I Put a Spell On You 🔞
3 Capítulo O3 — Look at me
Notas iniciais
Oi, meus lindos!!!! Como vão? Então... eu não ia postar hoje, mas o comentário de uma menina muito linda me fez querer postar hahaha. Muito obrigada, Chameleon Lady, pelo review muito fofo e lindo! Claro, obrigada também a todos os outros leitores, que me deram a enorme felicidade de ter 58 comentários, 56 acompanhamentos, 23 favoritos e 790 visualizações.
Aproveitem e perdão por qualquer erro de digitação ^^
Ps: perguntinha nas notas finais para vocês :3
Tradução do capítulo: Olhe para mim

— É, eu admito ficar um pouco nervosa para as provas, mas isso também é absolutamente normal. – Rebby ri de meu argumento junto comigo.— E amanhã?Dou a volta na bancada da cozinha em direção ao banheiro a fim de escovar os dentes e ir para a faculdade.— Saio às sete. O que quer fazer?— Compras. – responde e eu acabo revirando os olhos. — E nem adianta fazer essa cara! Você sabe que precisa renovar seu guarda-roupa, Nat!— E o que há de errado com minhas roupas, Srta. Deelwish? – grito do banheiro enquanto passo a escova pela boca.— Acho que é mais fácil perguntar o que não há de errado com suas roupas, ruivinha! – Rebby para na porta e me encara com as mãos na cintura.— Tá bom. Agora que você já me humilhou e zombou de mim, eu tenho que ir. – termino de escovar meus dentes e seco o rosto.Rebby vem ao meu alcance ainda tagarelando sobre compras, moda, roupas e cuidados básicos enquanto eu visto minha jaqueta verde musgo e me preparo para sair. Provavelmente ela resmunga mais coisas, mas eu parei de ouvir depois da quarta palavra. — Até mais tarde, Rebby!— Tchau, Nat! Eu vou entrar mais tarde hoje, então... a gente se vê depois!— Okay. Nós voltamos juntas!Sorrio para ela em despedida antes de abrir a porta e partir para a aula.▪️▪️▪️Após um dia cansativo e interessante de aulas na faculdade, estou concentrada em girar as chaves e abrir a porta do fusca. Estou quase conseguindo quando escuto a voz de Miguel me chamar.— Nat!— Hey, Miguel! – finalmente consigo vencer a batalha e jogo a mochila para dentro antes de virar e falar com Miguel. — O que foi?— Está indo para casa?— Não exatamente. Vou direto para o trabalho. Eu voltaria com Rebby, mas ela vai ficar e terminar alguns trabalhos. – olho para ele em expectativa. — Seu carro deu problema de novo?— Ficou atolado na neve ontem. – Miguel faz uma careta desgostosa.— Caraca! Quer uma carona?— Leu minha mente, corazón! – Miguel brinca com seu sotaque espanhol enquanto me responde animadamente, o que me faz rir enquanto ele dá a volta para se sentar no banco ao meu lado.— E como vai seu projeto? – pergunto após afivelar o cinto.— Cansativo. – Miguel bufa durante a resposta. — Tentei começar alguma coisa ontem, mas até agora minha apresentação só tem cinco palavras.— Cinco? – ergo as sobrancelhas junto de um sorriso incrédulo enquanto dirijo o fusca para fora do estacionamento da faculdade. — Meu Deus, Miguel!— Pois é! Os livros que comprei são muito bons e me deram ótimas ideias, mas eu estava exausto.— Imagino. Mas termine logo isso. Como você mesmo disse, é uma grande oportunidade! Não vá perder a chance de aproveitá-la.— Não, não! Evidente que não! – Miguel sorri em minha direção negando com a cabeça. — Mas e você, niña? Vai pedir as contas na livraria agora com a formatura?— Provavelmente. – olho cuidadosamente para os lados antes de passar pelos portões. — Vou dar um aviso prévio a Clint, assim ele se prepara para colocar outra pessoa em meu lugar.— E se ele não conseguir? – Miguel me encara de soslaio.— Como assim? Não conseguir o quê?— Se ele não conseguir encontrar ninguém a tempo de você sair. – explica junto de um suspiro. — Vai continuar lá?— Não! – a mentira parece espuma em minha boca. — Quer dizer, eu... não. Não, eu não estou estudando Psicologia para trabalhar eternamente numa livraria. Por mais que eu ame Clint e sua família, não é o futuro que eu viso para mim.— E vai dizer isso a ele?— Não nessas palavras, Miguel! Sabe que só trabalho lá para financiar meus estudos. E talvez eu ainda precise por mais um tempo, para pagar os empréstimos estudantis.— O salário não é muito avantajado. – sinto certo cuidado de Miguel na escolha de suas palavras. — E é por isso que estou vendo se há vagas de estágio onde eu recebi a proposta.— Como é? – dou uma violenta freada com o carro ao ouvir suas palavras, fazendo meu corpo e o de Miguel ir para frente e voltar, só não colidindo com o vidro por causa dos cintos de segurança que estamos usando. — Repita, Miguel.— Isso mesmo! – ele ri da minha reação. — Eles estão precisando de um estagiário por lá. Há vagas em vários setores. Um deles é de assistente de uma das editoras da revista. O que acha?
