I Hate That I Love.
37 Capítulo 37.
Notas iniciais
Foi difícil para dormi ontem, eu não conseguia ficar quieta, andei de um lado para o outro como se fosse esperar alguma coisa, mas na verdade era só raiva. Raiva por que no dia seguinte Arthur iria aparecer batendo na minha porta com certeza, eu não queria discutir, mas eu sei vai ser difícil.
Laura estava deitada ao meu lado, eu mexia com delicadeza na sola do pé dela. Já era manhã, o tempo em Paris estava perfeito na minha opinião. Eu tentava encontrar paz em Laura, mas nem minha pequena resolvia. Meu Deus, ela cresceu. Ela realmente cresceu, não era mais aquela pequenininha perfeita ate é exagero, mas ela cresceu bastante. Está ainda mais gordinha, mais forte e menos parecida comigo. A única coisa minha que ainda tem nela é os olhos azuis, o resto é todo 'Bernardo'.
Flaskblack.
Seria mais uma noite entendiante. Mais uma vez eu teria que acompanhar Bernardo em uma das festas dos seus amigos, era legal conviver lá, mas não todo final de semana, fica exaustivo e chato demais. Sobre ter a primeira vez com Bernardo, foi perfeito. Com o passar do tempo eu fui pegando o jeito da coisa, sabia das coisas. Meu pai não podia saber de jeito nenhum, ele nem imagina que eu perdi minha virgindade com o garoto da frente, ele acha que eu e Bernardo temos apenas um 'namorico' qualquer, mas na verdade o 'namorico' vai crescendo a cada dia.
– Está pronta ?. — Bernardo apareceu com aquele maldito sorriso.
– Estou. — Encarei meu corpo no espelho e pude perceber o quanto eu estava diferente.
Bernardo me tomou pela mão e descemos. Quando passamos pela sala, percebi várias risadinhas entre Jorge e Lília. Beto já nos esperava lá fora, animado como sempre. Entramos no carro e nos dirigimos ao lugar. Era na casa de campo dos amigos de Bernardo. Depois de um tempo, Bernardo começou a não curti a festa e a me curti. É estranho falar isso, mas ele não bebia ou fumaça. Ele gostava de me levar a lugares bem fechados e transar comigo lá. É engraçado e atrevido ao mesmo tempo.
– Vai ficar assim ?. — me virei e passei meus braços envolta do pescoço dele. — De marcação ?.
– Vou. — ele sorriu. — Vou marca você na frente, atrás, do lado. Eu sempre vou estar com você, independente do que vai acontecer.
– Promete ?. — sorri feito uma boba.
– Prometo. — ele logo selou nossos lábios.
Flaskblack Of.
– Sai da minha mente. — joguei a almofada na minha cara. Eu odeio ficar lembrando dos momentos que passei com Bernardo.
Eu me sentia uma completa idiota. Idiota por acreditar em Bernardo, me deixar levar pela lábia dele, ele sempre foi um cafajeste e não mudou, só eu que não percebi. Olhei para minha pequena Laura e sorri. Eu me meto com cafajeste demais. Literalmente, eu me meto com cafajestes demais e não queria aquilo, mas aquilo me persegue. Primeiro Bernardo, depois Arthur, quem seria o próximo ?.
– Cris, Arthur está na porta. — Neide entrou no quarto. — Vai lá falar com ele.
– É, eu vou. — levantei pensativa. — Fica um pouco com Laura ?.
Respirei fundo, me olhei no espelho. Minha enorme camiseta branca, que dava ate meu joelho, não era nada vulgar demais então dava para atender uma porta. Ele estava lá, com flores, um sorriso de vagabundo e um enorme pedido de desculpa.
– Por que você não aceita ?. — Ele insistiu.
– Por que ?. — cosei minha cabeça desconfortável. — Porque não é a primeira vez que me meto com cafajeste como você. Custava cara ?, custava você não fazer aquilo, agora como você acha que eu vou ficar ?, receber você e essas flores com um sorriso no rosto ?.
– Não é nada. — Ele tentou segurar minhas mãos, mas eu afastei. — Cris, eu errei uma vez, me perdoa ?.
– Foi o pior erro da sua vida. — Encarei aqueles olhos. — E não, não sou tão boa quanto Jesus Cristo.
