou nessa loja e me fez sentir coisas absurdamente maravilhosas. Ele me alimentou com esperança, fogo e paixão. Ele me deu o que ninguém nunca deu antes. Ele me proporcionou sentimentos inocentes e até mesmo infantis. Ele me acendeu.

— É, mãe. Eu estou um pouco chateada, sim, mas é besteira.
Nada que seja relacionado a você é besteira, Natasha. – mamãe sorri e me faz sorrir de volta. — Vamos, diga! O que foi?
— Não foi nada de importante, é bobagem.
Diga, filha. Deixe-me ajudá-la.
— Não é nada, é só... – luto para não deixar as lágrimas escorrerem. — ...só... um cara que... que eu pensei que seria o cara, mas... acabei me enganando.
Oh, filha...!
— E me enganei feio, mãe. – não consigo mais controlar meu choro e desabafo ao telefone com mamãe. — Eu me enganei feio. Muito, muito feio!
Querida! Oh, meu anjo! Nat, filha, por favor, não chore assim. Natasha! Natasha, não sabe o quanto estou sofrendo por não poder estar aí para te abraçar e te amparar.

Ouvir o desespero de minha mãe me faz ter alguma consciência no momento. Abro os olhos, limpando minhas lágrimas e olhando ao redor. Ótimo, nenhum cliente! Ninguém para assistir ao seu papelão. Agora, recomponha-se e fale direito com sua mãe, chorona!

— Desculpe. – passo as costas da mão em minhas narinas. — Desculpe, mãe. Não quis assustá-la.
Não se desculpe, Natasha! – minha mãe grunhe. — Não se desculpe por estar triste e querer desabafar com sua mãe.
— É que... eu entendo que seja difícil para você saber que estou chateada e não poder estar aqui para me ajudar. Desculpe.
Chega de pedir desculpas. Realmente dói não estar aí com você. Mas jamais te deixarei, querida. Não importa onde eu esteja, eu sempre estarei com você, Natasha. Eu te amo!
— Também te amo, mãe.
Se esse não fora o rapaz certo, acredite, outros virão. E o certo chegará, meu bem. Sabe, talvez você ainda tenha que beijar alguns sapos até conhecer seu príncipe. – mamãe me faz rir novamente. E, ainda que na brincadeira, eu absorvo suas palavras para dentro de meu coração.
— É... eu sei, mãe. Obrigada!
Nada, meu bem. Mas, então, estava comentando com sua irmã outro dia sobre você vir nos visitar no Natal. Lembra-se disso, não? Ela está morrendo de saudade de você.
— É claro que eu lembro, mãe! – sorrio, tendo a imagem de minha irmã em mente. — Estou com saudades da Hazel. Mas você me disse que vocês que viriam me visitar. Está esquecida, dona Kathleen?
Eu sei, mocinha, mas pensei ser mais conveniente um vir para cá do que três irem até aí, entende?
— Ah, tudo bem, mãe. Estava apenas brincando, não é problema algum para mim ir até vocês.
Ótimo! Sua irmã morre de saudades de você, Natasha! Ah... tinha que ver como ela está na escola.
— Ela já sabe o que quer fazer?
Ah, querida, sua irmã tem apenas doze anos. Muda de opinião todos os dias. – escuto a risada de minha mãe e sorrio involuntariamente. — Mas acredito que ela queira ser professora.
— Professora? – indago. — E por quê?
Ela gosta de ensinar. Toda sexta-feira, uns dois amigos dela vêm aqui para casa e estudam com Hazel. Sua irmã explica muito bem!
— Que fofa! – sorrio mais uma vez. — Bom, seja qual for a escolha dela, sempre a apoiaremos.
Com certeza! Ahn... querida... desculpe. Nem me dei conta da hora. Preciso desligar, temos um jantar hoje com uns amigos de Robert.
— Okay. Até mais, mãe.
Até, meu amor. Fique bem, certo? E me ligue para qualquer coisa.
— Tá bom, mãe. Não se preocupe, vou ficar bem. Rebby e eu vamos sair hoje, para nos divertirmos.
Ótimo! Aproveite, querida! Você merece! Eu te amo!
— Também te amo, mãe. Tchau.