— Assistente? – após me recuperar, eu volto a dirigir o carro.— Não se julga o livro pela capa, niña. – Miguel me repreende. — O salário é melhor e pode te ajudar de maneira mais fácil quanto aos empréstimos.— Eu sei, eu sei. Até porque, com certeza esse emprego seria melhor do que o da livraria e é algo que eu até poderia fazer, mas... também acho que é melhor não.— E por que não, Nat? Você é esperta, dedicada, esforçada... eles iriam adorá-la! Olha, é só um teste. Tente.— Okay. – concordo apenas para acalmá-lo. — Vou pensar com carinho, tudo bem? De qualquer forma, obrigada!— De nada, chica. – Miguel sorri. — Para compensar, você me paga um Cappuccino, o que acha?— Eu? Pagar? Cara, eu te emprestei sete dólares ontem e sei que não vai me devolver. Ao menos, não tão cedo. – Miguel acaba rindo junto comigo. — Mas okay. Eu te pago um amanhã quando for sair com Rebby. A propósito, quer ir?— Aonde vão?— Rebby quer fazer compras. E vai ser até bom, porque já posso ver algumas roupas de trabalho, sabe? Já que talvez vá trabalhar em uma revista, preciso melhorar meu visual, não concorda?— Não esquenta, Nat. Você é linda de qualquer jeito!O carinhoso comentário de Miguel me faz corar e, por mais amigável e verdadeiro que tenha sido, também sinto certa mentirinha em sua fala.▪️▪️▪️— Vão bem, mãe. E como está aí em L.A.?— Maravilha! Robert, Hazel e eu estávamos pensando em te visitar no natal. O que acha?— Seria perfeito! Estou com saudades.Eu converso com minha mãe ao telefone enquanto arrumo alguns livros na parte de cima da prateleira da estante de madeira antiga.Minha mãe mora em Los Angeles desde quando eu tinha sete anos. Porém, passou a morar com Robert, meu padrasto, e minha irmã adotiva, Hazel, quando eu tinha nove. Desta vez, as coisas parecem ir bem para ela e seu companheiro. Robert é seu primeiro marido após o divórcio dela e de papai.Meu pai e ela se separaram seis meses após nos mudarmos para Nova Jersey. Sendo assim, mamãe ficou com a minha guarda e nós nos mudamos para a casa de minha avó em Los Angeles. E então ela conheceu Daymond, com quem ficou junto por três meses. Em seguida, conheceu mais dois, Michael e Jason, até finalmente acabar encontrando Robert, o qual ela jura ser seu verdadeiro amor.— Também sinto saudades, meu bem. Você está se cuidando? Estudando, comendo, dormindo direito?— Estou, mãe. Estou. – sorrio enquanto desço um degrau da escada para preencher a prateleira de baixo. — Não precisa se preocupar. Rebby é uma ótima amiga e cuida muito bem de mim! Apesar de eu também saber me cuidar.— Eu sei, querida. Mas ainda assim sou sua mãe e é inevitável que não me preocupe com você, ainda mais desse jeito... tão longe!— Eu entendo, mãe. Mas eu estou bem. Inclusive, ando bem concentrada nos estudos para as provas finais. Mal dá para acreditar que já, já acaba.— É... você cresceu rápido, querida! Nossa! Parece que foi ontem que troquei sua primeira fralda e...— Mãe! – sinto o rosto arder enquanto rio da observação de mamãe.— Ora, o que foi? Não tem ninguém ouvindo.— Mesmo assim, não... não fica falando essas coisas. – continuo rindo com mamãe ao telefone quando Clint interrompe minha extrovertida conversa.— Nat?— Espera aí, mãe. – afasto o celular e olho para meu amigo. — Sim, Clint?— Tem um cliente pedindo ajuda para encontrar alguns livros. Pode cuidar dele para mim, por favor? Preciso ir ao banheiro.— Claro! – sorrio para Clint quando o vejo fazer uma careta para mim. — Mãe, tenho que desligar. Estou no trabalho.— Certo! Tenha um bom dia, querida. Até mais!— Até, mãe! Eu te amo.