Notas iniciais
Perdão por qualquer erro de digitação e aproveitem ^^ Tradução do capítulo: O jantar

— Você está bem?

Pisco repetitivas vezes antes de virar o rosto para Steve, que já está me encarando.

— Es-estou. – passo a língua entre os lábios e volto a fitar a porta à nossa frente.

— Mesmo?

— Sim.

— Sabe que pode me contar qualquer coisa.

— Eu te digo o mesmo e você não faz. – lanço um sorriso amarelo a ele.

— Natasha, eu já disse que...

— Eu sei, eu sei. Eu... eu estou um pouco nervosa.

— Por quê?

— Eu me sinto tão... tão deslocada aqui. E se não gostarem de mim?

— Quê? Ficou doida? Minha mãe adorou você! – ele estende o braço pronto para tocar a campainha.

— Calma, calma. – seguro sua mão. — Só... só me dê um tempinho. Por favor. – eu o encaro com uma expressão pidona, pois sei que Steve acaba "amolecendo" com isto.

Amolecendo? Ele? Steve Rogers, o sádico, controlador e ditador? Você só pode estar maluca! Ai, para, Little Red!

— Ahn?

— Ahn o quê? – repito o mesmo som de Steve com a testa franzida.

— Você... você falou sozinha?

— Sozinha?

— É.

— Eu... eu falei sozinha? – solto minha mão da sua e a levo ao peito. — Quando?

— Agora.

— Eu?!

— Sim, você bufou e disse "Ai, para, Little... Red". Quem é essa?

— Oh, meu Deus! – um calor desconfortável sobe por meu rosto. — Ér... eu... eu...

— Quem é Little Red, Natasha? Que porra de nome é esse?

— É complicado de explicar.

— Tente.

— Steve...

— Eu gostaria de conhecê-la.

— Mas você não pode.

— Por quê?

— Porque... ela não é real.

— Ahn?

— É... é um papinho de maluco.

— "Papinho de maluco"? – suas sobrancelhas alcançam a testa.

— É.

— Natasha...

— Little Red é a minha amiga imaginária!

— O quê?! Como assim "amiga imaginária"?

— Todos têm.

Crianças têm.

— Adultos também. – dou de ombros em minha defesa.

— Eu não tenho.

— Tem, sim! Você só não conversa com ela. Ou ele.

— Natasha...

— Precisamos da nossa consciência convivendo e se manifestando em nós. Ela sempre nos alerta e nos salva quando estamos sonhando alto demais. Little Red vive fazendo meus pés tocarem o chão.

— Natasha, você está bem? – Steve toca em minha testa com as costas da mão.

— Sei que pode parecer besteira, mas não é. – afasto sua mão de minha cabeça e entrelaço meus dedos aos seus. — É importante conversarmos com nosso interior.

— Okay. – ele respira fundo ao assentir. — Eu vou tentar. Tudo bem?

— Sério? Você?

— É. Por quê?

— Não, nada, é que... não te imagino fazendo isso.

— Não?

— Não. Não, espera. Na verdade, eu imagino. Muitas vezes! Mas, agora que você está afirmando que vai tentar, fico feliz. Acho que você precisa. E vai ser bom.

— É. Pode ser. Só me prometa uma coisa.

— O quê?

— Converse com a tal da Little Red em particular. Certo?

O que este ogro tem contra mim? Eu sou muito útil!

— Certo. – ignoro a pertinência de minha consciência. — Mas eu não sou maluca!

— Eu não disse isso, minha linda.

— Mas agiu e pensou como se eu fosse.

— Bom, não é sempre que as pessoas me dizem algo como o que você me disse. Na verdade, ninguém nunca disse isso para mim antes.

— Para tudo se tem uma primeira vez, Sr. Rogers.

— Verdade, Srta. Romanoff! Mas eu posso perguntar mais uma coisa?

— O que é?

— Por que "Little Red"?

— Ah... – meu rosto esquenta enquanto eu rio. — Acho que por eu ser ruiva.

— É. Nota-se. – ele murmura a contragosto e eu mordo a língua para segurar minha resposta ríspida.

— Bom... estou pronta agora! Vamos entrar?

— Vamos!

