I Kissed a Girl
13 Paris
Notas iniciais
Atena decididamente não queria acordar.
A típica manhã fria de Londres tinha o clima perfeito para que ela ficasse na cama mais um pouco, seu corpo estava aquecido, não pelos cobertores, mas pelo calor de Afrodite a seu lado.
Abriu os olhos devagar e suspirou, a deusa do amor a abraçou mais apertado, encaixando seus corpos e fazendo Atena pensar como elas se encaixavam perfeitamente. Observou o rosto de Afrodite, pensando brevemente como a deusa do amor não parecia tão pecaminosa enquanto dormia, era igualmente linda e tentadora, mas seu rosto ganhava um ar angelical.
Seu olhar encontrou algumas marcas que ela havia feito na noite anterior, um sorriso satisfeito surgiu nos lábios da deusa da sabedoria. Ela não podia negar o quanto gostava de marcar Afrodite, de fazê-la dela, mesmo que não fosse. Ainda se negava a analisar a situação, ela não podia pensar, eram sentimentos demais, e sabia que estava escondendo muito de si mesma. Tentou sair da cama sorrateiramente, Afrodite a agarrou com mais força enquanto murmurava frases incoerentes, a deusa da sabedoria achava aquilo fofo, ainda mais porque de vez em quando a outra murmurava seu nome.
Uma vez fora da cama Atena caminhou diretamente para o banheiro, se espreguiçou devagar, pensando brevemente em como cada pequena parte do seu corpo parecia dolorida. Deu um pequeno sorriso entrou embaixo do jato do chuveiro, a água quente era tudo que ela precisava naquele momento, ocupou-se de se lavar com cuidado e minutos depois estava diante do grande espelho do banheiro enrolando uma toalha no cabelo loiro. Enquanto escovava os dentes notou uma marca próxima a seus seios, seu rosto esquentou e ela balançou a cabeça, tentando a todo custo não lembrar os lábios de Afrodite ali.
Quando voltou para o quarto deu uma olhada rápida na deusa do amor que ainda dormia, seguiu para fora, indo em direção a sala, pretendia ir para a cozinha e preparar o café da manhã, mas um envelope no chão chamou a atenção da deusa.
Caminhou até a porta e pegou o envelope, prontamente reconheceu o papel usado nos envelopes do Olimpo, e o selo de cera que fechava a carta trazia um emblema de uma águia. Sentou-se no sofá e respirou devagar enquanto abria o envelope e desdobrava o papel, suas mãos tremiam e Atena começou a ler a carta.
Atena.
Estou profundamente decepcionado com você. O que tártaro foi aquilo em Milão? Eu a mando para buscar Afrodite e você fica brincando de modelo? Tem noção das piadinhas que Poseidon está fazendo e eu nem posso revidar?
Germana me avisou da sua visita a Veneza, e que você e Afrodite haviam ido embora juntas. Pensei que estivesse conseguido convencê-la a voltar, no entanto vocês voltaram a brigar em Roma e depois as visões de Apolo desapareceram.
Você está falhando em sua missão, e eu não admito falhas, a ausência de Afrodite está causando confusão no Olimpo, Ares e Hefesto estão quase em guerra, os casais estão rompendo relações, logo essa crise descerá ao mundo mortal. E a culpa vai ser SUA.
Tem menos de uma semana para trazê-la de volta, não estou brincando, quero que você traga Afrodite mesmo que arrastada pelos cabelos ou então eu mandarei Ares busca-la, e tenho certeza de que seu irmão não falharia nisso.
Aguardo seus progressos.
Menos de uma semana.
Zeus.
Menos de uma semana.
Aquela frase caiu sobre Atena como uma bomba, a fúria de Zeus não era nada comparado ao choque que paralisou a deusa da sabedoria. Ela tinha menos de uma semana para levar Afrodite de volta. O choque trouxe de volta o lado racional da deusa, o que ela estava pensando afinal? E por que havia perdido tanto tempo? Ela quase esqueceu sua missão!
Levantou-se num pulo e correu para o escritório do apartamento, pegando prontamente uma folha em branco e uma caneta, decidida a escrever uma carta para o pai.
O que ela diria? Que havia esquecido da própria missão porque estava na cama com Afrodite? Deuses, ela não era boa em mentir, e Zeus sabia disso. Mas se fosse convincente em sua carta poderia convencer o senhor dos céus e evitaria mentir pessoalmente.
Sentou na poltrona e respirou fundo, tentando convencer a própria mente de que aquela era uma mentira inofensiva e que salvaria a pele dela e de Afrodite.
Pai,
Perdão, não imagina o quão envergonhada estou. Sua decepção é reflexo da que sinto de mim mesma. Eu deveria ter lhe dado noticias desde o inicio, mas Afrodite não facilitava as coisas, e eu poderia perdê-la se não fosse rápida o suficiente.
Devido ao escasso poder que me sobrou não posso levar Afrodite contra vontade, por isso dependo da decisão dela. Estou usando uma estratégia, algo a qual Afrodite não resistiria, não posso contar detalhes, mas ela está caindo na armadilha do que ela mesma representa.
Apenas peço que confie em mim, prometo que logo terá Afrodite de volta ao Olimpo e todos os problemas acabarão. Até o final da semana, eu a levarei até o senhor, só me deixe ludibria-la mais um pouco, assim poderei convencê-la, não se preocupe, tenho minhas armas contra Afrodite.
