I Put a Spell On You 🔞
45 Capítulo 45 — The coming of the end
Notas iniciais
Hello!!! Sei que demorei mais de um mês pra vir postar. Sinto muito. Nas últimas semanas, vinha andando muito concentrada às provas de vestibular.
Então, como prometi, o capítulo de hoje é TOTALMENTE dedicado à Miss Lovatic. Espero que goste, baby ;)
Aproveitem e perdão por qualquer erro de digitação. E leiam as notas finais, por favor, não é nada de importaaaaaante, só quero explicar umas coisinhas mesmo sobre a fic.
Tradução do capítulo: A vinda do fim

— O que fará hoje?Sua pergunta me faz parar de encarar sua boca macia e rosada. Meus olhos queimam para que eu pare de olhar para qualquer ponto que seja o rosto de Steve. E, relutantemente, eu obedeço.— Nada. – ergo os ombros. — Quer dizer, eu ainda não tenho um programa.— Quer ter um?— Qual? – eu o encaro com uma sobrancelha levantada. — Cabeceira de cama, gravatas e cinto de couro?— Bom, para fechar o dia, poderíamos fazer isso. – acompanho o sorriso que Steve me direciona. — Mas não. Podemos fazer algo diferente antes disso.— Eu estava brincando! – arregalo os olhos e Steve gargalha.— Mas eu não estava. – diz. — Sério! Você gostou, não gostou?Um calorzinho esquenta minhas maçãs do rosto. É como se minhas bochechas fossem bocas de fogão aquecendo algo. Ou fogueira assando marshmallows. Ou algo fritando, como batatas. Ou... Okay, menina. Já entendemos!— E então? – Steve pisca. — Você gostou?O calorzinho volta a se proliferar em meu rosto. Os graus da minha timidez aumentam gradativamente.— Ér... – o calor é tanto que começa a evaporar. — Si-sim.— Sim? – Steve sorri abertamente e o calor começa a descer. — Mesmo?— Sim. – a quentura está em meu pescoço. — Sim, eu gostei. Mesmo.— Eu não machuquei você, machuquei?Quando o loiro fatal me lança uma piscadela, o fogo de minha excitação se instala lá embaixo. Meeerda! Eu preferia a fogueira do rosto.— Não. – ofego. — Você nunca me machucou.— Nunca?— Nunca. Nem mesmo quando me castigou.— Não me diga isso. – Steve segura meu rosto. — O propósito das punições é ser doloroso.— Por quê?— Porque é um castigo. – em uma simplicidade de explicação, Steve ergue os ombros. — Qual o tipo de castigo físico que não é doloroso?— Ér... é, é verdade. – assinto com a cabeça. — Bem, mas não estou dizendo que não doeu. Só disse que você não me machucou. Tem uma diferença.— Qual?— Não sei explicar, Steve. – suspiro. — Mas eu senti que você se controlou.— É. – uma respiração trêmula escapa de sua boca. — Eu me controlei.— E por quê?— Perguntas proibidas. – Steve enruga o cenho e eu noto que é hora de parar.— Okay.Um silêncio gritante se instala no ambiente, mas Steve ainda não retira as mãos de meu rosto. Lentamente, vem se aproximando de mim até a maciez de seus lábios acariciar os meus.Eu me entrego. Ergo as mãos e as posiciono nos lados de seu pescoço, sentindo sua língua dançar dentro de minha boca. Hmmm... isso é tão gostoso!Ofegantes, nós nos separamos. Steve ainda acaricia meu rosto encostando a testa na minha. Querendo apenas aproveitar a paz do momento, fecho os olhos e me permito curtir todo esse carinho.— Não vejo a hora de te levar para casa. – murmura.Quê? Ele disse isso mesmo? Quer me levar para casa? A ambiguidade de sua fala dá um sacode em meu coração, mas eu sei que é uma linha tênue pensar desse jeito. Mesmo com a ambiguidade presente, não devo me iludir. Não mais do que já faço.— Disse que quer me levar para casa? – o lampejo de surpresa escapa de meus lábios e dança no brilho de meus olhos, mas Steve parece não perceber. Ou finge que não notou.— É. Não está com saudades de Nova York?— Ah... – abro e fecho a boca. — Ér... sim. Sim, estou. Mas está sendo bom passar uns tempos com a minha mãe. – explico. — Estava com saudades disso também.— Entendo.É tudo o que ele diz e uma dúvida aguça a curiosidade de meu cérebro. Devo perguntar? Será? Devo ou não devo? Devo ou não devo? Devo ou não devo? Pergunte, porra!— Steve? – eu o chamo, mas ele continua com os olhos fechados acariciando minhas bochechas.— Fale, linda.— Ér... eu voltarei para Manhattan só na sexta. — E daí? – seus olhos ainda não abriram.— Bom... vai mesmo ficar aqui todos esses dias?Tenho a sensação de minha pergunta o pegar de surpresa assim como quando uma cobra dá o bote. Mas tenha calma, Steve. Eu não sou uma cobra. E, muito menos, você é a minha presa.— Ahn... por que a pergunta?Tibum! Ele abre os olhos e me devolve o mesmo pânico.— Ér... nada. Só curiosidade. Não tem que trabalhar?
