Notas iniciais
Hey amores Boa leitura Espero que gostem

Afrodite acordou sobressaltada, sua respiração acelerada, ligou abajur e afastou os cobertores, deu um suspiro pesado antes de levantar e sair do quarto. Foi para a cozinha, caminhando descalça foi até a geladeira e sorriu ao ver o pedaço de torta de morango que Germana deixou para ela. Comeu devagar, sentada em uma das cadeiras perto da janela, sentiu-se melhor, o vinho daquela senhorinha realmente a derrubou, tentava lembrar de tudo que fez, mas só tinha fragmentos de memórias, como um grande quebra-cabeças. O garfo caiu de sua mão ao lembrar de um determinado momento, não conseguia acreditar que fizera aquilo, não era possível que tenha sido maluca a esse ponto, mas a lembrança era bem nítida, quase como um sonho hiper-realista.

–Di Immortales, eu beijei Atena. – murmurou.

As palavras pareciam loucura até para ela, não podia realmente ter feito aquilo, mas a cada lembrança recuperada, Afrodite tinha certeza de que estava encrencada. Deixou o prato de lado e saiu da cozinha, subiu correndo as escadas e rumou para o quarto de Atena, pensou em aparatar para dentro, mas incrivelmente a porta estava apenas encostada.

Entrou devagar, sem fazer barulho, o quarto estava escuro, apenas a luz do luar entrava pela janela. Sentou na poltrona ao lado da cama, Atena dormia tranquilamente, parecendo ter ótimos sonhos, ou talvez planejando como se vingaria de Afrodite mais tarde.

Por que Afrodite foi até ali? O que pretendia? Pedir desculpas a Atena no meio da madrugada? Com certeza seria expulsa do quarto aos gritos. Começou a levantar, não estava pronta para uma discussão, sentia-se tonta, talvez ainda fosse efeito do vinho.

Nesse momento a luz da lua tornou-se mais intensa, iluminando mais o corpo da deusa adormecida, e fazendo Afrodite paralisar. Não sabia dizer se estava encantada ou chocada, Atena se desenrolou, exibindo seu corpo esbelto e tentador, a deusa do amor não conseguia parar de encara-la, sentiu a boca ficar seca ao constatar que a outra vestia apenas uma calcinha de renda.

Afrodite se perguntava como nunca notara aquele corpo, os seios fartos estavam espremidos enquanto Atena se abraçava, os mamilos rijos, talvez pelo frio, inconscientemente a deusa se aproximou mais da cama.

Era errado, mesmo assim Afrodite se ajoelhou ao lado da outra, era errado, mesmo assim ela admirou o corpo da sua quase-inimiga, era terrivelmente errado, mesmo assim ela estendeu a mão para tocar aqueles seios. Delicadamente tocou os mamilos rosados, Atena murmurou algo, mas não acordou, estava relaxada, diferente de Afrodite que estava tensa e praticamente suava frio.

O indicador e o polegar prenderam um dos mamilos, acariciando devagar, passou a unha, raspando devagar e fazendo Atena estremecer e soltar um gemido baixo, Afrodite agarrou suavemente o outro seio e massageou, calou o gemido seguinte com um selinho e suspirou.

Dessa vez Atena se moveu, virando para o outro lado e sobressaltando Afrodite que se afastou e correu para fora do quarto. No corredor, a deusa do amor respirava ofegante, precisava se acalmar e entender o que havia feito. Entrou no próprio quarto, estava mais quente do que antes, ou talvez fosse o corpo da deusa que sofria de um calor quase doentio, o calor do desejo.

Dois deslizes em uma noite, o que ela estava fazendo afinal? Beijar Atena já era muita loucura, mas toca-la daquele jeito fora além da insanidade. Sentou na cama e respirou fundo, as mãos tremulas ainda pareciam sentir o prazer de tocar aqueles seios macios, imaginou como seria leva-los a sua boca, sugando lentamente os mamilos rijos e ouvindo Atena suspirar de prazer e desejo.

