I Kissed a Girl
5 Veneza
Notas iniciais
Atena adorava Veneza por motivos que ela mesma desconhecia, claro, era uma cidade encantadora, e local de inspiração para autores e poetas. No entanto a cidade a fascinava, seus canais, o estilo de suas casas, a cortesia do povo, tudo cooperava para que ela tivesse Veneza como uma de suas cidades preferidas, talvez em terceiro lugar na lista.
Caminhou rapidamente, precisava ir logo aonde Afrodite estava, por sorte já sabia o esconderijo preferido da deusa do amor, isso facilitava muito as coisas. Seguiu até uma das casas que os Olimpianos tinham na cidade, andava o mais rápido que podia até chegar a charmosa casa no área central da cidade.
A governanta veio recebe-la, cumprimentando-a com carinho, era uma mortal que podia enxergar através da névoa e sabia sobre os deuses, por isso não se impressionou em ver a deusa da sabedoria idêntica a sua última visita dez anos atrás.
―Lady Atena, que grata surpresa vê-la.
―Olá Germana, não pude avisar que viria, sinto muito.
―Ah querida, teremos tempo para preparar sua comida preferida. ―Ela tomou a mala da mão de Atena. ―Você está muito pálida.
―Estou sem dormir a um longo tempo. ―Atena murmurou e olhou ao redor. ―Afrodite está aqui?
―Sim, aquela maluquinha chegou horas atrás. ―Germana sorriu. ―Mas já saiu dizendo que só apareceria para o almoço.
Atena suspirou, é claro que ela não facilitaria as coisas, sua mente estava bagunçada pela falta de sono, precisava descansar ou desabaria.
―preciso dormir. ―Murmurou.
―Seu quarto já está pronto. ―Germana a puxou para as escadas.
Ela tinha uma vaga lembrança da arquitetura daquela casa, encantou-se na primeira vez que a viu e fez de tudo para convencer Zeus a compra-la, enquanto seguia Germana em direção ao quarto, lembrou que seu quarto ficava de frente para o quarto de Ares, e normalmente ela perdia noites de sono por conta do barulho que ele e Afrodite faziam durante a madrugada. Minutos depois estava enfiada embaixo do cobertor, Germana colocou a mala em um canto e saiu do quarto, deixando a deusa da sabedoria descansar um pouco.
Horas depois Atena acordou sobressaltada e ofegante, olhou ao redor e encontrou o quarto vazio, piscou atordoada pela lembrança do sonho, era vivido demais, como uma lembrança, ou uma visão. Saiu da cama e foi para o banheiro, despiu-se e ligou o chuveiro, a água quente relaxou-a pouco a pouco, fazendo a lembrança do sonho escorregar lentamente para um canto escondido de sua mente.
Depois de um longo tempo ela saiu do banheiro, enxugando seu cabelo em uma toalha menor enquanto arrumava a toalha em torno de seu corpo e voltava para o quarto.
―Pensei que nunca fosse sair lá de dentro. ―A voz melodiosa de Afrodite a sobressaltou.
A toalha escapou das mãos de Atena, deixando-a completamente nua diante da deusa do amor que a olhou com interesse e malicia.
―Uau, que corpo Teninha. ―Ela comentou, fazendo Atena sair de seu estado paralisado e pegar a toalha, enrolando-se rapidamente. ―Ah, perdi uma bela visão.
―O que está fazendo aqui? ―Atena perguntou, fingindo não ouvir o último comentário.
―Vim ver como você está. ―A deusa do amor deu de ombros. ―Mas Germana disse que você estava dormindo, chegou aqui praticamente desmaiando de sono.
―Por que será, Afrodite? ―O tom da deusa da sabedoria era sarcástico. ―Talvez porque estou fraca, perseguindo você pelo mundo.
―Você fica interessante quando é sarcástica. ―Afrodite comentou sem dar atenção. ―Faz bico no final de cada frase, não gosto muito disso, mas quando você faz, fica sensual.
―Você ao menos ouviu o que eu disse?
―Está me perseguindo porque quer, sabe que não voltarei com você.
―Não, eu não sei. Eu irei leva-la de volta ao Olimpo, custe o que custar.
―Esse é o seu problema, Atena. ―Afrodite deitou na cama e falou. ―Você acha que pode decidir pelos outros, só que existe uma coisa chamada livre arbítrio, um direito que não pertence apenas aos mortais, e eu adoro usa-lo.
―É incrível como você distorce tudo a seu favor. ―Atena fez uma careta e entrou no closet, procurando algo para vestir.
―Eu não distorço, Atena. As coisas estão a meu favor. ―A deusa do amor murmurou enquanto olhava as pontas do cabelo curto. ―Não foi uma boa ideia corta-lo, meu caro.
―Você ficou estranha assim. ―A deusa da sabedoria comentou, saindo closet já vestida.