— Tenho. – sua resposta sai num tom indiferente. — Mas também quero ficar aqui, com você.Antes eu estava me sentindo como um soldado dentro da armadura. A proteção de ferro — forte e gelada — estava me deixando poderosa. Nada podia me atingir. Estava imune a todos os golpes que poderiam chegar até mim e atravessar minha alma. Porém as palavras de Steve são mais letais do que pólvora.Agora que ele me disse isso, eu me sinto... nua. Minha armadura se partiu ao meio. E eu, o soldado frágil e ingênuo, estou sem definição. Não é medo. Surpresa, talvez? Pode ser. Mas ainda não se tem lógica para descobrir o porquê de minha armadura ter me abandonado.— Ahn... você... você quer?Dou um passo para tentar reconstruí-la, mas sinto que falho. Merda! Não fora o bastante! Melhore isso aí!— Quero.Uma vassoura gigante começa a varrer os cacos de minha armadura para longe. Estico braços invisíveis para resgatá-la, mas ainda não é o suficiente. Preciso de mais.— E por quê?Opa! A vassoura erra o lado. Já consigo ver o brilho do ferro da armadura. Continue assim, continue assim.— Eu preciso ter um motivo para querer ficar com você?Nãããão! A armadura já está no lixo. Não tem mais jeito, menina. Encare-o. Nua, frágil e ingênua como é de costume. Mas... Não! Não tenha medo. Continue— Não. – afirmo. — Quer dizer, eu acho que não.— Natasha, o que foi? – Steve solta meu rosto e encosta as mãos nas minhas sem quebrar contato visual comigo.Eu me sinto intimidada. E com raiva. Seu olhar está seguro e determinado enquanto o meu está assustado e vulnerável.Gotinhas de desespero começam a ocupar minha testa. Fico tentada em limpá-las, mas não consigo soltar minhas mãos das de Steve.— Nada. – minha voz vacila. — Só pensei que... que não pudesse ficar por tantos dias.— Natasha, sinceridade. – ele se debruça no banco do parque e novamente segura meu rosto entre suas mãos. — Por que está desse jeito?— Qual jeito? – ergo os ombros.— Você sabe.— Steve...— Insegura. Surpresa. Desacreditada.— Não estou assim.— Natasha. Diga a verdade. Você está exatamente assim, não está?Uau! Deus! Ao ouvir tais palavras, noto que, diferente de Steve, eu sou um livro aberto. Tanto para ele quanto para qualquer outra pessoa. Aprenda a disfarçar suas emoções, menina. É possível, Little Red? Você tem um grande exemplo bem à sua frente.— Um pouco. – admito. — Por quê?— Porque eu sou assim, Steve. – o rubor sobe por minhas bochechas assim como o preço da gasolina sobe nos postos. — Não me pergunte por quê. Eu também gostaria de saber.— Você não precisar ficar assim. – o tom de sua voz está calmo e dócil. — Não precisa ser assim.— Mas eu não escolhi isso, Steve. Aconteceu. E acontece. Todo dia, toda hora. Eu... eu nasci assim. Cresci assim.— Pode mudar.Enquanto ele fala, noto que a hipocrisia marca território em sua forma de pensar. Por que eu devo mudar, Steve? E você? Também não deve?— Você está falando isso para mim? – o tom da ironia percorre toda a minha fala. E Steve percebe— Sei do que está falando. – suas mãos se afastam de meu rosto e o calor de sua pele longe de mim me transmite uma sensação de frio e solidão. — Sei a que está se referindo.— Então...?— Natasha, a resposta é simples e permanente.— Como assim?— Eu. O meu passado não permite que eu mude.— E por que não?Criando coragem, subo a mão e toco no rosto de Steve. Ele me encara, mas não se afasta do meu toque. Não recua. Não foge. Não tem medo. Pelo contrário. Parece apreciar minha atitude.