Encerro a chamada e fito a tela de meu celular, vendo que tenho duas chamadas perdidas. Estranho, clicando para ver de quem pertencem. Arregalo os olhos ao notar que são de Rebby. Oh! E se... e se ela me ligou por causa de Steve?
Sem pensar duas vezes, disco seu número e ligo para ela. Aguardo por três toques até ela atender.

Rebecca Deelwish falando.
— Rebby?
Nat?
— É.
Ah! Oi, Nat. O que foi?
— Eu que te pergunto, foi você quem me ligou.
Ah, sim, sim, sim. É... não é o que você está pensando. Eu ainda nem encontrei com ele por aqui.
— Então... por que ligou? – pergunto, praticamente sem interesse em minha voz.
Para avisar que vou sair mais cedo.
— E por quê?
Priscilla tem um evento hoje à noite e Cameron vai com ela.
— Cameron é a outra assistente, né?
Sim. Sabe, o evento vai ser um estrondo da moda e ela até disse que eu poderia ir, caso estivesse interessada, mas prefiro sair com você e nossos amigos. – Rebby ri e eu rio de volta. — Ainda está na livraria?
— Estou, mas saio daqui a meia hora.
Eu também!
— Hm... Rebby? Olha, se você quiser ir a esse evento, pode ir. Sei que será importante para você e que vai amar cada segundo. Não precisamos...
Ótima tentativa, Srta. Romanoff! – Rebby parece estar sorrindo. — Mas foi em vão. Nós vamos sair, já era para você ter aceitado. Seria realmente legar ir a essa festa, mas é muito melhor para mim estar com você e com os nossos outros amigos.
— Okay... – comprimo os lábios.
Ótimo! Olha, preciso voltar para o trabalho. Eu te vejo em casa, Nat. Beijos.
— Beijos, Rebby.

▪️▪️▪️

Mexo o rosto para os lados tentando fugir dos toques de Rebby, que esfrega algo parecido com uma esponja por minha testa e desce pelas bochechas.

— Fique quieta, Natasha!
— Não dá! Eu não gosto de usar maquiagem! Fico agoniada com você esfregando essa coisa no meu rosto!
— É para você ficar mais linda, realçar ainda mais a sua beleza. Como pretende conhecer alguém novo para esquecer o canalha do Steve sem se arrumar?
— E quem disse que eu pretendo? – abro os olhos e ergo as sobrancelhas.
— Eu pensei que... pensei que você ia...
— Não, não, não, Rebby. Estou apenas saindo com vocês para curtir e me distrair, mas não quero saber de possíveis amores tão cedo. E espero que você não tente me empurrar para ninguém!
— Nat...
— Quem disse que preciso de homem para ser feliz?

Rebby me fita com seus olhos praticamente cerrados, esticando os lábios em um sorriso travesso e ao mesmo tempo orgulhoso.

— É isso aí, garota! – ela sorri. — Está certo! Somos mulheres e somos independentes. Homens são apenas um acaso do destino.
— Exatamente! – acerto a palma de minha mão contra a dela. — Então, já acabou?
— Quase. – Rebby guarda a esponja dentro da bolsa de maquiagem e retira algo que não consigo ver.
— Quase? O que falta ainda?
— O batom. – ela levanta o brilho labial em minha direção, o que me faz revirar os olhos e bufar.
— Isso é mesmo necessário? – choramingo enquanto Rebecca retira a tampa.
— Sim. Muito! Você já não me deixou escolher sua roupa, então ao menos deixe eu te maquiar.
— Mas, Rebby...
— Shiu! Quieta!

Ela aproxima a ponta molhada e brilhosa de minha boca, segurando o lado direito de minha cabeça e iniciando a aplicação pelo lábio inferior.
A ponta do gloss se espalha por meu lábio repetitivas vezes até ela mudar para o outro, fazendo a mesma coisa.

— Acho... acho que já está bom, Rebby. – balbucio, tentando interrompê-la.
— Okay...! – ela concorda e nós escutamos a campainha tocar. — Hmmm! Deve ser o táxi!