Atena
Ao reler a carta Atena sentiu um incomodo, detestava a forma como se referia ao que estava acontecendo entre ela e a deusa do amor, no entanto não podia deixar margem para suspeitas, tinha que fazer Zeus acreditar nela e evitar que outra pessoa fosse mandada para aquela missão. Tudo naquela carta era mentira, garantiu a si mesma e colocou a folha dentro do envelope. Antes que tivesse oportunidade de selar a carta, a porta do escritório foi aberta e a deusa do amor entrou.
– Você não estava na cama, fiquei preocupada. – Afrodite falou assim que viu o olhar confuso de Atena.
– Tudo bem, eu só... – Atena mordeu o lábio, procurando uma boa desculpa.
– Escrevendo uma carta? – a morena sorriu, caminhando até a deusa da sabedoria e sentando no colo dela.
– Sim, pra uma das universidades de Londres, um dos meus filhos vai para lá. – a outra mentiu.
– Ah sim, carta de recomendação. – Afrodite deu de ombros tranquilamente, pensando em quantas vezes já vira Atena ocupada com coisas como aquela. – É muito cedo para tratar disso.
– Eu sei, mas eu só queria adiantar as coisas.
– Hm, que tal encher essa barriguinha linda primeiro? – Inclinou-se e beijou suavemente os lábios de Atena, afastando-se quando a outra tentou aprofundar o beijo. – Termine isso e me encontre na cozinha.
– Tudo bem. – Atena assentiu, observando Afrodite sair do escritório. Respirou fundo, não poderia mandar a carta naquele momento, precisava conversar com Afrodite antes, tentar convencê-la a voltar para o Olimpo.
Segui para fora do escritório, indo para o quarto e enfiando a carta em sua bolsa. Cuidaria daquilo depois, Zeus podia esperar mais algumas horas, e Atena precisava de alguns minutos sem aquela espada sobre sua cabeça. Ao entrar na cozinha encontrou Afrodite arrumando os pratos na bancada, ela havia realmente caprichado na decoração, mas a comida parecia tão apetitosa que a deusa da sabedoria nem sequer notou o resto.
– Eu estou faminta. – declarou enquanto sentava num dos altos bancos.
– Às vezes eu penso que o tempo que está passando comigo está te tornando menos educada. – Afrodite repreendeu, observando a loira se servir apressadamente. – Se comer tanto vai passar mal.
– Só estou com muita fome. – Atena deu de ombros.
– Claro, depois de todo... hm... esforço de ontem. – a deusa do amor sorriu maliciosamente e Atena corou, baixando o olhar para seu prato. – Você se saiu muito bem como papai.
– Temos mesmo que falar sobre isso no café da manhã? – a morena murmurou.
– Não, mas eu amo ver você corada.
Atena corou mais ainda, talvez pelas lembranças da noite anterior e como ela havia tomado o controle da situação, aquilo fora estranho, mas absurdamente satisfatório. No entanto o olhar que Afrodite lhe dava era muito mais quente do que as lembranças, era sensual, cheio de desejo, pecaminoso.
– Você ama muitas coisas em mim. – a deusa da sabedoria tentou levar as coisas para um lado menos malicioso.
– Sim, eu amo. – Afrodite assentiu e começou a servir-se, murmurando tão baixo que Atena nem sequer ouviu. – Amo mais do que deveria.
Quando Atena se inclinou tentando ouvir o que a deusa murmurou, Afrodite deu um pequeno sorriso e apertou a bochecha da outra.
– Oush. – Atena resmungou, fazendo a deusa do amor rir.
– Tudo bem, vou te deixar tomar café da manhã quieta. Depois temos coisas importantes a fazer.
O tom malicioso de Afrodite fez o rosto de Atena ficar ainda mais vermelho, se é que isso era possível, a deusa da sabedoria mordeu o lábio, tentando conter a onda de desejo que a tomou, ergueu o rosto e encarou Afrodite que a olhava com atenção.
– Quais coisas importantes? – Perguntou.
– ir para a próxima cidade. – Afrodite quase riu diante do olhar decepcionado da loira. – Acho que você tinha outras ideias.
– Sim, eu tinha.
– Deixaremos para mais tarde, vamos tomar nosso café da manhã e nos arrumarmos.
– E para onde vamos?
– A última cidade da lista, Paris. – a deusa do amor deu de ombros.
Quando por fim terminaram o café da manhã as duas seguiram para o quarto, ocupando-se de se arrumar e pegar as bolsas para a viagem. Como não levavam muita bagagem logo estavam prontas. Afrodite sorriu bobamente quando estendeu a mão para Atena e a deusa simplesmente abraçou sua cintura.
As deusas aparataram, sendo que grande parte do poder usado para aquilo foi de Afrodite, ela sabia como o poder limitado podia causar coisas ruins, e não queria sua Atena passando mal. Apareceram no apartamento da deusa do amor, uma grande cobertura que tinha uma vista ampla da bela e charmosa Paris.
– Lar, doce lar. – Afrodite falou enquanto largava as bolsas no sofá e arrastava Atena até as grandes janelas.
– Então esse é o seu apartamento secreto? – Atena perguntou, observando a sala ao redor.