Sem esperar mais, ele estica seu braço e toca a campainha. Minhas pernas fraquejam de nervoso e, devido a isso, eu me agarro ao tecido do casado de Steve com força.

— Tudo bem?

— Será que vão gostar de mim? – formo um beicinho em meus lábios, vendo Steve sorrir docemente para mim.

— Já falamos sobre isso, Nat. – no momento em que termina sua frase, a porta é aberta por uma mocinha baixa e morena.

— Boa noite, Sr. Rogers! – ela o cumprimenta antes de nos dar passagem. — Boa noite, senhorita! Posso pegar seu casaco?

— Sim. Obrigada. – estico os braços para trás e entrego a peça de roupa a ela.

— O seu também, Sr. Rogers?

— Sim, Lily. Obrigado.

— E as luvas? – pergunta e nós assentimos antes de lhe entregar.

— Steve! – Sarah caminha até nós com os braços abertos. — Filho! Você chegou! Joseph, eles chegaram!

— Oi, mãe. Tudo bem? – Steve parece tenso quando é engolfado por sua mãe.

— Sim, querido. Está. Oi, Natasha!

— Oi, senhora...

— Ah, ah, ah... nada de "senhora". Combinamos que seria Nat e Sarah.

— Certo. Sarah. – meu rosto esquenta enquanto eu a abraço rapidamente.

— Olá!

— Joseph! – Sarah vai até ele e para ao seu lado. — Esta é Natasha Romanoff, a amiga de Steve.

— Muito prazer, Srta. Romanoff. Eu sou Joseph Rogers. Sinto muito não termos nos conhecido no mesmo dia em que conheceu minha esposa. Eu estava ocupado resolvendo um assunto de trabalho.

— Oh, não. Está tudo bem, Sr. Rogers. Não se preocupe. E pode me chamar apenas de Nat.

— Só se me chamar de Joe.

— Combinado.

Sorrio e Sarah me puxa para dentro da casa enquanto Steve e Joseph conversam e trocam um abraço. Diferente de como age diante da mãe, Steve parece mais caloroso e receptivo à interação de seu pai.

Minha paixão por desvendar e compreender atiça minha curiosidade. Por que será que ele reserva toda a sua hostilidade e revolta apenas à Sarah?

— Nat!

Percorro os olhos pela luxuosa e extensa sala de estar de Sarah em busca da conhecida dona da voz que me chama.

— Rebby!

Ela se levanta do sofá num pulo antes de correr até mim. Rebecca me abraça apertado e eu preciso segurar o gemido de desconforto que queima minha garganta quando ela pressiona os braços em meus quadris doloridos.

— Oi! Uau! Você está linda! – Rebby me analisa de cima a baixo.

— Obrigada! Você também.

— As duas estão um espetáculo! – Sarah para ao meu lado. — Natasha, sei que já conhece o Sam. – ela aponta para o moreno sentado no sofá.

— Sim, eu conheço. Oi, Sam.

— Oi, Natasha. – ele se levanta e me cumprimenta com um beijo na bochecha.

Steve se junta a nós com seu pai antes de circular minha cintura com seu braço. Rebby nos encara com um sorriso discreto no rosto antes de se sentar ao lado de Sam.

Sarah se move para o lado direito e me permite ver a figura elegante e morena que está sentada do outro lado do espaçoso sofá.

— Bom, é claro que se lembra da...

— Sim. – eu a interrompo sutilmente com um sorriso. — Oi, Carter.

— Carter é meu nome de solteira. – a morena deposita seu copo de whisky sobre o porta-copos em cima da mesa. — É apenas Peggy. Oi, Natasha. – ela se levanta ao me cumprimentar com um rápido abraço.

— Oi. – devolvo o gesto quase sem jeito antes de me sentar ao lado de Sarah.

— Oi, Steve!

— Oi, Peggy. – ele tenta fugir de seu abraço ao sentar ao meu lado, mas Peggy é mais ágil e consegue o que quer.

— Estava com saudades! Que bom que puderam vir! – ela se solta lentamente antes de repousar os quadris no assento à nossa frente.

— Era o que minha mãe queria! – Steve alfineta antes de acariciar meu joelho. — E então? Cadê o Bucky? – ele se volta para Sarah.

— Ele chegou um pouco tarde por conta do atraso do voo. Vou ver se já saiu do banho.

