I Kissed a Girl

8 Na cidade eterna


Notas iniciais
Hey amores da Ckyll :3 Boa leitura, nos vemos nas notas finais. fiquei sem ideia para o título do capítulo.

Se Atena pudesse explodir, faria isso com o maior prazer.

Ainda não acreditava que cedeu tão facilmente, o que diabos havia dado nela? Simplesmente deixou que Afrodite a beijasse daquele jeito, que a tocasse e que desejasse que ela fizesse muito mais. Não conseguia parar de andar de um lado para o outro, estava apavorada e sua mente não ajudava, apenas reprisava os momentos com Afrodite, repetindo e mostrando detalhes mínimos.

Ela tinha que se acalmar, pânico não leva a nada! Se obrigou a parar de andar e sentou na cama, fechou os olhos e respirou fundo, continuou respirando devagar até que seus batimentos cardíacos se acalmaram, sua mente clareou aos poucos e estabilizou o turbilhão de pensamentos.

Tinha que ser racional, não podia colocar a culpa apenas em Afrodite, ela tomou a iniciativa, mas Atena cedeu ao desejo. Ela odiava isso, ser fraca, não conseguir controlar aquele lado impulsivo que tentava a todo custo domar, mas Afrodite quebrava todo seu controle, quando não a enlouquecia de raiva, fazia com que ela agisse de forma irracional.

Depois de um longo tempo percebeu que encarava o entardecer, só então notou o silêncio que tomava o apartamento, um silêncio nada comum onde está a deusa do amor. Caminhou devagar até a sala, olhou ao redor e viu Afrodite adormecida, encolhida no sofá, a culpa veio ao ver que ela havia chorado, uma parte de sua mente a tranquilizou lembrando que Afrodite chorava facilmente, mas outra parte acusava Atena de causar aquilo.

Mesmo irritada pegou um cobertor e colocou sobre a deusa, Afrodite se encolheu e fungou, Atena foi até a cozinha e pegou um copo com água, seguiu para o escritório e produziu um pequeno arco-íris.

– Mostre-me Apolo, monte Olimpo. – pediu.

A imagem tremulou, logo pode ver o deus do sol ocupado tocando sua lira, Apolo deu um suspiro triste e olhou em direção a mensagem de Íris.

– Irmã, como está?

– O que houve, Apolo? – perguntou, preocupada.

– Nada, só problemas com uma garota, mas não é nada demais, é só uma garota como todas as outras. – ele deu de ombros, mas não convenceu Atena.

– Ela está te magoando? – não pode evitar o tom irritado, Apolo podia ser um idiota, mas não gostava quando ele sofria por uma garota, coisa que acontecia com frequência.

– Não, pode baixar as armas, eu estou me magoando sozinho. – ele deu um sorriso triste e largou a lira. – Por que está ligando?

– Preciso de um conselho, urgente.

– A deusa da sabedoria me pedindo conselhos? Deve ser uma situação de emergência.

– Apolo... jure pelo Estige não contar aos outros. – pediu.

– Você está pedindo segredo? Hm, ok. Eu juro pelo Estige não contar aos outros. – o som do trovão retumbou distante, Atena respirou fundo e falou.

– Afrodite me beijou.

Tudo que ela viu foi quando Apolo ofegou e caiu para trás, se esborrachando no chão.

– Apolo? – chamou, preocupada.

– Como é que é? Eu ouvi direito? Você e Afrodite se beijaram? – a voz dele saiu alarmada.

– Di immortales, se falar mais alto todos irão ouvir! – Atena reclamou.

– Ok, vou me acalmar. – ele voltou a sentar no trono. – Então essa é a visão incompleta, o beijo de vocês.

– Espera, você teve uma visão? – ela perguntou.

– Sim, por isso insisti que só você traria Afrodite de volta, vi vocês juntas... hm... na cama.

As pernas de Atena fraquejaram, ela segurou firme na escrivaninha e respirou fundo, não tinha ouvido direito, não podia ser verdade.

– O que? – murmurou.

– Acalme-se, eu vi alguns flashes do futuro antes de você ir atrás de Afrodite, mas decidi guardar isso para mim mesmo.

– Não é possível. – ela começou a andar de um lado para o outro.