É claro que Afrodite já teve casos com mulheres, inúmeros casos, alguns melhores do que outros, mas nunca se sentiu assim, nervosa como uma adolescente que desejava secretamente sua colega de quarto, Atena não era o tipo de garota que atraia atenção dela, de fato o tipo certinha irritante nunca foi seu predileto. Mas agora sua mente estava cheia de imagens da deusa da sabedoria, lembrando de como ela era bonita, ou como seu corpo era tentador, seu beijo doce e hesitante, a maciez de sua pele pálida e principalmente aqueles gemidos baixos que ainda a faziam estremecer.

Lembre-se do seu trabalho. Pensou. Atena é sua inimiga, o fato de ela ser incrivelmente gostosa não muda o quanto ela já ferrou sua vida.

Tinha quase certeza de que Poseidon estava apaixonado por Atena, semanas atrás a ideia a faria vibrar de alegria, sempre imaginou os dois juntos, mas agora a ideia não lhe parecia tão boa. Faria seu trabalho como deusa do amor, ajudando seu melhor amigo a conquistar a deusa da sabedoria, e manteria as mãos bem longe de Atena.

Falar é fácil. Resmungou em sua mente de se jogou na cama, ela não repetiria aqueles erros, não com Atena, pela primeira vez lutaria para não cair em tentação. Fechou os olhos e adormeceu rapidamente, só para sonhar com a cena de minutos atrás, onde no quarto escuro banhado pela luz do luar, ela possuía Atena e entregava-se de vez a perdição.

Já era a quinta vez que Atena batia na porta do quarto, passava um pouco das oito da manhã, não tinha certeza se Afrodite estava acordada, ou se fugira para a próxima cidade da lista. Bateu mais uma vez e bocejou, apesar de ter dormido por tempo suficiente, os sonhos que teve a deixaram cansada, acordou pouco antes do amanhecer, sentido frio e estranhando a porta do quarto entreaberta, tivera sonhos engraçados, mas alguns a deixaram completamente confusa, sempre que buscava compreende-los ficava com dor de cabeça, só conseguia lembrar da sensação de um toque quente e olhos azuis brilhando na escuridão.

Estava prestes a desistir quando a porta foi aberta, Afrodite saiu do quarto, sua aparência estava diferente da noite anterior, o cabelo preto estava longo novamente, seus olhos num tom amendoado, sua pele com um leve bronzeado. Antes que falasse algo, Afrodite ergueu um dedo, pedindo silêncio enquanto falava no celular.

– Não, não mexa em minhas poções, Eros. Eu sei o estrago que você pode fazer com elas.

Depois de uma curta resposta Afrodite deu uma risada sarcástica que não combinava com ela.

– Ao menos tente, filhinho, e eu farei questão de castiga-lo, estou por aqui com suas manias e seu jeito mimado.

Outra resposta, dessa vez mais longa, Afrodite estreitou os olhos e falou num tom baixo.

– Arranco suas asas, sabe que não hesitaria em fazer isso, estou cansada das suas falhas. Por isso faça seu trabalho direito e fique longe do que é meu, ou então providenciarei para que vá passar algum tempo no tártaro com seus tios titãs. Estamos entendidos, bebê?

Até Atena estremeceu com a ameaça, sempre pensou que a relação entre Eros e Afrodite fosse boa, mas pelo visto a troca de ameaças era comum.

– Bom dia, corujinha. – Afrodite cumprimentou enquanto guardava o celular na bolsa.

– Bom dia... problemas? – Atena perguntou.

– Só um cupido dando defeito, mas já resolvi. – sorriu ao ver que Atena parecia assustada, não pode deixar de notar o rosto corado e os lábios cheios, teve que sacudir a cabeça para dissipar as lembranças do beijo. — Vamos?

– Sem café da manhã?

– Comeremos em Roma. – comentou enquanto caminhavam pelo corredor.

– Roma? – Atena parou e encarou a outra.

– Sim, ah vamos, supere isso Atena. – Afrodite agarrou o braço da outra e a puxou para as escadas.