Sarah se levanta e caminha em direção às escadas deixando o lugar ao meu lado livre, que logo é ocupado por Joseph.

— E então, Natasha? Conte um pouco sobre você! – ele sorri simpaticamente. — Rebecca já sei que é estilista de moda.

— Sim. – minha amiga ri por trás de seu copo. — Com um trabalho maravilhoso.

— Com ninguém mais, ninguém menos do que Priscilla! – Joseph completa com mais um sorriso. — E parabéns por esse convite! Milhões de garotas se matariam por essa oportunidade!

— Já ouvi muito isso. – Rebby revira os olhos de brincadeira, o que nos provoca mais risos.

— Mas e você, Natasha? – Peggy pergunta e eu vejo Rebby apertar os olhos em sua direção. — O que faz da vida? É estilista como sua amiga?

— Não. Esse dom pertence à Rebby. Eu dou do ramo da mente.

— Da mente? – Joseph indaga interessado.

— Sim. Acabo de me formar em Psicologia. – respondo de nariz empinado.

— Psicologia? Nossa! Parabéns! – Peggy parece impressionada.

— Eu digo o mesmo! – o pai de Steve reforça. — É uma profissão muito bonita! Parabéns por escolher um ato tão nobre e importante como esse para tocar sua vida!

— Obrigada. – murmuro envergonhada sentindo que Steve abraça meus ombros em forma de apoio.

— Chegamos!

Direciono meu olhar para Sarah, que termina de descer os degraus da comprida escada com um moreno alto e de olhos claros ao seu alcance.

— Natasha, quero que conheça nosso filho caçula: James Rogers.

O filho de Sarah desloca os olhos rapidamente para mim num comprimento gentil e caloroso. Eu fico de pé para apertar sua mão e me apresentar de forma simpática.

— Olá! Sou Natasha Romanoff! – ele pega minha mão e beija o dorso.

— Muito prazer, Natasha. Pode me chamar apenas de Bucky. – o irmão de Steve me solta e descansa as mãos nos bolsos da calça. — Rogers!

— Barnes!

Steve e Bucky trocam um olhar divertido antes de se abraçarem. Mais uma vez, noto um Steve receptivo e amigável com mais alguém de sua família.

Sarah parece pensar a mesma coisa que eu, pois noto seus olhos se abaixarem para o chão de forma triste e revoltante. Joseph pega em sua mão e balança seus dedos, o que chama sua atenção e a faça sorrir distraidamente.

Eles pensam que estão sendo discretos, mas eu consigo ler algum tipo de mensagem silenciosa ali presente. Algo de doloroso existe entre Steve e a mãe. E Joseph sabe o que é.

— E aí? Como foi a viagem? – Steve solta Bucky e volta a se sentar ao meu lado.

— Ah! Steve, filho, espere um pouco. – Sarah sorri em tom de brincadeira. — Bucky ainda nem conheceu Rebecca!

— Oh, sim! Olá! – Bucky pega na mão de Rebby após ela se levantar. — Apenas Bucky.

— Apenas Rebby. – ela responde toda sorridente antes de se voltar a Sam.

— Okay. – Bucky ri e se senta ao lado dos pais antes de cruzar as pernas. — E então, Steve? Quer saber como foi em Roma? – meus olhos ganham um intenso brilho com a menção do nome da cidade. — Já adianto que foi maravilhoso!

— Conseguiu alguma coisa por lá?

— Nah. Fui lá só para aquilo mesmo. – responde e noto Sarah ficar tensa. — Mas já estou melhor. E decidi ter o emprego de Nova York mesmo.

— Em que trabalha, Bucky? – Rebby atrai sua atenção.

— Eu me formei em Jornalismo Investigativo há dois anos e trabalho no The New York Times.

— Parece que as coisas vão bem! – comento inocentemente, o que arranca um sorriso agradecido de Sarah e um tímido de Bucky.

— O jornalismo é maravilhoso, Natasha! Você estuda, pesquisa, procura e tem sempre que estar se atualizando nas notícias. Não tem um fim. É perfeito!

— Entendo.

Meus lábios estão secos, mas não estou nervosa. Pelo contrário. Estou calma. Conversar com Bucky é muito diferente do que conversar com Steve. Digo, ao menos eu tento conversar com Steve, mas ele não permite.