– Sim, é aqui que eu me escondo daqueles idiotas do Olimpo. – a deusa do amor deu de ombros. – Está muito cansada?
– Ah por favor, não está pensando em mais uma maratona de compras.
– Não, bobinha, só quero te levar para passear.
Atena revirou os olhos, era impossível resistir a um pedido da deusa do amor, por isso deixou que ela a arrastasse para fora do apartamento, levando-a para um tour por Paris. Algumas horas depois a deusa da sabedoria tinha que admitir que aquilo não era tão ruim, um passeio pela cidade luz com a deusa do amor como guia. Elas passearam, sempre mantendo Afrodite longe das lojas, tiraram algumas fotos com a câmera que Atena trazia em sua bolsa, observaram os artistas de rua, e por fim tiraram uma pausa para o almoço.
– Você já está cansada? – a deusa do amor questionou ao ver Atena piscar sonolenta.
– Um pouco, é mais sono. – Atena respondeu e reprimiu um bocejo. – Não tenho dormido muito nos últimos dias.
– Por uma boa causa, espero. – Afrodite provocou.
– Ah sim, uma ótima causa. – a outra sorriu provocante, quase fazendo Afrodite beija-la ali mesmo. – posso fazer uma pergunta?
– Claro. – a morena deu de ombros, concentrada na comida em seu prato.
– Por que você e Ares brigaram?
Os talheres escaparam das mãos de Afrodite, Atena observou enquanto a outra encolhia os ombros e respirava fundo antes de olha-la.
– Eu não quero falar sobre isso. – respondeu.
– Por que não?
– Porque eu não quero, me recuso a falar sobre Ares.
– O que ele fez pra te magoar tanto? – Atena pressionou.
–Podemos ir embora? – Afrodite colocou o guardanapo sobre a mesa e chamou o garçom. – Perdi a fome.
– Afrodite...
– Por favor, Atena. – ela pediu enquanto pagava a conta e levantava.
Elas saíram do restaurante, Atena detestava a forma como Afrodite escondia as coisas em relação a Ares, mas ela mesma não estava escondendo segredos? Enquanto caminhavam pelas ruas de Paris, seguindo de volta ao apartamento, Afrodite segurou a mão da deusa da sabedoria, mantendo-a perto e fazendo com que Atena relaxasse um pouco.
No taxi que elas apanharam, Afrodite apoiou seu rosto no ombro de Atena, a deusa da sabedoria abraçou a cintura da outra. O taxista deu um olhar de dúvida, mas preferiu não comentar como era engraçado que duas mulheres tão belas estivessem tão próximas, para ele o clima de Paris fazia com que as pessoas se apaixonassem facilmente, e ali toda forma de amor era válida.
Quando entraram no apartamento, Atena arrastou Afrodite até o sofá e sentou com ela ali, a deusa do amor se aconchegou no colo da outra e a olhou.
– Prometa não ficar furiosa. – pediu baixinho.
– E por que eu ficaria? – Atena perguntou, confusa.
– Porque você se irrita fácil, e eu fico assustada quando você está furiosa. – Afrodite confessou e a loira sorriu.
– Sinto muito, eu prometo não ficar furiosa.
Afrodite sorriu e abraçou a deusa da sabedoria mais apertado, ainda encarando aqueles tempestuosos olhos cinza.
– Eu me apaixonei por ele desde que o vi, sabe? Aquela coisa de amor a primeira vista. E foi num baile do olimpo que eu o vi pela primeira vez. – a deusa do amor contou. – Ares não tinha uma boa fama, na verdade ainda não tem, mas ele foi tão gentil comigo, simplesmente fiquei encantada.
“Eram meus primeiros meses no Olimpo, depois da guerra dos titãs, e eu havia aceitado casar com Hefesto. Ares apareceu na noite do baile e começou a flertar comigo, me encheu de promessas, e eu simplesmente sucumbi.”
“Então aí começou meu caso com Ares, eu estava apaixonada, não me importava que meu casamento com Hefesto mal tivesse começado e eu já o estivesse jogando no lixo. Ares conseguia o que queria de mim, ia bem além do sexo espetacular, ia mais do que a atração dos opostos, ele controlava tudo em mim. E talvez eu tenha sido fraca, louca, é isso que o amor é, fraqueza e loucura, me tornei a vadia do Olimpo porque era incapaz de abrir mão de Ares.”
“Foi um esforço em vão, Ares nunca deu valor ao que eu fazia. Meu amor era besteira, meu romantismo era perda de tempo. Para ele só estávamos realmente bem quando estávamos transando. Eu maltratei o coração de Hefesto, e talvez toda a dor que Ares me causou seja uma recompensa. Se você faz alguém chorar, se parte um coração, você paga por isso. É a lei da vida. E eu paguei, ainda estou pagando.”
“Há algumas semanas eu e Ares discutimos feio, depois do meu divórcio com Hefesto, as coisas não saíram como eu imaginei. Sempre acreditei que quando eu me separasse de Hefesto, Ares iria dizer o quanto me amava e que eu finalmente podia ser só dele... Isso não aconteceu.”
– Ares se distanciou de mim, a principio pensei que ele apenas não soubesse como reagir, afinal finalmente estávamos livres e poderíamos... – a voz de Afrodite falhou. – Eu estava tão enganada. Ele ficou cada vez mais distante, me evitava e quando finalmente aparecia sempre me tratava mal. No nosso último encontro, quando recebi o bilhete dele, acreditei que finalmente Ares tinha conseguido colocar a cabeça no lugar e nós ficaríamos...