– Como quer que eu supere? É Roma, o lar de um império de usurpadores.

– Que seja, se ficarmos aqui Germana vai nos entupir de comida e vamos sair rolando daqui. Agora, supere isso e vamos para Roma.

De fato a governanta estava esperando as deusas e fez um grande alarde ao saber que já estavam de partida. Depois de abraços apertados e várias promessas de que em breve voltariam a Veneza, Afrodite segurou a mãos de Atena, ambas estremeceram, mas antes que falassem algo, a deusa do amor as fez aparatar.

Apareceram diante de um prédio, a arquitetura parecia antiga, mesmo assim podia competir de igual para igual com os prédios mais modernos, Roma era uma mistura, centros urbanos, villas, ruas estreitas, grandes praças, a cidade parecia um organismo vivo, assim como Nova York, isso fez Afrodite sentir saudades de casa.

– Nunca entendi porque você escolheu um apartamento aqui se não gosta de Roma. – comentou.

– Não fui eu, foi Minerva. – Atena corrigiu. – E embora eu não goste de Roma, e muito menos de romanos, devo admitir que o lugar é bom, tem boa localização, boa vizinhança, sem falar na arquitetura.

– Roma é uma cidade linda, perfeita para se viver uma história de amor. – a morena suspirou enquanto elas entravam no prédio e caminhavam para o elevador.

– Histórias de amor, só pensa nisso?

– E no que deveria pensar? Guerras? Até mesmo as guerras perdem forças diante do amor verdadeiro.

– Ares não concordaria com você. – Atena comentou e viu a outra encolher os ombros.

– Ares nunca concorda comigo. – ela murmurou enquanto as portas se fechavam.

Que havia algo de errado Atena já sabia, mas agora tinha mais certeza de que era relacionado ao romance de Afrodite e Ares, que andava oscilando perigosamente desde que ela se separou de Hefesto, mesmo assim Atena se viu perguntando num tom suave.

– Está tudo bem entre vocês? –

A pergunta pegou Afrodite de surpresa, seu primeiro impulso era responder um “não te interessa”, mas a resposta sincera escapou sem querer.

– Eu não sei.

Antes que tivesse que explicar, a porta do elevador se abriu, um homem entrou e sorriu para as duas. Dizer que ele era bonito não era o suficiente, seus olhos azuis tinham um brilho divertido, o cabelo preto encaracolado, os lábios que faziam qualquer mulher ter pensamentos maliciosos.

– Bom dia. – ele as cumprimentou, sua voz era baixa e tentadora, fazendo Afrodite piscar várias vezes antes de falar.

– Bom dia. – ela respondeu num tom afetado.

– Bom dia. – Atena estava tranquila e nem um pouco afetada pela presença dele.

– Americanas? – perguntou.

– Sim, gregas, na verdade. – Afrodite deu um sorriso que o fez piscar e olha-la com atenção.

– Gregas... a Grécia sempre deu as mais lindas obras a humanidade;

– O berço das civilizações. – Atena comentou e ele assentiu.

– De fato... vocês são irmãs? Moram no prédio?

– Amigas, quase primas. – a morena explicou e manteve o olhar focado no dele. – Viemos passear pela cidade, nosso apartamento é na cobertura, você claramente é daqui.

– Sim, meu nome é Miguel. – ele se apresentou, pegando a mão de Afrodite e beijando suavemente. – Afrodite. – ela piscou seus lindos olhos amendoados, deixando o rapaz mais encantado.

– A deusa do amor e da beleza, você faz jus ao seu nome. – Miguel sorriu e virou para Atena que o fitava com desconfiança. – senhorita... ?

– Atena. – Respondeu com firmeza, sem se afetar pelos olhos azuis dele.

– Uma reunião de deusas no elevador? – ele gracejou.

– Quase isso. – Atena deu um sorriso irônico.

Miguel pareceu notar a frieza no olhar da garota, deu um pequeno sorriso e virou-se para falar com Afrodite.

– Meu apartamento é abaixo da cobertura, 62, se quiser ir até lá. – sugeriu. – Ou podemos fazer um tour pela cidade.