— Também te amo, Nat.Encerro a chamada e desço o restante dos degraus da escada, chegando ao chão e a fechando cuidadosamente. Coloco-a no canto do corredor apoiada em uma parede lisa de cor caramelo e guardo meu celular no bolso traseiro do macacão jeans que cobre minha blusa xadrez cinza.Pego os restantes de livros que sobraram e os equilibro no braço antes de andar até o final do corredor. Continuo caminhando à frente até ter uma surpresa terrivelmente maravilhosa e tentadora.Com o susto, paro abruptamente e deixo todos os livros despencarem de minhas mãos com a imagem que tenho a poucos metros de distância: nada mais, nada menos que Steve Rogers.Mordo o lábio inferior com força, de repente me sentindo patética por ter uma reação tão clichê quanto essa. Quando o Sr. Rogers começa a se aproximar de mim, é como se meu rosto estivesse boiando em um vulcão em erupção.— Srta. Romanoff! – ele pronuncia meu nome com certa lentidão e formalidade, o que faz meu coração bombardear trecentas vezes mais rápido.— Sr. Rogers. – engulo em seco ainda trêmula. — Ér... o... o q-que faz por aqui? – minha língua enrola na boca e eu tenho vontade de fingir um desmaio para escapar.O Sr. Rogers parece reprimir um sorriso enquanto roda os olhos pelo ambiente. Sua resposta está clara e mais uma vez dá um tiro em minha ignorância.— Preciso de uns livros, Srta. Romanoff.Sua fala me faz murchar e meu coração acaba se apertando dentro do peito. Sua idiota! Achou mesmo que ele estivesse aqui por você? Apenas precisa de livros! Estamos em uma livraria, dã!— Ahn... claro! – mexo a mão e solto um riso nervoso. — E... ahn... está na cidade a trabalho? – tentando fugir da atenção intimidante de seus olhos, eu me ajoelho e começo a recolher os livros.— Sim. – ele suspira pesadamente antes de se abaixar e começar a me ajudar. — Estou hospedado no Classic's Hotel.— Ah, sim. Ér... não se incomode com isso, Sr. Rogers. Eu...— Faço questão.Tento pegar os livros de suas mãos, mas ele as afasta e me encara atentamente, o que só piora o calor em meu rosto. Será que ele precisa me olhar sempre assim, de uma forma tão forte e que me faz ficar bamba? Steve Rogers tem o poder de desativar meu cérebro e eletrocutar meu coração sem ao menos dizer ou fazer nada.Pego o restante dos livros que estão no chão e me ponho de pé ao equilibrá-los nos braços. Ando até o balcão do caixa e os deposito por cima da tábua de madeira antes de pegar o restante das mãos do Sr. Rogers.— Obrigada! – sorrio para ele e ainda me sinto corar cada vez mais forte. Que droga! — Então... já sabe quais livros procura?— Sim.Ele leva a mão para trás de seu corpo e puxa um papel branco do bolso traseiro de sua calça jeans. Sim! Surpreendentemente, Steve Rogers está usando calça jeans escuro, tênis pretos e uma camisa polo branca por baixo de seu suéter azul marinho.— Estes.Na ação de pegar o papel de sua mão, nossos dedos acabam se encostando e aquela eletricidade que senti em nosso primeiro toque acaba voltando a percorrer meu corpo.O incômodo — porém saciável — calor que sempre sinto ao estar com o Sr. Rogers desce de minha nuca até a parte de trás de minhas pernas.— Ce-certo. – limpo a garganta antes de finalmente digitar o nome do primeiro livro no teclado — Ér... livros de disciplina? – sorrio inocentemente. — Que curioso! O senhor tem filhos?Mesmo com medo da resposta, eu não consigo segurar minha curiosidade a tempo. Se ele tiver filhos, pode ser casado. Se ele for casado, eu já posso me afogar em sorvete enquanto observo passar diante de meus olhos essa paixão repentina.— Não.— Ah. – mesmo querendo saber se é casado, eu resolvo testar outra tática. — Achei que fosse. Eu... – arrisco um olhar para suas mãos e não noto aliança.O Sr. Rogers parece adivinhar para onde estou direcionando meus pensamentos, pois estica os dedos sobre o balcão e me encara significativamente, como se estivesse me desafiando a perguntar. — Ér... curioso. Não sei. Livros de disciplina sem crianças.