Os soluços da deusa do amor antes tímidos tornaram-se tão intensos que a impediam de falar.
– Ele... Ele gritou, riu de mim dizendo que não acreditava que eu fosse ingênua a ponto de acreditar que... – ela tentou continuar falando.
– Afrodite, já chega. – Atena tentou fazê-la parar, mas Afrodite continuou falando.
– Ares disse que nunca ficaria comigo, que eu não era uma mulher para... que ele não passaria a vergonha de casar com a vadia do Olimpo, que os amigos ririam dele. – Afrodite choramingou, agarrando-se mais a deusa da sabedoria. – Ele disse que não me ama, que toda essa bobagem de amor só me tornava entediante... Que eu era apenas uma bonequinha, nunca uma mulher do qual um homem se orgulharia... inútil, fraca, dramática. E pra completar disse que já estava noivo, ele estava noivo! – ela deu uma risada amarga em meio as lágrimas. – Noivo de Nêmesis, ele me trocou por uma idiota deusa da vingança só porque eles “se completam”! Deuses, eu fui tão cega!
As lágrimas voltaram com mais força, Atena abraçou apertado a deusa do amor, tentando lhe oferecer algum apoio, mas era incapaz de falar. Ela odiava Ares desde o inicio, talvez desde que nascera, quando Zeus a colocou como favorita, Ares havia declarado uma guerra silenciosa a ela. Ele implicava com Atena, nunca conseguiu feri-la fisicamente, mas sempre a tratou como uma inútil, irritante e mimada. Naquele momento toda a raiva de Atena estava focada no fato de Ares ter magoado o coração da única mulher que o amara de verdade, ele partira Afrodite de tal forma que a deusa da sabedoria não sabia se era possível consertar.
O choro de Afrodite diminuiu aos poucos, Atena esticou-se para pegar alguns lenços de papel e oferecer a morena que deu um sorriso fraco. Sem falar nada as duas caminharam para o quarto, a deusa da sabedoria afastou as cobertas e ajudou Afrodite a se livrar dos sapatos. Enquanto Afrodite se aconchegava na cama, Atena puxou os cobertores sobre ela antes de abraça-la apertado, observou enquanto os intensos olhos azuis da deusa do amor se fechavam e ela adormecia lentamente.
As horas passaram devagar, Atena permaneceu acordada, observando enquanto o entardecer se transformava em noite. Ela continuava presa em seus muitos conflitos interiores. Como poderia levar Afrodite ao Olimpo depois de Ares machuca-la tanto? E como ela suportaria olhar para a cara do irmão sem fazê-lo engolir uma lança? Sua raiva mal podia ser contida. Um suspiro baixo chamou a atenção da deusa, baixou o rosto e viu Afrodite a encarando.
– Oi. – a deusa do amor murmurou.
– Olá, querida. – ela sorriu e beijou suavemente o rosto da outra.
– Dormi demais, não é?
– Você precisava. — Atena sorriu e deixou que Afrodite a apertasse.
– Obrigada por me ouvir... – a morena falou. – Eu não sei se conseguiria contar isso tudo a outra pessoa, talvez a Poseidon, já que ele é meu melhor amigo.
– Nunca vou compreender a amizade de vocês. – a loira comentou e Afrodite riu.
– É bem complexa porque em parte Poseidon é o tipo de cara que faz as garotas se derreterem, mas ele não usa charme comigo, só me provoca.
– Hm.. – Atena murmurou.
– Ei. – a deusa do amor ergueu o rosto até encarar Atena. – Poseidon não tem interesse em mim, ele está apaixonado por outra, você ouviu lá em Veneza.
– Deve estar realmente apaixonado para pedir sua ajuda.
– É... Infelizmente não sei se poderei ajudar.
– E por que não? – a deusa da sabedoria arqueou a sobrancelha.
– As coisas são mais complicadas do que parecem, não sei essa paixão de Poseidon é possível.
– Você mesma disse a ele que se há amor, sempre há chance. – lembrou Atena.
– Eu sei, mas é complexo demais. – Afrodite balançou a cabeça. – Não sei se posso ajuda-lo porque para fazer isso eu teria que partir um coração, e ele já está ferido demais.
– Sei que vai fazer a melhor escolha. – a loira a tranquilizou. – Afinal, quem entende mais de amor do que você?
“E quem está mais encrencada do que eu?” Afrodite pensou, não podia explicar a Atena que não conseguia ajudar Poseidon com a garota que ele estava apaixonado porque isso, provavelmente, tiraria a deusa da sabedoria dos braços dela. E como diria a Poseidon que não iria ajuda-lo porque os dois estavam apaixonados pela mesma mulher? Deuses, ela acabaria perdendo o amigo por isso.
– O que se passa nessa cabecinha? – Atena perguntou, tirando a deusa do amor de seus devaneios e fazendo-a sorrir.
– Eu estou cansada desse clima mórbido, como se tivesse uma espada sobre a minha cabeça. Preciso me distrair.
– Ah não, não Afrodite.- a deusa da sabedoria começou a reclamar antes que a outra terminasse de falar. – Conheço bem seu conceito de distração e nós não vamos para a balada.