– Parece uma ótima ideia. – Afrodite deu um sorriso brilhante.

– Sim, de fato uma excelente ideia. Veja, esse não é o seu andar? – Atena o dispensou, fazendo com que ambos a olhassem.

– Ah sim, esse é meu andar. – Miguel deu um sorriso constrangido e estendeu um cartão para Afrodite. – Me liga depois.

– Vou ligar, tchauzinho. – ela pegou o cartão e acenou quando ele saiu. – a gente se vê.

Atena sorriu minimamente enquanto via o homem sair, relaxou quando as portas do elevador se fecharam, só então notou o quanto estava tensa. Por que estava assim? Não sabia dizer, apenas não gostava da forma como Miguel olhava para Afrodite, mas desde quando ela tinha que gostar?

– O que foi isso? – Afrodite perguntou quando as portas se fecharam novamente.

– Isso o que? – Atena olhou, confusa.

– Seu comportamento digamos um tanto petulante com aquele rapaz lindo e simpático. – esclareceu.

– Não sei do que está falando.

– Qual é, Atena? Eu não sou idiota.

– Não, mas é uma legitima galinha. – as palavras escaparam antes que Atena pudesse detê-las

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Afrodite ofegou, suas mãos se fecharam, queria fazer Atena engolir aquelas palavras, quem ela pensa que é para falar assim?

– Legitima galinha? Sério? Já me chamaram de coisa bem pior. – ela ironizou com a voz trêmula. – Mas você, é só uma invejosa, como sempre irritada porque além do seu papai, ninguém mais te dá atenção.

– Não gostaria de receber o mesmo tipo de atenção que você, é como carne num lugar cheio de lobos. – Atena retrucou. – Os mortais tem um ditado que é perfeito para você, quando a comida é grátis, a fila enche.

As portas do elevador se abriram no exato momento que Afrodite ia responder, mas ela correu para fora, atrapalhou-se quando abriu a porta do apartamento, as chaves caíram, Atena pegou as chaves e colocou nas mãos tremulas da deusa do amor. Elas se encararam por alguns segundos, Afrodite abriu a porta e entrou apressada, indo direto para o quarto e batendo a porta.

Atena a segui devagar, sentia-se um tanto culpada, mais do que se sentiria normalmente quando discutia com Afrodite, mas dessa vez sentia como se tivesse ultrapassado os limites. Entrou no próprio quarto e sentou na cama, encarou a janela por um longo tempo enquanto ouvia o barulho de Afrodite no quarto ao lado.

E daí se Afrodite tinha vários amantes? Ou se ela atrai tanta atenção dos homens ao redor? E se ela e Miguel ficassem juntos? Aquilo não era da conta de Atena. Mesmo assim não conseguia deixar de sentir raiva quando pensava em tudo aquilo, uma fúria assassina, quase como se sentisse ciúmes.

Não, ela não estava com ciúmes! Aquilo seria uma total loucura, um sentimento sem o menor fundamento. Talvez só estivesse furiosa por não conseguir levar Afrodite para o Olimpo, não queria se atrasar mais ainda porque a deusa do amor estava ocupada tendo um romance com um cara que conheceu no elevador. Suspirou pesadamente, ela era uma péssima mentirosa, olhou em direção a porta e suspirou, talvez devesse bater no quarto da outra e pedir desculpas, afinal não foi por isso que os olimpianos a mandaram ali? Para que ela se desculpasse e convencesse Afrodite a voltar?

Afrodite saiu do quarto enquanto enxugava as lágrimas, sempre que ficava furiosa acabava chorando, característica que contribuiu para formar a imagem de fraca que os outros tinham dela. Mas no fundo sabia que o choro era inevitável, dessa vez ela havia conseguido se conter, mas não conseguiria na próxima, disso tinha certeza. Parou diante do quarto de Atena, ela estava sentada na cama enquanto olhava a janela, parecia nostálgica, isso fez Afrodite querer ir até ela, mas não podia, por isso voltou a caminhar para a sala. Sentou no sofá e olhou a sala ao redor, havia fotos dos Olimpianos em suas formas romanas, sorriu ao ver uma foto de Netuno e Minerva fazendo caretas para a câmera, ao menos no aspecto romano Poseidon e Atena conseguiam se dar bem. A foto seguinte a fez soluçar baixo, Marte sorria maldoso abraçava a cintura de Vênus que o olhava claramente apaixonada, os olhos de Afrodite queimaram e ela choramingou.