— Não são somente crianças que necessitam de bom comportamento. – argumenta. — É sempre bom e importante disciplinar, Srta. Romanoff. Não concorda?— Cla-claro. – sua observação pondera em minha cabeça enquanto eu me volto para o computador. Ele pode não ter filhos, mas pode ter sobrinhos.— E como vão as vendas por aqui? – Sr. Rogers estuda a livraria com seus olhos atentos de gavião. — Tem um bom movimento?— É... depende do dia. – respondo sem desviar meus olhos da tela, apenas balançando a cabeça levemente para os lados. — Atualmente, muitos jovens preferem os filmes.
— Mas há muitos livros que não viraram filmes, Srta. Romanoff.— Só... "Nat". Ér... quer dizer, pode me chamar de "Nat". – sorrio para ele olhando rapidamente em seus olhos. — E eu sei que têm livros que ainda não possuem versões cinematográficas, mas existe uma coisinha chamada pdf. – parece que o Sr. Rogers não compartilha da minha brincadeira, pois observo seu maxilar tenso e os punhos apertados. Okaaaay... talvez ele seja fã de segurar os livros nas mãos!— Tem resposta para tudo, Nat.Ergo o rosto enquanto me sinto corar, mas não por medo ou vergonha, mas sim por felicidade. Ele me chamou de "Nat"! Só porque você falou, idiota!— Ahn... espere só um minuto que... que vou buscar os livros que me pediu. – encerro a busca no computador e saio de trás do balcão.— Okay.Caminho para o meio das estantes de madeira e procuro pela categoria de Empreendedorismo. Enquanto continuo atenta à separação de ordem alfabética das estantes, sinto o olhar do Sr. Rogers queimar minhas roupas e atingir minha pele nua.Esse homem tem um poder de reivindicar coisas que não são suas para tomar. Ele consegue captar toda minha atenção num estalar de dedos. Eu me sinto frágil, necessitada e completamente à sua mercê quando estamos perto um do outro. Isso trai todos os ensinamentos que tive e toda a luta que busco defender enquanto mulher independente e forte. Sr. Rogers consegue manipular minha sanidade a seu favor sem nem ao menos se dar conta de que está fazendo isso!Finalmente, acho logo dois dos quatro que me solicitou. Minha altura limitada, mesmo que eu esteja me esforçando nas pontas dos pés, não permite que eu alcance os livros solicitados. Ótimo!— Quer uma ajudinha?O calor de sua voz aquece meu pescoço. Levo um susto quando percebo que o Sr. Rogers se aproximou de uma maneira tão silenciosa e eu nem sequer notei.— Sim, por favor.— Onde estão?— Aqui, Sr...— Steve. – ergo o rosto para ele.— Como?— Pode me chamar de Steve.— Okay. – não consigo esconder o sorriso em meus lábios. — Ér... os... os livros estão aqui. – aponto para cima e, antes que possa retirar minha mão, a ponta do indicador direito de Steve acaba tocando o meu.Afasto a mão e olho para os meus pés novamente enquanto Steve pega os livros. Com seu movimento de esticar o braço para poder agarrá-los, acabo sentindo seu aroma.Ah... cheiro de perfume caro, de sabonete líquido perfumado. Cheiro de limpeza. Hmmmm... aspiro mais uma vez e constato: cheiro de Steve Rogers!— Pronto!Sua grossa e aguda voz chama minha atenção, o que me faz reabrir os olhos num sobressalto. Eu coro mais uma vez ao notar seu fixo e confuso olhar em meu rosto.— Obrigada! – pego os livros de suas mãos e consigo evitar de encostar em sua pele. — Os outros dois estão para lá. – viro a cabeça e aponto para frente antes de me voltar para Steve.— Está bem. Vá na frente. – ainda que tenha sido sútil, meu corpo reage à energia de sua ordem. Mais uma vez, eu me encontro obedecendo a Steve Rogers enquanto sigo para a categoria de Educação.Na prateleira de cima, eu encontro o livro que Steve me pediu. Estico o braço para pegar, mas Steve é mais rápido e o segura antes de mim.Eu agradeço com o olhar antes de pegar o próximo, que dessa vez estava ao meu alcance!