I Hate You Darling
3 Revenge.
Notas iniciais
Todos estavam alvoraçados na sala de estar da casa de Blaine. A gangue discutia maneiras de machucar, humilhar ou simplesmente irritar o Porcelana.
Já Blaine, estava no andar de cima tomando um banho, enquanto conversava com Santana, que estava do lado de fora do banheiro.
– Céus B, nós precisamos fazer algo, esse cara está fora de controle. – Ela disse referindo-se à Kurt.
– Também acho Sant, ele está cada vez mais audacioso. – Blaine gritava de dentro do banheiro.
– Eu acho que se continuar assim, logo teremos um novo “manda-chuva” no McKinley e todos nós teremos que nos curvar à ele, inclusive você. – A latina disse dando ênfase na última palavra.
Blaine sentiu seu sangue ferver. Jamais permitiria algo assim. Ele saiu do banheiro apenas em sua boxer, olhou dentro dos olhos da morena e respondeu firme e confiante.
– Isso nunca vai acontecer. Eu não vou permitir. Ou eu não me chamo Blaine Anderson.
Enquanto ele se vestia, Santana mantinha seu olhar sobre ele.
– Por que você me olha tanto? – Ele perguntou arqueando uma sobrancelha, divertido. – Olha Sant, você é linda... Mas você sabe que eu sou gay e...
Ela o interrompeu. – Cala a boca Blaine, eca. Não é nada disso seu idiota. Eu estou olhando todos esses hematomas aí pelo seu corpo. – Falou apontando para ele. Blaine apenas sorriu.
Era óbvio que ele se vingaria.
A garota tinha o semblante preocupado. Blaine que a conhecia desde sempre, percebeu.
– Sant...? Você está bem? – Ele perguntou com verdadeira preocupação, sentando-se ao lado dela na cama.
– Estou... – Ela disse fracamente sem olhá-lo nos olhos.
– Santana Lopez, eu te conheço desde muito cedo, desde quando você roubava as bonecas da minha irmã que eu gostava de brincar. – Santana riu. Isso era realmente gay. – Eu sei que você não está bem. – O menor segurou a mão da latina. – Eu te amo Sant, você é muito mais do que uma simples amiga para mim. Eu sou o seu melhor amigo, você sabe que pode me contar o que você quiser.
Santana deixou-se invadir por aqueles olhos cor de mel sobre ela. Eles realmente eram melhores amigos. Ela amava Blaine. Não tinha por que esconder algo dele. Suspirando e tentando encontrar as palavras certas, ela começou a falar.
– B-bom... É... E-eu acho... Q-que eu... Es-estou apaixona-apaixonada. – Falou gaguejando por fim.
Blaine tinha um sorriso gigante no rosto. Ele torcia para que Santana arrumasse alguém que a amasse e cuidasse dela.
– Céus Sant! Eu estou tão feliz por você! Mas me difa, ela já sabe? – Blaine perguntou gritando.
Santana arqueou uma de suas finas sobrancelhas. – Como você sabe que é “ela” e não “ele”?
– Querida, está escrito na sua cara “Eu amo as partes íntimas femininas.” – Ele respondeu de uma maneira engraçada. Ambos riram.
– Bom, pelo visto ela ainda não sabe não é? Então arrumaremos um jeito de ela saber e depois podemos trazê-la para a nossa gangue, isso seria realmente demais e... – Sant mais uma vez o interrompeu. – Esse é o problema, ela já pertence à uma gangue.
– Não me diga que é a Quinn? Não, por que, tudo bem que ela também fica com algumas garotas, mas todos sabem que ela na verdade é hétero. – Blaine estava meio confuso.
– Eu não disse que ela pertencia a nossa gangue. – Santana disse rápido. Aquilo realmente seria difícil, e ela já estava prevendo a confusão.
O sorriso que Blaine tinha no rosto desapareceu. – Santana por favor, não me diga que... – O moreno não precisou terminar a frase.
– Sim B, ela pertence à gangue do Hummel. Ela se chama Brittany. – A resposta da garota parecia ter atingindo o amigo em cheio.
Blaine ficou incrédulo. Aquele romance estava realmente fora de cogitação. – Aquela coisa estúpida? Santana, por favor, você quer fazer caridade? – Ele debochou.
– Não fala assim dela. Ela é especial. Ela é meiga, simpática e apesar dessa nossa briga, ela nunca se recusou a conversar comigo. – Santana parecia irritada.
