I Have My Angel
4 Parte 4 - Quando tudo desaba.
Notas iniciais
Uma semana depois eu me sentia a mulher mais feliz do mundo, eu tinha meu anjo, minha vida, morando comigo, e eu via ela todas as noites, e sempre que eu acordava, a gente passava um pouco de aperto, mas tudo corria bem, o nosso amor era maior, maior que tudo, até que os olhares de desgosto dos outros, era difícil caminhar pelas ruas de mãos dadas à ela sem os olhares nos metralhando, e não podíamos namorar no parque como pessoas normais, como um casal normal, mas eu realmente largava isso tudo de lado quando ela me beijava e dizia que estava tudo bem, e quando ela disse que estava pronta para termos a nossa primeira noite de amor, eu juro que senti uma coisa que eu jamais havia sentido, a felicidade completa. Estava voltando do trabalho, quando esbarrei com uma senhora no caminho.
- Ah, me desculpe Senhora! – eu me virei, tentando ajudá-la.
- Tudo bem, querida, estou bem. – ela sorriu, e se espantou ao me ver. – Katherine? – abriu um sorriso.
- Senhora Manson! – eu sorri, e a abracei. – Quanto tempo! – exclamei, lhe devolvendo sua sacola que estava no chão.
- Verdade, você e a menina, a Mel, estão bem? – ela perguntou em tom casual, eu me espantei.
- Estamos...a senhora é a primeira a perguntar, obrigada! – eu sorri.
- Eu entendo, o preconceito, sabe, no meu tempo isso não existia, mas eu soube que você queria cuidar da Melanie, desde a primeira vez que te vi, e se vocês se amam, não vejo nada de errado! – ela disse docemente. – Só jamais desista dos seus sentimentos, tudo bem? Bom, vou para casa, até mais! – ela beijou minha bochecha e saiu caminhando calmamente, eu sorri e voltei a caminhar.
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- Mel? Amoor! – chamei, entrando no nosso apartamento, estranhamente silencioso. – MEL! – exclamei entrando no corredor e indo ao quarto. – Mel, é a Kaah! – exclamei desesperada. Há essa hora meu coração queria pular fora, a porta estava trancada, ela jamais estava. Tentei ligar no celular dela, sem sucesso algum, desligado, meus olhos começaram a se encher de água, e minhas mãos tremiam, onde ela estava há essa hora? Onde estava meu anjo?
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Era meia noite, meus olhos estavam inchados de tanto chorar, meu rosto estava grudando, encharcado, e eu sentia o coração bater cada vez mais fraco, foi ai que me veio um pensamento: Talvez ela tivesse ido embora. Mas por quê? Por que ela me largaria depois de tudo que passamos, por que a tatuagem se ela não me amava, por que as promessas, as nossas juras e planos, até o gato que ela disse que queria parecia idiota, eu me sentia idiota, eu a amei, e ela me largou, eu me odiava. Me odiava por não ter cumprido minha promessa de protegê-la, até o fim dos meus dias. E adormeci no sofá, com as roupas que eu estava.
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- KATH, KATH ABRE ISSO! – escutei esmurrarem a porta, e acordei assustada. Por um instante pensei que podia ser ela, mas não era, ela me chamava de Kaah, só ela me chamava assim.
- Já vai. – falei, sem expressão alguma na voz, e os olhos vermelhos latejando. Abri a porta devagar, sem muitas expectativas e Mitch pulou encima de mim.
- Ah graças a Deus, você não se matou! – ele disse, me abraçando fortemente, ele sabia muito bem do que eu era capaz.
- O que quer à essa hora? – perguntei estressada.
- A Mel, os pais dela vieram e a levaram embora. – ele disse, desesperado.
- O QUE?! — berrei, com a garganta dando nós e o estômago revirando.
- Ela é menor de idade, Kath, os pais dela tem a guarda, levaram ela daqui pra uma escola interna. Ela conseguiu me ligar, os pais dela não deixaram ligar pra você. – ele continuou desesperado.
- E o que eu faço agora?! – sussurrei com as últimas forças que eu tinha, e só pude sentir meus joelhos baterem no chão, sem forças para levantei fiquei ali, ajoelhada, sentindo as lágrimas rolarem e os soluços contraírem minha garganta, numa dor infernal. Eu não tinha meu anjo mais.
- Acalme-se, Kath. – ele se ajoelhou, me abraçando. – Ela disse que me liga na semana que vem, que ela te ama muito e jamais vai desistir de você. – ele fechou os olhos, e eu senti meu ombro molhar, Mitch estava chorando comigo.
- Te amo Mitch, meu melhor amigo. – eu murmurei, e continuei aos prantos, morrendo aos poucos. E se o nosso amor não fosse forte o suficiente?