– Por favor! Por favor, Atena! – Afrodite juntou as mãos diante do rosto em um gesto de súplica.
– Não, nem pensar.
– Eu prometo que só vamos ficar lá um pouquinho, não vamos beber muito, e quando voltarmos eu vou te encher de beijos. – a morena prometeu, arrancando uma risada da outra.
– Como resistir a algo que você pede? – Atena indagou, dando um suspiro dramático. – Tudo bem, nós vamos para a balada.
– Yeah! – Afrodite pulou sobre a deusa da sabedoria distribuindo beijos no rosto dela. – Você é a melhor, simplesmente a melhor.
Atena tinha que admitir que estava contente, Afrodite parecia bem melhor, na verdade parecia que toda aquela tristeza havia sumido enquanto a deusa se arrumava. Claro que ela fez bico quando Atena a obrigou a jantar, será que ela não sabia que não era aconselhável beber de estômago vazio? E quase fez um drama quando a deusa da sabedoria se recusou a usar a roupa que ela escolhera. Quando por fim saíram do apartamento, Afrodite ia mais a frente, sua saia curta exibia suas pernas longas e torneadas, a blusa absurdamente decotada mostrava uma porção tentadora dos seios da deusa, por sorte Atena havia convencido ela a usar uma jaqueta, isso evitaria os olhares famintos. Atena ia a seu lado, ainda rindo pelo fato da deusa do amor se revoltar por ela escolher jeans e uma blusa que não era decotada, e segundo a própria Afrodite “era uma afronta a ela, afinal, como poderia apreciar os belos seios de Atena daquela forma?
As duas entraram de mãos dadas no clube, a música eletrônica alta podia ser ouvida do inicio do quarteirão, e embora existisse uma fila enorme do lado de fora do prédio o segurança liberou a entrada das deusas assim que Afrodite falou seu nome. No corredor haviam pessoas conversando, o clima de romance era perceptível, mas Atena enxergava aquele lugar como um matadouro onde as pessoas iam só para saciar seu desejo. A única coisa que a impedia de sair correndo dali era a mão de Afrodite na sua, a deusa do amor parecia tão empolgada que mal percebeu o desconforto da outra.
O salão estava lotado, haviam pessoas para todos os lados, as luzes e fumaça artificial, a música que parecia retumbar com um poderoso coração, as vozes e risadas, era só mais uma balada comum de Paris, mas Atena estava estranhando tudo aquilo.
– Tente relaxar. – Afrodite instruiu.
– Estou relaxada. – a loira mentiu, fazendo a deusa do amor rir.
– Eu vejo, venha, vamos dançar.
Apesar dos protestos Atena foi arrastada até a pista de dança, tentou dizer a Afrodite que não sabia dançar, mas a música alta fez a voz da deusa se perder. Afrodite sorriu maliciosamente antes de puxar Atena para mais perto e sussurrar no ouvido dela.
– Não seja tímida, Atena. Dance comigo. – falou, seu tom carregado de charme para livrar a deusa de qualquer inibição.
Atena piscou confusa diante da voz da deusa do amor, mas se viu obedecendo aquele pedido, dançando devagar, sem se importar com as pessoas ao redor. A música tornou-se mais agitada, Afrodite segurou a mão da outra enquanto elas dançavam, seguindo o ritmo daquele amontoado de pessoas, já que quase não havia espaço para se mexer.
– Viu? Música alta e calor humano não é assim tão ruim. – a deusa do amor provocou.
Elas dançaram várias músicas seguidas, sempre juntas, mesmo quando outros homens se aproximavam tentando algo, ambas demonstravam desinteresse e eles a deixavam em paz. Em certo momento Afrodite indicou que iria buscar algumas bebidas para as duas, Atena assentiu e indicou que ficaria ali, e enquanto a deusa do amor abria caminho entre aqueles mortais, Atena continuava dançando animadamente.
O bar estava lotado, a deusa do amor conhecia o barman e assim que a viu ele começou a preparar os drinks preferidos da deusa. Só foram preciso poucos minutos até que os pedidos estivessem prontos, Afrodite sentou num banco alto e voltou a olhar Atena, sorriu observando a loira dançar animadamente, devia filmar aquilo, quantas vezes havia visto Atena tão livre? Ela, arqueou a sobrancelha ao ver uma garota que dançava junto a deusa da sabedoria, ela tinha algo que era familiar a Afrodite.
Pegando os drinks, Afrodite voltou a caminhar até a pista de dança, ao se aproximar mais um pouco quase deixou os copos caírem de suas mãos. A garota que dançava com Atena era a mesma com quem Afrodite havia ficado naquela balada em Roma, não havia dúvida, pois um brilho de reconhecimento surgiu nos olhos dela quando viu a deusa do amor.
''Por Zeus, isso só pode ser um castigo!'' Afrodite pensou.
– Atena. – chamou num tom tranquilo.
A deusa da sabedoria virou para olha-la, sorrindo de forma doce que quase derreteu o coração de Afrodite, aceitou o copo que ela lhe entregava.
– Se divertindo? – perguntou casualmente.
– Ah sim, música alta, calor humano. – Atena deu de ombros e puxou Afrodite pela cintura. – Até que não é tão ruim.
– Podíamos fazer algo melhor. – a morena sugeriu.
– É, podíamos. – a deusa da sabedoria mordeu o lábio inferior.
