I Kissed a Girl
14 Enquanto isso, no Olimpo.
Notas iniciais
Apolo sabia que estava encrencado quando a ninfa entrou correndo na garagem.
Ele estava ali tentando consertar o carro do sol, coisa que raramente fazia, já que Hefesto era quem fazia aquilo. E apesar do deus das forjas ter se oferecido para arrumar o carro, Apolo estava ali, em parte porque enquanto consertava podia descontar toda sua frustração no motor, e também porque assim saía da linha de frente de um Zeus muito furioso.
– Lorde Apolo. – a ninfa chamou, o deus levantou a cabeça rápido demais, batendo-a no capô erguido do carro. – Oh meus deuses!
– Está tudo bem. – ele sorriu, esfregando a parte atingida. – Qual é o motivo de tanto alarde?
– Lorde Zeus solicita sua presença na sala dos tronos.
– De novo? – Apolo suspirou, pegando uma flanela, limpou as mãos. – Acho que não adianta dizer que eu estou ocupado, não é?
Seguiu a ninfa pelas ruas do Olimpo, aquele lugar estava uma completa bagunça. Havia quase uma semana que Afrodite e Atena estavam fora, desde então a cidade dos deuses se tornou uma bagunça. Começou com casais tendo pequenas brigas, a medida tomada foi que Eros os flechasse novamente para “reascender a chama da paixão”, deu certo nos primeiros dias, então o caos se espalhou por todas as partes.
Casais romperam relacionamentos, brigas se espalharam por todas as partes, deuses, ninfas, ou qualquer outra criatura parecia ser movida apenas por um sentimento, o ódio. Zeus, que já estava ficando desesperado com aquela situação, quase enlouqueceu quando Hera simplesmente o deixou, Hades estava furioso pelo fato de Perséfone ter fugido dele, e ter dois dos deuses mais poderosos furiosos era mais do que todos podiam suportar. Como se não bastasse tudo isso a ausência de Atena começou a causar transtornos, a pequena porcentagem de deuses que não estava furioso ou de coração partido estavam completamente loucos . Sem a deusa do amor e a deusa da razão o Olimpo estava prestes a desabar, e logo a crise desceria para o mundo mortal, aquilo seria catastrófico.
O deus do sol observou apreensivo as nuvens de tempestade que pairavam sobre a sala dos tronos, o humor de Zeus com certeza não havia melhorado, e talvez estivesse prestes a piorar. A ninfa abriu as grandes portas, dando passagem ao deus, Apolo se sentiu intimidado pelos olhares voltados para ele, estava acostumado a ser o centro das atenções, mas aqueles olhares eram intimidantes porque significavam “Por que você não ajuda realmente, Apolo?”.
Ele estava ajudando, mas não a Zeus ou os outros deuses, estava ajudando Atena, não queria nem pensar em como o senhor dos céus reagiria ao saber o que a filha estava realmente fazendo com a deusa do amor naquele momento.
– Aí está você. – Zeus indicou que ele se aproximasse.
Apolo ergueu o queixo, tentando andar de um jeito confiante enquanto caminhava até o trono de Zeus. Viu pelo canto do olho Ártemis revirar os olhos, ele sabia o que ela estava pensando, sabia da farsa que ele criou, só não sabia os reais motivos.
– o senhor mandou me chamar.
– Você sabe o que eu quero, Apolo. – o senhor dos céus pediu impaciente. – Quero saber o que está atrasando Atena.
– A incapacidade dela de lidar com uma missão de verdade. – Ares resmungou, mas foi ignorado.
– Pai, eu já lhe disse, eu não consigo enxergar o futuro de Atena...
– isso não é possível, Apolo! – Zeus estreitou os olhos. – tem que haver uma forma.
– Zeus. – Poseidon chamou num tom entediado. – Essa coisa de prever o futuro é uma coisa de hora, não é a todo momento que Apolo vai conseguir.
– Éons de prática, Poseidon.
– E daí? Você tem éons de pratica nesse trono, e continua sendo o mesmo babaca de sempre. – o deus dos mares provocou.
– Ora seu... – Zeus começou a levantar, mas acabou desistindo. – Não vou perder meu tempo com você, a única coisa que quero saber é como Atena está lidando com essa situação.