Quando Atena finalmente criou coragem para sair do quarto, foi até a sala e encontrou a deusa do amor encolhida no sofá, a culpa acertou Atena como um tapa no rosto, caminhou até o sofá e sentou ao lado da outra.

– Afrodite. – Chamou baixinho.

– Hm? – ela ergueu o rosto, os olhos azuis brilhando pelas lágrimas.

– Desculpe. – Pediu com sinceridade.

– Pelo que? – Afrodite murmurou.

– Pelo que eu disse no elevador. – Atena esclareceu.

– Tudo bem, acho que mereci.

– É, você mereceu.

– Ei, você não devia concordar. – ela reclamou e Atena riu baixinho.

– Ok, que tal um café da manhã? Estou faminta.

– Você não é a única. – Afrodite levantou.

As duas saíram do apartamento, Atena tomou cuidado em ficar calada quando entraram no elevador e desceram até o térreo, foram para uma cantina há alguns metros dali, pareciam concordar em ter um café da manhã nada saudável.

– Sempre pensei que você fosse uma daquelas maníacas por dieta. – Atena comentou enquanto esperavam o garçom terminar de organizar a mesa.

– Não posso ser, no Olimpo Apolo se garante de me entupir de comida, fora de lá Poseidon me arrasta para a Starbucks e faz com que eu coma até não aguentar mais.

– vocês são realmente bons amigos.

– Você pensava que eles eram meus amantes? – Afrodite perguntou, pegando seu cappuccino.

– No começo sim. – a loira confessou e arqueou a sobrancelha quando a outra riu.

– Eu e Apolo ficamos juntos algumas vezes... mas foi a muito tempo atrás. – ela contou tranquila e abriu um lindo sorriso que fez Atena piscar. – Já com Poseidon, sempre foi amizade, embora eu tivesse uma queda por ele desde o começo.

– Hm, Ártemis sabe disso? – Atena perguntou.

– Não, e nem vai saber, digamos que já chega de flechas em minha vida.

Atena riu e tomou um pouco de seu café, pegou um cupcake e deu uma mordida, o celular de Afrodite tocou e ela olhou o número na tela, fez uma careta mas quando voltou a olhar Atena, sorriu docemente.

– O que foi? – Atena olhou confusa.

– Seus lábios estão sujos de cobertura. – ela pegou um guardanapo e o passou nos lábios da loira.

– Ah.... obrigada. – sorriu constrangida e baixou o rosto. – Quem era no telefone?

– Minhas filhas. – Afrodite deu de ombros.

– Elas tem seu número?

– As suas não tem o seu número?

– Não. Nos correspondemos por cartas, frequentemente. – Atena contou e fez uma careta. – Zeus restringe meu contato com meus filhos, tanto que só os vejo nas excursões que fazem ao Olimpo ou em missão quando pedem minha proteção.

– Zeus te priva de muitas coisas. – a morena acusou.

– Desvantagens de ser a favorita.

– É a primeira vez que te vejo reclamar. – Afrodite comentou enquanto pegava um donut.

– Nunca tenho oportunidade de reclamar. – o suspiro de Atena saiu mais triste do que ela pensava, ergueu o rosto e encarou Afrodite, deu um pequeno sorriso. – Por que escolheu Roma?

– Além de ser uma cidade linda e perfeita para se viver um romance de tirar o fôlego? Gosto daqui.

– Sério? Você e Poseidon planejaram essa viagem.