— Porque não adianta mais. – responde. — Depois de tudo o que me aconteceu, isso acabaria sendo indiferente.Mais mistérios. Sua vida é como aqueles livros de suspense que você só consegue entender no final. Só que, diferente de livros e filmes, a vida é real. A única semelhança de vida e livros de ficção é que ambos acabam. Mas seus trajetos até o fim são diferentes. Nenhum serve de exemplo para o outro. São controvérsias do bem e do mal.O suspense que Steve carrega consigo faz com que tal análise se torne uma antítese amargurada. Sua bipolaridade me faz ter dor de cabeça. Analgésicos me ajudam nisso, mas infelizmente não tenho comprimidos para amenizar a dor que sinto no peito. Posso recorrer a um hospital, só que, infelizmente, não é um infarto. Infelizmente? Está maluca?! Não, Little Red. Ao menos eu saberia como tratar. E já não sentiria mais essa dor sufocante e incurável.— Bom... – umedeço os lábios antes de mordê-los. — ...se não tentar, nunca poderá descobrir.— Já usei essa tática de pensamento.— E qual foi o resultado?— Não deu certo. – Steve ergue os ombros e me lança um olhar... triste? Confuso? Abandonado? Não consigo decifrar o que ele sente. — Esqueça isso.— Mas, Steve...— Eu disse para esquecer, Natasha! – a firmeza abrange sua voz.— Okay. – concordo. — Bem, e então? O que faremos hoje?— Não sei. Acho que podemos... – minha frase é cortada quando meu celular vibra. — Alô?— Natasha?— Ahn... sim. E você?— É o seu pai.— Pai? – levanto do banco do parque vendo que Steve faz o mesmo. — O que foi? Por que me ligou? Aconteceu alguma coisa?— Calma. Não aconteceu nada. – papai me tranquiliza rapidamente. — Está tudo bem, princesa. Eu estou bem, não houve nada de grave, certo?— Ah, sim! – meu rosto cora. — É que não temos muito o costume de nos falarmos por telefone. Fiquei preocupada.— É, eu entendo, mas não aconteceu nada de importante.— Então por que me ligou, pai?— Bem, eu tenho uma notícia.— Notícia?— Sim. Quer dizer, está podendo falar agora?— Es-estou. – gaguejo. — O que foi, pai?— O período de estágio da Minds Manhattan começará semana que vem, princesa. – papai faz uma pausa e ri. — É a sua chance, filha!Perco o ar. Meus pulmões ficam parecendo uvas passas de tão fracos e destorcidos que devem estar.Algo se aperta em meu peito e eu sinto um gelado sufocante descer por meu estômago. Meus pés formigam com o tamanho de ansiedade que sinto dentro de mim.Meu Deus! Como eu pude me esquecer? Como eu pude relaxar quanto a meu futuro? Como pude deixar de lado minha ambição? Como pude me desligar de minha formação, de minha vida? Como pude me abster tudo em prol de Steve? Ele definitivamente suga todo o meu tempo e disposição!— Um amigo meu me informou esta manhã. E então? Vai se inscrever assim que voltar para Nova York, não vai?— Ér... cla-claro! – afirmo com convicção. — Claro que vou, só... só estou tentando me acostumar com a ideia. E-eu nem me lembrava que começaria semana que vem. Nossa! Estou... não sei, surpresa demais.— Como assim?— É que... bom... é verdade que o estágio pagará, não é?— Sim. Você mesma já havia me dito isso, princesa.— Eu sei, eu sei, mas faz tempo que eu não consulto o site de lá. — Não se preocupe, nada mudou. O estágio pagará como se fosse um emprego de verdade. Claro que o salário não será o mesmo dos que trabalham por lá, mas é bom.— É. Eu sei. Obrigada por me relembrar, pai. – abaixo o olhar e coro. — Vou falar com minha mãe hoje.— Por quê? Ela é contra?