I Kissed a Girl
17 Olimpo
Notas iniciais
Apolo sabia que se não fosse imortal teria infartado mil vezes só naquela tarde.
De uma hora para outra tudo foi de mal a pior, realmente pior. Ele estava na sala dos tronos com Ártemis, Poseidon, Zeus e Hades estavam conversando em um canto, o deus dos mortos parecia não estar muito ligado na conversa, seu olhar estava focado em Deméter, mas necessariamente na mulher ao lado da deusa da agricultura, Perséfone havia voltado.
Hera estava em outro canto, conversando com Héstia, a deusa da lareira estava tentando convencer a irmã a conversar com Zeus, mas pelo jeito não estava conseguindo muita coisa. Ele tinha que ir a Paris em alguns minutos, Ártemis controlaria as coisas ali, nada que ela não pudesse fazer com uma aljava cheia.
Foi quando as grandes portas da sala dos tronos foram abertas de uma vez, todos viraram para ver o deus da guerra entrar na sala com um sorriso presunçoso que era aviso de encrenca.
– Que bom encontrar a família toda reunida, ou quase. Eu trago noticias especiais.
– Não temos tempo para suas besteiras, Ares. – Hefesto resmungou enquanto consertava o celular/caduceu de Hermes.
– mas pra essa você vai ter tempo, irmãozinho. – o deus da guerra deu de ombros e parou diante dos três grandes. – Trago noticias de Atena e Afrodite.
– Elas estão voltando? – Hades perguntou.
– Você conseguiu convencer Afrodite a voltar? – Hermes correu para o lado dos três grandes, afoito por uma fofoca.
– O que merda você fez, Ares? – Poseidon indagou num tom baixo.
– Eu? Oh não, tio. Não fui eu que fiz a merda dessa vez, eu estava quieto no meu canto e fui atrás de Afrodite para conversarmos.
– Ela te recebeu? – Zeus perguntou, falando pela primeira vez desde que o filho entrou.
– Infelizmente não, ela estava ocupada demais. – Ares deu um sorriso perverso e Apolo sentiu a bomba antes mesmo que ele terminasse de falar. – Aliás, ela e Atena estavam ocupadas demais.
– Brigando novamente?
– Não vejo porque brigariam. Estavam muito bem, na verdade.
– Desembuche de uma vez, Ares. – Hera reclamou, impaciente.
– Apolo. – Ártemis murmurou, puxando o irmão para o lado.
– Atena? – Zeus chamou ao reconhecer a figura parada diante da porta da sala dos tronos.
– Ah, irmãzinha aí está você. – Ares se virou para a deusa da sabedoria que caminhava lentamente em direção ao senhor dos céus. – Conseguiu sair da cama de Afrodite? Ou ela lhe deu um pé na bunda.
A deusa da sabedoria virou para olhar o irmão, seus olhos cinza tão glaciais que nem sequer era preciso que ela falasse para demonstrar algo, seus punhos estavam cerrados como se ela quisesse muito surrar alguém.
– Cale a boca. – ela murmurou.
– Então? Pensei que estivessem numa lua de mel, o que a traz de volta ao conselho? – o deus da guerra continuou, ignorando a irmã. – Afinal de contas você não é a nova amante de Afrodite?
– O que? — o senhor dos céus perguntou sobressaltado. – Veja como fala com a sua irmã, Ares, Atena e Afrodite são inimigas.
– Acho que resolveram as inimizades da melhor forma, não é mesmo? – Ares riu. – Vamos lá, Atena, por que não conta ao nosso pai?
–
– É bem obvio, não? Atena e Afrodite estão se pegando, transando, fodendo. Fui claro o suficiente?
– Atena? — Zeus chamou a voz cheia de duvidas. — Ele está mentindo, não é?
A deusa da sabedoria não respondeu, seus olhos encararam os do senhor dos céus.
– COMO VOCÊ PODE? — ele gritou furioso, agarrou o braço da filha, sacudindo-a. — Diga que é mentira!
– Pai.. eu... – Atena gaguejou, encolhendo-se no aperto de Zeus.
– Você traiu minha confiança, traiu a mim! – Zeus gritou.
Os deuses começaram a se mover, alguns se afastando, outros tentando de alguma forma conter a briga que aconteceria. Apolo aparatou o mais rápido que pode, não podia perder tempo, com um último olhar desesperado em direção a irmã mais velha.
– Não foi planejado. — Atena choramingou, tentando se livre do aperto do pai. — papai.
– Zeus.
Os deuses viraram para ver a dona daquela voz, Afrodite estava parada diante das grandes portas da sala dos tronos.
– Solte-a, seu assunto é comigo.
O senhor dos céus largou o braço de Atena, a deusa cambaleou e foi amparada por Héstia, a deusa da lareira colocou-se diante da sobrinha, tentando poupa-la da cena que se desenrolava.
– Você ainda ousa vir aqui depois do que você fez. — Zeus rosnou enquanto a deusa entrava na sala. — Não tem amor a sua patetica vida.
