I Found Myself In Wonderland
1 Remember
Notas iniciais
“Eu vou sentir sua falta quando acordar”
Acordei imediatamente daquele pesadelo de imagens fora do contexto, onde me encontrava e levantei lentamente. Mamãe e papai estavam conversando na sala e eu estava vestindo meu pijama verde com pequenas gotas azuis. Ajeitei meus cachos loiros, que com certeza vieram da parte sanguínea maternal. A luz quase me cegou, eram quase duas da manhã. Me ajeitei no colo de meu pai, que sorria para mim enquanto eu passava os dedos na vista irritada.
-Não consegue dormir, querida? –ele me pergunta preocupado.
Olho para minha doce mãe.Ela está bebendo chá e se aquece na lareira flamejante.
-Estou tendo pesadelos. Uns sonhos estranhos. –digo revirando os olhos.
Ora, eu tenho treze anos e pesadelos complexos. Preciso de meus pais.
-Alice, não acha que ela deveria dormir no quarto conosco? –meu pai diz fazendo bico para minha mãe, que sorri e balança a cabeça negativamente.
-Ela tem treze. –ela diz levantando-se e fazendo seus cachos cheirosos e leves balançarem ao vento. –Vamos, Anastácia. –ela disse segurando minha mão.
A segurei e meu pai me beijou na testa.
-Boa noite, querida.
Fomos até o quarto e eu me sentei na cama, ela na cadeira de balanço que ficava bem do lado. Ela passou suas mãos delicadas e brancas em seus cabelos e colocou uma mecha para trás da orelha, onde carregava um par de brincos verdes que meu pai deu de presente para ela no ano retrasado... Ela nunca tirava.
-O que você sonha? –ela pergunta com semblante curioso.
-Não sonho coisas inteiras. –digo colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha. –São apenas imagens... Um gato que sorri. –disse assustada.
-Um gato que sorri? –ela se levanta e senta na cama.
-Sim... E um coelho branco com um relógio de bolso. –digo mais perturbada ainda. –E também... –pauso e hesito em falar.
-O que mais, filha? –ela pergunta segurando minha mão e me olhando interessada.
Ora, qual a grande coisa que essas imagens confusas são? São apenas loucuras da minha mente perturbada. Talvez eu precise de tratamento...
-Um homem, com cabelos laranja e olhos penetrantes... Que usa uma cartola.–digo bufando e desviando o olhar.
-Chapeleiro...
Olho para minha mãe e seus olhos se enchem de lágrimas. Fico confusa e passo uma de minhas mãos em sua bochecha gelada e ela sorri.
-Por que está triste, mamãe? –pergunto sentida por ver a pessoa que mais amo na vida se sentir mal por algo que está acontecendo comigo.
-Por nada, querida. –ela se levanta e faz com que eu me deite. Ela me cobre e me beija na testa.
Ela anda até a porta e desliga a luz do quarto.
-Mamãe. –a chamo antes que ela feche a porta por completo.
-Sim, querida? –ela responde.
-Acha que eu estou ficando louca? –pergunto num sussurro.
Ela abre a porta e caminha até mim.
-Seu avô me falou sobre isso uma vez. –ela comenta sorrindo carinhosamente.
-E eu estou ficando realmente louca?
Ela coloca a mão mais uma vez em minha testa e diz em tom firme:
-Sim.Louquinha, pirada. –ela disse sorrindo e desviando o olhar. –Já fui assim... Quer que eu te conte um segredo? Me prometa que não contará a mais ninguém.
-Sim. –disse hesitante.
Ela se aproxima de meu ouvido e diz sussurrando.
-As melhores pessoas são assim.
Depois, ela me olha e faz um “Shh”, como se fosse segredo. Sorrio e fecho os olhos, finalmente o sono me consome.
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