– Atena, calma, vai fazer um buraco no chão.

– Não posso ficar calma! – A voz dela saiu mais alta do que pretendia. – Essa visão não pode ser real.

– Bem, geralmente eu não erro! – Apolo se defendeu. – E sim, essa visão é real, vai acontecer.

– Não, não vai!

– Não pode mudar o futuro, irmã. O beijo é só o princípio do que está por vir, você e Afrodite estão se aproximando, mesmo que não queiram, o desejo vai vence-las.

– Visões são apenas flashes de um possível futuro, sempre há como modificar. – Atena falou, tentando ficar calma e ser lógica.

– E o que vai fazer? Lutar contra o destino? Seja sensata, Atena. Se as parcas querem isso, é isso que vai acontecer.

– Isso não é uma profecia, Apolo. – a deusa retrucou e o outro suspirou.

– Mas é o único jeito de você completar sua missão, e você não pode falhar, Zeus está furioso.

– Você contou a ele sobre a visão? – a respiração dela ficou presa na garganta.

– Não, mas ele viu fotos suas em várias revistas, pelo desfile da semana de moda de Milão.

– Ah meus deuses. – Atena caiu sentada na poltrona enquanto cobria o rosto.

– Hermes encheu o próprio quarto de pôsteres. – ele contou. – Zeus quase teve um troço quando viu as fotos, está furioso, não ajuda o fato de você ter ficado extremamente sexy com aquela roupa.

– Foi culpa de Afrodite, eu não queria participar daquilo.

– Eu sei, mas isso você explica quando voltar, agora tem que se acalmar e me ouvir.

Atena ergueu o rosto e encarou a mensagem de Íris.

– Sei que está assustada com o que revelei, um dos muitos motivos para o futuro permanecer em segredo é pelo fato das pessoas quererem modificar algo que já está destinado a acontecer. – Apolo falou tranquilamente. – Mas dessa vez você não tem escolhas, Atena. Nem toda sua sabedoria ou sensatez te darão uma outra saída. E sendo sincero você parecia bem na visão, até parecia feliz.

– Como posso ficar feliz com isso, Apolo? Eu e Afrodite nos odiamos.

– Pessoas que se odeiam não se beijam daquele jeito. – ele retrucou.

– Foi um deslize! – Atena choramingou.

– Chame do que quiser, a verdade é que você e Afrodite se beijaram e gostaram disso, mas como sempre sua razão tomou as rédeas da situação e fez com que você se apavorasse. E não venha me dizer que não gostou.

– É errado!

– Só é errado se você quiser, pare de ser racional e se deixe guiar pelo que sente. Toda forma de amor é válida.

Antes que Atena pudesse falar algo a mensagem de Íris se dissolveu, ela escondeu o rosto nas mãos e respirou fundo, sua mente entrando em pane. Não, ela não podia perder o controle, e nem pensar naquilo, ou acabaria enlouquecendo.

Ela daria um jeito, qualquer outro jeito, sempre existe uma saída para aqueles que são espertos o suficiente para encontra-la, e ela é a deusa da sabedoria, sairia disso sem fazer o que Apolo disse.

Quando saiu do escritório não encontrou Afrodite no sofá, nem no quarto, nem em lugar nenhum do apartamento. Atena já cogitava a ideia da deusa ter fugido novamente quando encontrou o bilhete sobre o balcão da cozinha.

Balada. Faça o favor de não me seguir.

A.

Atena franziu o cenho para o bilhete, será que Afrodite pensava que tinha algum direito de ficar irritada? Aquela mulher realmente era maluca. A deusa da sabedoria foi para a sala e se jogou no sofá, encarando o apartamento vazio e pensando no que faria durante toda a noite. Por fim decidiu preparar um jantar, cozinhar sempre a acalmava, mas naquela noite seus pensamentos estavam focados na deusa do amor e em tudo que ela podia estar aprontando sozinha.

Minutos depois ela estava de volta ao sofá, terminando seu jantar e encarando a Tv, sua mente perguntou-se brevemente se Afrodite estava bem e segura, fazendo seu coração apertar um pouco.