— Não, mas ela me chamou para cá para que pudesse me ajudar a arranjar um emprego. Então eu me sinto no dever de dizer a ela, pai. Você entende, não é?Ouço a profunda respiração de papai e me contento em fazer o mesmo, só que silenciosamente.— O que foi, Nat? – sussurra Steve ao meu lado.— Nada. – respondo vendo que ele enruga o cenho. — Pai, eu vou conversar com a minha mãe e te dou uma resposta, certo? Por favor, pai, fale comigo.— Certo, princesa. Certo. Desculpe, é que... bom, deixa para lá. Eu espero a sua ligação mais tarde, tudo bem?— Okay. Obrigada, pai. Eu te amo.— Também te amo, princesa. Até mais.— Até.A chamada é encerrada. Fico parada olhando para o telefone que está em minha mão direita. Por um momento, eu me esqueço de onde e com quem estou. Só volto à realidade quando o calor das mãos de Steve aquecem meu rosto.— Nat? – seus polegares macios acariciam minhas bochechas coradas. — O que foi? Você está bem?
Minha visão parece ficar turva e eu me agarro aos ombros de Steve para não cambalear para trás.— Natasha! – ele me faz sentar novamente no banco. — Ei... – suas mãos voltam a segurar meu rosto. — Ei, ei, olhe para mim. – percebo a súplica em seu tom de voz, mas não consigo lhe responder. — Nat? Ei...— Steve... – murmuro.— Estou aqui. – Steve beija minha testa. — O que foi? O que seu pai disse? Está tudo bem?— Sim. – assinto com a cabeça. — É que... eu recebi uma notícia que poderá... que poderá fazer o meu futuro! E eu acho que me pegou muito de surpresa. – forço um sorriso sentindo o embrulho em meu estômago piorar ainda mais.— Natasha, respire. – uma mão de Steve solta o meu rosto e se entrelaça com a minha.Diferente da dele, minha mão está gelada e trêmula. O calor de sua pele a aquece e eu quase ronrono por senti-lo.— Fique calma. – ele aperta os meus dedos. — O que foi? O que ele te disse? Algo ruim?— Não... pelo contrário! – estou sem ar. — Uma notícia maravilhosa!— Mas...— Preciso de água. – peço. — Por favor.— Ahn... tá, mas... onde eu vou arranjar água? – ele olha ao nosso redor e eu o imito.Poucas pessoas passeiam pelo parque. Algumas são mães com carrinhos de bebês. Outros são donos de cães. Mais ao longe, vejo mendigos. E senhores e senhoras de braços cruzados. Mas poucos. E, dentro de todo esse cenário, nenhuma lanchonete!— Natasha, temos que ir embora. Venha. – Steve me puxa pelas mãos. — Consegue andar? – noto a preocupação em seu tom e semblante. — Ou quer que te leve no colo?— Não. – balanço a cabeça. — Não precisa. Eu estou bem.— Certeza? Posso chamar Fury para que ele venha nos buscar.— Não! – agarro o braço de Steve impedindo que ele pegue o celular no bolso de seu casaco. — Não precisa. Nós podemos ir andando. É até bom.— Por quê? – seus olhos se arregalam. — Está com falta de ar?— Steve...— Porra, Natasha! Está me deixando preocupado, merda! – Steve grunhe visivelmente nervoso. — O que você está sentindo?— Sede. E ansiedade. Olha, vamos para casa, certo? Acho que minha pressão caiu.Ele suspira passando as mãos pelos cabelos antes de voltar a me segurar firmemente.— Certo. Se sentir qualquer coisa, avise, entendeu?Não consigo evitar o sorriso que se forma em meu rosto. Steve realmente se preocupa comigo!— Sim, entendi.▪️▪️▪️Enquanto caminhamos pelas ruas de Beverly Hills, eu apenas aproveito o leve ar gelado da cidade. Diferente de Nova York, a Califórnia consegue manter um calorzinho durante todo o ano. Claro, nada comparado ao Rio de Janeiro no Brasil. Mas podemos aproveitar a gostosura do sol penetrando em nossos poros.Finalmente chegamos em frente à casa de minha mãe. Steve segura minha mão e beija o torso sutilmente.