Rebby guarda sua maquiagem na bolsa e a põe dentro do armário do banheiro, correndo em seguida para abrir a porta.
Ajeito os cabelos com as mãos e me viro para checar meu visual no espelho. Oh, Deus! Que cor forte! Preciso tirar um pouco isso!
Pego um pedaço de papel higiênico e o pressiono contra meus lábios. Dou mais uma checada e gosto do resultado, jogando o papel usado fora e indo até a sala enquanto visto meu casacão azul e, em seguida, as luvas.

— O táxi já chegou? Vamos descer?
— Era o entregador. – diz Rebby enquanto lê um cartão.
— Entregador? O que você comprou?
— Nada! Eu só assinei a encomenda, mas isto é para você, Nat.

Ela aponta para uns livros em cima do balcão da cozinha e um envelope lacrado. Eu me aproximo e passo os dedos pelos livros. Leio seus títulos e os abro, vendo que são novinhos, novinhos! De primeiras edições! São livros de pedagogia e literatura infantil.
Abro o envelope e me deparo com nomes de empresas, escolas, hospitais, consultórios... oh! São propostas de emprego pós-graduação.
Ouço um pigarreio e desvio meu olhar dos papeis que estão em minhas mãos para o rosto de Rebby, que estica o braço em minha direção. Pego o papel que está em sua mão e começo a ler o que está escrito em voz alta.

"Srta. Romanoff, peço desculpas pelo nosso último encontro. Jamais quis ofendê-la, tampouco magoá-la. Por favor, aceite os livros como meus mais sinceros pedidos de desculpas. E procure se informar sobre as propostas de emprego, pois sei sobre seus objetivos após se formar.
Mesmo recorrendo à
Minds Manhattan, leve em consideração outras alternativas. Sucesso em sua vida!
Steve Rogers
"

Acabo de ler e abaixo a mão enquanto amasso o papel entre os dedos.

— O que vai fazer? – pergunta Rebby e eu apenas reviro os olhos.
— O que acha que vou fazer? – indago irritada. — Acha que vou aceitar esse presentinho, como se ele estivesse me comprando? Acha que vou me vender a isto? – aponto para os livros. — Sem chance! E eu não preciso dele nem de ninguém para conseguir emprego! Eu me garanto, Rebby!
— Então...
— Amanhã mesmo estarei devolvendo!
— Nat...
— Já estou certa disso, Rebby. – jogo o papel no lixo que tem na cozinha. — E então? Vamos?
— Vamos! – afirma Rebby após dar um profundo suspiro.

É, Steve Rogers. Chega de sofrer por sua causa. Disse que não queria me ofender e tampouco me magoar, mas só tem feito isso desde que nos conhecemos.
E os livros são o quê? Está querendo me comprar? Realmente ousa dizer que não quer me ofender? E as propostas de emprego? Eu consigo sozinha! Por mim mesma!
Já deu! Eu vou te esquecer, eu vou te esquecer! Começando por esta noite! Little Red, nada de gracinhas! Hoje... hoje, eu vou curtir tudo que tiver que curtir!
E, com tais pensamentos em mente, abro a porta e saio de casa, acompanhada de Rebby e pronta para me divertir de verdade e não pensar mais em Steve Rogers.

Notas finais
Perdão pela demora, tava tentando formular ideias para capítulos futuros, juntei algumas ideias dos leitores que me ajudaram e acho que o capítulo 19 ficará pronto já, já hahahaha mas então? Gostaram do capítulo de hoje? Como vai ser a Nat em Manhattan? O que irá acontecer? Uuuuuh... :D Por favor, acompanhem, favoritem, recomendem e comentem :3 Beijocas! Ps: passem na fic EVANSSON e enviem suas perguntas para a entrevista íntima de Scarlett e Chris! Perguntem O QUE QUISEREM! O capítulo sairá somente com as perguntas, pois é uma entrevista, e o público (vocês) que precisam de terem dúvidas hahahaha Ps²: estou sentindo falta de leitores que antes comentavam e agora me abandonaram. Por favor, não me deixem e nem deixem a fic, galerinha. Eu sei que demorei a atualizar, mas faço isso por vocês, para já ter capítulos adiantados o suficiente para justamente não atrasar mais e ter dias de postagem certos :/