– Ei, eu ainda estou aqui. – a mulher ao lado de Atena falou, chamando a atenção das duas deusas. Assim que seu olhar se focou no rosto de Afrodite foi possível ver o reconhecimento em seu rosto. – Eu conheço você.
– Certamente está enganada.
– Eu não me enganaria. – Melissa se aproximou. – Você é bonita demais pra ser confundida... Roma!
– O que? – Atena perguntou confusa.
– Eu e ela ficamos em Roma, é tão bom te encontrar aqui. – a garota se aproximou, abraçando a cintura da deusa do amor. – Pensei que nunca mais fosse te encontrar, por que você sumiu naquela noite...
– Espera... vocês duas ficaram? – Atena chamou a atenção da mortal.
– Claro, numa balada em Roma. – a mortal de ombros.
Atena recuou um passo como se tivessem dado um soco no estômago dela, sentia-se enjoada, por isso virou as costas e correu em meio as pessoas, sem se importar com o chamado de Afrodite atrás dela, tudo o que ela queria era chegar ao banheiro.
Ignorou as outras mulheres que haviam ali e se trancou em uma das cabines, encostando-se contra a porta e tentando controlar a respiração ofegante.
Afrodite saiu correndo atrás dela, pouco se importava com Melissa, se pudesse mataria aquela mortal, será que era tão difícil assim manter a boca fechada? Os mortais ao redor se agitavam, sentindo a tensão que irradiava da deusa e se agarravam como selvagens, rasgando roupas e começando uma verdadeira orgia na pista de dança. Era culpa dos poderes descontrolados de Afrodite, mas ela conseguiu chegar ao banheiro onde as mulheres ali se agarravam , seguiu direto para a única cabine fechada, que foi aberta no momento em que ela parou ali e deu de cara com Atena.
Os olhos da deusa da sabedoria estavam mais escuros do que o normal, ela encarava Afrodite com tamanha raiva e mágoa que a deusa do amor teve vontade de se encolher. Sem dizer uma palavra a loira agarrou o pulso de Afrodite e a puxou para fora do banheiro, ignorando as pessoas que se agarravam ali, ou o tumultuo dos seguranças na pista de dança enquanto tentavam evitar cenas de sexo explicito no salão.
Afrodite não sabia se devia se apavorar, enquanto Atena a puxava para fora da pista de dança, ela pensou que teria seu braço arrancado, tamanha a força que a loira o segurava. No corredor, Atena diminuiu o ritmo, virando para encarar a deusa do amor, com força encostou-a na parede, encarando os olhos azuis assustados de Afrodite.
– Não fique brava. — a deusa sussurrou, demonstrando seu medo, ela já havia visto Atena furiosa, e o mínimo que aconteceria era ser transformada em Gorgóna.
Atena não respondeu, apenas encostou seu corpo no de Afrodite e a beijou com força, sem se importar se as pessoas ao redor estavam olhando. Afrodite demorou alguns segundos para corresponder o beijo, e essa hesitação pareceu deixar a deusa da sabedoria ainda mais irritada, as mãos dela deslizaram até o quadril da deusa do amor e apertaram ali, numa reinvindicação silenciosa.
Por fim correspondeu o beijo com igual intensidade, quase em desespero para que Atena entendesse que o que havia acontecido com aquela garota não fora nada, não significava nada comparado ao que elas tinham, que na verdade Afrodite amava ela, aquela teimosa deusa da sabedoria.
Elas estavam completamente agarradas, Atena levou as mãos até os seios de Afrodite e apertou suavemente, fazendo-a gemer. Afrodite ergueu a perna, enroscando no quadril de Atena e a puxando para mais perto, quando os lábios da loira desceram para seu pescoço, a deusa do amor a abraçou apertado e aparatou, sem se importar se os mortais estavam vendo ou não, elas precisavam ficar sozinhas.
Atena só notou a mudança no ambiente pela ausência da música e a queda na temperatura, estavam no quarto da deusa do amor, e a janela estava aberta, deixando a brisa fria invadir o lugar. Ela se afastou de Afrodite e tentou tirar a jaqueta que ela vestia, mas a deusa do amor a impediu.
– Acalme-se. – a morena falou num tom baixo, usando seu charme.
O tom cinza dos olhos de Atena clarearam um pouco, mas ela permaneceu em silêncio. Deixou de Afrodite a sentasse em uma cadeira e acariciasse seu rosto.
– Não fique furiosa, Atena. – ela murmurou, roçando os lábios na orelha da loira. – Eu sou sua.
– Você ficou com ela. – Atena resmungou, a raiva fervendo em sua voz.
– Só para esquecer você, sua rejeição em Roma doeu mais do que pensa. – Afrodite manteve a voz baixa. – Mas eu não consegui, ela não era você, era só mais uma garota e você é única.
Afrodite afastou o rosto a tempo de ver Atena piscar, conseguia sentir o conflito de emoções, e sabia que a deusa da sabedoria não conseguiria lidar com aquilo, ao menos não de forma racional. Precisava acalma-la, mostrar a ela que aquele incidente com Melissa não era nada, era Atena que ela queria, furiosa ou não, queria ela, o prazer dela, a raiva dela, o amor dela.
Quase sorriu quando se afastou e sentiu as mãos de Atena tentando segura-la. Selou os lábios dela e ficou parada diante da loira, olhando-a com atenção.