— Você está bem?O calor de sua voz queima minha pele. Comparo à queimadura de um cigarro e percebo que Steve tem o poder de incendiar mais forte do que qualquer outra brasa.— Sim. – ignoro as profundas e complexas metáforas de meus pensamentos. — Sim, eu estou. Não precisa se preocupar.— Mesmo?— Mesmo.— E a sede?Olho para baixo e sacudo a garrafa de água quase vazia na minha mão esquerda.— Já matei. – respondo.— Ainda está com falta de ar?Inspiro o ar profundamente, sentindo um alívio gostoso se espalhar dentro de mim quando preencho meus pulmões de oxigênio.— Não.— Verdade?— Uhum... – libero o ar preso. — Eu estou bem, Steve.— É o que eu espero. – resmunga ao segurar meu rosto.— É verdade! – afirmo quase batendo pé. — Pode acreditar.— Okay... – Steve suspira. — Quer que eu entre com você?— Não precisa. – abaixo rapidamente a cabeça e volto a corar violentamente ao reerguer o olhar para Steve. — Ér... quer dizer, se quiser entrar, é claro que...— Tudo bem, tudo bem. – ele sorri. — Está melhor?— Estou. E eu sei que você está louco para saber o que o meu pai disse.— Nada de grave, eu espero.— Não. Eu te disse que havia sido uma notícia maravilhosa.— E o que foi exatamente?Não consigo evitar o enorme sorriso que cresce em meu rosto.— Minds Manhattan. – falo e Steve arregala os olhos.— O que tem? Vai trabalhar lá?— Vou tentar. – sorrio. — Será um estágio de um mês. E eu tinha me esquecido completamente! – mais uma risada nervosa me escapa.— Quando começa? – Steve parece contente com minha reação.— Na primeira semana de fevereiro.Algo em mim estala. Parando de sorrir, eu noto o que é: o prazo. O contrato. O término da vigência se aproxima.Em um colapso de desespero, passo os braços ao redor dos ombros de Steve e o aperto contra mim. Ele parece confuso e surpreso com meu ato inesperado, mas resolve retribuir ao meu conturbado contato.O medo se instala em meu peito e começa a se espalhar pelo restante de minha alma. Em fevereiro, ao mesmo tempo em que estarei começando uma nova etapa de minha vida, eu também estarei terminando outra. E esta outra está sendo tão boa, importante e feliz que eu não suporto a ideia de já estar acabando.Já se passou mesmo um mês? Como? Por quê? As coisas boas se cessam em um piscar de olhos. Qual a explicação disso? Será aquele ditado de sempre: alegria de pobre dura pouco?Ainda abalada, eu movo o rosto para o peito de Steve e aspiro o aroma de suas roupas. Tão sereno. Tão limpo. Tão... Steve.— Está tudo bem, linda?Suas mãos acariciam meus braços fazendo movimentos de cima para baixo. Eu assinto ainda sem me mover.— Mesmo?— Uhum. – respondo e me afasto dele. — Desculpe. — Tudo bem. – Steve beija meu rosto e pousa os lábios sobre os meus. — É adoro beijar você, Natasha!Antes que eu possa dizer algo, sua língua separa os meus lábios e adentra minha boca. O ato é tão gentil e delicado que novamente eu me perco na magia de seu toque. Na leveza de seu beijo e na segurança de seus braços. É algo acolhedor e carinhoso, coisa que Steve não está acostumado a ser nem fazer.A surpresa fica lado a lado com a minha curiosidade, mas eu esqueço das duas e passo os braços ao redor do pescoço de Steve. Não quero que nosso beijo acabe. Não quero que nosso relacionamento acabe. Não quero viver sob regras ou vigências de contrato algum, mas a coragem para expor meus sentimentos é praticamente inexistente. E tudo o que eu posso fazer é esperar.Quando o ar nos falta, nós separamos nossos lábios, mas continuamos abraçados.