Fechei a porta na cara de Arthur. Respirei fundo e encostei minha cabeça sobre a porta. Aquilo era horrível, Paris estava ficando horrível. Voltei para cama e encontrei Laura lá, Neide estava na cozinha. Deitei ao lado de Laura e encarei o teto branco. Vou marca você na frente. Respirei fundo, as palavras que Bernardo falou estavam entrando novamente na minha cabeça. Atrás, do lado. Eu sempre vou estar com você. Respirei fundo novamente. Independente do que vai acontecer. Me levantei raivosa e procurei ir tomar meu banho, logo logo eu sairia para ir em uma exaustiva sessão de fotos com os amigos de Ricardo.
Paris estava contra meu favor, ela não queria me apoiar. Deixei algumas coisas arrumadas para Neide, peguei as chaves do meu carro e sai. Fiquei encarando a porta do elevador, pensando nas malditas palavras que hoje não queriam sair da minha mente, era sempre ele, sempre. De repente eu ouço aquela voz ao meu lado, quando viro meu olhar para ver em é, está lá Bernardo e sua esposa vadia.
– Feliz Cristiana ?. — Débora começa.
– O que é feliz para você ? Sua voz que da dor de cabeça ou seu perfume enjoado ?. — continuei a encarar a porta.
– Por que você está assim ? Só por que Arthur lhe traiu ?. — Pude ver o sorriso de felicidade nos lábios dela.
– Não, por incrível que pareça não. — me virei para encara-la. — Se eu quiser pega outro ou namorar outro eu posso, só não vou me passar da mulher feliz e nada chifruda como você. Sabe se eu fosse você eu ficava de olho nesse teu marido perfeito, sei lá, só acho que ele vem aprontado demais.
Foi aquilo. Débora mais uma vez estava por baixo. Entrei no elevador e pude ver a cara de tacho dela. Bernardo praticamente me fuzilou com os olhos. Ele sabia do que eu estava falando e a carapuça serviu nos dois.
A sessão foi péssima, eu não sabia me concentrar em nada. Nada me animava, nada me animou, nem mesmo as brincadeiras de Ricardo, aquele dia estava sendo péssimo para mim. Arrumei meu cabelo e decidi seguir uma dica de Daiana, passear por Paris, comprar coisas novas ou tentar me distrair. Andei pelas ruas de Londres e nada me chamou atenção, ate eu chegar em um ponto meio afastado da cidade. Dava para se ver tudo de lá, o ar era perfeito. Estacionei meu carro e encostei meu corpo sobre o capo. Fiquei observando a paisagem por um bom tempo, dava para ver metade de Paris lá, lá sim era perfeito.
Alguma coisa me chamou atenção, uma placa dizendo 'solte todo seu amor ou ódio aqui, no vento, pode ser que chegue aonde você quer.' De primeira desacreditei, mas depois vi algumas pessoas fazendo e daí tentei.
– Bernardo, sai da minha vida, por favor. Você não faz mais parte dela, eu não amo você. — exclamei.
É, fazia bem mesmo, eu já não me sentia tão pressa ou desconfortável como antes. Fiquei por lá ate o céu começar a ficar escuro, então voltei para casa. Quando chego lá encontro Neide com um sorriso enorme no rosto, ela parecia esconder alguma coisa.
– Tem alguém ai querendo falar com você. — Ela falou.
– Quem ?. — arquei minha sobrancelha confusa.
– Não sei, ele não falou o nome, mas está lá dentro com Laura. — ela respondeu.
Me dirigi ate o meu quarto e vi Collet brincando com Laura. É, ele sabia aonde eu morava, ele não mentiu.
– Então, está preparada ?. — ele sorriu.
– Para que ?. — tentei me lembrar de alguma coisa prometida.
– Encontro. — ele sorriu. — Vá lá se arrumar, eu lhe espero.
Tentei não querer ir, mas Neide insistiu, então acabei aceitando. Enquanto tomava banho, encarei a janela e tentei não pensar em Bernardo que constantemente vinha visitar minha mente, eu queria entender, entender por que ele não sai da minha cabeça, nos outros dias eu nem pensava nele, mas por que agora ele veio a minha cabeça ?.
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