I Kissed a Girl

6 Carnaval de Veneza


Notas iniciais
Hey amores Boa leitura Nos vemos nas notas finais.

Atena encarava o próprio reflexo, admirava o vestido cinza que Afrodite escolheu, o traje perfeito para a comemoração daquela noite. Passou as mãos pelo tecido, seu cabelo estava preso em um penteado elaborado, lembrava de quando usava roupas daquele tipo quase todos os dias, uma época fascinante.

Uma leve batida na porta fez com que ela desviasse o olhar, Afrodite entrou em seguida, seu vestido num tom de rosa pálido era deslumbrante, na mão enluvada trazia a máscara que ocultaria seu belo rosto. O olhar de admiração de ambas durou por alguns segundos antes de Atena corar e virar o rosto enquanto Afrodite sorriu maliciosamente.

– O vestido ficou muito bom em você. — A deusa do amor comentou.

– Não podia esperar menos que isso, já que foi você que o escolheu. — Atena retrucou.

– Que seja. — Afrodite deu de ombros. — Podemos ir?

– Claro.

Enquanto saiam do quarto Atena sentiu um perfume suave, apesar da certeza de que o cheiro vinha da deusa a seu lado, não pode deixar de questionar o por quê da mudança. Era delicado e inebriante, diferente dos perfumes que Afrodite normalmente usava, doce e enjoativos. Também perguntou-se por que estava prestando atenção naquilo.

Germana sorriu com entusiasmo ao vê-las, beijou as testas das deusas e desejou boa noite. Logo estavam na rua, Afrodite olhava discretamente como Atena andava lentamente, parecendo sem jeito sobre os saltos.

– Não te entendo. — comentou.

– O que? — Atena olhou, confusa.

– Você andou divinamente naquele desfile, e agora age como se estivesse prestes a cair.

– Eu só fiz aquilo porque você aprontou comigo. — a deusa acusou.

– Vamos fingir que você não adorou. — Afrodite sorriu e parou de andar.

O pequeno barco as esperava, o homem agarrado ao longo remo sorriu e as cumprimentou. Atena hesitou diante da pequena escada, empalidecendo um pouco.

– O que foi? — Afrodite virou para olhá-la.

– Não podemos ir a pé? — a loira perguntou.

– Iria demorar muito mais, e de todo jeito teríamos que usar um barco.

– E por que não aparatamos? -

– Você está fraca demais e eu não posso levar nós duas. — a morena explicou, impaciente. — Será que você pode subir no barco?

– E-Eu não posso. — Atena gaguejou e voltou a olhar o barco de forma assustada.

De repente ficou bem claro para Afrodite porque ela estava daquele jeito. Como ela havia esquecido daquilo? Anos atrás, ali mesmo em Veneza, Atena e Anfitrite discutiam, mas em certo momento a rainha dos mares empurrou Atena na água e usou seu poder para afoga-la. Ártemis foi a primeira a perceber o que aconteceu e gritou por ajuda, Poseidon interferiu tirando Atena da água e ajudando a sobrinha a respirar.

Todos acreditaram que Atena iria esquecer aquilo rapidamente, mas o olhar de pânico dela deixava bem claro que ela não esquecera nada.

– Ah droga, Atena, eu sinto muito. — Afrodite se desculpou. — Eu havia esquecido.

– Está tudo bem. — ela murmurou.

– Não, não está. — a deusa do amor fez um pequeno gesto e o barqueiro foi embora. — Vamos aparatar.

– Mas você vai enfraquecer. — Atena protestou.

– Ficarei bem. — a outra rolou os olhos e estendeu a mão. — Vamos?

Muito hesitante Atena segurou a mão dela, Ambas estremeceram ao sentir a eletricidade que se espalhou por seus corpos. Afrodite inclinou a cabeça para o lado enquanto tentava compreender, normalmente só sentia aquilo com Ares, por que sentiu junto a Atena? Entrelaçou os dedos aos dela e aparatou.

Apareceram numa rua lotada, pessoas mascaradas e com trajes extravagantes, a música animada se misturava ao som das risadas e conversas. As deusas colocaram suas máscaras, mas ainda era possível ver o brilho de animação em seus olhos.