Afrodite por sua vez dançava alegremente em uma boate muito distante do apartamento onde horas atrás deixou Atena e todo seu remorso. Ela não tinha porque se sentir culpada, nenhum pouco, não agarrou Atena a força naquele elevador, muito pelo contrário, a loira até retribuiu o beijo e depois surtou. Por isso Afrodite deixara a deusa no apartamento, ela que ficasse com sua maldita sabedoria e sensatez, não era disso que Afrodite precisava, não precisava do olhar frio de Atena, nem de sua presença irritante e tentadora, principalmente não precisava das lembranças daqueles beijos!

Olhou ao redor, precisava de uma distração mais eficaz, havia lindos rapazes tentando chamar a atenção dela, mas o olhar da deusa se fixou numa garota loira que dançava sensualmente na pista de dança. Não pensou muito enquanto ia até ela, nem enquanto a hipnotizava com seu charme, atraindo a garota para um corredor vazio.

Tentou se concentrar em beijar a garota, mas os lábios dela pareciam não se encaixar direito aos da deusa do amor, sua língua travando uma batalha sensual, mas isso não excitava Afrodite, percorreu as mãos pelo corpo da garota, massageando seus seios pequenos e gemendo de frustração. Aquilo deveria satisfaze-la, sempre foi assim, por que estava falhando naquele momento? Interrompeu o beijo e encarou a garota, os olhos dela eram castanhos, os lábios finos e rosados, seu rosto tinha uma beleza adorável.

Isso tem que ser suficiente. Ordenou a si mesma.

Atena. Sua mente retrucou.

–Esqueça. – Resmungou e a garota a olhou, confusa.

– algum problema?

– Eu ainda não sei seu nome. – Afrodite sorriu docemente, fazendo a garota suspirar.

– Melissa. – ela falou numa voz fraca.

– Bem, Mel. Nós deveríamos ir para um lugar mais reservado. – a deusa do amor piscou.

Melissa a puxou em direção ao camarim, entrando e fechando a porta. Afrodite agarrou-a prontamente, retirando a blusa da garota e a beijando. Durante um longo tempo elas se beijaram, quando as mãos de Melissa apertaram os ombros da deusa do amor isso trouxe uma enxurrada de lembranças que fez Afrodite se afastar. Aquela garota não era o suficiente, ela era experiente e decidida, e não era isso que ela queria.

Ela queria ingenuidade e timidez, queria o toque hesitante, os lábios cheios, os gemidos baixos da deusa da sabedoria. Ela queria Atena, e não era idiota em pensar que outra iria satisfaze-la.

– Perdão, mas eu não posso. – Ela se afastou, arrumando a própria roupa.

– Você... – a garota começou a protestar, mas Afrodite saiu do camarim.

A deusa aparatou para o apartamento, aparecendo na sala, estava tudo no mais absoluto silêncio. Olhou para o relógio, passavam das duas horas da manhã, caminhou até os quarto e parou no corredor. Entrou devagar no quarto e sentou na cama, observando o rosto tranquilo de Atena, sua expressão parecia preocupada, tocou as pequenas linhas que se formavam entre as sobrancelhas dela e sorriu ao ver Atena se remexer na cama. Depois de um longo tempo sentada ali, Afrodite beijou a testa de Atena e saiu do quarto, caminhou até o próprio quarto e se jogou na cama, adormecendo no mesmo momento.

Atena acordou com a claridade que atravessava as janelas, fez uma careta ao sentir a dor de cabeça que a tomava. Havia ido dormir tarde, tentou se convencer de que só fez isso porque queria terminar o livro que estava lendo, mas na verdade só esperava o momento de Afrodite voltar. Por fim o cansaço havia vencido a deusa que arrastou-se para a cama e dormiu no mesmo instante.

Franziu o cenho ao lembrar da sensação que sentira durante a madrugada, decidiu que devia ter sido um sonho, estava se tornando normal sonhar com Afrodite em seu quarto. Depois de um longo banho e roupas limpas, Atena saiu do quarto e caminhou até a sala, Afrodite estava na cozinha, parecendo esperar a deusa da sabedoria.

Sem dizer uma palavra Atena saiu junto com ela, as duas entraram no elevador ainda em silêncio, pelo canto do olho Afrodite viu Atena corar, era impossível não lembrar do que haviam feito ali. A deusa da sabedoria ergueu o olhar e mordeu o lábio ao notar que Afrodite a olhava, elas se encararam por um longo tempo até que as portas do elevador se abriram. Caminharam até a cantina onde foram no dia anterior, fizeram seus pedidos e tomaram o café da manhã enquanto ainda se ignoravam.