– E só por isso você me encontrou, Poseidon era o único que podia dizer ao certo para onde eu iria, mas considerei que, como vocês se “odeiam”. – a deusa fez aspas com os dedos, fazendo Atena rolar os olhos. – Ele não iria te ajudar, mas errei feio nisso.

– Ele liderou o movimento “Atena traga Afrodite de volta”. – ela fez uma careta quando Afrodite riu. – Não tem graça.

– É claro que tem, eles esperavam que você me arrastasse pelos cabelos, no entanto estamos aqui tomando um café da manhã que faria Deméter reclamar durante horas. – Afrodite voltou a rir e Atena abriu um pequeno sorriso.

– Bando de desnutridos! – a loira imitou a tia fazendo a outra dar uma linda gargalhada.

– isso não é nutritivo! Tome, coma cereais! – Afrodite completou e elas riram.

Quando saíram da cantina, voltaram para o prédio em silêncio, pouco antes de entrarem viram Miguel sair abraçado a uma loira, Afrodite fez uma careta enquanto Atena deu um sorriso, entraram no elevador e ficaram em silêncio enquanto subiam devagar. As luzes se apagaram de repente, o elevador parou num tranco, fazendo a duas se segurarem, a luz de emergência se acendeu e Atena verificou o painel.

– Estamos entre os andares. – ela constatou virou para olhar Afrodite. – Vamos ter que aparatar.

– Não podemos, você não pode levar nós duas e eu usei minha energia na quando viemos para Roma.

– Como sairemos daqui? – Atena indagou e tirou uma presilha do cabelo, deixando-os solto enquanto abria o painel de controle do elevador.

– Talvez se esperarmos alguns minutos, ele volte a funcionar, ou eu consiga juntar energia suficiente para nos levar para fora daqui. – Afrodite sentou no chão e suspirou observando Atena. – Como aprendeu a fazer isso?

– Manual de construção de elevadores, se você entender como é feito, pode entender como conserta-lo. – ela explicou e remexeu nos fios. – Tem uma lixa de unha?

– Ah sim. – a morena remexeu na bolsa e entregou a lixa. – Para que precisa disso?

– puxar alguns fios menores que estão fora de alcance. – Atena murmurou enquanto se concentrava.

Afrodite observou em silêncio enquanto a outra remexia nos fios, isso a lembrava as horas que perdia tentando fazer Hefesto nota-la enquanto ele só dava atenção àquelas maquinas malditas, mas Atena parecia entender mais de teoria do que de prática, comparava fios e murmurava coisas incoerentes, até que algumas faíscas saíram do painel e Atena soltou um gemido doloroso.

– Se machucou? – Afrodite levantou e segurou a deusa que tremia. – Atena?

– Só machuquei minha mão. – Ela mostrou a mão direita com as pontas dos dedos chamuscados. – vou tentar novamente, devo ter encostado os fios errados.

– Não, você vai ficar quieta e me deixar cuidar da sua mão. – a deusa do amor a puxou para o chão e voltou a remexer na bolsa, pegando um pequeno frasco. – Néctar.

– Não é preciso, foi só um choquezinho. – Atena reclamou, mas Afrodite pegou o frasco e apertou a bochecha de Atena, obrigando-a a engolir o néctar.

– Pronto, agora você vai melhorar. – Afrodite sorriu enquanto Atena tossia.

– Você é uma péssima enfermeira.

– Só diz isso porque nunca me viu vestida de enfermeira sexy. – brincou e segurou a mão da deusa com cuidado. – Está doendo?

– Não, estou bem. – Atena garantiu numa voz fraca, Afrodite a encarava, acariciando sua mão, fazendo com que uma nova corrente de energia se espalhasse pelo corpo de Atena, mas dessa vez era bom. – Acho que um pouco de Néctar te ajudaria a aparatar.

– Acabou, o único restinho que tem está nos seus lábios. – ela murmurou distraída e se inclinou em direção a Atena, a deusa da sabedoria piscou confusa, mas não se afastou, mesmo quando Afrodite inclinou o rosto em sua direção e encostou os lábios nos dela.