Caminharam em meio às pessoas, era tudo fascinante, desde as roupas até as danças. Pararam para observar um casal que se apresentava em uma pequena praça, eles dançavam devagar numa coreografia bem ensaiada. Atena parecia completamente encantada, era difícil ter certeza por seu rosto estar coberto, mas Afrodite sabia o quanto ela apreciava uma boa dança, embora fosse tímida demais para dançar.

Assim que dança acabou todos ao redor aplaudiram educadamente, o homem circulou entre as pessoas tentando convencer um dos espectadores a dançar. Antes que Atena recusasse o pedido, Afrodite empurrou suavemente, fazendo-a dar um passo a frente e ser notada pelo homem.

Afrodite se segurava para não rir, mesmo com o olhar furioso que Atena lhe lançou. Ainda assim a loira não recusou quando o homem estendeu a mão para ela. O circulo de expectadores se abriu, dando espaço para os dois que caminhavam até o centro da pequena praça, a música começou e eles seguiram o ritmo de forma harmoniosa. Mais pessoas pararam para observar, Afrodite estava fascinada, não conseguia evitar o sorriso bobo nem o entusiasmo quando aplaudiu no final da dança.

–Foi perfeito! elogiou assim que Atena parou a seu lado.

– Eu quero te matar. — a outra resmungou.

– Me matar? Nem pensar, eu deveria ter gravado isso! — a deusa do amor comentou sem dar atenção as ameaças.

– Não gosto de dançar.

– Gosta sim, só é tímida demais para isso.- Afrodite rolou os olhos e agarrou a mão de Atena, puxando-a em meio as pessoas. — Vamos nos divertir.

Apesar dos resmungos de Atena, elas realmente se divertiram, era impossível não se contagiar com aquela alegria geral, ou com todas as atrações da festa.

– Isso está delicioso. — Afrodite comentou enquanto entregava um copo com vinho a Atena.

–Onde você arrumou isso? -a loira perguntou desconfiada.

– Uma senhorinha muito simpática está distribuindo.- ela apontou a pequena multidão que se formava ao redor da mulher.

– Filha de Dionísio, com certeza. — Atena afirmou.

– Pare de ser tão racional, bebe logo! — Afrodite reclamou.

Atena bebeu um pouco do vinho, de fato estava delicioso, pouco tempo depois esqueceu quanto vinho tinha tomado, haviam retirado as máscaras, era possível ver o quão corada ela estava, mas estava rindo como uma criança.

–Vamos buscar mais! — Afrodite incentivou. Estavam caminhando em meio às pessoas quando um homem se aproximou e segurou a mão de Afrodite.

–Com licença, posso saber seu nome? — Ele perguntou.

– Não me venha usar da boa educação que não tem, e meu nome não lhe interessa. — Afrodite puxou a mão.

– Ora apenas gostaria de oferecer uma bebida e um pouco de companhia. — o homem sorriu.

– Dispenso. — ela retrucou.

–Quem sabe a sua amiga..

– Nenhum pouco interessada. — Atena estreitou os olhos.

– Tem certeza? Podemos nos divertir muito. — Ele sorriu malicioso.

– Se liga cara, ela já está acompanhada! — Afrodite tomou a frente.

– Ah é? E por quem? — ele desafiou.

– Por mim, vê isso. — A deusa do amor respondeu e num impulso agarrou Atena, beijando-a intensamente.

Talvez elas tenham notado o homem se afastar resmungando, mas ambas estavam concentradas demais no beijo para prestar atenção em outra coisa. Afrodite adorou a maciez e a forma como os lábios de Atena moldaram-se aos dela, podia senti-la trêmula, por isso abraçou sua cintura, para sua surpresa Atena a abraçou apertado. Era incrível a corrente de energia que começava nos lábios e espalhava-se pelo corpo inteiro. As mãos de Atena apertaram os ombros de Afrodite, soltou um gemido baixo quando seu lábio inferior foi mordido, Afrodite tentou aprofundar o beijo, precisava quebrar todas as resistências da deusa da sabedoria.

