I Hate That I Love.
36 Capítulo 36.
Notas iniciais
Eu realmente odeio Bernardo Oliveira, eu realmente odeio. Mas aquele beijo me despertou o pior sorriso bobo do mundo. Por onde eu passei esta manhã todos me perguntavam o motivo do sorriso bobo — não respondia, era obvio. -. Eu sentia raiva, raiva do meu sorriso bobo toda vez que lembrava do maldito beijo. Todos me perguntavam, por onde eu passava, estavam todos lá me perguntando o motivo do meu sorriso bobo, o que vou responder ?. Ah, foi um beijo perigoso que eu dei no meu ex-namorado, nada de mais. O bom era saber que Débora pagava da mulher perfeita e nada corna, mesmo sabendo dos casos de Bernardo. Bernardo nunca escondeu que pegava mulheres, mesmo entendo com ela.
– Cris... — Neide entrava no meu quarto. Seu rosto não estava nada bem, me preocupei loucamente pensando que era Laura, mas ela logo avisou que não. Era um assunto nosso. — Você sabe, estou ficando velha e já não aguento mais ficar aqui. Eu estou me aposentando, vou ficar mais alguns meses com você ate você arrumar uma babá melhor.
– Você realmente está me deixando ?. — fingi tristeza e ela riu. — É serio por favor, o que será de mim sem você ?.
– Uma menina forte. — ela colocou as mãos confortantes sobre meus ombros. — Você vai encontrar uma outra babá.
Abracei Neide confortante e sorri lembrando de tudo que nós passamos, parece que foi pouco, na verdade foi, mas ela me fez tão bem. Ela me faz bem. Eu sempre soube que ela iria embora, em alguma hora, em algum dia, mas não estava esperando isso. Não esperamos deixar para trás aquilo que nós faz bem. Parece drama, mas eu realmente vou sentir falta de Neide. Ela agora voltará pro Brasil, indo direto para sua terra natal, Bahia. O que eu faria agora ?.
Como sempre foi de costume, deixei Neide cuidar da minha pequena. Foi incrível passar a tarde toda com ela e Neide. Ri demais, brinquei demais, mas tinha que voltar a minha vida normal. Eu iria sair a noite, ia a uma reunião com Ricardo e outros amigos dele. Discutiríamos sobre minha vida, incrível como eu falo 'minha vida', mas era. Sobre minha carreira, sobre minhas fotos, sobre o que eu tenho que melhorar.
– Você estará aqui comigo ate quando ?. — Eu passava o batom vermelho nos meus lábios pálidos.
– Ate você voltar ao Brasil. — Ela tentava ninar Laura que permanecia agitada. — Daí eu vou voltar para Bahia.
– Oh Céus!, vai ser difícil. — Exclamei rindo e Neide riu. — Eu vou sentir uma enorme falta de você.
Passei por Neide e dei um leve beijo em sua bochecha. Passei meus dedos com delicadeza com a pessoa mais agitada no quarto — Laura — e fui direto para porta. Infelizmente encontrei com Débora e Bernardo no corredor. Não pude evitar de trocar certos olhares com Bernardo, mas Débora não percebeu. Ela estava preocupada demais em tentar me atingir com seu bebê.
Quando entrei no quarto de Ricardo, levei um belo susto. Ele estava apenas de cueca transparente dançando Lady Gaga, perfeitamente louco. Ri tanto que sentei para respirar na cama. Ele não morreu de vergonha, riu comigo como um louco. Nós eramos dois loucos rindo atoa. Daiana entrou no quarto e nos encarou, encarou de lado, encarou pensativa e exclamou: Loucos.
– Está pronta para ganhar boas quantias de libras ?. — Ricardo perguntava animado.
– Acho que estou. — respondi sessando os risos. — Na realidade eu só me imagina em algum lugar no Brasil, não aqui fora. Nada de fotógrafos famosos ou revistas internacionais me procurando.
– Se acostume. — ele balançava pincel de bloss no céu. — Isso aqui se chama fama.
Assenti com a cabeça e sorri. Sorri por que nada do que eu pensava estava acontecendo, estava acontecendo três vezes melhor. Era realmente bom ver aquilo. Hoje eu nem me importaria com Débora ou Arthur que não me liga, hoje eu estava afim de crescer na minha vida já grande. Garantir tudo aquilo que eu queria.
– Eles querem conhecer como você é. — Ele começou. Já estávamos no carro e eu apenas assentia com a cabeça. — Você deve ser essa Cristiana toda que você é.
– Essa Cristiana toda que eu sou ?. — Perguntei confusa. O que eles queriam da Cristiana toda ?. Eu não sei o que é Cristiana toda.
– Seja você mesma, só isso. — Ele encarou seu motorista, cochichou o lugar e em segundos paramos em frente a um prédio bastante iluminado.
Ricardo mandou seu motorista esperar e nós entramos. Logo na entrada todos os olhares voltaram-se contra mim. Todos murmuravam várias coisas, pessoas trocavam olhares e logo depois estavam me encarando. Ricardo chamava aquilo de inveja, Daiana de recalque e eu de desnecessário.
Quando entramos no elevador, tocava a música do Tom Jobim e Vinícius de Morais, garota de Ipanema.
