I Have My Angel

3 Parte 3 - A nossa vida.


Notas iniciais
Terceeira parte, estamos quase no fim (:
Música: Você vai lembrar - Fake Number.

Eu voltei ao trabalho e não pude mais vê-la todas as tardes, pois eu trabalhava de oito da manhã às oito da noite, não era um salário muito bom, mas me mantinha, e isso era o suficiente. Então ela passou a dormir na minha casa, a Mel trabalhava só de manhã, na verdade, não era trabalho, ela fazia um estágio, estava aprendendo e recebendo por isso, ela me contou que recebia bem menos que eu, mas que seus pais a sustentavam ainda, e quando eu contei do meu emprego o dia todo ela disse que passaria a ir me ver, todos os dias.

- Ah Kaah, como eu queria não depender dos meus pais. – ela resmungou, deixando uma lágrima brotar.

- Isso não é um grande problema, eu dependia dos meus até os dezenove, comecei a trabalhar pra me sustentar ano passado. – disse, acariciando seus cabelos e enxugando sua lágrima, enquanto nós duas ouvíamos música no meu quarto.

- Mas eles são um problema, pra nós duas. – ela disse, com a voz trêmula, senti meu coração se apertar.

- Não iriam aceitar? – perguntei, temendo a resposta, e apertando o nosso abraço.

- De jeito nenhum. – ela chorou, fechando os olhos e encostando em meu ombro, eu fiquei sem reação, foi um balde d’água, eu odiava preconceito, e mais ainda, odiava tudo que machucasse a minha Mel.

- Não chore minha menina. – disse, beijando sua testa. – Eu jamais vou desistir de você, jamais, eu enfrentaria mil oceanos por você, e vou enfrentar seus pais.

- Vai o que? – ela perguntou, espantada, arregalando os olhos e me olhando fixamente.

- Chame-os aqui, e diga que é importante. Eu vou falar com eles, e pedir para ser sua namorada. – falei confiante, tentando fazê-la confiar em mim.

- Não sei se é uma boa idéia. – ela resmungou.

- Vamos nos esconder, então? Mel, você é a mulher da minha vida, eu quero que todos saibam disso, quero que seus pais saibam, e, mesmo que não aceitem, a minha vida vai continuar sendo nossa. – eu vi ela sorrir aquele sorriso perfeito outra vez.

- Eu te amo, minha Kaah! – ela sussurrou em meu ouvido. – Eu os chamo, então. – aconchegou-se no meu ombro outra vez, e eu senti meu ombro molhar.

- Você é meu tudo. – eu sorri, colocando uma mão no meio de seus cabelos e mexendo com eles, e a música conseguiu arrancar outra lágrima de mim quando disse “I can’t believe you exist”

-----------------

Era sábado, eu vesti minha melhor roupa e fui na hora marcada no apartamento da minha Mel, eu iria me apresentar aos pais dela oficialmente, eles poderiam aprontar um escândalo, disso eu sabia, e também sabia que poderiam tentar tirá-la de mim, pelo fato de ela ainda ter 17 anos, e eu ter 20, mas eu iria lutar por ela, até o fim. Subi pelas escadas do prédio cinza e entrei no elevador vazio, apertando o botão 6, me olhei no espelho mais uma vez, eu estava realmente bonita, logo a porta se abriu e eu fui em direção à porta do apartamento, e a abri, como sempre fazia, pude ouvir risadas baixas, e a voz de ... Mitch!

- Er, olá? – perguntei, fechando a porta e entrando em direção à cozinha.

- KAAH! – ela gritou, e se jogou em meus braços, eu a abracei e sorri.

- Estávamos te esperando. – ela sorriu, me soltando, e pegando minha mão, logo pude ver, um senhor e uma senhora sentados nas cadeiras, e Mitch na outra, sorrindo.

- O que o Mitch faz aqui? – perguntei, os pais dela riram.

- Ele veio me ver, e meus pais estavam, então pedi para ele ficar. – ela sorriu aquele sorriso perfeito.

- Que bom, vai me dar confiança. – eu ri, Mel e Mitch também, mas os pais dela ficaram meio confusos.

- Sua vez, Kaah. – ela me olhou, sorrindo, e apertou minha mão com força, eu respirei fundo, olhando para os pais dela.

- Senhor e Senhora Stewart, correto? – perguntei, simpática mas séria. Eles assentiram com a cabeça, ainda confusos. – Eu sou Katherine Spencer, a namorada da Melanie. – falei calmamente, e os dois se espantaram de um jeito descomunal.

- Namorada? – o pai dela perguntou, aterrorizado.

- Sim, Senhor Stewart, e vim pedir a permissão de vocês, e dizer que vou proteger e amar a Mel até os últimos dias da minha vida, e mesmo que isso me custe a vida. — Vi uma lágrima no rosto corado dela.

- Isso é algum tipo de piada? – ele perguntou, enquanto a mãe queria chorar.