— Bom, não importa o que você faça, filho, sempre poderá contar conosco mesmo que não precise, pois sei que é muito talentoso! – Sarah afaga seu braço.

— Obrigado, mãe. Eu também te amo. – Bucky brinca e eu noto Steve tenso ao meu lado.

— Com licença, Sra. Rogers? – a moça que abrira a porta surge na sala. — O jantar já está servido.

— Obrigada, Lily. Vamos?

Sarah se levanta caminhando para a cozinha de braços dados com Joseph. Peggy se levanta também calmamente e anda até Bucky, entrelaçando seu braço ao dele e começando a caminhar atrás de Sarah e Joseph.

Sam e Rebecca se levantam logo em seguida, indo atrás deles e deixando Steve e eu por último.

Descruzo as pernas e ergo o corpo esperando Steve se levantar, mas ele apenas suspira e me puxa novamente para o sofá, apertando meu braço com uma força controlada, porém rude.

— O que foi? – franzo o cenho sentindo a dor em meus quadris piorar ainda mais com o seu puxão.

— Vou te dar um único aviso, Natasha.

— Qual? – seus olhos azuis ficam ainda mais frios e sombrios.

— Não flerte com meu irmão.

— O quê?!

— É apenas um aviso.

— Dá um tempo, Steve! – bruscamente, eu me solto de seu aperto.

— Como é?

— Isso mesmo! O que acha que eu sou? Acha que eu faria isso com você, ainda mais na sua frente? Eu mereço respeito!

Minha exigência parece sacudir alguma coisa em seu interior antes de Steve piscar e relaxar os ombros.

— Não quis desrespeitar você.

— Mas foi o que pareceu!

— Desculpe. – a admissão de Steve parece amarga em sua boca. — Eu... não... desculpe.

— Pense antes de agir! – fico de pé e me afasto antes de esperar por ele. — Não é porque é meu Dominador que pode me diminuir assim! Isso dói! E mesmo como uma submissa, eu ainda sou um ser humano e tenho sentimentos. Demonstre ao menos um pingo de consideração e respeito por minha pessoa!

▪️▪️▪️

— O que está achando da entrada, Natasha? – pergunta Sarah sentada na ponta esquerda da mesa de jantar.

— Está ótima! – afirmo corada. — Muito boa! Ótima escolha!

Levo mais uma vez a colher até a boca, degustando do sabor da sopa francesa que se chama Bouillabaisse. É uma sopa de peixe com ótimos temperos!

Eu já esperava que seria um jantar fino. Mas pensei que "Entrada" era coisa de restaurante. Ou de filmes nos quais as moças são verdadeiras donzelas. O diário da princesa me enganou. Ou me preparou. A verdade é que eu me sinto um peixe minúsculo em um mar aberto!

— Que bom que gostou! – comenta Peggy à minha frente. — Eu amo a culinária francesa!

— Eu também. – diz Rebby. — A Nat também gosta, mas ela prefere a culinária do país dela.

— Do país dela? – indaga Bucky. — Ah, claro! Que cabeça a minha! Tendo o nome Romanoff não poderia ter somente nacionalidade americana.

— É. É, eu não tenho.

Ignoro o aperto que Steve dá em minha coxa embaixo da mesa. Ainda estou sem falar com ele devido à sua cena patética de homem das cavernas e ele ainda vem querer me controlar?

— Eu sou da Rússia.

— Da Rússia? – Sarah sorri. — De qual parte, meu bem?

— Moscou. – afasto a mão de Steve de minha perna bruscamente quando ele alcança minha virilha.

— Que ótimo! Nossa! E como é por lá? – questiona Joseph intrigado.

— Bom, eu me lembro do frio. Sabe, eu não tenho visitado meu país há anos. Vim para cá quando era criança.

— Entendo. – o pai de Steve e de Bucky assente. — E quem de sua família é de lá?

— A família de meu pai.

— E ainda moram por lá? – a doce voz da mãe de Steve atrai minha atenção.

— Meus avós ainda moram, mas meu pai e seu irmão estão aqui na América. Nós viemos para cá quando eu era pequena.

— Entendo. – Sarah me lança um sorriso casto.

— E sua mãe é daqui? – Sam termina sua sopa.