– Os gringos só nos reconhece através dessa música, incrível. — Ricardo bufou.
– E você não quer que eles nos conheça através dessa música ?. — indaguei surpresa.
– Não é que... — ele procurou alguma resposta. — Eu só não gosto dessa música.
Dei uma leve risada e o elevador se abriu. Os amigos de Ricardo nos esperava em uma sala. Uma enorme mesa bem no centro, várias cadeiras, gays loucos e bastante bebidas. Eu sentia que aquela noite seria uma das noites em que acordamos virado.
Sentei ao lado de Ricardo e começou o falatório. Todos logo me adoraram de primeira, queriam minhas fotos, queriam tirar fotos minhas, queriam me conhecer. Ricardo falava por mim, na realidade eu não entendia muito bem daquilo e em poucos momentos eu me perderia na história. Nunca prestei atenção em nenhuma reunião, sinto preguiça, apenas concordo com a cabeça e sigo assim ate a reunião acabar.
– Então o que você acha Cristiana ?. — Um amigo de Ricardo perguntou. — Quer mesmo ficar aqui ate acabar os dois meses ou ficar aqui por mais algum tempo ?.
– Bom eu acho que... — Olhei para Ricardo na expectativa de receber um sim ou um não com a cabeça. Recebi um não e continuei. — Bom eu tenho uma filha pra criar, vai ser difícil com isso. Tenho que infelizmente recusar a proposta.
– ótimo. — o mesmo cara exclamou feliz. — Eu vou fazer você voltar para o Brasil ainda mais famosa que você era lá, você pode ter total certeza.
Senti braços passar em volta da minha cintura, em segundos percebi que estava sendo abraçada pelo mesmo cara. Abracei ele para não passar de 'anti-social' e sorri. Minha careira iria voar como Ricardo dizia pulando.
– Bar ou Barzinho ?. — Ricardo perguntou a todos.
– Barzinho. — ouvi gritos enlouquecidos de todos.
De repente todos os caras saíram pulando da sala deixando apenas eu e Daiana sozinhas.
– Barzinho ?. — perguntei confusa e curiosa.
– Vai ser leve. — ela pegou sua bolsa. — Só algumas cervejas e nada mais.
Entrei no carro e fui direto para o tau bar. Era pequeno, não muito atraente por fora, mas bem animado por dentro. Rolava uma pequena balada lá. Varias francesas bonitas, franceses maravilhosos e muita bebida, bebida ate demais.
Comecei a dançar meio tímida, no momento mesmo eu estava me distraindo com um papo alheio de Daiana. Como eu, ela também não queria estar ali, só estávamos por Ricardo. Daiana tentava insistir em algum assunto, outras vezes era eu. Decidimos não falar nada, apenas ficarmos observando o movimento da balada.
– Estou com sorte.! — Ouvi uma voz bem ao lado. Eu parecia conhecer o rapaz francês interessante, procurei na memória e lembrei de Collet.
– Por que sorte ?. — perguntei com um leve sorriso atrevido no rosto.
– Meu segundo dia de volta á Londres e novamente encontrei você. — Ele ofereceu uma taça de champanhe, não tive como recusar.
– Não diria sorte. — bebi um pouco do champanhe . — Diria coincidência.
– Ótimo então, coincidência. — ele afirmou risonho. — Faz tempo que está aqui ?.
– Não, não muito. — respondi. — Caso esta seja sua pergunta, eu curtindo.
– Tem algum compromisso para amanhã ?. — ele parecia interessante.
– O que isso lhe importa ?. — perguntei provocativa, mas sem perde a postura. — O que você quer saber com isso ?.
– Eu vou te levar para sair. — ele afirmou.
– Como você afirma assim sem sequer sabe a resposta ?. — Perguntei entre risos maliciosos.
– Porque você vai. — ele respondeu. — Eu vou lhe buscar no teu hotel amanhã.
Quando desviei meu olhar para não ficar envergonhada vi a pior cena da noite. Arthur estava agarrado com uma francesa. Senti meu nervos ferverem, não queria ir lá, mas fui, fui com ódio no olhar. Assim que cheguei Arthur me olhou espantado, a loira não entendia nada, apenas nos olhava confuso. Eu queria enfiar minha mão na cara de Arthur, mas aquilo era indelicadeza demais, mas eu estava perto de chegar lá.
– Então você veio aqui para isso ?. — perguntei calma, mas morrendo de raiva. — Ótimo então aproveite a sua vida com essa vadia e não me procure mais.
Um garçom passou ao meu lado, peguei uma taça de champanhe ataquei contra o rosto de Arthur. Assim que senti minha raiva sendo atacada na cara de Arthur, peguei minha bolsa com Daiana e sai do bar. Não dei explicações para ninguém, nem para Collet ou Daiana, apenas sai batendo o pé e resmungando loucuras. Pedi para o motorista de Ricardo me levar ate o hotel. Eu não estava com ciúmes de Arthur — não estava mesmo -, eu só estava brava por ele ter me traído, ele não devia ter feito aquilo, não mesmo.
Cheguei no meu quarto e Neide já dormia. Tirei meus saltos e me joguei contra a cama confortável.
– ótimos cafajestes que você arruma Cristiana. — repeti para mim mesma, me mordendo de raiva.
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