Atena notou uma pequena marca roxa no pescoço de Afrodite, mesmo a distância ela conseguiu distinguir bem aquilo e o ciúmes queimou em seu peito, sim, dessa vez ela sabia que era ciúmes, porque todos os seus pensamentos se voltaram para o fato de que Afrodite havia ficado com outra pessoa. Não notou que fazia uma careta até ver que Afrodite a encarava com curiosidade, a deusa do amor estava preocupada com o comportamento silencioso de Atena, mas não iria quebrar o silêncio, nem pensar.

Só quando terminaram de comer e o garçom se aproximou com a conta o silêncio entre as duas teve fim.

– Aqui está. — Atena estendeu alguns euros.

– Não, eu pago. – Afrodite estendeu o cartão de crédito.

– Não preciso que você pague algo para mim. – a deusa da sabedoria retrucou.

– Não é para você, Teninha. Nós duas comemos, não seja tão irritante.

– Olha quem fala de ser irritante. – a loira a encarou com raiva.

– Senhoritas. – o garçom interrompeu, sem jeito com a situação.

– Bem, seja como for, irritante ou não eu pago. – a deusa do amor deu de ombros e entregou o cartão de crédito.

Enquanto pagava a conta, Afrodite manteve-se tranquila diante do olhar furioso de Atena, saíram da cantina e seguiram em direção contrária ao apartamento sem nada dizer. Atena sabia que Afrodite faria compras naquela manhã, e embora odiasse isso, ela teve de seguir a deusa do amor.

Mesmo sabendo que Atena a seguiria Afrodite não pode deixar de dar um sorriso de satisfação, sentia o ciúme irradiar da deusa, e isso fazia com que a morena ficasse exultante. No taxi permaneceram em silêncio, Atena havia pegado um livro na bolsa e agora lia enquanto ignorava sutilmente a deusa do amor.

Em alguns momentos Afrodite se pegou desejando que Atena batesse a cara num poste, como ela podia ser tão fria? Completamente indiferente enquanto seguia a deusa do amor pelas lojas de Roma, poucas vezes desviou o olhar de seu livro, mesmo quando Afrodite a provocava, Atena erguia os olhos por alguns segundos e voltava a ler. Estavam em uma grandiosa loja de sapatos exclusivos, Afrodite tagarelava com a vendedora enquanto escolhia alguns pares.

– Ah sim, esses são perfeitos. – Ela aprovou enquanto calçava um par.

– Vou pegar a nova coleção, eles parecem feitos para você. – a vendedora falou antes de se afastar.

Afrodite levantou, olhando no espelho enquanto analisava se o sapato havia ficado realmente bom, queria pedir a opinião de Atena, mas a loira parecia empolgada demais com aquele livro velho. Um pequeno tumulto começou do outro lado da loja, um casal discutia ruidosamente chamando a atenção dos mortais ao redor. As deusas ainda ignoravam aquilo, até que no momento em que o homem quebrou os saltos de par de sapatos novos e os jogou numa lixeira,

– Não! Eu não acredito que ele fez isso! – Afrodite virou e encarou abismada a cena. – Di immortales! Eu não acredito!

Atena ergueu os olhos e encarou a morena, arqueou a sobrancelha, sem entender o por que de tanto alarde.

– O que foi? – perguntou, entediada.

– Você viu o que ele fez? Aquele era um Louboutin original! Só dez pares foram criados em todo o mundo! Isso é um insulto. ―Afrodite reclamou, fazendo a loira rolar os olhos. – Não acredito que ele foi capaz de tamanha atrocidade, esse ser deve ser um monstro disfarçado, você por acaso já viu alguém tão cruel?

Quando virou para olhar Atena, viu que a deusa se esforçava para não rir, seu rosto estava completamente vermelho e ela cobria a boca.

―O que foi? ―A deusa do amor perguntou irritada.

Atena não respondeu, apenas continuou tentando não rir, fazendo com que Afrodite cruzasse os braços e a encarasse.