– e eu quero saber se ela aceita colocar aquele vestido vermelho novamente... – Hermes comentou num tom sonhador, em seguida desviou do raio quase o atingiu. – Calma, papai.
– Não me lembre daquelas fotos.
– Quem diria que Atena é tão gostosa... – Poseidon murmurou, recebendo um olhar furioso do irmão. – Só verdades, Zeus.
– Vá se danar. – o senhor dos céus suspirou cansado e se voltou para Apolo. – uma previsão, tudo o que eu peço é uma previsão.
– Eu... – Apolo tentou encontrar uma desculpa.
– Pai. – Ártemis chamou, colocando-se ao lado do irmão. – Me dê alguns minutos com Apolo, talvez eu possa ajuda-lo.
– E como poderia fazer isso? – Zeus perguntou.
– Temos um truque, coisas de irmãos. Agora, com licença.
Antes que Zeus ou qualquer outro pudesse dizer algo a deusa da lua puxou o irmão para fora da sala dos tronos, andando tão rapidamente que Apolo tropeçava enquanto tentava acompanha-la. Ártemis só parou quando entraram no templo dela, arrastou Apolo até um dos quartos e empurrou o irmão sentado na cama.
– Desembucha. – ordenou.
– Desembuchar o que? – o deus perguntou.
– Por favor, Apolo eu não tenho mais tempo para jogos, então é melhor você falar.
– Artie...
– Sua vidência não está falhando, você está se negando a ver. – Ártemis falou num tom acusatório.
– É necessário. – Apolo encolheu os ombros.
– Explique porque. – ela pediu.
O deus do sol suspirou, estendeu a mão para Ártemis e a puxou suavemente para seu colo. A deusa corou enquanto se acomodava melhor no colo dele e encarava os olhos azuis de Apolo.
– Eu tenho que mentir pra Zeus porque isso é a única forma de ajudar Atena.
– Ela não está conseguindo convencer Afrodite a voltar? – a deusa questionou.
– É bem diferente, ela meio que esqueceu da missão. – Apolo viu o olhar confuso da irmã e sorriu. – Atena e Afrodite estão se pegando.
– Você quer dizer que... – Ártemis não conseguiu completar a frase.
– que elas estão tendo um caso, que elas transaram, aliás, elas estão na cama nesse momento. – ele sorriu diante o olhar incrédulo da deusa. – Você saberia se eu estivesse mentindo.
– sei que não está, mas isso é...
– Chocante?
– Bem mais do que isso, até alguns dias elas se odiavam e agora...
– Como diria Poseidon “tudo paixão reprimida”.
Ártemis não pode rir com o irmão, ela estava confusa demais com a noticia e se perguntava como algo poderia ter nascido entre aquelas duas, não conseguia lembrar de uma única vez que elas não tivessem trocado olhares de desprezo, e agora estavam juntas.
– Miss? – Apolo chamou depois do longo silêncio dela. – Você está bem?
– Estou... um pouco confusa, mas bem.
– Não está pensando em entrega-las para Zeus, não é? – perguntou apavorado.
– O que? – Ártemis revirou os olhos e deu um tapinha no irmão. – É claro que não, a notícia é chocante, mas eu estou imaginando como vamos salvar sua pele.
– Eu não posso fingir uma visão, há o risco de que o espírito de Delfos realmente revele algo.
– Sei disso, só tenho que pensar em algo. – a deusa murmurou.
Apolo permaneceu em silêncio, aquele era um dos poucos momentos naquela semana em que ele se sentia bem de verdade, era bom tirar aquele segredo das costas. Admirou a expressão pensativa de Ártemis, não conseguia deixar de pensar em como ela era linda, ainda mais ali, no colo dele, abraçando-o.
– Acho que tive uma ideia.
– o que? – ele perguntou.
– Você não vai fingir uma visão na frente de Zeus, lembra-se de quando éramos jovens, quando você matou a píton e ganhou o dom das profecias?
– Sim, nós usávamos meu dom como desculpa para tudo que aprontávamos, era legal.
– Diremos a Zeus que você teve uma visão, e que Atena está prestes a trazer Afrodite de volta ao olimpo.
– É um plano furado, Miss. E se Atena sequer tiver convencido Afrodite a voltar? – Apolo comentou.
