I Dont Need You
7 Pether
– Olá... — Eu disse tentando ver quem era atrás da porta. — Eu trouxe alguns doces da minha festa para vocês. — Eu disse sorrindo e estendendo o braço com o prato de doces.
– Muito obrigada! Você é nova aqui na rua?
Agora eu conseguia ver quem era. Era a mãe de Pether.
Ela era uma mulher muito bonita, apesar de divorciada, não havia se casado novamente.
Logo me lembrei da pergunta que ela havia feito.
"Se acalme, eu apago a memória dela e coloco uma outra, e faço você voltar ao normal aos olhos dela."
"Você pode fazer isso?"
Eu perguntei assustada.
Ela não me respondeu, mas logo a Sra. Rocha falou novamente me retirando de devaneios.
– Sabina! Entre, entre! — Ela disse saindo do caminho.
– Não precisa, não quero incomodar! — Eu disse com um sorrisinho amarelo.
– Claro que precisa! Moramos a quase uma década aqui e você nunca entrou na nossa casa, por favor entre. — Ela disse sorrindo.
– Tudo bem... — Eu me rendi.
– Ah! Por favor chame Pether para mim no andar de cima, primeira porta a esquerda.
– Ahn... A senhora não prefere chamá-lo? Sabe, é que ele nem me conhece e ia ficar estranho... — Eu disse envergonhada.
– Não te conhece?! Por favor... — Ela disse soltando uma risadinha irônica.
– Como assim? — Eu perguntei, estava totalmente de fora.
– Ele fala todo dia de você. Te observa todo dia pela janela. Estava até fazendo uma música para você! Mas nunca teve coragem de se declarar. Como meu filho é tímido. — Ela disse colocando a mão na boca e soltando uma risadinha abafada.
– ... — Eu não consegui dizer nada.
Eu sempre quis que ele me notasse. Mas nunca percebi que ele já havia me notado!
– Bom... Então eu acho que vou subir para chamá-lo. — Eu disse com a voz trêmula de nervosísmo.
"Elda? Me faz um grande favor?"
Eu falei subindo devagar as escadas para ir ao seu quarto.
"Depende... O que você quer?"
"Deixa a minha aparência normal para o Pether também?"
Eu perguntei chegando perto da porta do quarto dele.
"Claro! Ele já gosta de você como você era, então não tem problema para mim!"
Ela disse convencida.
"Muito obrigada..."
Eu bati na porta e ouvi ele dizer.
– Mãe, eu estou ocupado. Outra hora! — Ele disse calmo.
Eu abri a porta devagar, só para poder espiar o que ele fazia.
– Eu já disse que eu to ocupado mãe! — Ele disse se virando na direção da porta.
– Oi... — Foi o máximo que consegui dizer ao ver aquela cena.
Ele estava sentado na cadeira, em frente ao seu computador desligado. Estava tocando violão e só de boxer.
– Sa-sabina?! — Ele falou assustado.
Parecia que não era só eu que estava envergonhada.
Eu abri mais a porta e entrei.
– Oi, sua mãe está te chamando lá embaixo. — Eu disse sorrindo.
– S-só um minuto... — Ele disse.
Logo em seguida saiu correndo vestiu uma calça e uma camiseta.
Eu fiquei esperando na porta até ouvir a Sra. Rocha gritar lá de baixo.
– Pether! Eu tenho que sair! Sabina por favor fique de companhia para ele, eu volto logo, logo!
Após dizer isso ouvi a porta bater e a tranca fechar.
Eu arregalei os olhos e fiquei lá. Paralisada.
Ela tinha deixado nós dois sozinhos. Já era!
Se eu não me segurar vou quebrar o acordo.
– Então... — Pether disse coçando a cabeça e se sentado na cama.
O quarto dele era mais arrumado que o meu.
Ele olhava para o chão e batia o pé rapidamente. Estava nervoso, assim como eu.
– Quer se sentar? — Ele perguntou e apontou para uma poltrona.
Antes de me sentar eu olhei pela janela do seu quarto e vi que dava para ver quase tudo no meu quarto.
Eu olhei melhor e vi Leight fazendo gestos obcenos na janela do meu quarto, olhando para a cena em que estávamos.
Eu fechei a cortina e me sentei.
– P-por que fechou a cortina? — Ele perguntou. Acho que ele pensou que faríamos alguma coisa.
– Meu irmão... Estava fazendo gestos obcenos para mim... — Eu disse envergonhada por ter um irmão daqueles.
– Ah... Eu gostaria de ter uma irmão... — Ele falou.
Parecia estar se soltando mais.
Que pena, ele era tão fofo quando envergonhado.
– Você toca violão? — Eu perguntei apontado para a capa do violão.
– É...
Fale com o autor