Fogos estouraram no céu, sobressaltando ambas e fazendo com que se largassem, Atena tentava controlar a respiração e o impulso de fugir, Afrodite mordia o lábio esperando que o seu coração voltasse a bater num ritmo normal.

– Por que você fez isso? — Atena perguntou.

– Aquele cara ia acabar agarrando uma de nós duas, só acabei com as esperanças dele. Tive que tomar uma atitude. — Ela explicou tranquilamente.

– Atitude? Você me beijou! — a loira começou a caminhar, ela precisava fugir, de repente aquela festa não tinha mais nada que lhe fosse interessante.

– E você correspondeu. — a outra deu de ombros enquanto a seguia.

– Fui agarrada! Di Immortales! Fui beijada por uma garota!

– I kissed a girl and i like it. — Afrodite cantarolou.

– Eu odeio você! — Atena gritou, e voltou a caminhar para casa.

– Ela me odeia! Ah Zeus, eu não posso suportar isso! — Afrodite estava visivelmente bêbada, fez uma expressão dramática e subiu na grade da ponte que atravessavam. – Minha existência não tem mais sentido, adeus, mundo cruel!

E ela pulou sobre a grade, caindo diretamente no canal, desapareceu na água por alguns minutos e emergiu em seguida. Atena correu até a grade, olhando preocupada.

– Afrodite? -Chamou.

– Porra Poseidon! Liga o aquecedor dessa água. — a outra reclamou e sorriu para Atena. — Você quer brincar na água?

– Afrodite, sai daí, você pode ser presa! — Atena reclamou.

– Let it go, let it go... — Afrodite cantarolou enquanto retirava o fino vestido e nadava apenas com roupas íntimas.

– É sério, saia daí. — a loira pediu, impaciente.

– Não, não mesmo, foi exatamente por isso que larguei o olimpo.

– Por que queria nadar nos canais de Veneza vestindo apenas roupas íntimas? — Atena perguntou.

– Para fugir das ordens! — ela explicou. — Afrodite faça isso, faça aquilo, isso não está certo! Sempre levo reclamações e broncas por coisas que não posso controlar! Sou mais velha do que os olimpianos, fui uma das primeiras aliadas de Zeus, o disfarcei para que entrasse no palácio de Cronos, usei meu charme para conseguir aliados, mas alguém lembra meu valor nessa história? Claro que não! Inútil, traidora, vadia, cruel, é disso que sou chamada todos os dias.

– Afrodite... — Atena começou a sentir culpa pelo que disse na sala dos tronos. — Tudo aquilo que eu disse...

– Eu ouço aquilo todos os dias em minha mente, as pessoas reclamam do amor, que ele as faz sofrer, não é o amor que causa o sofrimento, são eles mesmos, as decisões que tomam, os erros que cometem, mas é bem mais fácil culpar o sentimento do que admitir a própria culpa! As vozes gritam que é culpa minha, mas eu vou contar um segredo, eu também tenho meus erros, minhas culpas e sim, até eu sofro por amor!

O queixo dela tremeu no final da frase, as lágrimas brilhavam em seus olhos azuis, Afrodite mordeu o lábio e soluçou, a água girou ao redor dela e a levou lentamente até a beira do canal. Atena segurou a mão de Afrodite, puxando-a para fora da água, ficou surpresa quando a deusa do amor a abraçou, estremecendo a cada soluço. Viu uma figura parada do outro lado do canal, Marcie, a garota loira e de intensos olhos verdes que lembravam bastante os olhos de seu pai adotivo, Poseidon.

– Cuide dela. — ordem quase sussurrada foi tudo que Atena ouviu antes de tudo girar enquanto Marcie fazia ela e Afrodite aparatarem.

Apareceram no quarto da deusa do amor, Atena a puxou para o banheiro, Afrodite ainda chorava e tremia, mas dessa vez de frio, felizmente de alguma forma o fino vestido reapareceu em seu corpo. Depois de encher a banheira com água quente, colocou Afrodite sentada ali, a deusa praguejou e fungou.

–Quente demais? — Atena perguntou.

– Você fez de propósito! -choramingou e se encolheu, fechando os olhos.

