I Kissed a Girl
3 Milão
Notas iniciais
Atena apareceu diante da catedral de Milão, havia um número absurdo de turistas ao redor, eles tiravam fotos, conversavam em diferentes idiomas e riam despreocupados. Suspirando ela começou a caminhar, tinha que localizar Afrodite e voltar logo para o Olimpo, resmungou baixo ao lembrar que não tinha a menor dica de onde ela poderia estar, deveria ter perguntado a Poseidon onde eles pretendiam se hospedar.
"Você é a deusa da sabedoria, não precisa de instruções daquele pescador de quinta categoria." Seu subconsciente resmungou.
Ela não precisava de ajuda de Poseidon para encontrar Afrodite, não daria a ele o prazer de esfregar em sua cara que ela precisara dele. Ainda mais que nesse momento ele devia estar agarrando alguma ninfa, ou tentando agarra Héstia, como vinha fazendo há alguns dias.
Estava tão absorta em seus pensamentos que mal percebera o rumo que estava tomando, só então olhou a praça a seu redor, prestando atenção no outdoor que anunciava a "Semana da moda de Milão". Sua mente deu um estalo e Atena sorriu, é claro que Afrodite viria para cá, mesmo irritada, ela não ficaria longe de seu evento favorito.
Fez um gesto e um taxi parou a seu lado, ela poderia simplesmente aparatar, mas não tinha certeza do limite de seus poderes. O taxista era um senhor simpático que a cumprimentou em italiano perfeito.
―Buon pomeriggio, dove andare, signorina? *Boa tarde, para onde quer ir, senhorita?* (N/A: Eu amo Italiano!)
―Andreola Central Hotel. ―Ela respondeu, sentando no banco traseiro.
Ele dirigiu rapidamente, era um verdadeiro tagarela. Atena sorria educadamente, e fazia breves comentários sobre a cidade. Por fim chegaram ao hotel, ele a ajudou a retirar a mala e sair do carro.
―Adeus. ―Atena se despediu sorrindo enquanto ele voltava para o carro, sorrindo pelo bom pagamento que ganhara.
Atena entrou no hotel, dirigindo-se até a recepção, conversou brevemente com a mulher bela e sorridente, que olhava de forma apaixonada para o colega a seu lado. Depois de pegar a chave do quarto, Atena entrou no elevador e fechou os olhos, tinha que encontrar Afrodite o mais rápido possível, assim poderia voltar para o Olimpo.
Quando o elevador chegou ao andar do quarto escolhido, Atena saiu lentamente, caminhando em direção ao quarto no meio do corredor, ouviu um gemido alto vindo do quarto da frente, rolou os olhos enquanto abria a porta de seu quarto e entrava.
Ficou um bom tempo sentada na cama, anotando em um caderno os possíveis lugares onde poderia encontrar aquela psicótica, sua maior chance seria no desfile daquela noite, com certeza Afrodite estaria ali. Tudo que Atena teria que fazer era arrastar aquela histérica de volta para o Olimpo e joga-la diante do trono de Zeus.
Sorriu ao ver que tinha um bom plano, se tudo desse certo, ela voltaria para o Olimpo em menos de vinte e quatro horas. Mas normalmente Atena não gosta de contar com o destino, as parcas devem ter algo contra ela. Outra vez ela ouviu um gemido, dessa vez vindo do quarto ao lado, ela tentou ignorar, mas os gemidos aumentaram, incomodando a deusa da sabedoria.
Atena levantou da cama, deixando o caderno de lado, foi para o banheiro, encheu a banheira com água quente, a essência de lavanda que ela adorava e se despiu, entrou na banheira, prendeu o cabelo e fechou os olhos, deixando que a água quente relaxasse seu corpo.
Tentou aproveitar alguns minutos de paz em sua mente, mas foi em vão. O som dos gemidos voltaram, dessa vez acompanhados por batidas ritmadas nas paredes. Atena abriu os olhos e bufou, terminou seu banho e saiu da banheira, vestiu o roupão e foi para o quarto. Vestiu-se rapidamente, jeans e uma blusa azul-claro, calçou um par de sapatilhas, e saiu do quarto, indo para o restaurante do hotel.