– Aí é que está, você dirá a Zeus que teve uma visão, eu explicarei que Atena está prestes a voltar junto com Afrodite, nosso pai se acalma um pouco e você vai atrás das duas, explica a situação e convence Afrodite a voltar. Duvido que ela se negue sabendo que Atena vai estar encrencada com Zeus se voltar sem ela.
– Lua, você é genial! – ele assentiu e a abraçou mais apertado. – Por isso que eu amo você.
– Eu sei. – Ártemis sorriu e beijou o rosto dele. – Vamos para a sala dos tronos.
– Não ganho nenhum beijo?
– Acabou de ganhar.
– Não estou falando de beijinho, estou falando de beijo assim. – Apolo a puxou para mais perto, juntando seus lábios e a beijando com carinho.
Ártemis praticamente se derreteu nos braços dele, correspondeu o beijo de forma apaixonada, agarrando-se mais a Apolo. Quando ele se afastou ela ficou vermelha diante do olhar brincalhão que ele lhe dava.
– Agora podemos ir.
Os gêmeos entraram juntos na sala dos tronos, Zeus os aguardava pacientemente, ou na medida do que sua paciência suportava. Ele estava no próprio limite, desde aquela maldita discussão entre sua favorita e Afrodite, tudo o que vinha a ele eram problemas.
Mandar a filha naquela missão parecia uma boa ideia no começo, se ela havia causado toda aquela confusão então ela mesma deveria resolver.
Agora já não tinha mais tanta certeza, sabia que Afrodite brincaria com a deusa da sabedoria, o que aconteceu em Milão era prova disso, quase havia caído para trás quando viu as fotos de sua Atena naquele desfile, mal podia acreditar que aquela era realmente ela.
Depois disso tudo foi de mau a pior, Poseidon o provocava constantemente, Hera o deixou, o Olimpo estava um caos e tudo o que Zeus tinha era o silêncio de Atena e a esperança que aquele inferno chegasse ao fim.
– Então Apolo? — perguntou quando o deus do sol parou diante dele.
– Eu tive uma visão. — Apolo anunciou orgulho. — Vi Atena voltando, e Afrodite estava com ela.
– Di immortales. — Zeus murmurou aliviado. — Quando isso acontecerá?
– Pai, o senhor sabe que as visões de Apolo não tem prazo estipulado, pode ser hoje, amanhã...
– Ou daqui a um século. — Ares interrompeu. — Ou talvez nunca.
– Se Apolo previu, vai acontecer. — a deusa da lua retrucou.
– Eu acho que ele está blefando.
– Não sou eu que tenho o costume de enganar os outros, irmão. – Apolo falou, encarando o deus da guerra.
– O que está insinuando? – o outro questionou.
– Você sabe muito bem. Agora pare de se intrometer, já ferrou demais a situação, não ouse interferir.
– Ora seu... – Ares levantou, avançando contra Apolo, mas foi contido quando uma pequena onda o empurrou de volta para o trono.
– Crianças, será que vocês podem parar de bobagens? – Poseidon apareceu entre os dois. – Há coisas mais importantes a se fazer.
– Eu mesmo vou resolver essa situação. – o deus da guerra resmungou enquanto aparatava.
– adoro esses dramas familiares. – Poseidon desapareceu em seguida, deixando apenas Zeus com Apolo e Ártemis.
– Apolo. – o senhor dos céus chamou. – Tem certeza do que previu?
– Sim, pai. – ele assentiu. – Elas voltarão logo.
– Espero sinceramente que sim. – Zeus suspirou cansado, seu olhar focado no trono vazio a seu lado. – Vocês estão dispensados.
Apolo puxou a irmã pela mão, Ártemis observou Zeus até que saiu da sala dos tronos e as portas se fecharem. Os gêmeos caminharam pelas ruas do olimpo, observando as pessoas que discutiam ao redor.
– parece que está piorando. – a deusa da lua comentou.
– Com certeza está, só espero que quando elas voltarem tudo fique normal.
– Só nos resta ter esperanças. – ela suspirou e deixou que Apolo a abraçasse enquanto chegavam aos templos. – Vai agora a Paris?
– Não, vou dar mais algumas horas a elas... – Apolo sorriu malicioso, fazendo a irmã rolar os olhos. – Vou deixa-las aproveitar o tempo que resta.
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