— Espero que esteja tudo bem mesmo. – o sussurro de Steve me faz assentir ainda lânguida. — Sim, está. Não se preocupe.Ele afasta a testa da minha e pende a cabeça para o lado estudando o meu rosto. Eu me sinto nua para ele mais uma vez.— O que foi? – indago.— Eu que pergunto. – ele rebate. — Por que está com essa carinha?— Como assim?— Você sabe. – Steve sorri e acaricia meu queixo. — O que foi? Não está feliz com a oportunidade da Minds Manhattan, linda?— Ahn? Claro que estou!— Pois não parece. – Steve se inclina e me dá mais um beijo. — O que foi, Nat?— Nada, é que... eu só não quero alimentar falsas esperanças. Só isso.— Mas deve. É bom se empolgar, ainda mais com algo que você sonha há anos. — Eu sei, eu sei, mas... ér... olha, eu nem sei se vai rolar mesmo. – solto um riso nervoso e olho para baixo.— Por quê? – sinto os dedos de Steve trabalharem em desprender meu lábio inferior dos dentes.— Minha mãe. – um suspiro trêmulo escapa de mim. — Preciso arranjar um jeito de conversar com ela sem magoá-la.— Vai conseguir. Sua mãe obviamente deseja o melhor para você. – Steve afirma ao segurar meu rosto. — Assim como eu.— Assim como você? – minha voz desaparece num tom rouco e praticamente mudo.— Sim. – diz. — Vai fazer a escolha certa. Não se preocupe.— Obrigada. – sorrio antes de seus lábios tocarem os meus em mais um beijo voluptuoso e incandescente.Iniciamos uma busca por contato. Sua língua toca a minha e eu sinto infinitas descargas de volts percorrerem todo o meu corpo.Suas mãos descem e seguram minha cintura. Um beijo de cinema! Maravilhoso!TRIMMMMMMas que merda é...— Desculpe. – Steve grunhe e se afasta de mim para atender ao telefone. — Rogers! Sim! O quê?!Arregalo os olhos escutando seu grito agudo e nervoso.— Como isso, Veronica? Peggy me disse que ela chegaria em dois dias! – Steve faz uma pausa suspirando visivelmente nervoso. — E o que o Elton disse? Como assim não deu para saber? Impossível! Passe a ligação para a May. Não, não quero mais você nisso, Veronica. Não interessa! Não, nada de "Sr. Rogers, eu tentei"! Eu não te pago para tentar! Eu te pago para fazer! Então faça! Agora! Estou esperando a ligação, retorne com May na linha em um minuto.Soltando fogo pelas narinas, Steve encerra a chamada e me fita com o cenho franzido.— Está tudo bem? – caio na besteira de perguntar, mas, quando vejo, já foi.— Sim. – ele bufa. — Quer dizer, não, mas eu espero que fique.— Steve...— Terei que voltar a Nova York ainda hoje. – avisa. — Desculpe, Natasha.— Ah... trabalho?— É. – Steve parece tenso. — Tenho que... ér... me encontrar com uma cliente. Assuntos da empresa.— Tudo bem. – abaixo a cabeça rapidamente. — Eu estarei de volta dentro de alguns dias. – digo. — Passarão rápido.— Não passarão, não. – resmunga e segura meu rosto sutilmente. — Gostaria de ficar com você. – o brilho de seus olhos perfura a minha alma.— Eu sei. Eu também. – levanto as mãos e também toco em seu rosto. E, por incrível que pareça, Steve não se afasta.Ele pega uma de minhas mãos e beija o torso carinhosamente. Seu beijo é gentil, macio e estalado. Sinto minha pele queimar por sob o toque de seus lábios.Novamente, somos interrompidos pelo toque de seu celular.— Rogers. Sim. O que houve, May?Observo as expressões que Steve mantém no rosto. Variam entre raiva, preocupação e impaciência. Internamente, começo a me perguntar o que pode ter acontecido para deixá-lo tão perturbado assim. Com certeza deve ser algo além de um problema de trabalho. Ou então, se é mesmo, deve ser o problema, não um problema.