Parece que Deus estava com um pouquinho de dó de mim, pois logo depois de pedir isso, adormeci.

Agora eu andava por uma floresta sem fim. Ela era nevoenta e escura, as árvores eram altas e a grama era falha e marrom. Tudo dava um certo arrepio, até que ouvi alguém me chamar.

- Nicholas?

Corri em direção a voz, mas parecia que a floresta nunca acabava.

- Nicholas?

Me chamou de novo, e desta vez, acho que reconheci ser a voz de Ingrid. Corri mais rápido, até que vi uma luz. Continuei correndo, e cheguei ao mesmo lugar onde estávamos: a ponte do córrego. Em cima da ponte, havia uma espécie de névoa branca, pairando definida logo ali.

Fui chegando mais perto, tentando ver o que era aquilo. Até que reconheci o cabelo, apesar de branco, lindo como sempre, os olhos e o rosto.

- Ingrid... – falei baixinho e, apesar da distância, ela olhou pra mim, parecendo me ouvir. Ela não sorriu, mas seu olhar expressava uma espécie de felicidade.

- Nick... – ela falou, e o vento pareceu carregar sua voz através das árvores. O Vento começou a soprar, e a névoa de Ingrid se dissipava aos poucos. Recomecei a sentir o vazio que me dominou quando a vi partir, e então corri.

- NÃO! VOLTA! NÃO VAI EMBORA! DE NOVO NÃO...NÃO ME DEIXA! – comecei a chorar.

Tentei gritar de novo, mas minha voz agora não saía, e eu caí de joelhos. Parecia ter perdido a força em todo o meu corpo. Tudo começou a girar, e eu ainda tentava gritar, sem sucesso. Dei uma ultima olhada na ponte, no córrego, em tudo.

- NICK! ACORDA! – abri os olhos. Me sentia todo sujo, meu rosto molhado, minha garganta formigava, meus olhos ardiam, e então olhei em volta. Estava no meu quarto – Meu Deus, o que foi isso?

- Joe? – perguntei, e esfreguei os olhos. Não apenas Joe, também Kevin, minha mãe, meu pai e Frankie – hã? O que vocês tão fazendo aqui? O que aconteceu?

- Pesadelo, Nick – meu pai falou, e eu passei a mão pelo cabelo encharcado.

- Mais parece que correu a maratona – Joe falou, e eu me sentei – mais a diferença é que quando se corre, você não grita “Ingrid, Ingrid”, não chora ou parece um louco.

- Joe, agora não – minha mãe o reprimiu, e meus pensamentos clarearam. Me lembrei da noite passada, e então olhei para meus pais. Eles pareciam tão preocupados quanto na noite passada.

- Eu...tava...gritando? – perguntei. Nunca gritei, falei ou qualquer coisa dessas durante a noite, sempre tendo um sono tranqüilo.

- Como num hospício – falou Joe, e minha mãe o olhou furiosa – desculpe.

- Preciso de um banho – falei, me levantando e indo para o banheiro. Quando me olhei no espelho, quase que saí correndo. Meus olhos estavam mais inchados e vermelhos que nunca, eu estava todo suado, minha blusa parecia ter sido manchada de vinho. Tomei um banho, e o vazio voltou. Me lembrei de Ingrid, dos seus olhos, seu sorriso, seu jeito, seus passos...Como eu farei para recuperá-la?

Vesti qualquer coisa que vi e desci as escadas, indo para a cozinha. Comi qualquer coisa, voltei para meu quarto e fiquei ali deitado. Senti meus olhos voltarem a lacrimejar, e senti raiva de tudo. Do meu choro, dos fotógrafos, da garota nojenta, de mim mesmo: tudo. Comecei a chorar, sentindo mais o vazio em mim. Tentei de novo o telefone, mas não atendeu. Fiquei a manhã inteira na cama...ou foi o dia? Nem percebi a hora, quando resolvi me levantar. Eram 6h da tarde, e eu fiquei ali, deitado, como um vegetal inútil.

Peguei meu violão, e comecei a tocar algumas notas e acorde, sem prestar atenção. Ingrid...Ingrid...não vai embora. Ah, os olhos dela quando estava indo...estavam tão frios, tão opacos.

Tentei ligar para ela de novo.

- Quem é? – perguntou uma voz embargada, que reconheci ser a de Ingrid. Senti outra lágrima descer pelo meu rosto, só de saber que ela estava tão mal.

- Ingrid! Por favor, não desl... – desligou. Que droga, porque ela não me ouve?

- Joe, sobe aqui! – gritei, e ele apareceu rapidinho.

- Que foi?

- Me faz um favor?

- Dependendo...

- Liga pra Ingrid pra mim?

- Sorry, brother, mas ela me pediu pra não ligar pra ela por você – Joe respondeu – e nem adianta pedir pro Kevin. Ela também pediu pra ele.

- QUANDO VOCÊS FALARAM COM ELA? ELA TÁ BEM? – perguntei.

- Ta sim, na medida do possível, mas não quer te ver nem pintado de ouro. Disse que ta muito magoada.

- JOE, VOCÊ TEM QUE ME AJUDAR! – falei, quase gritando com ele – ela tem que ouvir o que eu tenho a dizer. Por favor, me ajuda.

- foi mal, mas não posso. Dei a minha palavra.

- Droga – caí na cama, com o rosto virado para o travesseiro. Não acredito que isso aconteceu, não pode ser...

- Nick, não esquece que hoje tem show.