– Você anda conversando com ela escondido? Sabia que isso se chama traição Santana? – Blaine estava quase gritando. Ele não podia crer naquilo. Ela realmente estava gostando daquela doida.
Então ele suspirou tentando manter a calma. – Você tem certeza do que sente?
– Tenho, cara. Nunca tive tanta certeza na vida. – Ela respondeu convicta.
– Mas isso só pode ser uma piada! – Blaine gritou levantando-se da cama e caminhando em círculos. – Isso é um plano daquele maldito Ken humano para te tirar de nós, mas é claro! Ele mandou essa vadia retardada te seduzir! – Seus gritos estavam cada vez mais altos.
Santana também se levantou da cama, com os olhos cheios de lágrimas. Enfurecida e com o dedo na cara de Blaine ela disparou.
– Nunca mais abra essa sua maldita boca suja para falar dela ouviu bem? Ela não é assim, ela é ingênua demais e não merece esses xingamentos. Ela tem o coração puro, e só ela pode concertar alguém como eu. Você sabe como é se apaixonar não sabe? Se apaixonou uma vez, e não foi correspondido, por isso ficou tão amargurado, por isso odeia tanto o Hummel. – Blaine abriu e fechou a boca.
– Santana fale baixo, ninguém precisa saber disso. Te contei por que você é a minha melhor amiga. – O moreno temia que alguém do andar debaixo ouvisse.
Santana, sem se abater, continuou. – Mas ele nunca soube que você gostava dele, por que você foi fraco. Não teve coragem. Ah e se o seu medo é que eu entre na gangue do Purpurina, pode ficar tranquilo, eu sou leal a você e aos meus amigos. E sei que Brittany jamais me pediria algo assim. E bem, se for o caso, eu abandono vocês, e ela abandona o Hummel. – A latina estava à beira de lágrimas. Só ela sabia o quanto doía dizer tudo aquilo à Blaine.
O barulho no andar de baixo cessou. Sim, era verdade que todos da gangue admiravam e sentiam inveja de Sant. Ela era a única a ter coragem e capacidade de enfrentar o chefe. Além, claro de Kurt.
Blaine caiu sentado na cama. Ele não tinha pensado na possibilidade de Santana os deixar. Ele conhecia ela bem demais para saber que ela não estava blefando. Aquilo não poderia acontecer.
– N-nós... Vamos dar um jeito Sant. Me desculpe. Não serei contra. Você não vai precisar nos deixar, nós vamos dar um jeito em tudo. – Blaine repetia a mesma frase quase que automaticamente.
Percebendo que Blaine não parecia bem, a latina sentou-se ao lado dele.
– Ei... – Ela disse pegando a sua mão. – Nós nem sabemos se ela gosta de mim. – A latina sorriu tristemente.
– Sant, nós vamos te ajudar com ela ok? Todos nós, e ninguém vai reclamar, afinal eu sou Blaine Anderson e sou eu quem manda nessa porra toda certo?
– Certo... – Ela respondeu derramando suas lágrimas no ombro do melhor amigo.
Ficaram algum tempo abraçados até Blaine tornar a falar.
– Sant, desce, e diz pra todo mundo que eu já vou lá. Diz que o assunto é “Vingança”. Eles terão idéias ótimas.
– Ok B. – Dizendo isso ela desceu deixando Blaine sozinho com seus pensamentos.
Então ele começou a lembrar o ensino fundamental, onde não tinha gangue nenhuma. A única coisa que existia era a paixão que Blaine sentia por Kurt. Ele sempre gostou daquele branquelo – como Blaine o chamava de brincadeira – eles conversavam, mas nada além disso. Blaine sempre achou que Kurt perceberia sua paixão e se atiraria nos braços dele. Mas isso não aconteceu. Blaine passava noites e noites ouvindo músicas tristes e chorando por Kurt.
Mas o ódio – Ou mágoa pelo coração partido – pelo Porcelana começou a existir quando ele arrumou um namorado. Carl. Blaine sentiu tanta raiva mas tanta raiva – e despeito, pois morria de inveja do garoto Carl. – que resolveu fundar uma gangue só pra atormentá-los.
Kurt, quando percebeu que Blaine o estava perseguindo, resolveu fazer o mesmo que ele. Uma gangue. E desde então, eles seguiam brigando, xingando-se e disputando a suposta liderança do McKinley.