— Mas fomos pegos de surpresa, May! Como não? Eu fui! Sim, mas a reunião não estava marcada para agora. Não, ela é sócia, mas eu sou o dono. É. Olha, ligue para minha advogada, ela conhece os detalhes. Não, fale só com ela. Não comente com mais ninguém. Certo. Confio em você, May. Não, vou pegar o primeiro avião com destino a Nova York ainda hoje. Sim, deverei estar chegando amanhã no máximo. Discutiremos mais sobre isso no escritório. Certo. Sim, quero que ela participe também. Obrigado!Steve desliga parecendo estar menos nervoso após essa conversa. Algo em mim ainda borbulha de curiosidade, mas é mais do que isso. É aflição.Alguma coisa me diz que Steve está em apuros. Mais do que tudo quero perguntar o que é, mas também não quero ser invasiva.— Não precisa ficar assim. – Steve nota o olhar que tenho no rosto. — Vai ficar tudo bem.— Como assim? – indago e ele pisca olhando rapidamente para baixo.— Nada. É que deu para perceber que você ficou um pouco nervosa, mas não se preocupe.— Quer contar o que é?— Problemas no escritório. Uma reunião com nossa sócia que estava marcada para daqui a alguns meses, mas ela resolveu adiantar. — E essa reunião trará coisas boas ou ruins?— Não sei. Nosso objetivo é romper sociedade, mas a sócia tem ideias contrárias a isso.— Oh! – assinto. — Espero que consigam resolver.— Eu também. – Steve suspira. — Mas não precisamos ficar com isso em mente logo agora que estou indo embora e te deixando.Por mais simples que seja, sua fala é uma futura ironia do destino. Pois dentro de alguns dias, serei eu a pessoa a estar indo embora e o deixando. Mas isso não será problema, pois outras virão substituir o lugar que eu deixarei.A ideia me faz apertar os lábios, mas me controlo para que Steve não perceba meu incômodo.— Logo estarei de volta. – murmuro. — A sexta vai chegar bem rapidinho e eu estarei em um voo direto para Nova York. Prometo manter contato enquanto isso.— Mas ainda falta. Mesmo sendo poucos dias de separação, é assustadoramente frustrante.Frustrante? Internamente, eu estava implorando para que Steve tivesse usado outra palavra. Uma palavra que soasse mais com sentimentos e menos com, até mesmo, uma mera frustração.Ele sentirá falta do quê? Do meu corpo? De me levar para cama? Ou de me levar para o seu Quarto das Brincadeiras? Isso é muito banal. E, já que só tenho mais alguns dias com o homem que eu amo, vou aproveitar de todas as maneiras.
Não sei como. Pois nos últimos dias de sua viagem, vocês dois estarão separados. Só terá o sábado e domingo com ele, menina. Não seja estraga prazeres, Little Red!— Também vai ser chato para mim. – decidida a pagar na mesma moeda, uso o adjetivo mais petulante que consegui encontrar, mas é claro não fará diferença a Steve.Algo muda em seu olhar, mas ele mantém a carranca séria e atenta a mim.— Não se preocupe, Srta. Romanoff. – Steve me lança um sorriso malicioso. — Quando nos reencontrarmos, nós mataremos toda a saudade.— Steve...— E de todas as maneiras. – afirma antes de me puxar para mais um tórrido beijo.
Notas finais
O que acharam? Mataram a saudade? Não sei quando sai o próximo, talvez... em um próximo feriado hahaha ou depois do ENEM. Sorry :/
Obrigada por todos os 1.337 comentários, 267 acompanhamentos, 123 favoritos, 20 recomendações e 40.983 visualizações :D
Please, continuem aumentando todos esses números
Beijocas e até a próxima!
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