I Kissed a Girl
2 Decisão unanime
Notas iniciais
Algumas horas depois escritório de Zeus estava cheio de deuses e deusas, todos murmuravam sobre a confusão na sala dos tronos, até Hermes havia parado suas entregas para saber o desfecho de tudo aquilo. Eles esperavam que minutos depois daquela cena dramática, Afrodite aparecesse dizendo que havia se precipitado e que iria permanecer no conselho olimpiano, mas isso não aconteceu, e a cada minuto o clima ficava mais tenso.
Zeus estava na mesma posição desde que chegara, cotovelos sobre a escrivaninha, as mãos entrelaçadas apoiavam o queixo e olhos focados na porta. Sua expressão não transparecia o quão preocupado ele estava, mas isso era visível no céu escuro.
―Zeus. ―Hera sussurro tão baixo que apenas ele ouviu. ―E se eles não conseguirem convencê-la?
―Daremos um jeito. ―Ele acariciou a mão dela.
A porta do escritório foi aberta, Poseidon e Apolo entraram juntos, Zeus os olhou, mas a expressão esperançosa deu lugar a decepção.
―Ela fugiu. ―Apolo contou.
―Como? Nós tentamos falar com ela ainda a pouco! ―Hefesto protestou.
―E fomos expulsos por um monte de sapatos voadores. ―Ares falou, fazendo uma careta.
―Poseidon. ―Zeus chamou o irmão, que estava alheio a tudo isso. ―O que tem a dizer?
―Um monte de coisas, a primeira delas é: Eu te avisei que uma hora ou outra isso ia acontecer, que a qualquer momento algum de nós pularia fora. ―O deus dos mares cruzou os braços. ―Segundo, ela foi embora e duvido que volte, não sem um ótimo motivo para estar aqui.
―Não somos um bom motivo? Somos a família dela. ―Héstia protestou baixo e recebeu um sorriso triste do irmão.
―Infelizmente, Hés. Não é o suficiente. ―Ele passou a mão pelo cabelo preto, deixando-o ainda mais bagunçado. ―Afrodite está se sentindo inútil e traída, humilhada, desprezada... Quais motivos ela teria para permanecer aqui?
―Temos que trazer Afrodite de volta. ―Hera decidiu e vários assentiram.
―Não vai ser nenhum pouco fácil. ―Apolo balançou a cabeça e deu um suspiro triste. ―Temos que ter uma forma de convencê-la... Ou então...
―Então? ―Dionísio perguntou.
―O caos reinará. ―Zeus falou num tom firme. ―O amor enfraquecerá, a guerra ganhará força, os mortais irão se destruir.
―Não só os humanos, nós também. ―Deméter comentou.
―Temos que fazer algo. ―Hermes se manifestou.
―Como faremos algo se nem sabemos onde ela está? ―Zeus perguntou.
―Eu tenho alguns lampejos do destino dela, vejo-a caminhando por vários lugares... um parece Milão... ―Apolo falou e todos o olharam.
―Isso não ajuda em muita coisa. ―Ares resmungou.
―Na verdade... ―Poseidon começou a falar, mas calou-se.
―Poseidon. ―Hera acenou para que ele prosseguisse.
―Há um longo tempo eu e Afrodite falávamos de tirar umas férias do Olimpo, e ela fez uma pequena lista de cidades que queria voltar a visitar. ―Ele contou.
―Quais cidades? ―Apolo perguntou. ―E como assim vocês iam me deixar fora dessa? Traidores.
―Apolo. ―Ártemis reclamou.
―Íamos te levar, solzinho. ―Poseidon pegou papel e uma caneta. ― Milão, Londres, Veneza, Amsterdam, Paris.
―Como sabe que ela irá para essa cidade? Ou que ela irá seguir a ordem da lista? ―Deméter perguntou.
―Porque eu conheço Afrodite, seguindo a lista, ela está nos dando a chance de encontra-la.
―Então só temos que ir atrás dela. ―Hermes sorriu. ―Posso traze-la rapidinho.
―Não, Hermes, você não a trará. ―Zeus falou devagar.
―Zeus? Temos que trazer Afrodite de volta. ―Héstia protestou.
―E nós traremos, mas apenas um de nós irá atrás dela. ―Ele olhou cada um presente ali. ―Atena.