— Sim. É dos Estados Unidos, mas não é de Nova York. É de Chicago.

— E você gosta daqui? – Peggy me encara atentamente. — Não sente falta de seu país?

— Bom, para mim é indiferente. Eu vim para cá muito nova, então eu não sinto falta, mas gostaria de voltar para lá. Ao menos para visitar.

— Quem sabe um dia? – Bucky leva sua taça de vinho à boca. — Ér... desculpe perguntar, mas seus pais ainda são casados?

— Não. Eles se separaram logo depois de nos mudarmos para cá.

— Mas ainda moram por aqui? – pergunta Joseph.

Deus! O que é isso? Entrevista de emprego? Nem Steve te fez tantas perguntas assim! Mentira, Little Red. Ele fez. E ainda faz! Tá, tá, menina. Vamos inverter os papeis: você tem razão! Tenho? Oba!

— Natasha?

— Ér... não. Quer dizer, o meu pai mora, mas minha mãe reside em Los Angeles.

— Los Angeles? – Bucky abre um enorme sorriso. — Qual parte?

— Beverly Hills.

— Uau! Sua mãe tem uma ótima localidade! – comenta Peggy. — Beverly Hills é a cidade dos sonhos!

— É, eu sei. Inclusive, irei para lá dentro de dois dias – quase engasgo ao sentir a mão de Steve apertar minha coxa com força. Burra! Não era para ter contado agora! Jumenta! Se eu pudesse, eu mesma te daria uns tapas! Calma, Little Red...

— É mesmo? – indaga Peggy. — Algum motivo em especial? – ela encara Steve no acredita ser uma olhada discreta, mas eu percebo o veneno em sua expressão.

— Sim. Uma visita à minha família em primeiro lugar. E, também, minha mãe pretende me ajudar em algumas propostas de aluguel de consultórios.

— Em Los Angeles? – encaro a expressão gélida e assustada de Steve ao meu lado. — Você vai morar em Los Angeles?

— Não... – minha voz falha e eu engulo em seco. — Não, irei apenas conversar com o amigo de mamãe. Ela me disse que ele pode conseguir algo para mim em Nova York também.

— Ér... Natasha, querida, não importa o que aconteça, irá conseguir seu emprego! – afirma Sarah. — Joe me disse que se formou em Psicologia. Fico muito feliz por você!

— Obrigada! Eu adoro escutar e ajudar as pessoas a resolverem seus problemas. E a Psicologia vai muito além disso! É fascinante!

— Acredito ser um ato muito lindo mesmo! – diz Bucky. — Poderia começar aqui em casa. Garanto que teria muito a repensar sobre a profissão.

Seu comentário me faz corar e arregalar os olhos. Então ele também tem problemas? Não é só Steve que deve ter um passado misterioso? Céus! Eu tenho que descobrir o que acontecera com Steve... eu tenho que ajudá-lo. Eu preciso ajudá-lo.

— Bucky. Por favor. – Sarah o repreende com o olhar antes de virar o rosto em minha direção. — Desculpe, Natasha.

— Qual família não tem umas rusgas, não é? – dou de ombros e noto que Joseph sorri agradecido.

Lily volta até nós e troca os pratos da entrada pelo principal. Suspirando, viro meu rosto para a direita e sussurro para Steve.

— O que é isto que estão servindo?

Escargots. – responde cabisbaixo. — Você gosta?

— Ér, eu...

— Com licença, senhorita? – Lily põe o prato em minha frente.

— Obrigada. – observo a refeição gourmet e os talheres ao lado. — Ér... como... como eu...

— Algum problema, Natasha? – Peggy chama a minha atenção. — Não gosta de escargots?

— Ahn... eu... eu não...

— São deliciosos! Experimente! – Sam pega os talheres e leva o primeiro escargot à boca.

Mordo o lábio inferior e pego o talher de modo atrapalhado, respirando fundo antes de conseguir segurá-lo firmemente entre os dedos. Forço o aperto e consigo fisgar um escargot.

Quando tento pressionar ainda mais o talher contra a casca, o escargot escorrega e escapole sobre a mesa, sendo rapidamente pego pelas mãos de Lily.

— Jesus! – Rebby exclama com uma risada. — O que foi isso? Seu escargot tem asa, Natasha?