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Na semana seguinte Mitch passou no meu emprego, e me disse que ela havia ligado, e que ela voltava em seis meses, o tempo de ela completar os dezoito anos. Eu não pude evitar as lágrimas, e fui dispensada mais cedo outra vez, o que era uma tortura, eu teria que ficar no centro da minha dor, sozinha.
- Aqui estamos, sem ela. – disse, a mim mesma, entrando no apartamento, e me joguei no sofá, sem ânimo algum, eu estava bastante feia esses dias, não me arrumava, não tomava banho direito, não comia, nada disso importava, eu estava esperando ela. – Mas que DROGA! – gritei, jogando um vaso na parede, e sentindo as lágrimas quentes rolando pelas minhas bochechas. – Tudo estava indo tão bem, tudo ... por que nada pode dar certo?! – chorei, enfiando a cara num travesseiro, o travesseiro dela, e o abracei, cantarolando baixo alguma música que ela havia cantado pra mim, sentindo uma ferida se abrir de novo, e sangrar, sangrar como jamais havia sangrado, arrancaram um pedaço de mim.
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E hoje estou aqui, passaram-se sete meses, e eu ainda estou sem meu anjo, todos os dias acordo e vou ao trabalho, volto, como qualquer coisa e durmo, essa têm sido minha rotina, desde que ela se foi, Mitch me visita quase sempre, pra se certificar que eu estou viva, porque bem ele sabe que eu jamais fiquei, desde que ela se foi. Ela me prometeu seis meses, e se passaram sete, mesmo assim eu continuei esperando. Mas hoje, me ocorreu que ela pode não voltar, ela pode ter arrumado um novo amor, ela pode nunca mais voltar, e então hoje, pela primeira vez em sete meses eu fiz algo diferente, não entrei em casa depois do trabalho, eu fui ao parque, e me deitei na grama aonde ela aceitou ser minha pra sempre, e fiquei olhando o céu, sentindo as lágrimas, minhas companheiras, que sempre estavam ali.
- Querida, o que faz aqui? – uma senhora me perguntou, e eu me assustei.
- Senhora Manson? Ainda se lembra de mim? – perguntei, me sentando na grama.
- Eu sou velha, mas não esqueço pessoas especiais. – e sorriu, ela me lembrava a minha Mel, tão doce e cuidadosa. – Você não parece bem.
- Levaram a Mel, Senhora Manson, eu não a vejo há sete meses, ela me prometeu que voltaria em seis, eu passei o natal, ano novo e dia dos namorados sem ela. Acho que ela não volta mais. – disse, deixando as lágrimas rolarem.
- Não fique assim, menina. – ela disse, se abaixando e me abraçando. – Ela amava você, ela volta sim, acredite! – ela sorriu, se levantando. – Bom, preciso ir mais uma vez, espero vê-la melhor, e com a Mel, e muito felizes. – ela acenou e saiu. Realmente, renovou um pouco minhas esperanças, mas eu já não tinha forças.
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Dez da noite. Eu continuo no parque, e agora está chovendo, chovendo como no dia em que eu a conheci, há meses atrás, a chuva gelada está me ajudando a lavar as lágrimas, e refrescando minha cabeça, mas, eu continuo sem forças, continuo sem ela, senti meu corpo cair mais uma vez, e respirei fundo, senti que iria morrer ali, naquele dia, seria bom, minhas dores se acabariam.
- KAAAAH! – escutei gritarem, Kaah? Só ela me chama assim...talvez eu esteja mesmo morrendo, e indo morar no mundo dos sonhos. – KAAH! – ouvi outra vez, e juntei o resto de forças que eu tinha no corpo físico, vi um vulto correr em minha direção, de cabelos cor de fogo, brilhando às luzes da cidade, e olhos negros.
- MEL! – algo estranho saiu junto à minha voz, talvez fossem as minhas dores, as minhas angústias, que estavam indo embora, ela havia voltado. Meu mundo ficou colorido de repente, e meu coração voltou a bater de um jeito terrivelmente rápido, eu corri o que pareciam mil milhas e finalmente a abracei, sentindo sua pele, e aquele cheiro de rosas que nenhum perfume possuía. Senti as lágrimas outra vez, mas dessa vez convidativas, eram dela, e se misturaram às minhas, e ficamos abraçadas por algum tempo. – Eu senti tanto a sua falta. – murmurei.
- Eu demorei, me desculpe. – ela chorou, enchendo meu rosto de beijos. – Foi difícil sair das asas dos meus pais, mas eu consegui, eu continuo sendo sua, e agora vamos ser felizes, juntas! – ela disse, abrindo aquele sorriso maravilhoso.
- Pra sempre. – completei, e ela riu.
- “Meu sorriso é pra você...” – ela cantarolou.
- E o meu amor é seu! – completei, com a voz extremamente alta, e a beijei, de um jeito que jamais havia beijado, e senti que, nada podia nos separar.Nem os olhares alheios, e nem o tempo. Essa é a nossa história de amor, eu tenho o meu anjo, pra sempre
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