– Claro que não, eu não te machucaria. — a loira sentou na beirada da banheira, não sabia porque havia dito aquilo. Viu a outra relaxar na água, suspirou e passou a mão molhada no rosto de Afrodite. — Não durma, tem que se enxugar e vestir roupas quentes ou vai ficar resfriada.

Afrodite sorriu, abriu os olhos devagar, encostou o rosto na mão de Atena e suspirou.

– Às vezes você é doce, isso é adorável, na verdade mais que adorável, até seu beijo é doce.

Atena corou e puxou a mão para o colo, mas Afrodite a segurou, voltou a encarar os olhos azuis e sentiu a pulsação aumentar, viu Afrodite começar a se aproximar, sentiu o corpo paralisar, mas recuou quando a porta do banheiro foi aberta e Germana entrou.

– Minhas meninas, vocês estão bem? -perguntou, preocupada.

– Estamos bem, eu só estou cansada. — Afrodite garantiu

Ela não parecia tão cansada quando levantou da banheira, a água cascateando por seu corpo esbelto encoberto apenas por um vestido fino, estranhamente Atena sentiu a boca ficar seca enquanto a observava.

– Ao menos conseguiram se divertir? — Germana pegou um roupão e entregou a deusa do amor. — Afrodite, conheço essa expressão, você beijou alguém.

– Ah sim, de fato eu beije alguém, e foi o beijo mais doce que já provei. — ela falou enquanto sorria maliciosa. — Gostaria de ter um pouco mais daqueles lábios tão macios e quentes.

Germana sorriu, parecendo feliz por Afrodite, e não notou como a deusa do amor sorria maliciosa para Atena que corava, a loira saiu quase correndo para o quarto, ouvindo as risadinhas e conversas sussurradas das duas que a seguiam.

–Atena, espere. — Afrodite chamou.

A relutância de Atena ao se virar foi óbvia, evitou encarar Afrodite e respirou devagar, recuperando seu controle.

– Pois não?

– Partirei logo pela manhã. — Afrodite estava parada diante do espelho. – Você vai comigo?

– Está me convidando? — Atena perguntou, confusa e desconfiada.

– Ainda chamam ela de deusa da sabedoria. — a morena rolou os olhos. — Embora eu ache excitante que você me persiga, canso facilmente desse jogo, então sim, estou te convidando.

– Tudo bem. — respondeu de forma automática.

– Fabuloso, agora se me der licença, tenho que me trocar. — Afrodite riu quando começou a tirar o robe e Atena quase correr para fora do quarto. — Boa noite, corujinha.

Mesmo em sua pressa em sair do quarto, Atena teve um breve vislumbre de quando Afrodite tirou a roupa, caminhou para o próprio quarto, sentou na cama e respirou fundo, as imagens de Afrodite queimavam em sua mente. Sentindo um súbito calor, retirou o vestido e deitou-se, encarou o teto enquanto pensava.

Afrodite a beijou horas atrás, mesmo assim sentia os lábios formigando, ela fora beijada por uma garota, a deusa que sempre infernizou sua vida, e o pior, ela gostou daquilo. Chocada com os próprios pensamentos, virou de lado e encolheu-se na cama, ela não gostou daquele beijo, sabia muito bem que tudo aquilo era parte do plano de Afrodite, assim como convida-la para a viagem do dia seguinte.

O beijo fora apenas uma jogada, e Atena não iria cair no jogo da deusa do amor, ela fora beijada, isso não mudava nada, absolutamente nada.

Mesmo pra sua mente ela era uma péssima mentirosa. Suspirou e apagou a luz do quarto, sentindo-se confortável no escuro, fechou os olhos e adormeceu rapidamente, vagamente ciente de sentir o perfume de Afrodite pairando pelo quarto.

Notas finais
Olá? Antes que me matem, tenho que dizer em minha defesa que eu avisei que estava sem computador e passaria um tempo para postar, podem ver, está lá no perfil. E também eu estou viajando, alguém de Maceió por aí? Mas e aí? Gostaram do capítulo? Já estou terminando o próximo, postarei quando eu puder. Amo vocês. Nos vemos nos comentários. Beijos, Ckyll.