– Eu devia adivinhar que você faria uma cena, mas francamente Zeus, que cena. — Afrodite rolou os olhos parando a alguns metros dele. — O conselho me queria de volta, aqui estou. E é claro que tenho amor a vida, sou a personificação do amor. Já você não tem muito zelo pela sua.
– Sua maldita vadia. — ele avançou contra a deusa, antes que pudesse fazer algo uma mão forte segurou seu punho.
– Nem pense. — Poseidon falou num tom baixo e ameaçador. — Ou nós dois teremos coisas a resolver agora mesmo.
– Não se meta nisso. — Zeus rosnou, puxou o braço com força enquanto encarava o irmão mais velho. — Ela e Atena...
– Ela não forçou. — o deus dos mares retrucou.
– Ah por favor, estávamos bêbadas, mesmo assim eu não forçaria ninguém. — Não fiz nada que ela não quisesse.
– Está expulsa desse conselho.
– Só porque transei com sua favorita? Poupe-me Zeus, ela quis, e nós estávamos muito bem até hoje de manhã. Qual é o seu problema? Ela ter ido pra cama comigo? Cada um usa as armas que tem, você reduziu os poderes dela, achou que Atena poderia me trazer arrastada pelos cabelos? Claro que não, conhece sua filha, ela sempre tem um plano, e ela conseguiu, eu estou aqui. – Afrodite deu um sorriso debochado. – Não pode ser idiota a ponto de pensar que pode me expulsar do conselho por isso, e seria uma maldade desperdiçar os esforços de Atena, não é?
– Eu sou o rei dos deuses, posso fazer o que eu quiser. – o senhor dos céus se gabou.
– Pode? Mesmo? Então por que somos doze olimpianos? Não seja infantil, Zeus. – a deusa do amor riu. – O conselho foi criado, como diria Poseidon, para que das opiniões unidas de nós todos fossem usadas para o bem de todos.
– E Afrodite não pode ser retirada sem um bom motivo, ou uma ótima acusação. – Apolo se intrometeu na conversa. – Mesmo assim a decisão do conselho precisaria ser unanime, e os três grandes deveriam estar de acordo.
– Xeque-mate Zeus. – Afrodite sorriu sem se intimidar pelo olhar furioso do senhor dos céus. – Cresça, aconteceu. Não há mais nada que possa fazer para mudar isso.
– Fique longe dela. – Zeus falou como uma advertência.
– É o que eu pretendo.
Uma ventania invadiu a sala dos tronos e Zeus desapareceu, apenas mais uma de suas saídas teatrais. Aos poucos os deuses foram saindo, Hades correu para o lado de Deméter, tentando se aproximar de Perséfone que o olhava com desconfiança. Hefesto saiu depois de lançar um longo olhar para a ex-esposa, Hermes saiu junto com Hera, Dionísio simplesmente evaporou.
– Atena, você está bem? – Ártemis perguntou enquanto ia até a irmã, pegando-a com cuidado dos braços de Héstia. Mesmo o tom baixo da deusa da caça chamou a atenção de Afrodite que se virou para olhar.
– Sim, eu estou. – a deusa da sabedoria respondeu num tom baixo, seu olhar encontrou o de Afrodite e ela tentou caminhar até a deusa do amor. – Afrodite... eu...
– Não temos mais o que falar. – a morena retrucou num tom frio que não parecia nenhum pouco real.
– Você veio e me salvou. – Atena continuou. – Obrigada.
– Não fiz por você, agradeça a Apolo. – Afrodite indicou o deus do sol.
– Vamos, Atena. Tenho que cuidar de você. – ele falou baixinho, tomando a loira dos braços de Ártemis.
– Perdão. – Atena murmurou antes que o irmão aparatasse.
Afrodite esperou até que Héstia e Ártemis também fossem embora, só então a deusa desfez a expressão impassível e soluçou.
– Afrodite. – Poseidon chamou, puxando-a para um abraço apertado.
– Isso foi horrível, não aguento. – ela se aconchegou nos braços do amigo, desfazendo-se em um choro desesperado. – Eu pensei que não fosse conseguir, se tivesse demorado um pouco mais...
– Mas você conseguiu, vai ficar tudo bem. – o deus dos mares a tranquilizou e Afrodite fungou.
– Obrigada por me defender. – Afrodite murmurou.
– É o que amigos fazem, certo? – ele falou e deu um pequeno sorriso. – Vamos para o seu palácio, você precisa descansar, e depois pode me contar tudo.
Afrodite apenas assentiu, e não protestou quando Poseidon a ergueu em seus braços e a levou para fora da sala dos tronos, quanto mais se afastava do palácio principal, sentia-se mais distante de tudo, como se o que ocorreu ali fosse apenas um sonho ruim. Mas não era, e haveriam consequências, esperava ser forte o suficiente para suporta-las, e principalmente, para cumprir sua promessa, ela ficaria longe de Atena, era hora de seguir em frente, mesmo que não fosse realmente capaz de esquecer a dona daqueles olhos cinza, Afrodite acreditava que poderia fingir que sim.
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