Assim que sentou na cadeira, Atena se arrependeu de não ter pedido seu lanche no quarto, o número de casais praticamente se agarrando ali era absurdo. Comeu o mais rápido que pode, saiu do restaurante e foi até a recepção, mas estava vazia. Pouco antes de entrar no elevador, Atena viu a recepcionista e seu colega agarrando-se por trás de uma cortina, quando chegou ao andar do seu quarto, ela se perguntava o que estava acontecendo, precisava avisar imediatamente ao gerente sobre o comportamento leviano de seus funcionários.
Um pouco mais a frente, por uma porta entreaberta, Atena viu o gerente do hotel agarrando-se loucamente com uma camareira, só as roupas os impedia de estar em pleno ato sexual, mas seus gemidos eram dignos de um filme para maiores de idade.
Virando-se pronta para correr para o elevador, Atena esbarrou em alguém, na verdade ela esbarrou em um monte de sacolas de compras e quem as carregava estava caída no chão assim como a deusa da sabedoria. Erguendo os olhos Atena ficou paralisada, a mulher que xingava em grego antigo e juntava as sacolas enquanto levantava era...
―Afrodite. ―Atena murmurou.
A morena ergueu o rosto e deixou as sacolas caírem novamente, Atena ficou chocada com a mudança radical na aparecia da deusa do amor. O cabelo longo e negro agora estava curto, ela não usava maquiagem, nem seus perfumes fortes e adocicados. Di Immortales, aquela era mesmo Afrodite?
―Você! ―A voz de Afrodite era estridente, uma mistura de surpresa e raiva. ―O que diabos está fazendo aqui?
―Eu vim te buscar. ―Atena retrucou.
―Me buscar? Quem teve a ideia de jerico que eu voltaria com você? ―Afrodite juntava as sacolas.
―O conselho olimpiano.
―Claro, aqueles idiotas realmente não me conhecem. ―Ela revirou os olhos, arrumando as sacolas nas mãos e começando a caminhar.
―Espere! Aonde você vai? ―Atena a seguiu.
Ela não respondeu, apenas andou até o quarto no final do corredor, abriu a porta, colocou as sacolas encima da cama e voltou para a porta.
―Você não ouviu o que eu disse? Temos que voltar para o Olimpo agora! ―Atena reclamou.
―Perdeu seu precioso tempo Atena, eu não volto para o Olimpo com você nem se Zeus dançar Macarena com Cronos! ―Afrodite começou a fechar a porta, mas Atena segurou.
―Pare com esse drama, vamos antes que eu tenha que arrasta-la.
―Vamos ver se você é capaz. ―A deusa do amor sorriu antes de fechar a porta na cara de Atena.
Praticamente rosnando, Atena bateu na porta com força por vários minutos, ela queria jogar Afrodite no tártaro para jogar xadrez com Cronos! (N/A: Xadrez com Cronos *-* Saudades de Desde o princípio)
―Afrodite! ―Ela gritou pela milésima vez, já estava ali a vinte minutos, tentou controlar sua respiração e principalmente seu gênio, ela tinha que levar Afrodite de volta, tinha que voltar para o Olimpo. Pensou em voltar para o quarto quando viu um monte de hóspedes e funcionários agarrando-se como malucos, alguns estavam rasgando suas roupas e Atena tinha certeza que se ficasse ali veria cenas repulsivas.
O corredor estava cheio de casais, Atena olhava enojada pra tudo aquilo, até que viu um homem caminhar lentamente em sua direção, como se já não fosse apavorante um estranho caminhar até você, ela viu ele morder o lábio, com desejo explicito em seus olhos.
Por Zeus, aquilo não podia estar acontecendo, ela deveria correr dali, aparatar, ou atacar aquele mortal insolente que abria um sorriso safado e nojento. Ela estava paralisada de medo, voltou a bater desesperadamente na porta, chamando o nome de Afrodite, olhou novamente para o homem, ele estava muito perto, dois passos e ele poderia toca-la. Atena arregalou os olhos quando ele estendeu a mão para toca-la, sua mente ficou em branco, tinha que fazer alguma coisa!
A porta do quarto foi aberta, fazendo com que Atena caísse dentro do quarto e rastejasse para longe da porta, viu Afrodite fecha-la tranquilamente antes de virar para olhar a deusa da sabedoria. Deveria estar rindo internamente do jeito que Atena estava, mas apenas deu um olhar tranquilo enquanto estendia a mão para ajuda-la a levantar.
―Então, um “obrigada Afrodite” cairia bem agora.
