I Can Only Look At You
3 Capítulo III
Notas iniciais
Ficamos nos olhando, até que ela abriu um daqueles lindos sorrisos que só ela dá.
- Claro! – eu a levantei do chão, abraçando-a pela cintura. Ela começou a rir, e eu também, e ficamos assim, até que eu a beijei. Nada melhor do que terminar um momento desses com um beijo.
Voltamos abraçados, as vezes contando casos, as vezes rindo ou as vezes em silencio. Mas um silencio que não precisava ser preenchido, apenas silencio. Para cada um refletir sobre algo que o outro falou, ou simplesmente olhar em volta. Quando chegamos em casa, Joe logo veio encher.
- Eai, como vão pombos? – perguntou ele, e eu comecei a rir. Há algum tempo ele vem me falando que nunca chamaria um casal de pombinhos, já que diminutivos pareciam desvalorizar as pessoas. Nunca entendi direito, mas acho que não é pra entender metade do que o Joe fala – alguma fã maluca quis matar vocês hoje?
- Não, até que hoje foi bem normal – Ingrid respondeu, tirando o casaco cinza que ela adora – só algumas fãs ficaram nos espionando, mas nada demais.
- Raio de sol! – Kevin gritou, vindo abraçar Ingrid. Esse é outro que não fala nada com nada de vez em quando – mamãe preparou macarrão hoje para nós.
- Raio de sol? – perguntei, rindo – que gay! (n/a: nada contra ;) )
- É...tô com essa mania por causa de um filme retardado e antigo que assisti – ele falou, indo para a cozinha – Mãe, eles chegaram.
- Ingrid! Nicholas! – minha mãe veio correndo e nos deu um abraço – espero que não tenham jantado enquanto estiveram fora. Preparei meu macarrão para vocês!
- Algum motivo especial? – perguntei, rindo.
- Joseph e Kevin me contaram Nicholas. Parabéns a vocês dois! – ela nos deu outro abraço, e Ingrid corou um pouquinho. Olhei feio para Joe e Kevin, que apenas sorriam – apesar de já saber há algum tempo que isso aconteceria, fico muito feliz por isso!
- Obrigado, mãe – sorri para ela e segurei a mão de Ingrid.
- Ouvi a campainha? – meu pai. Ai não, ele também sabe? – Ah, vocês dois já chegaram! Parabéns!- ele também veio nos dar um abraço – previsível, mas desejável. Que Deus os abençoe.
- Nossa, ta parecendo que eu e a Ingrid noivamos! – falei, e todos começamos a rir. Fomos para a cozinha e nos sentamos, até que Frankie desceu as escadas e pediu que Ingrid lhe ajudasse a comer.
- Não, Frankie, não incomode a visita – falou minha mãe, e eu ri.
- Tia, imagine! Seria um prazer dar de comer a um anjinho tão lindo como o Frankie! – ela falou, se levantando e servindo a comida de Frankie.
- Além disso, nem sei se a consideramos mais visita – Joe falou – ela praticamente mora aqui!
- Como se isso fosse indesejável – falou Kevin. Nossa, que bajulação!
- Ai Kevin... – Ingrid falou, rindo. Continuamos a comer, até que Ingrid teve que ir embora. Insisti que a levasse até em casa, mas ela disse que tinha que passar na casa da avó antes.
- Boa noite então, Ingrid – adoro falar o nome dela. É tão divertido...
- Boa noite, Nicholas – ela falou, rindo, dando ênfase no meu nome – por que você me chama tanto pelo nome inteiro?
- Ah...Ingrid é um nome tão bonito, assim como você – clichê, mas funciona.
- Brigada – ela me deu um beijo – te vejo amanhã.
- Até amanhã – respondi, enquanto ela ia em direção a calçada.
Fiquei a observando, até que vi uma moita ali perto se mexer. Pensei ser um bicho, então continuei observando a Ingrid. Ela andava tão graciosamente, olhando para frente e para os lados, casualmente. Seu cabelo voava com o vento, e seus olhos refletiam a lua. Era uma visão digna de Deus.
A moita se mexeu novamente, mais forte. Ingrid parou em frente a porta de seu carro (n/a: Se a história é com o Nick, finja que vocês já dirigem), parecendo se lembrar de algo, quando alguém saiu da moita. Era uma mulher. Ela olhou em volta, e me viu, parecendo louca. Eu fiquei com medo, mas esperei para ver o que aconteceria.
Depois me amaldiçoei tanto por ter esperado. Essa louca veio até mim e me beijou! Simplesmente assim, veio e PÁ! Me beijou! Dá pra acreditar? E esse não foi o pior. O pior foi ver a cara de decepção de Ingrid. Seus olhos, antes brilhantes e alegres, agora pareciam opacos e tristes, e seu sorriso desapareceu muito rápido. Geralmente deixava um vestígio, um sorrisinho, mas agora sua cara estava fechada.
Me soltei da garota o mais rápido que pude, mas parece que foi tarde demais. Um fotógrafo ainda estava ali, tirando milhares de fotos. Até que outros três saíram de lugar nenhum e começaram a me fotografar com a guria louca e a cara de Ingrid. Ai não...ela se virou, andando firme para o carro. Corri atrás dela.
- Ingrid, não...você entendeu errado! – falei, me sentindo novamente num filme antigo.
- Realmente, entendi errado mesmo – ela falou, seu tom era muito, mas muito frio mesmo. Nunca a vi usar um tom assim com ninguém – realmente, eu deveria ter esperado mais alguns segundos pra voltar e pegar o meu casaco. Simplesmente pra dar tempo da sua outra me ver e dar o fora.