―Atena! ―Ela reclamou, exasperada.

Então Atena finalmente riu, uma linda gargalhada que Afrodite não estava acostumada a ouvir.

―Desculpe, desculpe Afrodite. ―Atena falou, ofegante. ―Mas é que isso foi extremamente engraçado.

Em outro momento Afrodite ficaria furiosa por Atena rir dela, mas nesse momento o riso da deusa da sabedoria era diferente. Não aquele risinho irônico que ela dava a cada vez que Afrodite falava algo idiota. Era um riso sincero, algo que fazia ela parecer mais real.

―Ora não pode ser engraçado, era um Louboutin raro. ―Ela fez uma careta, embora apreciasse o riso da outra.

―E isso é um insulto a moda? ―Atena perguntou, tentando conter seu riso.

―É um insulto a mim! ―Afrodite declarou e Atena voltou a rir.

Afrodite não podia negar que o riso da loira a deixou satisfeita, fazendo com que ela parasse o “surto” e observasse o rosto de Atena. A outra notou o olhar da deusa e baixou o rosto, pigarreou e voltou a ler o livro, ao menos tentar ler. Depois de saírem da loja, caminharam pelas ruas, Atena estava impressionada pela capacidade de Afrodite de fazer compras, já haviam despachado uma quantidade absurda de sacolas para o apartamento.

Entraram em uma brechó, Afrodite parecia ocupada demais para prestar atenção em qualquer outra coisa, Atena sentou em uma cadeira perto da lareira da loja, mantendo seu olhar concentrado no livro que lia, e não prestando atenção que Afrodite havia falado com ela.

– Atena! – a morena reclamou.

– O que? – a outra ergueu o olhar.

– O que acha desse casaco? — Afrodite perguntou.

– Não sei. – Atena voltou a olhar o livro.

– Palas Atena!

– O que é? – Atena falou, irritada.

– Estou pedindo sua opinião, será que dá para largar essa velharia e prestar atenção em mim?

– Não é uma velharia, Afrodite. É a primeira edição de “As Crônicas de Nárnia”, eu o ganhei diretamente do C. S. Lewis. – a deusa da sabedoria retrucou, irritada. – É precioso, de um valor inestimável, e muito mais interessante do que você.

– Ah mais interessante do que eu? – Afrodite largou o casaco e tomou o livro das mãos de Atena. – Veja o que eu faço com sua preciosidade.

– Devolva! – Atena levantou, mas não pode impedir o movimento seguinte da deusa.

Afrodite jogou o livro na lareira, as chamas o consumiram rapidamente, parecendo famintas por aquilo. Quando ela virou para olhar Atena parecia prestes a chorar.

– Não! – Atena deu um passo a frente, parecendo prestes a enfiar as mãos nas chamas. – Meu livro, não!

– Pare de drama, é só um livro. – a deusa do amor rolou os olhos.

– Traga-o de volta. – a loira ordenou, erguendo o olhar.

– Ah tudo bem. – Afrodite estalou os dedos, mas nada aconteceu. – Espera, é só uma falha.

Ela tentou novamente, e de novo, mas nada aconteceu, quando voltou a olhar Atena pensou que ela a jogaria na lareira.

– Posso reconstitui-lo depois. – Afrodite deu um sorriso amarelo.

– Não, você não pode! Eu não tenho poder suficiente para isso, só Héstia poderia traze-lo de volta! – Atena protestou, numa voz chorosa e saiu da loja.

A deusa do amor a seguiu, deixando de lado as compras enquanto tentava alcançar Atena na rua, os passos rápidos e furiosos da loira logo deixaram Afrodite para trás, fazendo-a literalmente correr atrás de Atena.

– Espere! Espere, me ouça! – falou, ofegante, enquanto alcançava a loira e a fazia parar. – Eu compro outro.

– Não há outro, Afrodite! Aquele era único. – Atena retrucou.

– Roma está cheia de velharias, deve ter algum lugar aqui que venda um livro.

– Nada do que faça vai consertar aquilo! – a deusa da sabedoria voltou a caminhar.