— Pronto, Sr... ér... Steve. – ele força um sorriso com minha correção atrapalhada.— Obrigado!— Ér... quer... quer ma-mais alguma coisa?— Não.Assinto, passando por ele e caminhando até o balcão do caixa, onde deposito os quatro livros sobre a tábua de madeira e me sento no banco que tem atrás de mim.Pego o primeiro livro e começo a passá-lo pela máquina, checando o valor dos outros em seguida.— Natasha? – Steve me chama.— Sim?— Em nosso primeiro encontro, disse que havia ido entrevistar Priscilla Donut.— Sim.— Não tive a chance de perguntar, mas quero muito saber: como foi a entrevista?De princípio, estranho sua curiosidade e hesito em lhe dizer. Mas, após alguns segundos, acabo relaxando os ombros e respondendo:— Ah... foi boa.— Boa? Como assim?— Ahn... boa. Ela respondeu a tudo que eu precisava. – dou de ombros. — São sessenta dólares.Steve não diz nada em troca. Apenas me encara com uma séria e repreendedora expressão enquanto pega sua carteira no bolso traseiro da calça jeans e me entrega a quantia em dinheiro.— Natasha? – ele chama novamente enquanto eu guardo os livros numa sacola de papel.— Hmmm?— Não respondeu à minha pergunta.— Como? – arregalo os olhos. — Respondi, sim.— Não, você disse que foi boa e eu perguntei como assim.— Ér... mas eu... e-eu...— Responda.Sua voz sai num tom firme e autoritário. Mais uma vez, sua atitude mandona me irrita. Por que ele pensa que pode só mandar e os outros têm que obedecer?Penso em rebater de maneira ríspida e direta, mas desisto quando os olhos de Steve se suavizam para mim, como se ele tivesse percebido meu desconforto diante de sua imposição.— Sinceramente? A entrevista foi boa. Mas... eu não diria que a Srta. Donut pudesse ser chamada de simpática. – um riso nervoso me escapa enquanto eu estendo a sacola com os livros sobre o balcão.— Ela te tratou mal?— Não! Não, não! Por favor, não pense isso.— Então o que ela fez?— Não fez nada. Apenas foi bastante formal e um pouco sarcástica. E também esnobe. Mas eu entendo.— Sinto muito.Congelo e o encaro com olhos arregalados. Steve está se desculpando pelo comportamento que Priscilla Donut teve comigo?— Sente? Pelo o quê?— Pelo jeito que Priscilla te tratou. Sei exatamente como ela é e imagino que não tenha sido... fácil a tal entrevista.— Não se preocupe. A verdade é que não tenho ao certo do que reclamar, Steve. Mas... obrigada, mesmo assim.Ele sorri. Doce e simpaticamente pela primeira vez desde que nos conhecemos!— Bom, caso esteja interessada, minha empresa está com novas vagas de estágios em algumas áreas. Se quiser...— Estágios? – indago. — Há aberturas na área de Moda?— Moda?— É. Ah, mas não é para mim. É para Rebby. Quer dizer, Rebecca. Ahn... digo... Srta. Deelwish, minha amiga.— Acredito que tenha. Mas creio que acabará logo. Portanto, caso a Srta. Deelwish realmente queira a vaga, aconselho que seja rápida.— Certo, eu falarei com ela. – sorrio para Steve, mais uma vez perdida naqueles lindos e distantes olhos azuis.— Mas e você? Não está interessada?— Ah... bom... eu... ér... é complicado. Eu tenho meu emprego na livraria e os estudos na faculdade. Por enquanto está bom para manter as contas.— O estágio paga. Pode mudar de emprego. – Steve sorri para mim mais uma vez.— Ah, obrigada, mas... eu acho que não. Está bom como está. – mas por que todo mundo tenta me empurrar para empregos que são de fora da minha área? Será que ninguém notou ainda que eu não estou fazendo Psicologia à toa?— E por quê? Como assim?— Bom, essas coisas de moda e empresas... acho que não dá para mim. Não são minha praia.