– Vamos resolver isso do meu jeito. – ela saiu das mãos de Atena e caminhou até o outro lado do quarto.
Atena observou enquanto Afrodite plugava seu Ipod nos autofalantes e selecionava uma música, a deusa do amor voltou devagar em direção a Atena. Sem nenhum aviso Afrodite começou a despir a deusa da sabedoria, tirando os saltos, o jeans justo, deixando-a apenas com aquela blusa simples e que por motivos desconhecidos a deixavam tentadora.
Quando Atena tentou se mover para tocar a deusa, ela se afastou dando um sorriso maroto e indicando que a loira permanecesse parada.
– Apenas observe e relaxe. – ela instruiu.
– O que você vai aprontar? – Atena perguntou desconfiada.
– Shiu. – a deusa do amor selou seus lábios e voltou a se afastar.
A música mudou, era suave e provocante, Afrodite se colocou diante de Atena e começou a se mover devagar, dançando de forma tão provocante que causou efeito imediato na loira. Sorriu ao ver a sobrancelha de Atena arqueada, mas o olhar da deusa não se desviava dos movimentos de Afrodite em momento nenhum.
Afrodite começou a se despir, livrando-se dos saltos, em seguida tirou a saia curta, fazendo isso com lentidão calculada, dando oportunidade de Atena observar cada centímetro dela que era revelado. Continuou dançando devagar enquanto tirava a jaqueta e a jogava em algum lugar do quarto, a blusa decotada de Afrodite logo se juntou as outras peças no chão.
Outra música se iniciou e os movimentos de Afrodite se tornaram mais sensuais, seus quadris se movendo insinuantes, ela estava adorando ver o olhar de admiração de Atena. Sentou devagar no colo da deusa da sabedoria, sem deixar se se mover, estava apenas com um conjunto de lingerie preto, sua pele roçava contra a de Atena, seus quadris rebolando contra as coxas da outra.
Atena tentou agarra-la, mas as mãos de Afrodite a seguraram, ela estava no controle do show, ia leva-lo até o fim. Levou os lábios até os de Atena e passou a língua por ali, o gemido baixo da loira era mais do que satisfatório. Afrodite não impediu quando Atena voltou a tentar agarra-la, percebeu que os quadris da loira se moviam contra os dela, criando um ritmo só dela, Atena não estava apenas seduzida naquilo, ela também estava fazendo Afrodite ficar cada segundo mais encantada, e excitada.
Voltou a se afastar, deixando o corpo inteiro roçar no de Atena, rebolou diante da loira, quase sorriu ao sentir as mãos da deusa da sabedoria a agarrarem com força e puxa-la para seu colo. Os lábios de Atena estavam no pescoço de Afrodite, seu quadril se movia junto com o da deusa do amor, suas mãos percorriam o corpo escultural, apertando, arranhando.
Nem mesmo Afrodite era mais capaz de aguentar aquela tensão, saiu do colo de Atena por alguns segundos, só para em seguida sentar novamente de frente para a deusa e beija-la da forma mais erótica que conseguiu. Atena logo tomou o controle do beijo, sua língua movendo-se de forma lenta contra a de Afrodite, seus lábios se encaixando de uma nova forma a cada segundo. Seus dentes capturaram o lábio inferior de Afrodite, puxando suavemente, isso fez com que a deusa do amor se arqueasse um pouco.
Dessa vez quando saiu do colo de Atena, Afrodite puxou a deusa da sabedoria, tratando de livra-la da blusa e do sutiã, enchendo as mãos nos seios fartos e macios. Estava vagamente ciente de estar sendo levada em alguma direção, mas quando Atena a empurrou na cama, Afrodite não fez nada se não admira-la.
Da mesma forma Atena observava o corpo de Afrodite, e em sua pressa foi rapidamente para cima da deusa do amor, beijando-a com volúpia enquanto abria o fecho frontal do sutiã dela. Desceu os lábios pelo pescoço da deusa, beijando, mordiscando, e dando ali uma chupada que ficaria bem visível mesmo no dia seguinte. Afrodite não se importava com as marcas, ela só queria que Atena entendesse de uma vez o que estava óbvio, ela era dela.
Os lábios de Atena se fecharam lentamente no seio da Afrodite, começou devagar, mas logo estava sugando avidamente, fazendo a deusa do amor se arquear, gemendo seu nome baixinho. Os dentes roçavam no mamilo rijo, por vezes dando leves mordidas só para provocar, deu a mesma atenção ao outro seio, fazendo com que todo processo fosse uma doce e lenta tortura.
Sem demora desceu até a intimidade da deusa do amor, tomando-a em sua boca, sentindo-a completamente derretida pelos movimentos de sua língua. Nada era mais satisfatório para ela do que saber que era por sua causa que Afrodite gemia daquela forma, era o seu nome que ela chamava.
Não o de Melissa, não o de Ares. Era o nome dela, apenas o nome dela ecoando pelo quarto, Atena.
Deslizou os dedos para dentro da vagina molhada e quente enquanto Afrodite se contorcia, Atena ergueu-se um pouco e observou. Ela amava as expressões da deusa do amor quando estava assim, mergulhada no prazer, os lábios avermelhados estavam entreabertos enquanto ela gemia alto, seus olhares se encontraram e Afrodite sorriu, puxando Atena sobre ela.