Por algum motivo Afrodite começou a entrar em desespero, enquanto via Atena se afastar, imaginou que se a deusa fosse embora ela ficaria completamente sozinha. Ela não queria ficar sozinha. Não, não era só isso, ela não queria ficar longe de Atena, por milhares de motivos, ainda tinha tantas coisas a fazer. Por isso começou uma busca frenética nas livrarias, sabia que seria difícil, não poderia oferecer nada além de uma primeira edição, e Afrodite iria encontrar um livro igual a aquele, nem que tivesse que ir até o tártaro.

Depois de passar por várias livrarias, Afrodite finalmente conseguiu encontrar um colecionador, ele tinha um exemplar de “As Crônicas de Nárnia”, mas não o entregaria facilmente. Quando a negociação alcançou preços exorbitantes, Afrodite perdeu totalmente a paciência, usou seu charme para convencer o homem a vender o livro de uma vez, minutos depois ela saiu sorridente com o livro recém-comprado em sua bolsa.

Localizar Atena não foi problema, Afrodite conseguia senti-la a quilômetros de distância, por isso seguiu direto para o restaurante onde a deusa estava. A deusa da sabedoria estava na parte externa do restaurante, o rosto estava enfiado nas mãos, não estava chorando, apenas não conseguia controlar a frustração.

Ela odiava a deusa do amor, mais do que nunca, sentia o ódio queimar em seu peito. Estava cansada do joguinho de Afrodite, da perseguição, do desejo, do medo, de tudo aquilo! Tudo que ela mais queria era estar no Olimpo, em seu templo, encolhida em sua cama. Ela queria ir embora, não estava daquele jeito apenas pelo livro, mesmo que ele fosse realmente importante para Atena, uma peça única que nunca poderia ser substituída. Respirou fundo e ficou tensa, a presença de Afrodite parecia ser sentida por cada poro de sua pele, mesmo não querendo, Atena sabia que ela se aproximava, e quando a morena sentou diante dela, não pode deixar de encara-la.

– Olha, eu sei que você está furiosa. – Afrodite começou.

– Furiosa? Eu estou possessa! – Atena interrompeu.

– Não era minha intenção te deixar assim.

– Era sim, sempre é sua intenção me deixar mal, porque você sente prazer em me ver sofrer. – a loira acusou e a deusa do amor ofegou.

– Não é verdade! Veja, eu até fui ... – ela tentou falar novamente, mas Atena a calou com um olhar.

– Não quero nada que venha de você, absolutamente nada. – a deusa da sabedoria falou devagar. – Hoje você só me fez lembrar porque eu te odeio.

As palavras atingiram Afrodite como um soco, normalmente ela não se importava pelo fato de Atena não gostar dela, mas ouvi-la dizer que a odiava fez os olhos da deusa do amor ficarem marejados. Ela não iria chorar ali, não daria o prazer de Atena vê-la arrasada, algo que aprendeu em anos de convivência com Hera foi que não importa o quão forte as palavras te machuquem, nunca se deve cair em prantos diante daquele que a magoou.

Enquanto sentia a respiração ficar mais difícil, saiu correndo do restaurante, sem ter certeza para onde iria, ela só precisava ficar longe da preferida de Zeus.

―Afrodite? ―Atena olhou ao redor e viu a morena se distanciando, rolou os olhos.

Não iria atrás dela, não aguentarias os chiliques da deusa do amor. Olhando novamente, viu dois homens estranhos olharem Afrodite com interesse e comentarem algo, poderia não ser nada, só mais dois idiotas admirando uma mulher bonita.

No entanto Atena sentiu um calafrio quando viu os homens seguirem na mesma direção que Afrodite desaparecera, tentou ignorar aquilo, mas o calafrio voltou mais forte e acompanhado por uma sensação de pânico. Levantou do banco e deixo alguns euros na mesa, pegou sua bolsa e correu para fora do restaurante, seguindo na direção em que os homens haviam ido.

Enquanto corria e tentava encontrar algum sinal de Afrodite ou daqueles homens, sua mente repetia que ela estava sendo paranoica e que nada havia acontecido. Foi quando, minutos depois, entrou em uma viela e ouviu um grito agudo que fez seu sangue gelar. Reconheceria aquela voz até no tártaro, correu o mais rápido que pode e quase entrou em colapso ao ver a deusa do amor encolhida no chão.