- Só o que me faltava – falei. Pela primeira vez, não estava nem um pouco a fim de cantar, tocar, o que fosse. Mas tinha que ir, afinal, o que são dois Jonas Brothers no palco?

Vesti a roupa da noite devagar, dei um jeito no meu cabelo e tentei parar de chorar. Meus olhos já estão ardendo, imagina se ficam vermelhos e eu não consigo tocar? Uma humilhação, e eu ainda levo meus irmãos junto.

Desci as escadas, e já fui para o ônibus estacionado perto da calçada. Ele ficava ali uma hora antes da gente sair, pra dar tempo suficiente de descarregar tudo, intrumentos, etc.

Fiquei ouvindo meu iPod, e um tempo depois meus irmãos, meus pais e o nosso segurança entraram. No caminho, ninguém falou comigo. Até que ouvi alguém comentar que o show seria transmitido ao vivo.

- TRANSMITIDO AO VIVO? QUER DIZER, PELA TEVÊ DAS PESSOAS?

- Não, vai ser transmitido por carta, Nick. Francamente, a tristeza fritou o seu cérebro? – Kevin falou

- Não enche Joe! – respondi, e todos ficaram surpreendidos – a Ingrid pode ver o show! AH, EU TIVE UMA IDÉIA!

Todos ficaram me olhando, como se eu fosse louco. Bom, eu sou louco...pela Ingrid. ELA VAI PODER VER O SHOW! Já sei o que vou fazer...

Corri para o camarim, tentei me arrumar um pouco mais. Só ajeitei um pouco a roupa, e fiquei esperando pelo começo do show. Estava muito inquieto, e meus irmãos fizeram de tudo para me acalmar, mas sem sucesso. Eu estava pensando nisso durante o dia, e não saIngrid se era uma boa idéia, mas agora parece ser a melhor idéia do mundo.

Peguei um papel, e escrevi alguns acordes nele, e entreguei para meus irmãos.

- Decorem isso, quando eu der o sinal, me acompanhem.

- Por que...?

- Por que eu estou pedindo.

Vieram até o nosso camarim para nos chamar, e eu me senti animado pela primeira vez no dia. Fomos até o palco, tocamos várias músicas, até que chegou ao fim do show.

- Gente, eu gostaria de dar um recado rápido. Vocês deixam?

Todos gritaram em concordância.

- Bom, se não sabem, eu estava junto de Ingrid, a garota mais incrível que conheci, e, por um ato realmente vergonhoso por parte de uma fã, eu a perdi. Vocês devem ter visto nas revistas, jornais, o que seja. Pois estou aqui para lhe dizer, Ingrid, que eu te amo muito, e que nunca te machucaria por nada. E essa música é pra você.

Dei o sinal para meus irmãos, e comecei a tocar, sendo seguido por eles. A letra estava praticamente pronta em minha cabeça, e então comecei a cantar.

“I phone you everyday

But I can’t see any light

Please, I just wanted to say

To explain what happened in that night

A really weird way

To meet you, to know you

But I have got to say

I really liked you

Your way to walk

Your way to talk

You smile

You clothes, your stile

Your lips, your kiss

You’ve hypnotized me

Please, don’t go away

Until I say what I’ve got to say

Then we walked thru the night

You with me, by my side

Your hand in mine

Everything was allright

Because I was with you

Standing on the bridge

Talking, smiling to you

You looked at me

And now I only can look at you

Your way to walk

Your way to talk

You smile

You clothes, your stile

Your lips, your kiss

You’ve hypnotized me

Please, don’t go away

Until I say what I’ve got to say

I love you

Every part of my body

Miss you

Everyday

When you’re far away from me

I still be waiting for you

Even if pass a thousand years

I still be waiting for you

Your way to walk

Your way to talk

You smile

You clothes, your stile

Your lips, your kiss

You’ve hypnotized me

Please, don’t go away

Until I say what I’ve got to say

Say that I love you

As the sky need the blue

Say that I need you

As my heart miss you

I love you”

Respirei fundo, tocando o acorde final. Só espero que Ingrid esteja vendo isso.

- Bom, Ingrid, espero que você entenda o que aconteceu! Eu te amo demais!

Levei um leve susto quando ouvi um chiado baixo de microfone sendo ligado, e a voz que mais esperei ver pela noite e o dia inteiro soou pelo lugar.

- Nick, eu também te amo muito, desculpe por eu ter ido embora daquele jeito. Eu deveria ter te ouvido, mas naquela hora, milhares de coisas passaram pela minha cabeça, e não consegui pensar em nada. Por favor, me perdoa? – Todos, até meus irmãos olharam para trás, e quando eu olhei, me senti mais feliz...Ingrid estava ali, os olhos cheios d’água, nas mãos o microfone, e estava sorrindo para mim.

- Claro que sim! – ela correu até mim, e nos abraçamos. A platéia explodiu em palmas, mas parecia que só existia eu e Ingrid ali – não sabe o quando senti sua falta...minha Ingrid.

- Nicholas, acredite – ela sorriu, as lágrimas rolando livremente pelo seu lindo rosto. Como eu estava feliz em vê-la – eu sofri mais que você. Não somente por não ter você comigo, mas por saber que você estaria com outra.

- Nunca estarei com outra. Agora, você é tudo para mim – respondi, dando-lhe um beijo – só tenho olhos para você.

Notas finais
yeey, e todos viveram felizes pra sempre! *-*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.