―Eu sei, estava revoltada. ―Suspirou. ―Estamos em uma discussão crucial sobre eu distorcer ou não as coisas, lembra?
―Sim, eu lembro. ―Atena sentou diante da penteadeira e olhou a outra pelo reflexo do espelho. ―Mas decidi mudar de tática.
―Não vai ter efeito se me contar. ―Afrodite continuou concentrada em seu cabelo.
―Por que você fugiu?
―O que? ―Ela olhou a deusa da sabedoria.
―Por que você fugiu, Afrodite?
―Eu não fugi. ―Rolou os olhos. ―Apenas decidi sair de algo que não me convém.
―Tem certeza?
―Está duvidando de mim? ―Afrodite estreitou os olhos.
―Apenas tentando descobrir por que você fugiu. ―Atena virou para olha-la enquanto escovava os cachos loiros. ―Tenho certeza que há um motivo.
―Então seu senso de certeza está péssimo.
―Normalmente eu não me engano, analisando bem seu comportamento agora fica claro que está tentado esconder algo. ―Ela sorriu e refletiu em voz alta. ―Mas o que seria motivo para você surtar? Ainda mais no meio de um conselho, deve ser algo realmente importante, algo que a incomoda profundamente e a faz querer sair do Olimpo.
―Esse “algo” é você, cansei de ficar no mesmo conselho que uma garota mimada que sempre era ouvida pelo papai. ―Afrodite deu de ombros.
―Claro, você continua usando-me como desculpa.
―Não, não é desculpa. Pare de tentar me induzir a dizer algo!
―Então há algo a ser dito? ―Atena arqueou a sobrancelha.
―Argh! Veja o que você faz! ―A deusa do amor levantou da cama. ―Você confunde minha mente! Me induz a dizer coisas! Lê nas entrelinhas!
―Mas eu não estou fazendo nada, Afrodite. ―Ela fez uma expressão inocente. ―Você que está surtando atoa.
―Eu não estou surtando! ―Afrodite gritou antes de sair do quarto e bater a porta com força.
Atena deu um sorriso satisfeito, ela conseguiu o que queria, por sorte aquele pensamento a tomou enquanto se vestia, sua mente passou a trabalhar na possibilidade de algo ter levado Afrodite a ir embora. Elas já tiveram discussões bem piores antes, como quando Afrodite queimou uma coleção de livros que Atena deixou na sala dos tronos, alegando que estava congelando e aquela foi a única forma de manter o fogo da lareira. Foi preciso que Zeus agarrasse Atena antes que ela pulasse no pescoço da deusa do amor, mesmo que Héstia tivesse reconstituído os livros, o ódio de Atena deixou Afrodite chocada.
Houve outra vez, quando as donzelas foram liberadas de seu juramento já que em meio a guerra as almas do Estige se rebelaram e qualquer juramento em nome do rio da morte tornou-se uma ligação perigosa, Afrodite estava em êxtase com a noticia, assim que a reunião acabou ela saiu saltitando dizendo que tinha uma ideia genial. Horas depois Atena saiu furiosa de seu templo, quase desmaiou quando encontrou um monte de roupas curtas e lingeries minúsculas sobre a cama, seu closet estava vazio. Resultado, Atena destruiu o closet de uma Afrodite a beira de um desmaio, claro que depois a deusa do amor teve um surto em seguida e partiu pra cima de Atena.
Mas dessa vez Atena sabia que o problema era maior, a deusa do amor fugiu do Olimpo, talvez já estivesse com planos de ir embora, mas a discussão entre as duas foi a desculpa que ela precisava naquele momento.
Ela pegou um dracma dentro de um pequeno pote onde guardava moedas, foi até o banheiro e produziu um pequeno arco-íris, jogou o dracma e fez seu pedido a Íris.
―Mostre-me Apolo. ―Pediu e a imagem tremulou até mostrar o deus do sol que agarrava uma ninfa. ―Argh! Apolo!
―Droga! ―Ele soltou a ninfa que correu, envergonhada. ―Atena, o que Hades você quer?
―Quanta educação, maninho. ―Ela sorriu. ―preciso de um favor.
―Claro, por que me procuraria? ―Apolo rolou os olhos. ―Encontrou Afrodite?
―Sim, eu a encontrei.
―Graças a Zeus. ―O deus jogou-se desleixado em seu trono. ―Como ela está?
―Bem demais para o meu gosto. ―Atena resmungou. ―como estão as coisas por aí?
―Legais, Zeus me chama no final do dia para saber seu progresso, mas eu já disse a ele que não consigo enxergar seu futuro. ―Apolo deu e ombros e sorriu. ―Conseguiu algo com Afrodite?
―Não muito, e é por isso que estou te chamando.
―Fale. ―Ele inclinou-se para ouvir.
