I Need Your Love.
34 Alguns medos irão estragar tudo.
Notas iniciais
POVS Jonathan.
Sophie e eu havíamos passado o dia na praia. O pôr do Sol da Califórnia era realmente belo, parecia uma aquarela gigante com todas aquelas cores misturas. A maré era alta, causando ondas fortes em uma imensidão azul que a cada instante escurecia um tom. A luz já estava em um certo ponto do céu. O barulho dos carros ao fundo em alguma rua próxima era nítido. Dezenas de pessoas ocupavam a praia junto conosco, casais, crianças jogando futebol ou tomando banho no mar, outras em pequenos quiosques bebendo ou comendo.
Sophie olhava o céu com certa admiração como se fosse a primeira vez em muito tempo que visse aquilo, os cabelos negros dela estavam presos devido ao vento. Era incrível como eu havia me apegado a ela em menos de dois meses, era como se ela fosse uma droga que cada vez que você utiliza ela te causa um efeito diferente.
Mas, ela não demostrava isso. Não dizia nada, nem tomava nenhuma atitude sequer, como se ela esperasse algo por mim ou pior, não esperava nada além de sexo e beijos.
Em algum momento, quando o Sol deu lugar a Lua, eu resolvi tomar atitude. Eu gostava dela. Querendo ou não.
–O que você sente Sophie? O que você sente por mim? –Questionei.
Ela pareceu pensar, como se ainda não tivesse processado a pergunta em sua cabeça. Sua boca foi aberta e fechada diversas vezes, até que ela se pronunciou.
–Tudo. Desde malditas borboletas no estômago a arrepios nos dedos dos pés. Mas, eu não posso fazer isso, Jon. Eu não posso fazer isso de novo, não posso... –A voz esganiçada dela fazia-me querer abraça-la.
–Não pode o que? –Perguntei em busca de alguma solução pro ‘’ Não poder’’ dela. Alguns segundos se passaram até ela responder.
–Não posso te amar. Eu não amo, Jonathan Christopher, não mais. –Então, ela se levantou, pegou a bolsa e guardou algo nela. E eu fiquei deitado na areia vendo o Sol ir embora e dá espaço para a Lua e as estrelas. E pensando que talvez esse ‘’ lance’’ com Sophie Jackson causasse ainda mais problemas. –Eu estou com um pressentimento, Jonathan, algo muito ruim vai acontecer, e última vez que eu senti isso, acabei internada no hospital por causa de uma surra. Mas, se você quer saber o que eu sinto por você é algo grande. Mas, eu não vou me deixar levar, eu conheço o seu tipo, já sai com cara como você, loiros, bonitos e ricos. Aqueles que acham que tem o mundo na mão e pode fazer o que quiser, mas eu não sou assim. Eu não gosto de extravagancia, você pode lutar por mim. Provar a mim que não será como os outros que não quebrará meu coração.
–Talvez seja hora de voltar ao psiquiatra, Sophie. Esses seus medos se resolvem com uma boa conversa. –Falei seco. E ela saiu.
Ela deve ter alguns problemas amorosos e parecer uma muralha que de vez ou outra deixava alguma brecha para o mundo, as quando se dá conta, acha que nunca pode se dá ao luxo. Ou de ser feliz, ou de ter amigos, ou de amor.
Mas, eu não podia fazer nada. Eu já estou apaixonado por ela, em menos de dois meses.
***
Cheguei em casa e Sophie estava na cozinha, não fui até lá. Encaminhei ao meu quarto e adentrei no banheiro, tomando um banho afim de tirar a areia e o sal do mar. Assim que terminei de me arrumar e fui em rumo a escada procurar algo para matar o animal dentro de mim que rugia de fome, senti um corpo pequeno pular em cima de mim.
Era cabelo ruivo que foi espalhado por todo meu rosto. Nos olhos, na boca, no nariz.
–Olá, senhorita Leal. –Falei enquanto ela se ajeitava nas minhas costas. A cozinha era grande, havia uma geladeira vermelha no canto, um balcão francês onde ficava tanto a pia como o fogão. A parede era um verde claro e uma mesa redonda estava bem no meio onde estava Percy, mãe e a Sophie que mexia desesperadamente no celular.
–Como você está John John? –Ela falou no meu ouvido. –A Califórnia deixou você muito mais bonito, o Sol te faz bem. –Ela deu um pulo e voltou para o chão. –Conheci a nova esposa do papai, ela deve ter no máximo vinte e cincos anos, acredita? Mais uma perua atrás de dinheiro, seria uma pena já que tem cinco pessoas lutando por ela.
Eu ri puxando uma cadeira para sentar.
–Apenas aguardando o dia em que você vai largar a ideia de querer tomar posses do restaurante, Crys.
–Que nada, John. Semana passada ouvi dizer que o pai já tinha escrito o testamento, enfim... Como está suas férias? Steven te contou as novidades? –Ela disse toda animada como se fossemos aprontar e depois ser expulsos.
–Desista desses restaurantes, você não entende porcaria nenhuma de cozinha. Já te falei o que você deveria fazer.
–Ser stripper não vale, John. –Ela falou indignada.
–Ainda tem um ano para decidir. –Falei quando cheguei na cozinha dei de cara com Percy, Sophie e minha mãe. –Caso nada de certo, poderá abrir uma casa de prostituição em Amsterdã.
–Olha isso tia! –Ela gritou para minha mãe que parecia conversar apenas com olhares para Percy. -Calado John. Eu tenho futuro. Um belo futuro.
–Tudo bem. –Falei encerrando a conversa. –Oi. –Cumprimentei quem estava na cozinha. –Mãe, Steven ligou?
–Ligou ele e o pai dele. E já resolvi o problema. –Disse ela enquanto mordia uma maça.
–Problema? –Perguntei.
–Você sabe, John. Por sua causa eu fui expulsa do internato e como Steven é um bobão e não vive sem a gente. E sua mãe falou algo sobre um colégio americano bom, decidimos... Vim morar em New York. –Ela falou com um sorriso capaz de rasgar as orelhas.
–Não acredito. Sério. –Disse surpreso, aquilo seria incrível, meus melhores amigos juntos comigo.
–Pois é... Legal, né. -Ela passou o braço pela minha cintura e falou. –Alguém me prometeu festas californiana, é como diz a tia Annabeth, um Chase sempre cumpre as suas promessas.
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