- Eu jamais brincaria com algo tão sério como os sentimentos da sua filha, Senhor Stewart. – eu estava firme, mas meu coração estava completamente amedrontado, mas eu não iria deixá-la ver isso, não agora.

- Isso é um absurdo! Você viu o que fez à sua mãe, Melanie? – ele falava em um tom baixo, mas extremamente firme, Mel quis abaixar a cabeça, mas eu segurei seu queixo e levantei seu rosto.

- Ela não fez nada à mãe, Senhor Stewart. Nós nos amamos, e isso não é errado. – eu afirmei mais uma vez, tirando forças de onde não tinha.

- Vamos embora, querida. Isso acabou para mim, eu não tenho mais filha. – ele resmungou, levantando da cadeira e chamando a mulher. – E eu não vou mais te sustentar, se vire! – ele disse à Mel, e saiu batendo a porta, seguido da mulher. Mel desabou em lágrimas.

- Me desculpe por isso, Mel. – eu reclamei, a abraçando, e ela se agarrou ao meu casaco.

- Ai, Kaah...Eu não tenho mais ninguém, só você. – ela chorou, soluçando. Eu não disse mais nada, apenas a abracei mais forte, esperando o soluço passar.

- Vamos nos sentar no sofá, você precisa se acalmar. – eu disse, a levando até o sofá.

- Vou pegar um copo de água. – Mitch disse, se levantando da cadeira da cozinha.

- Obrigada, Mitch. – eu agradeci, sentando ao lado da Mel no sofá. – Você sempre vai ter a mim. – disse, olhando nos olhos dela. – Agora você vai morar comigo, o que acha? – perguntei, tentando sorrir.

- É, um lado bom. – ela riu, pegando o copo que Mitch trazia, ele se sentou no pufe que havia no chão.

- Mais uma vez, desculpe por isso, Mel. – eu disse, deixando uma lágrima correr. Mas ela a enxugou.

- Você não tem culpa, Kaah. E por você eu passaria por isso mil vezes se fosse preciso. – ela sorriu, e me abraçou.

- Bom, o trabalho me chama, até mais meninas! – Mitch se levantou e saiu, Mel acenou e eu também.

- Agora vamos morar juntas! – eu ri, encostando o rosto na bochecha dela.

- Acho que a gente sobrevive. – ela riu, me beijando outra vez.

-----------------

- Gostou, Kaah? – ela perguntou, me abraçando, eu me sentia suja e cansada, havia acabado de chegar do trabalho, mas Mel havia redecorado o nosso apartamento, e estava simples, mas muito perfeito, cheio de coisas coloridas, e todo organizado, eu ri ao lembrar da minha idéia, há semanas atrás quando eu a conheci, ela certamente ia reclamar das minhas bagunças.

- Ficou perfeito! – eu ri, selando seus lábios demoradamente e jogando a bolsa no sofá. – Já tomou banho? – perguntei.

- Já. – ela afirmou, sorrindo. – E fiz a janta. – eu me espantei.

- Não sabia que cozinhava, dona Melanie. – eu ri, indo até a cozinha e sentindo um cheiro ótimo de comida.

- Bom, minha mãe me ensinou, ela queria que eu cozinhasse quando eu estivesse casada... – ela disse meio desanimada com a lembrança da mãe, mas logo sorriu.

- Vou tomar o meu banho, estou muito suja, já volto. – sorri, beijando a testa dela e me dirigindo ao corredor do banheiro.

- Vou te esperar, não demore. – ela disse.

-----------------

Fazia algumas semanas que nós estávamos morando juntas, eu e a Mel mantínhamos uma relação de respeito, ela me disse que não estava preparada ainda para algumas coisas, e eu aceitei, por ela eu esperaria todo o tempo do mundo. Numa sexta ela me disse que iria me esperar depois do expediente do meu trabalho, e eu assenti, ela disse que era algo importante, e eu me empolguei em saber o que era. Pedi à minha patroa que me liberasse mais cedo, e ela aceitou.

- Mel?! – exclamei, chamando ela, enquanto eu entrava no nosso apartamento.

- Aqui, no quarto! – ela chamou, animada, eu sorri, e corri até o quarto, e mais uma vez ela me abraçou repentinamente. – Quer ver o que eu fiz para você? – ela perguntou sorrindo.

- E ainda pergunta?! – eu ri, colocando as mãos na cintura, e pude notar um curativo no braço dela. – O que é isso? – perguntei amedrontada.

- Seu presente. – ela sorriu, e tirou o curativo, deixando à mostra uma tatuagem que dizia “Meu sorriso é pra você, assim como o meu amor é seu, e o seu amor é meu, Mel & Kaah” – O que achou?

- Eu ... – gaguejei, sem fala. – Eu amei! – eu sorri, e a beijei mais uma vez, sentindo aquele perfume maravilhoso invadir meus sentidos.

Notas finais
Reviews? /o/