―Afrodite! ―Sua voz detonou todo o desespero, correu até a morena e

ajoelhou-se a seu lado. Ela estava quase inconsciente, havia um machucado em sua testa e suas mãos agarravam com força a bolsa que ela carregava. ―Afrodite.

―Eles estão fugindo. ―Ela murmurou, erguendo o olhar. ―Assalto.

―Afrodite. ―O olhar de Atena percorreu a viela, não havia sinais dos homens, voltou a olhar a deusa caída quando ela agarrou sua mão. ―Fique calma, eu vou cuidar de você.

―Ares, você veio me salvar. ―Afrodite sussurrou, dando um pequeno sorriso, e fazendo o coração de Atena doer de forma inimaginável. ―Eu sabia que me salvaria... você sempre me salva.

―Dite. ―Atena murmurou, será que a pancada fora forte o suficiente para faze-la delirar?

―Eu amo você. ―A voz de Afrodite diminuiu e ela fechou os olhos.

Atena olhou ao redor, tinha que tirar Afrodite dali, dissera a si mesma que só deveria usar seus poderes em momentos de necessidade, bem, esse é o momento. Por isso ela colocou os braços ao redor dos ombros de Afrodite, apoiando a cabeça dela em seu peito.

―Vamos pra casa. ―Atena fechou os olhos e aparatou, levando junto a deusa desacordada.

Apareceu no quarto da deusa do amor, mais necessariamente na cama. Acomodou melhor a morena, tirando-lhe os sapatos e retirando o vestido sujo, pegou uma camisa longa que encontrou no closet e com muito cuidado vestiu a garota.

Fez uma avaliação rápida, ela não parecia muito machucada, mas aquela marca roxa em sua testa preocupava Atena. Foi até seu quarto e remexeu em sua mala, pegou a pomada que Apolo havia distribuído ao olimpianos para que parassem de atormenta-lo com pequenos ferimentos. Volto para junto de Afrodite, colocou uma boa quantidade de pomada sobre o “galo” que começava a formar-se na testa da morena, suspirou aliviada ao ver pouco a pouco o machucado desaparecer.

Colocando a pomada de lado, começou a puxar um cobertor sobre a morena, foi quando mãos delicadas agarraram sua cintura e ela paralisou.

―Atena. ―Afrodite murmurou. ―Desculpe.

―Descanse. ―Atena puxou o cobertor até o queixo da outra e começou a se afastar.

―Fica. ―A deusa do amor a encarava de forma assustada. ―Por favor... não quero ficar sozinha.

―Eles não virão atrás de você. ―Garantiu Atena, mas as mãos em sua cintura criaram um aperto difícil de escapar.

―Por favor Atena...

―Tudo bem. ―Atena deitou ao lado dela, tentando manter a maior distancia possível, mas Afrodite a abraçou com força, escondendo o rosto em seu ombro. ―Está tudo bem, Afrodite.

As lágrimas da deusa criaram uma trilha quente na pele de Atena, ela chorou durante um longo tempo, sempre murmurando um pedido de desculpas e estremecendo. Atena sabia que Afrodite precisava de ajuda, provavelmente Apolo seria a melhor opção naquele momento, mas ela não conseguia sair da cama para chama-lo, não conseguia soltar a deusa mesmo quando o aperto dela tornou-se mais frouxo e ela adormeceu. Continuou ali, mesmo quando o sol se pôs e o quarto ficou escuro, não se moveu um único centímetro, e tinha certeza de que não faria aquilo por enquanto, não enquanto Afrodite precisasse dela ali, mesmo depois de Atena ter sido tão cruel, e com certeza não enquanto não deixasse Afrodite bem.

A partir daquele momento deixar Afrodite bem era a missão real de Atena, e ela faria de tudo para cumprir.

Notas finais
Confuso? Eu sei :3 Enfim, gostaram? Sim? Não? Nem demorei tanto para postar. Eu tinha esse capítulo quase pronto, mas tipo, só tinha o final, então tive que elaborar todo começo e meio. AVISANDO! Eu pretendo sim, em um futuro não muito distante, escrever uma fic Swan Queen *-* porque eu shippo u.u Ah e eu vou postar minha fic Poseidon e Héstia, vai ser um fracasso, mas quem liga? Amo vocês, amores