―Tem algo errado, existe um motivo a mais para Afrodite ter saído do conselho e fugido, nossa discussão foi só uma desculpa. ―Ela explicou e ele assentiu. ―Preciso que descubra o que fez com que ela quisesse ir embora.
―Vou tentar descobrir algo. ―Apolo falou num tom tranquilo. ―Ela vem se comportando de forma estranha, vou investigar.
―Tente descobrir se ela teve alguma briga com Ares ou Hefesto. ―Atena instruiu. ―Isso vai me ajudar a leva-la de volta.
―Tudo bem, irmãzinha, eu vou te ajudar.
―Apolo, em primeiro lugar eu sou mais velha do que você, em segundo, nem pense em pedir algo em troca desse favor.
―Mas como sabia que eu...
―Eu te conheço, solzinho. ―Ela sorriu e ele rolou os olhos.
―Só vou fazer isso porque Dite é minha amiga. ―Declarou e desmanchou o bico. ―Agora, tenho que ir até Zeus.
―Tudo bem, até depois. ―A imagem começou a desaparecer, mas Atena ouviu claramente a última fala de Apolo.
―Não esqueça, Atena, faça tudo o que for preciso, absolutamente tudo.
Ela franziu o cenho enquanto saia do banheiro, tentando compreender a última mensagem de Apolo, é claro que ela faria tudo que fosse preciso, afinal tudo que Atena mais queria era voltar ao Olimpo. Saiu do quarto e foi direto para a cozinha, sorrindo para Germana que ao vê-la começou a servir seu almoço.
―Dormiu bem, querida? ―perguntou enquanto Atena sentava.
―Muito bem. ―Ela olhou o prato que foi colocado a sua frente e pegou os talheres.
―Que bom, você parecia exausta. ―Germana acariciou o cabelo dela. ―Afrodite a procurou?
―Sim, ela foi até o meu quarto. ―Atena rolou os olhos. ―Onde ela está?
―Na sala de música. Vá vê-la depois, agora coma.
―Sim senhora. ―Ela assentiu e começou a comer.
Germana acariciou o cabelo dela e saiu da cozinha, Atena comeu devagar, adorava comida italiana, mas algo no silêncio que pairava pela casa a intrigava. Assim que terminou de comer, caminhou até a sala de música, uma espaçosa sala bem iluminada e cheia de instrumentos, ficou surpresa ao ver Afrodite preparando-se para tocar harpa, mas algo a interrompeu, fazendo Atena se esconder atrás de uma grossa cortina.
―Poseidon, que bom vê-lo. ―Afrodite cumprimentou e Atena franziu o cenho, Poseidon estava ali? Será que decidira buscar Afrodite?
―Dite, como você está? ―A voz dele soou distante e preocupada, com certeza falava através de uma mensagem de Íris. ―O que houve com seu cabelo?
―Bem, na medida do possível. Sobre meu cabelo... decidi fazer uma mudança no visual, gostou?
―Nem um pouco. ―o tom dele transparecia desgosto.
―Tanto faz, por que me procura? ―Ela desconversou.
―Um monte de motivos, primeiro porque eu estava preocupado, segundo porque preciso da sua ajuda, e terceiro..
―pare no segundo, Poxinho. ―Afrodite interrompeu e Atena observou por uma pequena abertura na cortina. ―Se você precisa da ajuda da deusa do amor é porque está...
Ele não completou, apenas baixou o rosto, parecendo ficar corado e deixando Atena chocada. Em éons que conhecia Poseidon, nunca o viu corar, era uma cena inédita.
―Apaixonado? ―A deusa do amor perguntou e ele corou mais ainda. ―Você está apaixonado!
―Que droga, Afrodite! Por que não anuncia na Tv Hefesto? ―Poseidon reclamou.
―Meu melhor amigo estar apaixonado já é chocante, e fica pior ainda quando esse amigo é você. ―Ela se inclinou em direção a mensagem. ―Quando isso aconteceu?
―Eu não sei! Esperava que você soubesse, afinal é você que controla esse troço.
―Paixão é responsabilidade de Eros, eu administro o amor, faço com que ele una as pessoas, ou então machuque quando necessário. ―Ela deu de ombros.
―Vou dar uma surra naquele cupido. ―Poseidon resmungou, fazendo Afrodite rolar os olhos. ―Você pode me ajudar?
―A dar uma surra em Eros? Nem pensar.
―Não! Com essa paixão maluca! Você não consegue sentir?
―Sim, eu sinto, assim como sinto sua resistência. Por que está resistindo?
―É óbvio, não é? Eu não posso tê-la! ―Ele retrucou.
―Claro que pode, todo amor é possível. ―Afrodite rebateu. ―E não me venha com essa de “não damos certo” “Somos diferentes demais” ou qualquer outra desculpa, se existe amor, existe chance.
―Você é uma criatura irritante.