— Rebby! – eu a repreendo com vergonha. — Ér... eu... eu... me des-desculpem. – olho para baixo enquanto os outros tentam disfarçar seus sorrisos. — Lily...

— Não se preocupe, senhorita. Já vi acontecer antes. – ela disfarça um sorriso e se retira com o escargot na mão.

— Está tudo bem. – Steve abraça meus ombros. — Você consegue na próxima. Tente.

— É... é que essas coisinhas são escorregadias. – comento quando ele pega minha mão e me ajuda a segurar o escargot no talher.

— É assim. Você aperta aqui com cuidado e leva até a boca. – Steve sorri carinhosamente para mim. — Entendeu?

— Sim. – ainda quero afundar minha cabeça na terra como uma avestruz. — Sim, obrigada.

— Natasha, não tenha vergonha. – Sam larga o talher sobre a mesa e pega o escargot com a mão. — É mais prático para todos nós, não?

Observo a todos fazerem o mesmo, exceto Peggy, que morde o lábio pintado pelo vermelho seco e continua comendo com os talheres.

▪️▪️▪️

— Bom, agora que já comemos o jantar, é a hora da sobremesa! – Sarah junta suas mãos uma na outra. — Natasha, fiquei sabendo que adora Petit Gateau, mas temos algo diferente para hoje.

— Ah, tudo bem. Não se incomode com isso. – sorrio ainda me sentindo envergonhada por minha gafe durante o jantar.

Gafe? Gafe? Chama aquilo de "gafe"? Menina, gafe é um erro sutil! Você não poderia nem chamar de "equívoco"! Diga logo que foi um tremendo de um King Kong! Ai, Little Red. Não precisa ofender...

— Você gosta de Crème Brulée, meu bem? – ela pergunta enquanto Lily torna a nos servir.

— Nunca experimentei.

— É uma delícia, Natasha! – Joseph toma a vez antes de Sarah intervir. — Espero que goste!

— Obrigada. – agradeço a ele e à Lily, que me serve. — Prometo não fazer besteira agora. – todos à mesa riem.

Pego o talher e levo o primeiro pedaço da sobremesa à boca.

— Hmmmm... – tento controlar meu gemido de satisfação, mas não consigo.

— Gostou, Nat? – Rebby pergunta. — Aproveita! Não tem como essa sobremesa voar.

— Rebby! – repreendo mais uma vez, mas não consigo deixar de rir. — É perfeito! – afirmo com água na boca.

— Que bom que gostou, meu bem! – diz Sarah.

— É... Natasha?

— Sim? – respondo à Peggy.

— Quando disse que visitaria sua mãe mesmo?

— Ér... bom... eu... eu irei em dois dias – mais uma vez eu a flagro trocar olhares com Steve. — Posso saber o porquê da pergunta?

— Nada, nada, apenas curiosidade. – ela ergue os ombros e volta a comer sua sobremesa em silêncio.

— Mas nos diga, Natasha. – Joseph inicia. — Pensa em morar com a sua mãe em Beverly Hills?

— Olha, se sim, eu não te culpo. Aquela cidade é maravilhosa! – Peggy sorri. — Steve e eu temos casa por lá!

— Ahn? – franzo o cenho pensando em eles dois dividindo uma casa!

— O que Peggy quis dizer é que ela tem uma casa por lá. E eu também. – Steve explica baixinho em meu ouvido.

— Ah, sim. – enrubesço tentando parecer indiferente. — Aposto que devem ser lindas casas!

— Obrigada! – Peggy ri. — Los Angeles é maravilhosa, principalmente a área de Beverly Hills! Então, como eu disse, se pensa em morar lá, eu não te culpo. Até entendo! E claro que apoio!

— É. É, eu imagino. E obrigada pelo apoio. Mas, apesar das frequentes insistências de minha mãe, eu gosto de Manhattan. E prefiro continuar morando aqui.

— Criou apego pela cidade, não? – Bucky sorri enquanto come sua sobremesa.

— Sim. Estou aqui desde pequena. Quer dizer, antes de Rebby e eu virmos para cá, nós morávamos em Newark, mas nosso objetivo sempre foi Manhattan. Chegamos a passar alguns meses no Brooklyn, mas...