Toda consciência de Atena derreteu, ela simplesmente não conseguiu se afastar, apenas fechou os olhos e suspirou baixo. A língua de Afrodite percorreu o lábio inferior da outra, o gemido baixo que escapou dali foi o sinal que ela precisava para iniciar um beijo lento e carinhoso, uma mão agarrava a cintura de Atena enquanto a outra acariciava seus cabelos, as mãos da loira estavam nos ombros de Afrodite, segurando frouxamente em um sinal de rendição.

Quando Atena entreabriu os lábios, a língua de Afrodite a tomou de forma exigente, forçando sua língua a se mover no mesmo ritmo, a respiração fraca não era o suficiente para a deusa, mas a necessidade de respirar não era nada comparada a vontade de continuar aquele beijo. Apertou suavemente os ombros da deusa do amor e foi recompensada com uma mordida suave no lábio inferior, soltou um gemido baixo e fechou os olhos, respirando ofegante enquanto os lábios de Afrodite desciam por seu pescoço e davam pequenos beijos ali.

Mesmo sabendo que poderia estragar tudo, Afrodite levou uma das mãos até os seios de Atena, acariciando sobre a roupa e fazendo a deusa suspirar, apertou o mamilo rijo e ouviu a outra engasgar, as reações dela era melhor quando estava acordada. Subiu os lábios até os de Atena e a beijou novamente, recebendo um beijo exigente da deusa da sabedoria que fez Afrodite gemer contra seus lábios.

O barulho metálico do elevador as trouxe de volta a realidade, Atena se afastou bruscamente, tentando desesperadamente respirar, levantou um tanto atrapalhada e foi para o mais distante que o pequeno espaço permitia. Afrodite levantou devagar, estava ofegante, seu olhar era tão assustado quanto o de Atena, antes que pudesse falar o elevador deu um tranco e voltou a subir devagar.

Assim que as portas se abriram Atena correu para fora, Afrodite a seguiu temorosa e entrou no apartamento a tempo de ver a deusa quebrar um vaso contra a parede.

– Atena. – chamou assustada.

– Não fale comigo. – ela retrucou e pegou outro vaso. – Não se aproxime de mim.

– Por favor, me escute. – Afrodite pediu.

– Não, não! – Atena jogou o vaso contra a parede, o despedaçando por completo, e virou para encarar Afrodite. – Não sei o que deu na sua cabeça em fazer aquilo, mas nunca mais toque em mim.

– Foi um deslize, apenas isso! – a morena se defendeu.

– Um deslize? Me beijar pela segunda vez é um deslize?

– Na verdade dentro do elevador foram duas vezes, então três deslizes.

– Argh! – Atena a olhou. – Não sei porque fez isso, mas nunca mais repita tal ato, não tem o direito de me beijar, ou me tocar daquela forma.

– Só para constar em minha defesa, você retribuiu! – Afrodite retrucou e se encolheu um pouco ao ver o ódio nos olhos de Atena.

– Fique longe de mim. – ela falou antes de sair da sala e desaparecer em direção ao quarto.

Afrodite se jogou no sofá, não sabia se estava com raiva ou com medo, as lágrimas a tomaram completamente, tinha vontade de rachar a cabeça na parede, para tentar criar juízo suficiente e não de deixar dominar pelo desejo. Porque era isso que Atena despertava nela, um desejo incontrolável, algo que fazia com que ela agisse sem pensar, soltou uma risada em meio as lágrimas, a personificação da razão a deixava irracional.

Encolheu-se ali até as lágrimas pararem, a sonolência a venceu pouco a pouco, ainda ouvia o barulho de Atena andando pelo quarto, mas não conseguiu se concentrar, apenas fechou os olhos e se permitiu imaginar um final diferente para a cena do elevador.

Notas finais
Então, eu não tinha planejado que o capítulo fosse tão longo, mas acho que valeu a pena. Agora tenho que atualizar as outras fics. Ah quero agradecer a todos que acompanham e comentam a fic, amo vocês. Nos vemos nos comentários Beijos, Ckyll