―O que? Não vou atrás dela. ―Atena protestou, cruzando os braços.
―Sim, você irá agora mesmo atrás de Afrodite, você a convencerá a voltar para o conselho olimpiano e a trará de volta ao Olimpo.
―E por que eu faria isso?
―Porque você ajudou a piorar aquela situação. ―Poseidon falou. ―Se tivesse ficado calada, poderíamos ter convencido Afrodite, mas não, você tinha que abrir essa boca grande.
―Cale a boca, Poseidon. ―Ela resmungou.
―Ele está certo. ―Zeus concordou, fazendo com que todos o olhassem, incrédulos. ―você tivesse permanecido em silêncio e deixado que nós resolvêssemos a situação, nada disso teria acontecido.
―Ela já ia sair do conselho! ―Atena protestou. ―E eu não vou atrás dela.
―ah você vai sim. ―Apolo falou e todos o olharam. ―Eu vejo você com Afrodite, em várias cidades e...
―E? ―Hermes pedia freneticamente que Apolo prosseguisse.
―Nada. Mas tem que ser Atena a ir buscar Afrodite, nenhum outro conseguirá traze-la.
―Então ela ficará lá, porque eu não irei busca-la. ―Atena cruzou os braços como uma criança birrenta.
―Você vai sim. ―Poseidon falou.
―Ou o que? ―Ela o desafiou.
―Chega vocês dois. ―Apolo meteu-se na conversa. ―Poseidon, lembre-se de Afrodite, sozinha e sem rumo, uma massa confusa de sentimentos longe do olimpo. Sem algum de nós por perto, ela é alvo fácil.
Poseidon bufou e afastou-se da loira, foi para junto de Héstia e observou todos na sala.
―Temos que traze-la. ―Héstia agarrou a mão do irmão.
―Certo, Hés. ―Ele colocou a mão na cintura dela, de forma protetora. ―Estamos todos aqui, sem Afrodite, Héstia terá direito a voto. Quem é a favor de Atena ir em busca de Afrodite?
Todos ergueram a mão direita, fazendo com que Atena fizesse uma careta, Poseidon sorriu para Héstia e virou para Zeus.
―Irmão, o voto do conselho é unanime.
―Então assim será feito, Atena, você irá buscar Afrodite e a trará de volta ao olimpo e ao conselho. Não importa o que tenha que fazer, apenas a traga de volta.
Atena grunhiu e se ergueu, encarou Zeus e suspirou.
—Preciso de um tempo para me preparar psicologicamente para isso.
—Nada disso, você irá agora. —Zeus decidiu. —Ártemis, peça para uma ninfa preparar uma pequena mala para Atena, não temos tempo a perder.
Enquanto Ártemis saía, todos permaneceram em silêncio, Apolo caminhou até Poseidon que estava em uma poltrona com Héstia em seu colo, parecia um ato intimo, ainda mais intimo com ele sussurrando algo no ouvido dela.
—Eu não sei, Poseidon. —Héstia respondeu em tom normal e todos olharam os dois, fazendo com que ela corasse.
Por fim Ártemis voltou com a ninfa que trazia a mala de Atena, depois que a ninfa saiu, Zeus decidiu dar algumas instruções a filha.
—Você fará o possível e o impossível para trazê-la de volta. Não importa o que tenha que fazer.
—Certo. —Atena murmurou.
—E seus poderes serão diminuídos. —Ele informou.
—O que? —Atena gritou.
—Não posso confiar que permaneça com seus poderes, todos vimos que quase atacou Afrodite na sala dos tronos. Seus poderes serão diminuído, poderá aparatar e curar-se de pequenos ferimentos, entre outras coisas, mas nada que envolva armas.
—Argh! Tudo bem, onde está a lista de cidades. —Ela perguntou e Héstia esticou-se para entregar, já que ainda estava presa no colo do irmão.
—Aqui. —Ela murmurou e voltou a encostar-se em Poseidon.
—Boa sorte, filha. E faça um bom trabalho. —Zeus deu um fim a conversa.
Atena deu uma última olhada em todos, amaldiçoando mentalmente antes de pegar sua mala e aparatar. Em sua mente só havia um objetivo, precisava encontrar aquela psicótica deusa do amor, fechando os olhos, aparatou para o primeiro lugar da lista: Milão.
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