— Brooklyn? – Peggy arregala os olhos. — Moraram no Brooklyn?

— Sim. Foi o lugar que tínhamos conseguido na época. – Rebby responde por mim. — Algum problema? Não gosta de lá?

— Bom, para falar a verdade, não me simpatizo com o bairro.

— Eu entendo sua reação, Peggy. Minha mãe teve a mesma. Mas só quem mora ou já morou lá pode falar alguma coisa. – afirmo. — O Brooklyn é calmo e muito legal. Pode não ser tão conhecido, movimentado e elegante quanto Manhattan ou Beverly Hills, mas também é um bom bairro!

— Se você diz... – a morena ergue os ombros e volta a me encarar com a sobrancelha levantada. — Eu não sei. Quer dizer, sei apenas o que ouço. Não costumo frequentar tais lugares. – alfineta fazendo Rebby bufar.

— Bom, se você sabe apenas o que ouve, deveria mudar seu conceito, pois a Nat acabou de elogiar o bairro!

Termino minha sobremesa e olho para Rebby com um sorriso agradecido e orgulhoso.

— Ér... com licença, eu sei que querem interrogar a Natasha ainda mais, mas eu prometi a ela que mostraria o restante do apartamento.

— Oh, sim, querido. Pode ir. – Sarah sorri. — Sinta-se em casa, meu bem.

— Obrigada. – Steve pega minha mão e me puxan para as escadas com força. — Steve! – exclamo quando já nos afastamos da sala de jantar.

— Quieta! – ele me puxa novamente e segura meus braços.

— Quieta?! Como assim, Steve? O que foi?

— Eu te falo lá em cima!

— Lá em cima? Como assim? Aonde vamos?

— Vou te mostrar meu quarto. – responde.

— Steve, espera! Essas botas são meio difíceis de...

Ele grunhe antes de me pegar no colo e me jogar sobre os ombros enquanto sobe as escadas. Solto um grito contido junto de um suspiro.

— Steve! O que está fazendo? Coloque-me no chão!

— Quieta! Eu estou bem bravo! Quando ia me contar sobre Los Angeles?

— Quê?

— Quando, Natasha?

— Hoje! Eu juro que hoje!

hoje?

— Como assim "hoje"? Minha mãe só me avisou hoje mesmo, antes de virmos para cá!

— Então, aquela hora que ela te ligou, vocês estavam falando sobre isso? – ele dá um forte tapa em minha bunda.

— Ai! Não me bate! Eu estou dolorida!

— Você merece! E responda ao que eu perguntei! – ele dá mais uma palmada, mas sinto que fora mais leve.

— Au! Sim! Sim, ela estava! Mas eu achei melhor te contar depois! – arfo quando meus pés finalmente sentem o chão abaixo de mim.

— Srta. Romanoff, agora teremos uma séria conversa sobre isso. – ele abre a porta marrom atrás de mim ao mesmo tempo em que me empurra para dentro do cômodo.

Notas finais
Primeiramente, a cena do Escargot foi tirada do filme "Uma linda mulher", com Julia Roberts e Richard Gere hahaha eu AMO esse filme! Segundo, não. O pai de Steve não é Patrick Wilson só pela mãe ser Vera Farmiga. Mas eu não achei nenhum outro ator legalzinho. Nenhum me veio à mente, então, aproveitei o este ator mesmo. Algum problema? Querem que eu coloque outro? E aí? Steve "conheceu" a Little Red hahaha o que acharam? Legal? Gostaram? E como vai ser essa conversa dele e da Nat? Alguém está putenho... O.o Gente! No capítulo passado, alguns leitores ficaram assustados com a sessão de tapas que Nat levou. Tenham calma. A fic trabalha este lado do Steve. E, digamos que, quem bateu na Nat, não foi o Steve. Foi o... ops. Sorry. Não posso dar spoilers, amores. Mas... tenham calma e paciência :) É isso, galerinha! Beijocas!!!! Links que não abriram no capítulo: Bouillabaisse --> http://www.slowburningpassion.com/wp-content/uploads/2015/12/Bouillabaisse-Top-View.jpg Crème Brulée --> http://ronienfoque.com.br/wp-content/uploads/2014/11/White-Chocolate-Strawberry-Creme-Brulee.jpg