— E o que é a sua praia, Natasha?— Ah, eu não sei. – olho ao meu redor e sorrio erguendo os ombros para Steve. — Que tal livros?Ele sorri de volta, desviando seu olhar rapidamente para baixo antes de se voltar para mim.— Então prefere a livraria?— Ér... não, não é isso.— Então o que é?— Nada de importante. Acredite.— Diga, Natasha.Mais uma vez, seu tom autoritário e firme me faz corar e desviar o olhar para baixo. Não gosto de me sentir intimidada com ele, mas parece que Steve não me dá muitas alternativas.— Bom... é bobagem. Não vai querer saber. E vai me achar idiota.— Longe disso! Pode dizer. Por favor.Por favor. Não sei por quê, mas este por favor que Steve pronunciou para mim me faz sentir amolecida e eu não consigo lhe dizer "não".— Não é nada de mais, Steve. Só acho que... que eu não me encaixaria lá. – ele parece não me compreender de primeira, o que me força a explicar numa forma mais direta. — Quero dizer... – reviro os olhos timidamente. — ...olhe para mim!Steve permanece em silêncio por um tempo parecendo me analisar atentamente. E então diz:— Eu estou.O ar falta em meus pulmões. Minhas pernas travam. Meu coração dispara. Meu rosto congela. Oh.Meu.Deus!— Nat!A voz de Clint chama nossa atenção. Ele vem pelo corredor com seu sorriso acolhedor e amigável de sempre.— Oi, Clint. – ele me dá um abraço de lado. — Steve, este é Clint. Somos amigos desde crianças, é um verdadeiro irmão para mim. – não sei por quê, mas ao notar o olhar que Steve direciona para Clint, que ainda está abraçado a mim, trato logo de explicar que somos apenas amigos. — Clint, este é Steve Rogers.— Steve Rogers? – Clint se solta de mim. — Steve Rogers, o magnata e empresário?— Sim. – Steve responde.— Muito prazer, Sr. Rogers! Sou Clint Barton e sou um grande fã de seu trabalho!Clint estica sua mão para Steve, que olha para mim e, em seguida, para ele, num modo desconfiado e impaciente, logo depois forçando um rápido sorriso e aceitando o cumprimento de meu amigo.— Obrigado, Sr. Barton! Ahn... tenho que ir agora, Romanoff.Steve pega sua sacola com os livros e se prepara para sair, mas antes fala comigo:— Ahn... Romanoff?— Sim, Steve? – fico em dúvida se devo chamá-lo pelo primeiro ou segundo nome, mas acabo desistindo e falando com informalidade.— Fale com sua amiga sobre o estágio. E pense na proposta que lhe ofereci. Eu fiz o que me disse.— E... ahn... o que foi que eu te disse? – sorrio nervosamente ao erguer os ombros.— Que eu olhasse para você. – sua resposta me silencia e me faz corar. — E eu olhei. Tome. Ligue para mim quando tiver uma resposta.Antes que eu possa dizer algo em troca, Steve deposita seu cartão sobre o balcão e abre a porta. Do lado de fora, ele caminha até um carro preto. Meu coração troveja quando eu tento associar esse mesmo carro ao da noite passada, mas resolvo não pensar muito no assunto. Para minha própria saúde mental. Um homem negro, alto e de porte musculoso abre a porta para Steve e a fecha quando ele entra. Observo enquanto dá a volta no carro e entra pelo lado do motorista antes de arrancar pela rua, deixando um montinho de neve e poeira para trás.Ainda estou parada olhando pelo vidro mesmo depois que ambos desapareceram. E as palavras de Steve ainda aquecem meu peito e martelam em minha cabeça.Que eu olhasse para você. E eu olhei.
Notas finais
E aí? O que acharam desse encontro? E os livros que Steve comprou? Disciplina? Nat não desconfiou de nada? Hahaha nossa...!
Please, acompanhem, favoritem, comentem e... futuramente ou não, recomendem ^^
Beijocas!
Ps: dúvida! Vocês preferem que eu coloque a tradução do título dos capítulos ou não precisa? Se quiserem, eu coloco, gente. De boa! ^^
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