―Não vou agradecer a você, tenho certeza que isso é sua culpa. ―Atena retrucou, embora gaguejasse.
―Talvez. Minha presença afeta muito os mortais. ―Afrodite deu de ombros e caminhou até a porta do quarto, Atena seguiu-a devagar, as pessoas ali estavam... Argh! Atena virou o rosto, mas ouviu claramente a ordem da deusa do amor. ―Tudo bem, já chega de prazer carnal, voltem para o seu serviço.
Minutos depois o corredor estava vazio, apenas pedaços de roupas e moveis revirados eram as provas do que acontecera ali. Afrodite virou para olhar Atena e deu um sorriso irônico.
―Quem diria a corajosa Atena, tão apavorada.
Atena estreitou os olhos, o ódio queimou em seu peito, ela não teria passado por aquilo se estivesse no olimpo, ela não estaria apavorada se não tivesse vindo a Milão atrás daquela psicótica. Como sempre, era culpa dela, sempre dela.
―É tudo culpa sua.
―É claro, você sempre fala isso, Poseidon está certo, seus discursos repetidos são muito chatos. ―Afrodite caminhou até o guarda-roupa e começou a remexer ali.
―Você vai voltar agora comigo. ―Atena falou num tom firme.
―Acho que não, tenho um compromisso importante. ―A voz de Afrodite era abafada.
―Não me importo se é importante, você vem comigo.
―Me obrigue. ―Afrodite retirou um vestido do guarda-roupa e o estendeu na cama. ―Vamos Atena, traga sua lança, me ameace. Ou peça para o seu papai que venha me arrastar.
Era isso que Atena mais odiava em Afrodite, ela a desafiava, tratava-a como uma criança birrenta. Tudo que ela mais queria era ter poder suficiente, queria arrastar o lindo rosto de Afrodite pelas ruas do Olimpo... Mas ela não podia, ao menos por enquanto.
―Então Atena, estou esperando.
―Você sabe, não é? ―Atena resmungou.
―Que eles reduziram seus poderes? Sim, eu sei. ―Ela deu de ombros. ―Não pode me obrigar, não poderia mesmo que tivesse seus poderes.
―Eu odeio você.
―É reciproco. Agora se me der licença, tenho um compromisso especial para essa noite. ―Ela fez um gesto indicando a porta.
―A semana da moda de Milão. ―Atena murmurou, ela estava certa.
―Você descobriu, Sherlock!
Atena caminhou até o corredor e virou para olhar Afrodite que sorria atrás dela.
―Acho bom aproveitar o desfile, porque depois eu irei leva-la para o Olimpo de qualquer forma.
―Essa eu pago pra ver, Ateninha. ―Afrodite sorriu e fechou a porta.
Grunhindo irritada, Atena foi para o próprio quarto, entrou e fechou a porta devagar, em outro momento iria querer jogar coisas contra a parede, mas pensou o quanto isso a deixaria parecida com Afrodite e desistiu da ideia. Só então notou que em sua cama havia um lindo vestido vermelho, um par de sapatos e pequenas caixas de joias.
Caminhou até a cama, analisando o vestido antes de pegar o bilhete rosa que a aguardava ali.
Ateninha
Imagino que você esteja surtando, e isso me deixa muito satisfeita. Vendo que não me livrarei de você tão cedo, e eu sei que você irá me seguir no desfile dessa noite, escolhi o look perfeito para você, afinal se vai ficar na minha cola tem que estar no mínimo bem vestida.
Não precisa agradecer, eu sempre sou caridosa assim, ah e sinto muito que tenham te dado uma missão impossível, se bem que não... vai ser divertido ver você tentar me levar de voltar. *risos fofos*
Da mais linda e perfeita deusa
Afrodite.
Respirando fundo, Atena amassou o bilhete e o atirou longe, observou o vestido, pensando seriamente em rasga-lo, mas por fim decidiu controlar-se. Ela precisaria de todo seu autocontrole, se Afrodite acha que vai provoca-la a ponto de ela voltar ao Olimpo sozinha e furiosa, está muito enganada. Tudo isso exigiria muito mais do que Atena pensara, mas ela é a deusa da sabedoria, é sua especialidade encontrar solução para qualquer problema, por isso decidiu, nessa noite ela iria caçar, só que em grande estilo.
No desfile dessa noite ela vai capturar uma deusa do amor.
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