Blaine sacudiu a cabeça. Não queria mais pensar nisso. Desceu as escadas correndo dando de cara com um bando de gente amontoado em sua sala de estar. Todos o esperavam em silêncio.
– Então pessoal. Todos viram o que aconteceu comigo hoje. – Blaine começou.
– Aquele boneco inflável foi longe demais. – Nick disse.
– Devemos dar o troco à altura. – Jeff respondeu.
– Alguma ideia? – Blaine perguntou. Todos levantaram a mão, mas Blaine escolheu Sebastian para responder.
– Eu acho que não devemos sair no tapa com eles novamente. – Ninguém concordou com Sebastian. – Gente, calma. Vou explicar. Devemos humilhá-lo em público. E eu já sei como vamos fazer isso. – Sebastian explicou seu plano a todos, e todos concordaram. Blaine achou perfeito. Ele quem executaria o plano de Sebastian. Eles ficaram a tarde toda acertando os detalhes. Assim, pouco a pouco todos foram embora da casa de Blaine deixando-o sozinho.
IHYD
Kurt estava sentado em sua cama, Mercedes e Brittany estavam lá. Eles riam mais do que alto.
– Vocês viram a cara dele? Todo encharcado! Céus eu precisava ter tirado uma foto daquilo. De verdade. – Kurt dizia rindo sem parar.
As meninas apenas concordavam.
– Kurt e garotas, por favor, durmam logo. Eu tenho que acordar cedo amanhã. – O pai de Kurt dizia na porta. Ele não gostava de como Kurt se comportava e se vestia agora. Antes eles não era assim. E Burt não sabia o por que da mudança.
– Vamos nos deitar então. – Kurt disse.
Depois de todos acomodados, Brittany começou a falar.
– Kurt, como se chama aquilo que sentimos, quando gostamos de uma pessoa, e cada vez que ela sorri para você, é como se você tivesse ganho o dia? Quando ficamos tristes por essa pessoa não ter vindo para a escola, ou quando sua mão e a dela se encostam e você sente um arrepio por todo o corpo? Ou quando essa pessoa é tão bonita que você tem vontade de beijá-la, ou de tocar nos peitos dela? ou quando ela vem sorrindo para você, você sente borboletas no estômago, e fica sorrindo como se fosse um idiota? – Brittany perguntou para Kurt que estava deitado ao seu lado.
– Acho que isso é amor Britt. Não vá me dizer que se apaixonou pelo seu gato de novo não é? – Kurt perguntou preocupado.
– Não, eu e ele terminamos de vez. Somos apenas amigos. Ando sentindo essas coisas por outra pessoa mas eu não sabia o nome desse sentimento. – Britt esclareceu.
– Por quem? – Kurt estava curioso.
– Não posso contar ainda. Prometi para Angelina. – Britt falou virando-se para o lado.
– Quem é Angelina?
– Minha fada madrinha. – Dizendo isso, Britt bocejou e logo pegou no sono.
Kurt ficou acordado. Mercedes dormia ao seu lado. Esse história de estar apaixonado. Kurt não sabia o que era isso. Ele nunca havia se apaixonado de verdade, tudo bem que ele já tivera um namorado, mas ele apenas gostava de Carl. Na verdade, ele não havia se apaixonado ainda.
Kurt começou a se sentir solitário e antes que esse sentimento tomasse conta dele, o castanho virou-se para o lado oposto ao da loira e tentou dormir.
IHYD
Blaine esperava – ansioso – escondido no vestiário masculino. Ele sabia que ginástica era a única aula que Kurt fazia completamente sozinho. Era ali que ele colocaria seu plano em prática. Ou melhor, a primeira fase dele. O Porcelana já deveria estar indo tomar um banho.
A porta se abriu e Kurt se dirigiu direto para o chuveiro tirando a roupa ali mesmo.
Blaine mal conseguia piscar. Que corpo era aquele? Ele tentava não perder o foco e não esquecer o plano e o que ele tinha ido fazer ali, mas era difícil se concentrar com o Hummel ali, nu, tomando banho, na frente dele.
O moreno sentia um calor percorrendo todo o seu corpo, mas tentava ignorar isso.
Quando Kurt começou a lavar o cabelo, com os olhos fechados, Blaine, saindo do transe, resolveu agir, saindo do seu esconderijo.
– É hora da vingança. – Ele sussurrou com um sorriso.
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