―Sou prática, sei que não vai querer falar sobre isso abertamente, mas farei o que puder para ajudar. ―Ela sorriu, entusiasmada. ―Eu sabia que uma hora ou outra você deixaria seu orgulho de lado e veria o óbvio.
―Estava tão na cara assim? ―Poseidon fez uma careta quando ela assentiu. ―Que droga.
―Relaxe, não falarei nada para ela. ―Garantiu. ―Agirei sutilmente.
―Obrigado, Dite. ―Ele sorriu e a mensagem começou a desaparecer. ―Ligarei depois.
Atena continuou escondida durante algum tempo, quando Afrodite distraiu-se no piano, ela começou a sair sorrateiramente de trás da cortina, fez de tudo para não ser notada, mas a voz da deusa do amor a fez parar.
―Espero que tenha ouvido algo que lhe interesse, Atena.
Suspirando, Atena entrou na sala de música, suas bochechas estavam coradas pela vergonha de ser flagrada. Afrodite ergueu o rosto e deu um sorriso satisfeito.
―Então, ouviu algo que a agradou? ―Questionou.
―Nada do que vocês conversaram me interessa, Afrodite. ―Retrucou a deusa da sabedoria.
―Claro, e por que estava atrás da cortina?
―vim para falar com você, mas a mensagem apareceu no exato momento em que entrei e...
―Poupe-me de suas explicações, me deixam bastante entediada. ―A deusa do amor se espreguiçou. ―Preparada para os eventos da noite?
―Eventos? ―Atena repetiu, confusa.
―Claro, acha mesmo que vou ficar trancada aqui enquanto o carnaval de Veneza enche a cidade de alegria? Só pode estar brincando. ―Ela rolou os olhos e suspirou ao ver a expressão confusa da deusa. ―Você vai comigo.
―Por que? Afrodite, esqueceu que estou aqui para te caçar?
―Não, eu não esqueci, mas fugir e me esconder é exaustivo, preciso de uma festa para me animar, e como eu sei que você vai me caçar até no tártaro, resolvi pedir uma trégua. ―Afrodite indicou que Atena sentasse no pequeno sofá e foi para junto dela. ―Deixe-me aproveitar alguns momentos, realmente preciso disso.
―E por que eu faria algo por você? ―Atena estreitou os olhos.
―Por que eu posso facilitar a sua vida.
―Como?
―Posso considerar a possibilidade de voltar ao Olimpo, embora isso seja o que eu menos quero no momento.
Atena considerou a proposta, algo que sabia de Afrodite é que ela sabe muito bem manipular as coisas para ter algo, aquela podia ser mais uma jogada dela, sabendo que Atena estava fraca demais para leva-la a força e que dependia da sua decisão, havia deixado a deusa com poucas opções. Em seu canto, Afrodite olhava a deusa da sabedoria morder o lábio, um sinal de que considerava sua proposta, mas aquele ato deixava a deusa do amor perturbada, achava-o muito erótico, ainda mais depois da nudez de Atena no quarto. Era claro que ela só ficara interessada porque Atena escondia um corpo sensacional, a queda daquela toalha só revelou a Afrodite que a pequena nerd era muito mais bonita e sexy do que ela pensava.
Num impulso, a deusa do amor colocou a mão sobre o ombro de Atena, acariciando devagar enquanto tentava relaxa-la, sabia bem como influenciar os sentimentos dos outros, mesmo assim foi satisfatório ver a deusa relaxar a seu toque. Seus planos estavam formados, precisava que Atena ficasse por perto, e para isso precisava da colaboração daquela cabeça dura.
―Tudo bem. ―Atena murmurou.
―Como? ―Afrodite piscou, não notara que também mordia o lábio enquanto observava a outra.
―Eu aceito a trégua, mas antes que se anime, não vai durar muito tempo. ―Ela apressou-se em explicar quando a deusa do amor sorriu. ―Logo tentarei arrasta-la novamente.
―Sabe, eu acho esse seu jeito focado muito sexy.
―Argh! ―Atena levantou e caminhou para a porta.
―Aliás já escolhi algo para você vestir. ―A deusa do amor comentou tranquilamente.
―Não vou vestir nada que você escolha.
―Claro que vai, ou vai andar pelada. ―Afrodite sorriu quando viu Atena estremecer. ―Embora você tenha um corpo tentador, tenho certeza que não quer sair se exibindo por aí.
Atena respirou fundo, se pudesse estrangularia Afrodite, mas era preciso entrar no jogo dela, e isso significava aceitar certas coisas.
―Tudo bem. ―Concordou e saiu da sala de música, indo para o quarto e olhar o que aquela psicótica havia preparado.
―Sei que vai ficar maravilhoso em você! ―Afrodite gritou e deu uma risada enquanto deitava. ―Vamos ver quem captura quem nessa história.
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