- Não, me escuta...
- Me escuta você, Nicholas. Eu lhe pedi, com todo o meu desgraçado coração, que você não me machucasse desse jeito. Se fosse fazer algo assim, pelo menos terminasse antes, ou nem tivesse começado. Pelo jeito, palavras são inúteis, não é mesmo? – ela me perguntou, a calma e frieza em minha voz me assustou muito. Seus olhos estavam agora impenetráveis, e sua expressão tão fria quanto sua voz – Obrigada por me fazer de mim apenas mais uma em sua lista – ela entrou no carro. Bati na janela, mas ela deu partida e saiu rapidamente.
Fiquei olhando para a traseira do carro dela, nem percebendo que a quantidade de flashes a minha volta aumentava a cada segundo. Não acredito...ela nem ao menos me ouviu. Mas também, eu não iria querer ouvi-la se visse ela beijando outro cara no mesmo dia que a pedisse em namoro. Olhei para aquela vadia que estava na frente da casa, fazendo pose para as fotos.
- POR QUE VOCÊ FEZ ISSO? – perguntei, chegando perto dela. Sentia cada parte do meu corpo gritando que queria matá-la, estrangulá-la, parti-la ao meio e enterrá-la com os ossos de seus miseráveis ancestrais. Com toda essa raiva, mal percebi Joe e Kevin saindo de casa.
- Porque alguém tinha que tirar aquela vadiazinha da sua vida – a nojentinha respondeu, jogando os cabelos loiro-oxigenados para trás e fazendo biquinho – ela não era pra você, querido Nick.
- EU VOU TE MATAR!- ah, se eu tivesse tido chance...por sorte daquela oxigenada, Joe e Kevin me seguraram a tempo e me levaram pra dentro de casa.
- O que aconteceu? – perguntou Kevin, e senti a primeira lágrima descer pelo meu rosto. Que droga...odeio chorar. Quando choro, meus pais e irmãos percebem que a coisa é séria, e ficam em cima de mim... Me sentei no sofá, e vi Joe e Kevin se sentando de um lado e meus pais do outro. Frankie ficou na minha frente, ajoelhado, perguntando o que aconteceu.
- A Ingrid! Uma louca me beijou, na hora que ela tava voltando pra buscar...a...a...ja...jaque... – cara, eu tava GAGUEJANDO? Devo estar mal mesmo. Ah, a jaqueta jeans que ela tanto ama, ficou aqui em casa. Comecei a chorar mais, e Joe se retirou por um tempo, voltando com um copo d´água. Agradeci e bebi num só gole, para depois me encostar no sofá e fechar os olhos. Não acredito que isso está acontecendo comigo. Há 5 minutos, eu era o cara mais feliz do mundo, agora me sinto um lixo. Não, o fundo do lixo. Pior, o verme no fundo do lixo.
Pedi que todos me deixassem um pouco sozinho e fui para o meu quarto. Sentei na cama e fiquei olhando para o nada durante um bom tempo. Minha cabeça estava em branco, literalmente. Fui então até a minha janela, que dava para o telhado mais baixo. Não, eu não vou pular. Me sentei e fiquei olhando para lua, e vi a “Constelação Ingrid”, outra lágrima caiu.
- I wanted you here, beside me... – falei, baixinho. Não aguentava pensar que ela apenas partiu sem me ouvir. Tudo o que eu queria agora era ligar pra ela, mas não saIngrid o que iria dizer.
Bom, não custa tentar.
Peguei o telefone e disquei o numero de sua casa. Tocou, tocou, tocou, tocou...nada de atender. Liguei de novo, e de novo...estou bastante repetitivo. Ela não atendeu, tentei seu celular.
- Tentando no celular, maninho? – Joe perguntou da porta.
- Claro... – respondi, bem baixo – droga – joguei o telefone na cama, e me sentei nela – que droga, Joe...Que droga, que droga...que droga.
- Todos percebemos que é uma droga, Nick – pela primeira vez no dia, ele não falou em tom brincalhão. O que era um milagre, considerando que é o Joe – uma perda, como disse papai. Se eu fosse você, ligaria amanhã. Hoje ela não atende ao telefone nem se fosse sua mãe.
- Mas...porque comigo? Porque aquela idiota tinha que me beijar? Porque eu não entrei na hora que vi a maldita moita mexendo? Porque fiquei que nem um idiota lá esperando? Porque... – botei pra fora todas as perguntas que estavam me matando naquele momento, e Joe as ouviu pacientemente. Ele sabe ser um bom ouvinte quando necessário.
- Olhe, Nick, gostaria muito de te ajudar, mas não sou Deus – ele falou – agora tenta dormir um pouco, quem sabe amanhã ela te atende.
- Claro – respondi, indo para o banheiro. Tomei um banho gelado, coloquei uma calça leve e uma camiseta, entrei no quarto e Joe já estava dormindo. Apesar de sempre que o Joe dorme antes que eu, eu tiro uma foto pra sacanear, hoje não estava nem um pouco a fim de fazer algo. Não depois disso tudo.
Me deitei e fiquei olhando para o teto, tentando ao máximo esvaziar minha cabeça. Mas as perguntas pareciam não querer de jeito nenhum deixar meus pensamentos. Que droga, tudo o que queria era dormir para esquecer um pouco tudo isso.
Parece que Deus estava com um pouquinho de dó de mim, pois logo depois de pedir isso, adormeci.
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