Atena não conseguia resistir a beija-la, por isso uniu seus lábios enquanto seus dedos ainda se moviam rapidamente. Não se importou quando Afrodite girou na cama e ficou sobre ela, mas foi obrigada a retirar os dedos da intimidade da deusa quando ela se inclinou e tomou seu seio na boca.
– Afrodite. — ela chamou.
A deusa do amor ergueu o rosto brevemente, encarando os olhos cinzas de Atena. Sorrindo ela inclinou-se sobre a deusa da sabedoria, beijando os seios fartos, sugando os mamilos rijos, mordiscando, fazendo Atena quase ir a loucura.
Os lábios de Afrodite desceram devagar, beijando a barriga de Atena e fazendo a loira se encolher. Lentamente abriu as pernas dela, tomou a intimidade da deusa sem nenhum aviso, um gemido surpreso escapou dos lábios de Atena, mas logo o que se ouvia no quarto eram os gemidos de prazer.
Afrodite dedicou-se a mover a língua devagar, exatamente no ponto onde sabia que Atena não conseguiria resistir, deslizou lentamente do clitóris até a entrada úmida, fazendo a deusa da sabedoria se arquear. Afastando-se ao poucos, Afrodite colocou dois dedos dentro da deusa, inclinou-se e a beijou enquanto movia os dedos devagar.
– Me ouça, Atena. – ela chamou, fazendo a deusa da sabedoria abrir os olhos. – Esqueça Melissa, esqueça essa raiva. É você que eu quero.
– Ah! – foi tudo o que escapou dos lábios da outra.
– Ninguém mais, eu não desejo ninguém mais, só você. – Afrodite continuou, movendo os dedos com mais urgência. – O que preciso fazer para você perceber que eu sou sua?
– Afrodite! – Atena chamou, sua voz saindo num tom desesperado, sentia que seu corpo iria explodir, não suportava mais.
– Eu sou sua. – a deusa do amor murmurou, inclinando-se para beijar Atena novamente.
A mão de Atena deslizou pelo corpo da deusa do amor, até chegar a sua intimidade e colocar dois dedos ali, Afrodite gemeu contra os lábios dela, as duas estavam completamente ligadas, beijando, movendo, amando, e a deusa do amor teve certeza que nunca antes havia sentido aquilo. Quando ambas atingiram o clímax foi como se um raio se chocasse contra seus corpos, ou como uma onda afogando-as, não havia como resistir a aquilo, por isso apenas de entregaram, deixando que o prazer falasse o que nenhuma delas tinha coragem de colocar em palavras.
Afrodite desabou sobre Atena, sendo abraçada no mesmo instante, seu rosto repousava sobre o peito da deusa, e as batidas aceleradas do coração de Atena pareciam sincronizadas com as suas. Aos poucos tudo foi se acalmando, só então Afrodite notou que Atena continuava sussurrando seu nome, num tom de adoração que fez com que a deusa do amor se sentisse querida, talvez até amada.
– Afrodite. – Atena chamou baixinho, a deusa do amor ergueu o rosto, encarando Atena com seus olhos azuis marejados. – O que houve? Eu te feri?
– Não, não é nada disso. – Afrodite tentou sorrir, mas foi em vão contra as lágrimas que se acumulavam.
– O que foi? – a deusa da sabedoria sentou na cama, mantendo Afrodite junto a ela.
– Eu nunca me senti assim antes, Atena. Nunca me senti de alguém, pertencendo, querendo pertencer... – ela tentou explicar. – Me sinto tão confusa, tão fraca...
– Ah querida. – o tom de Atena era cheio de compreensão, como ela diria a Afrodite que também se sentia daquela forma? Que isso que elas tiveram minutos atrás foi muito mais do que sexo, havia emoção demais ali. – Não chore.
– Odeio ficar confusa! – Afrodite choramingou.
– Todos odeiam isso.
– Você não me acha maluca? – a morena ergueu o olhar e Atena riu baixinho.
– Não... quer dizer, talvez um pouquinho. – ela voltou a rir da careta de Afrodite. – Mas é uma maluca linda.
– Você é mais bonita. – a deusa do amor falou, fazendo Atena rolar os olhos.
– Não vou nem opinar sobre isso. – ela resmungou e beijou o cabelo escuro de Afrodite. – Não tenha medo, algumas coisas não precisam ser compreendidas...
– Tudo bem. – Afrodite assentiu e se aninhou ao corpo de Atena. – Acho que está certa, é a deusa da sabedoria...
– E sempre tenho razão. – Atena brincou e a deusa do amor riu.
– Boba.
Fizeram silêncio durante um longo tempo, Atena voltou a deitar e sorriu quando Afrodite puxou o cobertor sobre elas e a abraçou apertado.
– Cansada? – a deusa do amor murmurou.
– uhum. – Atena respondeu, dando um sorriso sonolento.
– Durma, sabidinha. – Afrodite beijou o rosto dela, rindo baixinho quando Atena roubou um beijo de seus lábios. – Se me beijar, vou te agarrar de novo.
– Seria ótimo. – a deusa da sabedoria murmurou e relaxou enquanto adormecia. – Boa noite, Afrodite.
– Boa noite, querida. –Afrodite sorriu enquanto observava Atena dormir. – Eu amo você.
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